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Imagiologia Pulmonar e Pleural

A radiologia pulmonar ou torácica inclui a imagiologia dos pulmões e das estruturas circundantes no tórax. A imagiologia do tórax representa uma parte substancial dos exames de imagem realizados rotineiramente. Os métodos de imagem mais comuns incluem o raio-X (radiografia), a tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a ecografia. Cada método de imagem tem determinadas vantagens e desvantagens. Os exames de radiologia, uma vez concluídos, são lidos e interpretados por radiologistas credenciados e treinados; no entanto, a maioria dos médicos deve ter conhecimentos básicos que permitam a interpretação destas imagens.

Última atualização: 19 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Introdução

Antes de interpretar qualquer exame de imagem, o médico deve realizar alguns passos de preparação. Deve seguir-se sempre a mesma abordagem sistemática.

  • Confirmar o nome, data e hora em todas as imagens.
  • Obter os registos da história clínica e do exame objetivo do doente.
  • Confirmar que o exame e a técnica são adequados à patologia em estudo.
  • Comparar as imagens disponíveis da mesma área e obtidas pelo mesmo método.
  • Determinar a orientação da imagem:
    • Marcador direito ou esquerdo no raio-X
    • Nos Estados Unidos, a apresentação padrão das imagens inclui um marcador (ponto) a assinalar o lado direito do doente.
    • Na TC/RM: Nos cortes axiais, a imagem é cortada e vista de baixo para cima (como se estivesse a olhar dos pés do doente para cima).

Raio-X do Tórax

Indicação

Indicações médicas:

  • Situações de emergência:
    • Dispneia
    • Dor torácica
    • Trauma torácico
  • Cuidados de rotina:
    • Sinais e sintomas de infeção pulmonar
    • Hemoptises
    • Suspeita de massa
    • História de ingestão/inalação de corpo estranho
  • Monitorização:
    • Progressão da doença pulmonar
    • Rastreio de tuberculose

Indicações não médicas:

  • Verificação da colocação correta de cateteres IVs, linhas arteriais e tubos
  • Pós-operatório

Vantagens:

  • Baixo custo
  • Baixa dose de radiação
  • Disponibilidade ubíqua
  • Rápido

Desvantagens:

  • Má resolução dos tecidos moles
  • Exposição a radiação ionizante
  • Implica que o doente esteja imóvel para a captação da imagem.

Técnica de exame

Posicionamento:

  • Rotação:
    • Não deve haver rotação.
    • As apófises espinhosas devem encontrar-se a meio caminho entre as extremidades mediais das clavículas
  • Visualização:
    • Os pulmões devem ser totalmente visíveis, dos ápices, acima das clavículas, até às bases.
    • Realizado durante a inspiração: 7–10 costelas posteriores visíveis acima do diafragma
    • Sem sobreposição do queixo sobre o pescoço ou dos braços sobre a periferia do tórax

Posicionamento para incidências específicas:

  • Posteroanterior (PA):
    • A chapa está encostada ao tórax anterior.
    • Os feixes de raios X atravessam de posterior para anterior através do doente
  • Anteroposterior (AP):
    • A chapa está encostada às costas do doente.
    • Os raios-X atravessam de anterior para posterior através do doente.
  • Lateral (de perfil):
    • O doente está em pé.
    • A chapa está encostada ao lado esquerdo ou direito (L ou R) do doente.
  • Decúbito lateral (de perfil deitado):
    • O doente está em posição supina.
    • A chapa está encostada à lateral do doente.
    • O doente fica geralmente com o lado esquerdo para baixo na mesa.

Penetração:

A penetração é o grau em que a radiação atravessou o corpo, resultando numa imagem mais escura ou mais clara.

  • Boa penetração:
    • As costelas são apenas ligeiramente visíveis atrás do coração.
    • A trama vascular é clara, mas não proeminente.
  • Subpenetração: a imagem parece mais branca e as caraterísticas são menos aparentes.
  • Sobrepenetração: a imagem parece mais escura e as caraterísticas são menos aparentes.

Interpretação e avaliação

Abordagem sistemática:

  • Abordagem de dentro para fora (central para periférico):
    • Coração → mediastino e hilo → pulmões/bordas pulmonares → parede torácica → abdómen
    • Assim que é detetada uma alteração, usar a abordagem padrão para chegar aos diagnósticos diferenciais.
  • Abordagem ABCDEFGHI:
    • A: vias aéreas/espaço aéreo (airway/airspace)
    • B: ossos (bones) e tecidos moles
    • C: cardíaco
    • D: diafragma
    • E: derrames pleurais (effusions)
    • F: campos, fissuras e corpos estranhos (fields, fissures, and foreign objects)
    • G: grandes vasos, câmara gástrica
    • H: hilo
    • I: impressão geral

As diferentes incidências são utilizadas para avaliar diferentes regiões do tórax:

  • AP e PA:
    • Campos pulmonares
    • Mediastino
    • Vasos sanguíneos
    • Cavidade pleural
  • Lateral:
    • Espaço retroesternal
    • Espaço retrocardíaco
  • Decúbito lateral: lâminas de fluido/ar (por exemplo, pneumotórax, derrame pleural)

Achados normais

Incidência AP/PA:

  • Coração e mediastino:
    • Traqueia na linha média
    • Sombra da veia cava superior (VCS) imediatamente à direita do mediastino
    • Hilos direito e esquerdo
    • Limites cardíacos direito (aurícula direita) e esquerdo (ventrículo esquerdo) claramente visíveis.
    • Porções da aorta ascendente e descendente visíveis.
  • Pulmões:
    • Os lobos superiores direito e esquerdo devem ser visíveis e limpos.
    • Os lobos inferiores direito e esquerdo devem ser visíveis e limpos.
    • Nota: O lobo médio direito não é bem visualizado nas incidências PA ou AP, já que se sobrepõe a porções dos lobos superior e inferior.
    • Os ângulos costofrénicos e cardiofrénicos devem ser visíveis e nítidos.
    • A carina deve estar na linha média e visível de forma leve.
  • Ossos:
    • Clavículas visíveis e intactas.
    • Omoplatas
    • Apófises espinhosas na linha média, alinhadas com a traqueia
  • Órgãos:
    • O fígado visível sob o hemidiafragma direito deve ser uniforme, sem ar livre.
    • Estômago e cólon visíveis com ar no lúmen sob o hemidiafragma esquerdo.

Incidência lateral:

  • Coração e mediastino:
    • Espaço retroesternal livre.
    • Os limites cardíacos anterior (ventrículo direito) e posterior (aurícula direita) são claramente visíveis.
    • Todo o comprimento da aorta descendente deve ser visível.
  • Pulmão:
    • Vistos da direita, todos os 3 lobos do pulmão direito devem ser visíveis e, da esquerda, apenas 2.
    • O ângulo costofrénico posterior deve ser nítido.
  • Ossos: A coluna torácica tem uma curvatura regular.

Achados patológicos

  • A: vias aéreas/espaço aéreo
    • Via aérea:
      • Traqueia desviada
      • Árvore brônquica assimétrica ou com deformidade evidente
    • Espaço aéreo:
      • Áreas de densidade aumentada (massa, atelectasia, infeção, corpo estranho, etc.)
      • Áreas de densidade diminuída (pneumotórax, hemotórax)
  • B: ossos e tecidos moles
    • Ossos:
      • Fraturas
      • Luxação de costelas, clavículas ou ombros
      • Alterações na coluna
  • C: cardíaco
    • Coração aumentado (o coração de tamanho normal é cerca de ½ da largura do tórax), sugerindo insuficiência cardíaca
    • O esbatimento da silhueta cardíaca sugere a presença de algo (massa, infeção, líquido) à sua frente.
    • Coração de formato estranho sugere anomalias congénitas:
      • Em forma de bota: tetralogia de Fallot
      • Em forma de boneco de neve: retorno venoso pulmonar anómalo total
      • Coração de configuração globular: derrame pericárdico
  • D: diafragma
    • Assimétrico:
      • Paralisia do nervo frénico
      • Malformação congénita
      • Trauma grave
    • Incompleto:
      • Hérnia diafragmática
  • E: derrames (pleurais)
    • Área branca na base dos pulmões
    • Área branca a empurrar o parênquima nas laterais dos pulmões
  • F: campos, fissuras e corpos estranhos
    • A distorção das estruturas anatómicas normais pode sugerir a presença de uma massa.
    • Corpos estranhos radiopacos
    • Corpos estranhos radiolucentes são detetáveis pelo colapso do parênquima pulmonar para além deles.
  • G: grandes vasos, câmara gástrica
    • Câmara gástrica:
      • Deve conter ar, no lado esquerdo sob o diafragma
      • A ausência de ar aponta para patologia GI.
  • H: hilo
    • Calcificações
    • Malformação dos vasos sanguíneos
    • Massas
  • I: impressão geral
    • Existe algo anormal não explicado pela patologia do doente?

Tomografia Computadorizada

Indicação

Indicações médicas:

  • Esclarecimento de radiografia torácica suspeita:
    • Alargamento mediastínico
    • Suspeita de massa pulmonar
    • Pneumonia atípica
    • ARDS
    • Suspeita de patologia intravascular
  • Neoplasia:
    • Estadiamento de tumor primário
    • Deteção de metástases
    • Avaliação dos gânglios linfáticos
  • Trauma major:
    • Avaliação cervical e da coluna torácica
    • Suspeita de patologia subtil não visualizada no raio-X

Vantagens:

  • Excelente resolução de detalhes anatómicos
  • As estruturas podem ser visualizadas em 3 dimensões.
  • Geralmente é o exame goldstandard para patologia pulmonar

Desvantagens:

  • Envolve uma elevada dose de radiação
  • Não disponível de forma ubíqua
  • O doente deve ficar imóvel para o exame.
  • Dispendioso

Técnica de exame

Aparelho de tomografia computadorizada

Fotografia do scanner de tomografia computadorizada:
A mesa motorizada move o doente através do scanner, que contém o tubo de raios X e os detetores.

Imagem: “UPMCEast CTscan” de daveynin. Licença: CC BY 2.0

Tomografia computadorizada padrão:

  • O doente posiciona-se em decúbito dorsal sobre a mesa.
  • A mesa é movida no scanner de TC, que roda em torno do doente.
  • O doente é instruído a segurar a respiração e a permanecer imóvel durante o exame (segundos).
  • Os exames podem ser realizados com ou sem contraste IV ou oral.
  • O timing do contraste IV pode ajudar a direcionar a investigação radiológica para determinadas áreas dos pulmões:
    • Angiografia por TC: visualização dos vasos sanguíneos pulmonares.
    • TC com contraste IV: para realce aórtico (por exemplo, protocolos de disseção) ou para realce de órgão (por exemplo, preferido no trauma para detetar hemorragia ativa)

Modalidades especiais:

  • TC de tórax de alta resolução:
    • Não utiliza contraste
    • Realiza reconstruções tridimensionais (3D) para métodos de imagem adicionais e assistência em cirurgias guiadas por TC
  • Angiografia pulmonar por TC:
    • Usada para obter detalhes do sistema arterial pulmonar
  • Angiografia por TC ou aortografia:
    • Usada para obter detalhes do sistema arterial
    • Requer uma infusão rápida do meio de contraste

Interpretação e avaliação

  • A interpretação deve seguir um padrão sistemático e reprodutível.
  • Selecionar a janela de visualização apropriada para o tecido avaliado:
    • Pulmão
    • Osso
    • Mediastino
  • Rever a história/exame do doente.
  • Comparar com imagens recentes disponíveis da área em estudo.
  • Orientar a imagem:
    • As imagens axiais são vistas como se estivesse a olhar dos pés do doente para cima.
    • As imagens sagitais e coronais podem variar.
  • Identificar as estruturas anatómicas de referência.
  • Observar a “continuidade” das estruturas enquanto se percorre os cortes da imagem.

Achados normais

  • Tecido pulmonar:
    • Cinza escuro uniforme, tendendo para o preto
    • Cisuras menor e maior do lobo direito e maior do lobo esquerdo visíveis
  • Vias aéreas:
    • Laringe, traqueia e brônquios são visíveis como espaços pretos cheios de ar.
    • Menores
  • Coração:
    • 4 câmaras visíveis
    • O pericárdio não deve ser distinguível nos indivíduos saudáveis.
  • Vasos sanguíneos:
    • Estruturas cheias de sangue aparecem mais claras na TC com contraste.
    • Vasos principais (artérias e veias pulmonares, aorta e veia cava superior) contínuos com o coração
    • Cada brônquio menor (preto) está emparelhado com um vaso sanguíneo (branco).
  • Estruturas ósseas:
    • Costelas, vértebras, clavículas, omoplatas e úmeros devem ser visíveis e de cor mais clara (estruturas mais densas).
  • Estruturas abdominais:
    • O diafragma deve ser visível a dividir os pulmões das vísceras.
    • O fígado deve ser visível, com uma cor uniforme, com exceção da vasculatura, sob o hemidiafragma direito.
    • Bolha de ar gástrica e intestino visíveis sob o hemidiafragma esquerdo.

Achados patológicos

  • Parênquima pulmonar:
    • Opacidade:
      • Sugere consolidação/infeção
      • Geralmente também visível no raio-X
      • A TC permite melhor localização anatómica (por exemplo, lobar, difusa, dependente / gravitacional) e caracterização (por exemplo, irregular, loculada).
    • Perda de volume pulmonar (atelectasia):
      • Colapso do pulmão
      • A TC permite melhor identificação da etiologia (compressiva, obstrutiva, cicatricial).
    • Hiperinsuflação:
      • Destruição do tecido distal ao bronquíolo terminal
      • Mais frequentemente observado no enfisema
      • A TC é mais sensível que a radiografia para o diagnóstico e permite uma melhor caracterização da doença.
    • Nódulos e neoplasias:
      • Nódulos < 1 cm de diâmetro não são avaliados de forma fiável pela radiografia.
      • A TC permite uma avaliação detalhada e monitorização da doença.
      • Calcificações, localização e tamanho ajudam a distinguir as lesões benignas de patologias mais preocupantes.
  • Interstício pulmonar:
    • Múltiplas etiologias, incluindo infeção viral e quimioterapia
    • Padrão reticular, nodular ou reticulonodular
    • A TC permite uma melhor caracterização do padrão apresentado, em relação à radiografia.
  • Pleura e pericárdio:
    • A TC permite a caracterização detalhada e fornece pontos de referência para o tratamento.
    • O ar livre entre as membranas aparece escuro.
    • O fluido nas membranas aparecerá com diferentes tonalidades consoante a etiologia.
  • Grandes vasos:
    • Disseção e aneurisma da aorta:
      • A TC com contraste é o exame de escolha.
      • É visível um lúmen duplo na imagem.
    • Embolia pulmonar:
      • A TC com contraste é o exame de escolha.
      • É visível um defeito de preenchimento na imagem.

Ressonância Magnética

Indicação

Indicações médicas:

  • Avaliação detalhada das estruturas de tecidos moles dos órgãos:
    • Timo
    • Miocárdio
  • Doença vascular:
    • Aorta
    • Artéria pulmonar
  • Avaliação da parede torácica:
    • Infeção
    • Tumor
    • Doença que se estende para a pleura ou a partir da pleura
  • Avaliação de massas paravertebrais:
    • Superior à TC porque o osso vertebral pode criar artefactos na TC

Vantagens:

  • Fornece um nível superior de detalhe na imagem dos órgãos internos, ossos, tecidos moles e vasos sanguíneos do que a radiografia de tórax ou TC
  • Pode ser usada para avaliação de grávidas
  • Usada como complemento do exame anterior

Desvantagens:

  • ↑↑↑ Custo
  • Leva muito mais tempo para realizar do que a radiografia de tórax ou mesmo a TC
  • Não é adequada para todos os doentes:
    • Os implantes (principalmente os metálicos) distorcem a imagem.
    • Requer que o doente esteja num espaço ruidoso e fechado.
    • O doente deve ficar imóvel para permitir a aquisição de imagens adequadas.

Técnica de exame

Posicionamento:

  • Decúbito dorsal sobre a mesa
  • A mesa é avançada dentro do scanner.
  • O doente é instruído a permanecer imóvel para a aquisição das imagens.
  • O scanner de ressonância magnética roda em torno do doente.

Angiografia por Ressonânica Magnética (AngioRM):

  • Para examinar os vasos sanguíneos
  • Os exames podem ser feitos com ou sem contraste IV.
  • Os avanços tecnológicos permitiram a criação de reconstruções de imagens 2D e 3D.

Ponderações da imagem:

  • Imagens ponderadas em T1: Os tecidos com alto teor de gordura (por exemplo, substância branca) aparecem brilhantes/brancos e os compartimentos cheios de água (LCR) aparecem escuros/pretos.
  • Imagens ponderadas em T2: Os compartimentos cheios de água (LCR) aparecem brilhantes/brancos e os tecidos com alto teor de gordura (por exemplo, substância branca) aparecem escuros/pretos.
  • Imagens orientadas em cortes 3D:
    • Coronal
    • Sagital
    • Axial

Interpretação e avaliação

  • A interpretação deve seguir um padrão sistemático e reprodutível.
  • Rever a história/exame do doente.
  • Comparar com imagens recentes disponíveis da área em estudo.
  • Orientar a imagem.
  • Identificar estruturas anatómicas de referência.
  • Observar a “continuidade” das estruturas enquanto percorre os cortes imagiológicos.

Achados normais

  • Timo:
    • Tamanho:
      • Máximo nas idades dos 12 aos 19 anos, depois involui
      • Massas redondas de tecidos moles de 7 mm após os 19 anos
    • Forma:
      • Margens convexas, retas ou côncavas consoante a idade do doente
      • Lobulação dos tecidos moles
  • Miocárdio:
    • Parâmetros estatisticamente normais:
      • Espessura muscular
      • Tamanho ventricular
      • Volume telediastólico
  • Anatomia detalhada das estruturas de tecidos moles:
    • Medula espinhal
    • Parênquima pulmonar
    • Diafragma
    • Parte superior do fígado
    • Vasculatura

Achados patológicos

  • Timo:
    • Hiperdensidades:
      • Nódulos
      • Massas
    • Aumento do tamanho/alterações da textura:
      • Neoplasias malignas
  • Miocárdio:
    • Alterações de tamanho, forma ou espessura:
      • Miocardite
      • Sarcoidose cardíaca
      • Cardiomiopatia de Takotsubo
      • EAM com artérias coronárias não obstruídas (MINOCA, pela sigla em inglês)
      • Cardiomiopatias
  • Vasos sanguíneos:
    • Sinal do duplo lúmen:
      • Disseção aórtica
    • Alteração do diâmetro da veia pulmonar:
      • Hipertensão pulmonar

Mnemónica

RM ponderada em T2 = H2O é branca

Ecografia

Indicação

Indicações médicas:

  • Imagem de áreas com fluidos:
    • Ascite
    • Edema
  • Situações em que a radiação está contraindicada:
    • Gravidez
    • Alta predisposição para malignidade
  • Outras situações específicas incluem:
    • Trauma
    • Suspeita de infeção do parênquima pulmonar e pleura
    • Avaliação da anatomia e função cardíaca
    • Para auxiliar procedimentos

Vantagens:

  • Pode ser realizada à cabeceira do doente
  • Rápida de executar
  • Baixo custo
  • Sem exposição a radiação ionizante
  • Funciona bem para imagiologia de tecidos moles

Desvantagens:

  • A qualidade depende da experiência do utilizador.
  • A resolução da imagem pode variar.

Técnica de exame

  • Transtorácica:
    • A sonda é colocada na parede torácica externa sobre a área de interesse.
    • O feixe de ultrassons é orientado para a anatomia desejada.
  • Transesofágica:
    • A sonda é colocada no esófago do doente.
    • Permite obter imagens mais próximas das estruturas mediastínicas
  • Planos de imagem:
    • Sagital (ou longitudinal): ao longo do eixo longo da estrutura em estudo
    • Transversal: perpendicular ao plano sagital
  • Tipos de imagens:
    • Imagens estáticas (fotografias)
    • Imagens “cine”: capturadas durante o exame em tempo real
  • A definição ou nitidez da imagem gerada pode ser caracterizada em termos de:
    • Definição axial:
      • Diferenciação de 2 objetos próximos um do outro, paralelos ao feixe
      • Determina a profundidade do feixe de ultrassons; a qualidade é influenciada pela penetração do feixe
    • Definição lateral:
      • Diferenciação de 2 objetos no plano perpendicular ao feixe
      • Determina a capacidade da sonda em distinguir estruturas perpendiculares ao feixe
      • Determinada principalmente pela largura do feixe

Interpretação e avaliação

  • A interpretação das ecografias é um desafio mesmo para profissionais treinados.
  • Deve seguir um padrão sistematizado e reprodutível
  • Rever a história/exame do doente.
  • Comparar com imagens recentes disponíveis da área em estudo.
  • Os fluidos aparecem escuros na ecografia.
  • A funcionalidade doppler pode ser utilizada para determinar o fluxo do sangue.

Achados normais

  • Pulmões:
    • As costelas aparecem brancas.
    • A pleura (localizada logo abaixo das costelas) é escura.
    • Múltiplos reflexos da pleura são observados como linhas horizontais igualmente espaçadas (linhas A)
    • O deslizamento do pulmão é observado enquanto o doente respira.
  • Coração:
    • Anatomia:
      • Miocárdio
      • Válvulas
      • Câmaras
    • Função:
      • O movimento das paredes é coordenado.
      • Função sistólica e diastólica adequada
      • Fluxo desimpedido através das câmaras e das artérias coronárias
Ultrassonografia pulmonar normal

Ecografia pulmonar normal:
(A): Linhas pleurais (setas): As linhas A, ou linhas horizontais que surgem da linha pleural, são separadas por intervalos regulares iguais à distância entre a pele e a linha pleural.
(B): O modo M mostra a linha pleural. Abaixo da linha pleural está o sinal da praia (padrão arenoso) devido à dinâmica pulmonar e ao deslizamento pleural. As linhas horizontais são linhas A, separadas por intervalos regulares (setas).

Imagem: “Normal lung ultrasound” do Department of Critical Care, University Medical Center Groningen, University of Groningen, Hanzeplein 1, Groningen, 9700 RB, The Netherlands. Licença: CC BY 2.0

Achados patológicos

  • Pulmões:
    • Derrame pleural:
      • Padrões sugestivos de acumulação de fluido
      • Espaço hipoecoico
    • Pneumotórax:
      • Deslizamento pulmonar ausente
      • Pulso pulmonar ausente
  • Coração:
    • Anatomia:
      • Anomalias congénitas
      • Remodelação cardíaca após EAM
      • Cardiomiopatia
    • Função:
      • Insuficiência sistólica ou diastólica
    • Fluxo:
      • Estenose ou regurgitação valvular
      • Bloqueio das artérias coronárias
  • Procedimentos ecoguiados

Correlação Clínica

Pneumonia

  • Pode ser observada no raio-X, na tomografia computadorizada ou na ressonância magnética
  • Consolidação (unilateral ou bilateral):
    • Padrão lobar
    • Padrão em vidro fosco
    • Padrão reticular ou reticulonodular
  • +/– broncogramas aéreos, apagamento do ângulo costofrénico
  • +/– Cavitação: radiolucência redonda rodeada por opacificação
  • +/– Formação de abcesso: nível hidroaéreo

Neoplasia maligna

  • Massa no tecido pulmonar no exame de imagem torácico
  • Visível no raio-X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética
  • Número:
    • Única: geralmente primária
    • Múltiplas: metástases
  • Tamanho:
    • > 3 cm: massa
    • < 3 cm: nódulo
  • Margens espiculadas são frequentes.
  • +/– Cavitação, calcificações, derrame, atelectasia e adenopatia hilar

Pneumotórax

  • A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são mais sensíveis do que o raio-X.
  • Linha branca da pleura visceral: ausência de trama pulmonar periférica à mesma
  • Sinal do sulco profundo: ângulo costofrénico deslocado inferiormente e translúcido
  • Pneumotórax simples: sem desvio do mediastino
  • Pneumotórax hipertensivo:
    • Desvio contralateral do mediastino
    • Pulmão contralateral comprimido

Enfisema

  • Visível na radiografia de tórax, tomografia computadorizada e ressonância magnética
  • Pulmões hiperinsuflados:
    • Aplanamento do diafragma
    • Hiperlucência
    • ↑ Diâmetro AP do tórax
    • Costelas amplamente espaçadas
    • Mediastino estreito
  • +/– Bolhas

Derrame pleural

  • Visível na radiografia de tórax, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ecografia
  • Fluido acima do diafragma:
    • Aparece preto na ecografia
    • Branco (hipodenso) na TC e no raio-X
    • Na RM T2, a água aparece branca.
    • Na RM T1, a água aparece escura.
  • No raio-X podem ser utilizadas incidências em decúbito dorsal, ortostatismo e em decúbito lateral.
  • Na radiografia vertical:
    • Ângulo costofrénico apagado
    • Sinal do menisco
  • Pode ocorrer a opacificação completa do hemitórax +/– deslocamento contralateral do mediastino
  • Sinal do sinusóide na ecografia: o pulmão move-se no líquido pleural, visível no exame em tempo real.

Edema pulmonar

  • Visível na radiografia de tórax, tomografia computadorizada e ressonância magnética
  • Líquido intersticial/parenquimatoso nos pulmões
  • Consolidação na imagem, geralmente bilateral
  • +/– Broncogramas aéreos, vascularização pulmonar proeminente, coração aumentado, linhas A e B de Kerley e derrame pleural
  • Aparência clássica em “asa de morcego” devido à cefalização da vasculatura pulmonar e acumulação de líquido

Atelectasia

  • Visível na radiografia de tórax, tomografia computadorizada e ressonância magnética
  • Colapso do tecido pulmonar
  • Opacificação na imagem
  • Tipos:
    • Compressiva: causada por uma massa, derrame ou corpo estranho
    • Obstrutiva: obstrução do fluxo de ar
    • Cicatricial: fibrose a causar compressão
  • +/– Deslocamento de:
    • Fissuras
    • Estruturas mediastínicas
    • Hemidiafragma

Referências

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