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Imagiologia Ginecológica

A realização de um exame de imagem dos órgãos reprodutores femininos internos (incluindo o útero, ovários e trompas de Falópio) está indicada no diagnóstico de queixas ginecológicas comuns, mais frequentemente em casos de hemorragia anormal, dor pélvica e para avaliação de massas, anomalias congénitas e infertilidade. Quase sempre a modalidade imagiológica de 1ª linha é a ecografia, enquanto a RMN está normalmente reservada para casos complicados ou inconclusivos como forma de follow-up. A tomografia computadorizada quase nunca é usada na avaliação ginecológica primária. No caso de serem normais, as trompas de Falópio não são visíveis nem na ecografia, nem na RMN. A melhor forma de avaliar a permeabilidade tubária é através de uma histerossalpingografia, exame fluoroscópico no qual é injetado contraste na cavidade uterina, seguindo-se do estudo de como este flui através das trompas de falópio.

Última atualização: 19 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Órgãos ginecológicos internos frequentemente avaliados por imagiologia

  • Útero
  • Ovários
  • Trompas de Falópio

Métodos imagiológicos de escolha em ginecologia

  • Ecografia: quase sempre o estudo inicial de escolha
  • Ressonância magnética pélvica: normalmente reservada para casos inconclusivos com a ecografia
  • Histerossalpingografia (HSG): um exame fluoroscópico utilizado para avaliar a permeabilidade tubária
  • Nota sobre a TC:
    • Geralmente não é utilizada como método de imagem para os órgãos reprodutores femininos (pior resolução que a ecografia)
    • Pode estar indicada como parte de uma investigação oncológica, na procura de evidência de metastização para os gânglios ou outros órgãos abdominais
    • A patologia ginecológica pode ser identificada na tomografia computadorizada (por exemplo, durante uma investigação no SU por dor abdominal inferior) → em seguida, tipicamente realiza-se uma ecografia para melhor avaliação

Preparação

Antes da interpretação de qualquer exame de imagem, o médico deve realizar alguns passos preparatórios. Deve seguir-se sempre a mesma abordagem sistemática:

  • Confirmar o nome, data e hora em todas as imagens.
  • Obter a história clínica e realizar o exame objetivo.
  • Confirmar qual o exame e a técnica adequados para a patologia desejada.
  • Comparar com quaisquer imagens disponíveis da mesma região e na mesma modalidade imagiológica.
  • Determinar a orientação da imagem:
    • Marcador direito ou esquerdo no raio-X
    • Na ecografia, o modo padrão de visualização coloca um marcador (ponto) à direita.
    • Na TC/RMN: na incidência axial, a imagem é cortada e vista de baixo para cima (como se estivéssemos a olhar para cima através dos pés).

Ecografia

Indicações

A ecografia (ou sonografia) é quase sempre a modalidade imagiológica de escolha na avaliação dos órgãos reprodutores femininos internos. As indicações incluem:

  • Suspeita de massas ováricas ou das trompas de Falópio:
    • Quistos
    • Neoplasias malignas
    • Gravidez ectópica
  • Hemorragia uterina anormal:
    • Alterações menstruais, incluindo irregularidades na frequência, duração e volume
    • Na gravidez
    • Hemorragia pós-menopausa
  • Dor pélvica (para procurar causas estruturais)
  • Avaliação da presença e localização de dispositivos intrauterinos (DIUs)
  • Avaliação de alterações congénitas
  • Infertilidade
  • Avaliações de rotina na gravidez:
    • Datação
    • Comprimento do colo do útero
    • Avaliação anatómica, do fluido, do crescimento e da posição fetais
  • Auxílio visual para outros procedimentos invasivos, incluindo:
    • Aspiração de óvulos para fertilização in vitro
    • Aspiração de líquido pélvico
    • As indicações obstétricas incluem:
      • Amniocentese
      • Amostra das vilosidades coriónicas

Vantagens

  • Baixo custo
  • Ausência de radiação
  • Facilmente disponível
  • Rápido
  • Muito boa visualização do útero e ovários

Desvantagens

  • Menor resolução do que a ressonância magnética
  • Operador dependente

Tipos de estudos e técnicas de rotina

Ecografia transvaginal (TVUS, pela sigla em inglês):

  • Permite a melhor visualização das estruturas reprodutoras femininas localizadas na pelve
  • Posição: litotomia dorsal
  • O transdutor é colocado dentro da vagina.
  • O transdutor está normalmente:
    • No ou abaixo do colo do útero
    • Inclinado ligeiramente para cima para visualizar os órgãos reprodutores

Ecografia transabdominal (TAUS, pela sigla em inglês):

  • Posição: supino
  • Realizada com a bexiga cheia (afasta as ansas intestinais e permite uma melhor visualização do útero)
  • O transdutor é colocado na parte inferior do abdómen.
  • Melhor para visualizar estruturas acima da pelve verdadeira, como:
    • Um útero aumentado (por exemplo, durante a gravidez)
    • Grandes quistos ou miomas que se estendem para fora da pelve
  • Útil em pessoas que não toleram exames transvaginais

Profundidade e ganho:

  • Determina o campo de visão e as características ecogénicas do tecido
  • O ganho deve ser colocado de forma a que o parênquima seja visualizado sem saturar (“branquear”) muito sinal.
Ultrassonografia transvaginal mostrando uma visão sagital do útero

Ecografia transvaginal em incidência sagital do útero:
A maior parte da estrutura é composta de miométrio normal e homogéneo. O endométrio é a faixa mais hiperecoica (mais clara) no meio. A espessura endometrial é medida perto do fundo uterino e obteve-se o resultado de 7,1 mm, o que é normal em mulheres em idade reprodutiva.

Imagem : “Transvaginal ultrasonography after an episode of heavy bleeding in a 24 year old woman” pelo Mikael Häggström. Licença: CC0 1.0

Modalidades e técnicas avançadas

Ecografia com Doppler:

  • Utilizada para avaliar o fluxo sanguíneo:
    • Nos ovários durante a avaliação da torção ovárica
    • Numa massa anexial, ao avaliar uma gravidez ectópica e/ou neoplasias
    • No sistema cardiovascular fetal e na uteroplacenta
  • O fluxo é frequentemente demonstrado como:
    • Uma onda contínua
    • Aparece um mapa de cores, sobreposto às imagens padrão da ecografia

Ecografia com infusão salina (SIS) (também apelidada de histerossonografia):

  • Posição: litotomia dorsal
  • Colocação de um cateter na cavidade endometrial.
  • Uma sonda de TVUS é inserida na vagina.
  • Enquanto se realiza uma TVUS, a solução salina estéril é injetada na cavidade endometrial em tempo real:
    • A solução salina distende a cavidade, permitindo a avaliação de lesões intracavitárias.
    • Embora o fluido extravase através das trompas de Falópio, estas são demasiado finas para permitir que seja visualizado o fluxo na TVUS.

Ecografia tridimensional (3D):

  • Geração de uma imagem 3D através do computador
  • Especialmente útil durante:
    • SIS
    • Avaliação de alterações uterinas fetais e/ou congénitas (CUAs, pela sigla em inglês)
Ultrassonografia com infusão salina (sis)

Ecografia com infusão salina (SIS, pela sigla em inglês):
A solução salina estéril instilada na cavidade uterina é anecoica (corresponde à porção central escura da imagem); delineia a cavidade endometrial. Nesta imagem observa-se um endométrio normal (faixa hiperecoica/mais brilhante em redor da cavidade) sem alterações focais. O endométrio é circundado pelo miométrio que se estende quase até a borda direita da imagem.

Imagem : “Normal hysterosonography” pelo Mikael Häggström. Licença: CC0 1.0

Interpretação e avaliação

  • As estruturas são avaliadas nos planos sagital e transversal.
  • Devem ser medidos os seguintes tamanhos:
    • Tamanho uterino nos 3 planos (longitudinal, transversal, anterior/posterior)
    • Espessura do endométrio (varia consoante o estadio do cliclo menstrual)
    • Comprimento do colo do útero
    • Tamanho do ovário nos 3 planos e calcular o volume total
  • Observar a posição uterina: por exemplo, antefletida, antevertida, posição média, retrovertida ou retrofletida
  • Observar a presença de qualquer líquido livre na pelve (pequeno, moderado, significativo).
  • Ter em atenção que:
    • Se forem normais, as trompas de Falópio não são visíveis na ecografia (embora massas nestas o sejam).
    • Numa mulher na pós-menopausa, se forem normais, os ovários geralmente não são visíveis na ecografia (demasiado pequenos para serem inequivocamente encontrados).
  • Observar quaisquer lesões ou anomalias, incluindo:
    • Massas
    • Coleções de fluido
    • Alterações da ecogenicidade
    • Alterações estruturais

Ressonância Magnética

Indicações

Embora a RNM pélvica raramente seja um exame de 1ª linha, é geralmente solicitada para melhor visualização das alterações identificadas na ecografia. Algumas razões para solicitar uma ressonância magnética pélvica incluem:

  • Diferenciação entre lesões benignas e malignas, por exemplo:
    • Leiomioma (miomas benignos) versus leiomiossarcoma
    • Cistoadenomas ováricos versus cistoadenocarcinomas
  • Melhor caracterização das CUAs
  • Outras lesões inconclusivas descobertas incidentalmente na ecografia e TC
  • Auxiliar o planeamento pré-operatório (por exemplo, na histerectomia)

Vantagens

  • Fornece imagens com maior detalhe, particularmente, dos tecidos moles (por exemplo, pode identificar gordura numa massa anexial, o que sugere que seja um quisto dermoide)
  • Ausência de radiação
  • Pode ser utilizada na avaliação de patologias em mulheres grávidas

Desvantagens

  • ↑ Custo
  • Demora muito mais tempo a ser realizada do que a ecografia (ou TC)
  • Menor disponibilidade
  • Não é adequada em todos os casos:
    • Os implantes (principalmente de metal) distorcem a imagem.
    • Requer que a doente esteja num espaço fechado e barulhento
    • A doente deve permanecer parada para a aquisição de imagem ser adequada.

Posicionamento

  • Supinação sobre a mesa
  • A mesa move-se em direção ao aparelho.
  • A doente é instruída a permanecer imóvel durante a realização do exame.

Tipos de imagens

  • Ponderada em T1 (T1):
    • A gordura (por exemplo, um lipoma) é clara/branca.
    • A água (por exemplo, um quisto simples) é escura/preta.
  • Ponderada em T2 (T2):
    • A gordura ainda aparece como clara.
    • A água também aparece clara/branca.
  • Imagens orientadas em “fatias” 3D:
    • Coronal
    • Sagital
    • Axial
Tabela: Características dos tecidos na RMN ponderada em T1 versus T2
Tecido Imagens ponderadas em T1 Imagens ponderadas em T2
Fluido Escuro Claro
Gordura Claro Claro
Inflamação Escuro Claro

Interpretação e avaliação

A interpretação deve seguir um padrão sistemático e reprodutível:

  • Observar a “continuidade” das estruturas ao percorrer as “fatias” da imagem.
  • Idêntica à avaliação ecográfica:
    • Medições padrão
    • Orientação uterina
    • Comentar acerca da presença de fluido livre na pelve.
    • Ter em atenção a presença de quaisquer lesões ou anormalidades.

Achados Normais na Ecografia e RMN

  • Tamanho (um útero normal não tem valores de corte definidos):
    • Tamanho uterino aproximado numa mulher em idade reprodutiva: 8 cm x 4 cm x 4 cm + 1 cm em qualquer direção
    • Menor em mulheres na pós-menopausa
  • Formato: contorno normal (forma em pêra invertida com uma curvatura suave do fundo uterino)
  • Miométrio: homogéneo
  • Espessura endometrial:
    • Aparência:
      • Na ecografia: uma fina linha hiperecoica dentro do miométrio
      • Na RMN: semelhante ao fluido → mais escuro em T1, mais claro em T2
    • Durante a menstruação: 2‒20 mm consoante o momento do ciclo menstrual
    • Mulheres na pós-menopausa: ≤ 4 mm
      • Ausência de hemorragia
      • Um endométrio ligeiramente mais espessado pode ainda ser normal.
      • Se ≥ 5 mm com hemorragia na pós-menopausa → é necessária uma biópsia endometrial para descartar neoplasia
  • Ovários:
    • Aproximadamente 4 cm x 2 cm x 1 cm durante a idade reprodutiva
    • Volume < 10 mL
    • Normalmente estão presentes folículos (pequenos quistos) durante os anos reprodutivos
    • Na ecografia: fluxo no Doppler normal, simétrico e bilateral
  • Trompas de Falópio: se normais não são visualizadas
  • Líquido livre: pequena quantidade de líquido hipoecoico simples na pelve (difícil de medir inequivocamente)

Achados Anormais e Outros Achados Incidentais na Ecografia e RMN

Quistos simples e/ou foliculares

  • Um quisto simples refere-se a qualquer coleção de fluido com:
    • Ausência de septo
    • Ausência de componentes sólidos
    • Paredes finas
  • Pode ser grande
  • Os quistos foliculares representam folículos normais em desenvolvimento:
    • Um tipo de quisto simples
    • Normalmente, um folículo dominante emerge vários dias antes da ovulação, com 2 a 3 cm de tamanho.
Tabela: Achados imagiológicos adicionais sugestivos de quistos simples/foliculares
Características ecográficas Características na RMN
  • Anecoico
  • Ausência de aumento do fluxo vascular no Doppler
  • Rodeado por tecido ovárico normal
  • Homogéneo
  • T1: sinal de baixa intensidade (escuro)
  • T2: sinal de muito alta intensidade (claro)
  • Pós-contraste: realce de parede fino e inexpressivo

Quisto de corpo lúteo

  • O corpo lúteo corresponde ao “folículo vazio” após a ovulação.
  • Produz a progesterona necessária para manter a fase inicial da gravidez
  • Corresponde a um achado normal durante a 2ª metade do ciclo menstrual em mulheres que ovulam
Tabela: Achados imagiológicos sugestivos de quistos de corpo lúteo
Características ecográficas Características na RMN
  • Realce espesso
  • Geralmente mede até 3 cm (embora possa atingir tamanhos de até 15 cm)
  • Presença de fluxo periférico no Doppler (“anel de fogo”)
  • Pequena região radiolucente central com ecos internos
  • T1: tipicamente homogeneamente hipointenso (escuro)
  • T2: tipicamente hiperintenso (claro)
  • Realce intenso da parede após administração de contraste
Imagem ultrassonográfica de um cisto de corpo lúteo com paredes espessas e fluxo colorido periférico no doppler

Ecografia de um quisto de corpo lúteo com paredes espessas e coloração do fluxo periférico com Doppler

Imagem de Hetal Verma, MD.

Quisto hemorrágico

  • Hemorragia dentro de quistos foliculares ou de corpo lúteo
  • Resolve espontaneamente em 1‒2 ciclos menstruais
Tabela: Achados imagiológicos sugestivos de quistos hemorrágicos
Características ecográficas Características na RMN
  • Quisto complexo de parede fina
  • Múltiplos ecos internos curvilíneos, finos e de baixo nível dispostos num padrão reticular ou rendilhado
  • T1: iso a hiperintenso (médio a claro)
  • T2: hiperintenso (claro)
  • Realce fraco ou ausente com a administração de contraste
  • Altamente variáveis consoante o tempo decorrido desde o evento hemorrágico

Endometrioma

Um endometrioma corresponde à presença de tecido endometrial no ovário.

  • É um tipo de endometriose
  • Ao contrário dos quistos hemorrágicos, os endometriomas não se resolvem espontaneamente em 1 a 2 ciclos menstruais.
Tabela: Achados imagiológicos sugestivos de endometriomas
Características ecográficas Características na RMN
  • Ecos internos de baixa intensidade, geralmente com aparência de vidro fosco
  • Com/sem septações
  • Mal vascularizado
  • Aparência muito semelhante a um quisto hemorrágico recém-formado
  • T1: hiperintenso (mais claro)
  • Permanece claro em imagens ponderadas em T1 saturadas em gordura
  • T2: hipointenso (mais escuro)
Tabela: Achados na RMN que diferenciam um endometrioma de um quisto hemorrágico
Quisto hemorrágico Endometrioma
T1 Claro Claro
T2 Claro Escuro
Resolução Dentro de 1 a 2 ciclos menstruais → desaparece no exame de follow-up Não resolve espontaneamente → persiste no exame de follow-up

Quistos dermoides (teratomas quísticos maduros)

  • Um tipo de tumor benigno das células germinativas, composto por tecido das 3 camadas germinativas
  • Frequentemente contém gordura, o que é incomum noutros tipos de massas (facilita a identificação na RMN)
  • Imagem heterogénea
  • Com/sem calcificações (dentes)
  • Pode ser assimétrico por natureza → ↑ risco de torção ovárica
Tabela: Achados imagiológicos sugestivos de quistos dermoides
Características ecográficas Características na RMN
  • Massa hiperecoica
  • Sombra acústica distal
  • Com/sem linhas e nódulos hiperecoicos
  • Níveis de fluidos não dependentes
  • T1: contém vários graus de gordura → a gordura é hiperintensa (clara) em T1
  • T1 com supressão de gordura: perda de sinal
  • T2: hiperintenso (claro)

Outras neoplasias ováricas

Neoplasias do ovário: crescimento a partir de uma única célula, que pode ser benigno (não invasivo) ou maligno (invasivo). As neoplasias do ovário são classificadas de acordo com a célula que lhes dá origem em tumores epiteliais, de células germinativas ou estromais (cada classe contendo múltiplos subtipos diferentes). Em relação aos achados imagiológicos, inclui-se:

  • Tumores heterogéneos multinodulares
  • Presença de projeções papilares num quisto
  • Componente(s) sólido(s)
  • Paredes espessas e irregulares
  • Septos
  • Fluxo vascular dentro das septações
  • Presença de ascite
  • Em casos de metastização pode-se visualizar:
    • Adenopatia
    • Nodularidade peritoneal e/ou omental

Torção ovárica

A torção do ovário refere-se à rotação aguda do ovário em torno do seu suprimento sanguíneo. Esta patologia apresenta-se com dor aguda e é considerada uma emergência cirúrgica (para “distorcer”/salvar o ovário). A avaliação passa geralmente apenas pela ecografia.

  • Associa-se geralmente a uma massa ovárica (frequentemente dermoide devido à sua natureza assimétrica)
  • Ovário heterogéneo e aumentado (geralmente > 4 cm)
  • Líquido livre na pelve
  • Com/sem avaliação do fluxo com Doppler (já que a torção pode ser transitória), mas a ausência de fluxo confirma a torção/indica isquemia
  • Frequentemente aparece como normal

Gravidez ectópica

Uma gravidez ectópica corresponde a uma gravidez fora do útero. Uma rutura desta pode resultar numa hemorragia ameaçadora de vida. Uma gravidez ectópica é quase sempre avaliada apenas com a ecografia.

  • Massa extra-ovárica heterogénea complexa com/sem fluxo no Doppler (achado mais comum na ecografia)
  • Presença do saco gestacional com/sem saco vitelino e/ou embrião fora do útero (menos comum)
  • Teste de gravidez positivo na ausência de gravidez uterina

Hidrossalpingite

A hidrossalpingite corresponde ao preenchimento da trompa de Falópio com líquido pós-inflamatório.

  • Estrutura extra-ovárica hipoecoica tubular
  • Pode parecer ter “septações” (na verdade devido a dobras na parede)

Miomas uterinos

Os miomas uterinos (ou leiomiomas) são neoplasias benignas que se originam a partir de uma única célula do miométrio:

  • Massa redonda ou oval a partir do miométrio
  • Encapsulados → margens bem definidas tanto na ecografia como na RMN
  • Geralmente homogéneos
  • Podem ser heterogéneos se estiverem em degeneração
  • Podem encontrar-se em qualquer parte do miométrio, sendo classificados consoante a localização:
    • Submucosos: projetam-se para a cavidade endometrial
    • Intramurais: dentro do miométrio
    • Subserosos: projetam-se para fora do útero, cobertos pela serosa
Tabela: Achados imagiológicos sugestivos de miomas uterinos (leiomiomas)
Características ecográficas Características na RMN
  • Hipoecoicos
  • Com/sem calcificações
  • Podem conter componentes quísticos (anecoicos)
  • T1: miométrio normal mais escuro
  • T2: escuro
  • Realce variável (após a administração de contraste)

Adenomiose

A adenomiose é uma patologia clínica na qual o endométrio se implanta/invade o miométrio, o que normalmente resulta em menstruação intensa e dolorosa. Os achados ecográficos e na ressonância magnética incluem:

  • Aumento do tamanho do útero
  • Espaços quísticos no miométrio
  • Aparência uterina aumentada e globular
  • Espessamento assimétrico do miométrio (sobretudo com uma parede posterior espessada)
  • Perda da margem endometrial bem definida/espessamento da zona juncional

Pólipos endometriais

Um pequeno crescimento de endométrio, que geralmente é pedunculado e frequentemente (embora nem sempre) benigno:

  • Endométrio espessado na TVUS/TAUS e RMN
  • Massa que surge do endométrio e se projeta na cavidade uterina no SIS (melhor teste para visualizar pólipos)
Um pólipo endometrial pedunculado visto na ultrassonografia com infusão salina (sis)
Ecografia de infusão salina (SIS) com um pólipo endometrial pedunculado
Imagem: “3D-MS- View of endometrial outline in the transverse plane shows a localized lesion” pelo Zafarani F., Ahmadi F. Licença: CC BY 2.5 , recortada por Lecturio.

Hiperplasia e cancro endometrial

  • Endométrio espessado tendo em conta a idade e/ou status menstrual
  • Ecogenicidade heterogénea
  • Características sugestivas de cancro:
    • Limites irregulares e/ou mal definidos
    • Invasão franca
    • Espessura > 5 mm em mulheres na pós-menopausa
Espessamento endometrial compatível com hiperplasia endometrial

Espessamento endometrial compatível com hiperplasia

Imagem : “Glandular cystic hyperplasia that is softer than the myometrium on SEG.E endometrium” pelo Goncharenko V. M. et al. Licença: CC BY 2.0, editada por Lecturio.

Histerossalpingografia

Descrição

  • Exame fluoroscópico que permite avaliar:
    • Forma da cavidade uterina
    • Permeabilidade das trompas de Falópio (melhor teste não cirúrgico disponível)
  • Inserção de um cateter na cavidade uterina → injeção de contraste → Raio-X

Indicações

  • Avaliação de CUAs
  • Infertilidade (para pesquisar a presença de alterações congénitas e verificar a permeabilidade tubária)

Contraindicações

  • Gravidez
  • Hemorragia vaginal ativa de causa desconhecida
  • Infeção pélvica ativa

Vantagens

  • Custo relativamente baixo
  • Baixa dose de radiação (embora possa tornar-se alta com o tempo de estudo prolongado)
  • Disponibilidade relativamente fácil
  • Imagens dinâmicas

Desvantagens

  • Má resolução dos tecidos moles
  • Exposição a radiação ionizante
  • Provoca desconforto/dor na doente
  • Difícil de agendar:
    • Deve ser realizada entre o final da menstruação e antes da ovulação (para evitar a interrupção de uma gravidez precoce)
    • Requer frequentemente que tanto um ginecologista (para colocar o cateter) como um radiologista (para interpretar as imagens) estejam presentes na sala durante o estudo

Técnica do exame

  • Posicionamento:
    • Litotomia dorsal na mesa de fluoroscopia
    • A placa é colocada nas costas.
    • Os feixes de raios X originam-se do solo → em direção do teto através da doente
  • Visualização: O campo de visão deve estar focado na pelve.
  • Procedimento:
    • Inserção de um espéculo na vagina com identificação do colo do útero.
    • Inserção de um cateter com balão na ponta na cavidade uterina, através do canal cervical.
    • Injeção lenta de contraste com observação em tempo real na fluoroscopia.
    • Aquisição das imagens.

Interpretação e avaliação

Abordagem sistemática:

  • Abordagem de dentro para fora (central para periférico):
    • Observar o padrão de gás intestinal.
    • Procurar por silhuetas de órgãos sólidos se estiverem no campo de visão (fígado, baço, rim).
    • Procurar planos de gordura normais perifericamente.
    • Procurar evidência de ar livre intraperitoneal.
    • Avaliar os tecidos moles em relação:
      • Ao contorno da cavidade uterina
      • À permeabilidade das trompas de Falópio
      • A calcificações anormais (pedras, massas)
    • Avaliar as estruturas ósseas (altura dos corpos vertebrais, ossos ilíacos, fémures).
  • Abordagem dinâmica:
    • Observar o fluxo de contraste através do canal endometrial e estar atento/a a qualquer:
      • Defeito do preenchimento na cavidade uterina (áreas que não ficam completamente saturadas de contraste)
      • Obstrução
      • Estenose
      • Extravasamento
    • O contraste deve fluir através das trompas de Falópio para os espaços anexiais.

Achados normais

  • Contorno normal da cavidade uterina:
    • Triângulo invertido
    • Ausência de defeitos de preenchimento
  • As trompas de Falópio são preenchidas por contraste → que depois sai através das extremidades de ambas as trompas para a cavidade pélvica (“preenchimento e extravasamento bilateral”)
Exame hsg normal

Achados normais da histerossalpingografia:
Radiografia com um contorno uterino normal e preenchimento e extravasamento bilateral de contraste nas trompas de Falópio

Imagem: “Normal HSG examination” pelo Aziz M.U. et al. Licença: CC BY 3.0

Achados anormais ou incidentais

Hidrossalpingite:

  • Trompas dilatadas preenchidas pelo contraste
  • Com/sem obstrução (ou seja, sem extravasamento livre)
Hsg mostrando obstrução tubária bilateral

Histerossalpingografia com oclusão tubária bilateral e hidrossalpingite

Imagem : “HSG showing bilateral tubal blockage” pelo Aziz M.U. et al. Licença: CC BY 3.0

CUAs:

O útero forma-se a partir dos ductos de Müller, que se fundem na linha média para criar o útero, o colo do útero e a parte superior da vagina. Portanto, inicialmente, estas estruturas encontram-se divididas antes de ocorrer a regressão do septo da linha média. Alterações uterinas congénitas ocorrem geralmente devido a anormalidades na fusão e/ou regressão do septo.

  • Útero septado:
    • Defeito de enchimento a partir do ápice uterino
    • O comprimento do septo varia.
  • Útero bicorno:
    • Defeito de enchimento a partir do ápice uterino
    • 2 cavidades em forma de banana, cada uma a drenar para uma trompa de Falópio normal
  • Útero unicorno: cavidade uterina fusiforme única que drena numa única trompa
  • Útero didelfo: 2 “sistemas” completamente separados
    • 2 cavidades uterinas, cada uma com o seu próprio colo do útero e trompa de Falópio
    • Sem comunicação de um lado para o outro

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Referências

  1. Stewart, E.A. (2021). Uterine adenomyosis. In A. Chakrabarti, A. (Ed.), UpToDate. Retrieved March 3, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/uterine-adenomyosis 
  2. Gunther, R. (2020). Adenomyosis. In Walker, C. (Ed.), StatPearls. Retrieved March 3, 2021, from https://www.statpearls.com/articlelibrary/viewarticle/42961/ 
  3. Schenken, R.S. (2020). Endometriosis: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis. In Eckler, K. (Ed.), UpToDate. Retrieved January 28, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/endometriosis-pathogenesis-clinical-features-and-diagnosis
  4. Schenken, R.S. (2020). Endometriosis: Treatment of pelvic pain. In Eckler, K. (Ed.), UpToDate. Retrieved January 28, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/endometriosis-treatment-of-pelvic-pain

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