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Glândula Pituitária: Anatomia

A glândula pituitária, também conhecida como hipófise, é considerada a “glândula endócrina mestre” porque liberta hormonas que regulam a atividade de vários órgãos endócrinos importantes do corpo. A glândula localiza-se na sela turca, logo abaixo do hipotálamo, que é o principal regulador da glândula pituitária. A hipófise tem 2 lobos: o lobo anterior (a adeno-hipófise) e o lobo posterior (a neuro-hipófise). Cada lobo tem a sua própria regulação, conjunto de produtos de secreção e ciclos de feedback. Alterações na glândula pituitária podem levar a uma ampla gama de condições clínicas, algumas das quais incluem hiperprolactinemia, acromegalia, hipertiroidismo ou hipotiroidismo e diabetes insípida central.

Última atualização: 2 May, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

A glândula pituitária é conhecida como a “glândula endócrina mestre”. Esta glândula recebe estímulos do hipotálamo e secreta várias hormonas diferentes, que têm como alvo final vários órgãos distintos e amplos efeitos em todo o corpo.

Localização

  • Localizada na sela turca do osso esfenoide
  • Logo abaixo do quiasma ótico
  • Conectada ao hipotálamo pela haste hipofisária
  • Fica fora da dura
Complexo hipotálamo-hipófise

Complexo hipotálamo-hipófise:
A imagem mostra a hipófise, composta pelos lobos anterior e posterior, em relação com o hipotálamo.

Imagem: “1806 The Hypothalamus-Pituitary Complex” por OpenStax College. Licença: CC BY 3.0

Estrutura geral

A glândula pituitária está dividida em 2 componentes primários:

  • Adeno-hipófise (também conhecida como hipófise anterior)
  • Neuro-hipófise (também conhecida como hipófise posterior)

As 2 metades funcionam independentemente, como 2 glândulas separadas, cada uma com a sua:

  • Origem embriológica
  • Anatomia
  • Conexões com o hipotálamo
  • Controlo regulatório
  • Funções

Desenvolvimento e Anatomia Geral

Desenvolvimento

Hipófise anterior:

  • Desenvolve-se a partir da bolsa externa da orofaringe (bolsa de Rathke)
  • Derivada da ectoderme oral

Hipófise posterior:

  • Crescimento descendente do 3º ventrículo do cérebro
  • Derivada da neuroectoderme

Anatomia geral

Os principais componentes da glândula pituitária incluem:

  • Pars distalis: a maior parte da porção glandular/hipófise anterior
  • Pars nervosa: a maior parte da porção neurossecretora/hipófise posterior
  • Pars intermedia: uma fina cunha separa a pars distalis da pars nervosa
  • Haste hipofisária:
    • Conecta os lobos, semelhantes a ervilhas, da hipófise (a pars distalis e a pars nervosa) ao hipotálamo
    • Consiste em:
      • Infundíbulo: origina-se da pars nervosa posterior
      • Pars tuberalis: origina-se da pars distalis anterior e envolve o infundíbulo
Principais subdivisões da hipófise da glândula pituitária

Principais subdivisões da glândula pituitária (hipófise)

Imagem por Lecturio.

Conexão com o hipotálamo

Adeno-hipófise/hipófise anterior: através do sistema portal hipotálamo-hipofisário (ou seja, conectado através da circulação):

  1. As hormonas são secretadas por células neurossecretoras na eminência mediana do hipotálamo.
  2. As hormonas entram no plexo capilar primário do sistema porta no hipotálamo.
  3. O plexo capilar primário drena para vénulas conhecidas como veias portais.
  4. As veias portais transportam estas hormonas reguladoras pela pars tuberalis até a hipófise anterior.
  5. Um plexo capilar secundário envolve as células da hipófise anterior.
  6. As hormonas reguladoras deixam o sistema porta e atuam nas suas células-alvo na hipófise anterior.
  7. As células da hipófise anterior libertam as suas hormonas na circulação.
  8. As hormonas hipofisárias são captadas pelas veias circundantes e viajam para os órgãos-alvo periféricos.

Neuro-hipófise/hipófise posterior: através do trato hipotálamo-hipofisário (ou seja, diretamente conectada através de nervos)

  • As hormonas são sintetizadas nos núcleos hipotalâmicos:
    • Núcleos paraventriculares: oxitocina
    • Núcleos supraóticos: hormona antidiurética (ADH, pela sigla em inglês)
  • As hormonas percorrem os axónios neuronais no infundíbulo no pedúnculo pituitário, sendo armazenadas nos terminais axónicos.
  • Os terminais axónicos estão localizados na hipófise posterior.
  • Quando o hipotálamo é estimulado, o sinal viaja pelos axónios no trato hipotálamo-hipofisário → desencadeia a libertação das hormonas armazenadas diretamente na circulação da hipófise posterior
  • Nota: A hipófise posterior pode ser encarada como uma extensão do hipotálamo.

Anatomia Microscópica

Adeno-hipófise (hipófise anterior)

Características gerais:

  • Porção glandular da hipófise
  • Consiste em células endócrinas e redes capilares densas
  • Categorização:
    • As células endócrinas podem ser categorizadas como cromófilos ou cromófobos, com base nas características da coloração.
    • Podem ser diferenciados tipos de células específicos pela coloração imunocitoquímica.
  • As células endócrinas são estimuladas por hormonas hipotalâmicas secretadas nos capilares primários do sistema porta hipotálamo-hipofisário.

Cromófilos:

  • Basófilos:
    • Corticotropos:
      • Libertam a hormona adrenocorticotrófica (ACTH, pela sigla em inglês)
      • 15%–20% das células endócrinas
    • Tireotropos:
      • Libertam a hormona estimulante da tiroide (TSH, pela sigla em inglês)
      • 5% das células endócrinas
    • Gonadotrofos:
      • Liberam a hormona luteinizante (LH, pela sigla em inglês) e a hormona folículo-estimulante (FSH, pela sigla em inglês)
      • 10% das células endócrinas
  • Acidófilos:
    • Lactotropos:
      • Libertam prolactina
      • 15%–20% de células endócrinas
    • Somatotropos:
      • Libertam a hormona do crescimento (GH, pela sigla em inglês)
      • 50% das células endócrinas

Cromófobos:

  • Células que não absorvem bem a coloração
  • A função não é clara.
Microanatomia histologia_of_pars_distalis_of_the_anterior_pituitary_with_cromofóbicos

Microanatomia da pars distalis no lobo anterior da hipófise a mostrar cromófobos, basófilos e acidófilos

Imagem: “Microanatomy of the pars distalis showing chromophobes, basophils, and acidophils” por Mikael Häggström. Licença: CC0 1.0

Neurohipófise (hipófise posterior)

A neuro-hipófise é preenchida com os axónios terminais de células neurossecretoras, de células de sustentação conhecidas como pituícitos e redes densas de capilares fenestrados.

  • Células neurosecretoras (células nervosas):
    • Os corpos celulares estão dentro do hipotálamo.
    • Os axónios não mielinizados percorrem o pedúnculo pituitário.
    • Os terminais axónicos estão localizados na hipófise posterior.
  • Corpos de Herring:
    • Terminais axónicos, que contêm vesículas de produtos de secreção armazenados (oxitocina e ADH), e que esperam para serem libertados
    • Aparecem histologicamente como tumefações eosinofílicas
  • Pituícitos:
    • Células nervosas semelhantes aos astrócitos encontradas no SNC
    • Células de suporte que envolvem os axónios e vasos capilares
    • Mantêm a integridade da barreira hematoencefálica
    • Auxiliam na regulação da libertação de hormonas dos axónios

Vasculatura

Suprimento arterial

  • Artéria hipofisária superior:
    • Fornece o plexo capilar primário na eminência mediana do hipotálamo (forma a 1ª parte do sistema porta hipotálamo-hipofisário)
    • Origina-se da artéria carótida interna
  • Artéria trabecular: conecta as artérias hipofisárias superior e inferior
  • Artéria hipofisária inferior:
    • O principal suprimento arterial para a hipófise posterior
    • Origina-se do tronco meningo-hipofisário (um ramo da artéria carótida interna)
    • Capilares fenestrados → permitem que as hormonas secretadas na hipófise posterior entrem facilmente na circulação sistémica
    • Nota: A hipófise anterior não possui suprimento arterial direto → obtém o seu suprimento da rede capilar do sistema portal

Drenagem venosa

Tanto a hipófise anterior quanto a posterior drenam para:

  • Veias hipofisárias, que drenam para:
    • Seios cavernoso → seios petrosos → veias jugulares internas

Funções

A função primária da glândula pituitária é secretar uma variedade de hormonas reguladoras.

Hormonas da hipófise anterior

As hormonas secretadas pela hipófise anterior afetam muitas das outras glândulas endócrinas importantes do corpo. As hormonas fazem parte de sistemas regulatórios complexos conhecidos como “eixos”. Estes eixos estão resumidos na tabela abaixo.

Tabela: Hormonas e alvos do eixo hipotalâmico-hipofisário (HPA, pela sigla em inglês)
Hormona hipotalâmica Célula-alvo hipofisária Hormona hipofisária Orgão alvo Efeitos finais
Hormona libertadora de corticotrofina (CRH, pela sigla em inglês) Corticotropos ACTH Córtex adrenal Libertação de corticosteroides
Hormona libertadora de tirotropina (TRH, pela sigla em inglês) Tireotropos TSH Glândula tiroideia Libertação de hormonas da tiroide
Hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH, pela sigla em inglês) Gonadotrofos FSH
  • Gónadas
  • Ovários
  • Testículos
Desenvolvimento de folículos ováricos e produção de esperma
LH
  • Gónadas
  • Ovários
  • Testículos
  • Produção de androgénios (ambos os sexos)
  • Estimula a ovulação (mulheres)
Hormona libertadora de hormona de crescimento (GHRH, pela sigla em inglês) Somatotropos GH Muitos órgãos Efeitos anabólicos
Somatostatina (inibidor) Somatotropos GH (inibido) Muitos órgãos Efeitos anabólicos inibidos através da somatostatina
Dopamina (inibidor) Lactotropos Prolactina (inibida) Glândulas mamárias Produção de leite inibida pela dopamina

Hormonas da hipófise posterior

As duas principais hormonas da hipófise posterior são a ADH e a oxitocina, que não estão envolvidas nos eixos reguladores, ao contrário das hormonas da hipófise anterior. Estas hormonas atuam diretamente nos órgãos-alvo finais.

Tabela: Hormonas da hipófise posterior
Hormona Síntese Orgão alvo Função
Hormona antidiurética (ADH) Núcleo supraótico do hipotálamo Rim
  • Reabsorção de água no rim
  • Vasoconstrição
  • Aumentar a pressão arterial
Oxitocina Núcleo paraventricular do hipotálamo Mama Estimula a ejeção do leite durante a lactação
Útero Estimula as contrações uterinas durante o trabalho de parto

Relevância Clínica

  • Hipopituitarismo: caracterizado por um défice de todas as hormonas hipofisárias. Como estas hormonas regulam vários órgãos diferentes, os efeitos da hipofunção hipofisária são multissistémicos. As causas incluem massas hipofisárias, síndromes congénitas, trauma, infeções e danos vasculares. O diagnóstico é realizado através de uma combinação de achados clínicos, níveis hormonais, testes de provocação e imagens cerebrais. O tratamento é a reposição hormonal e a abordagem da etiologia subjacente.
  • Adenoma pituitário: tumores que se desenvolvem no lobo anterior da glândula pituitária. Os adenomas hipofisários são classificados por tamanho (microadenomas ou macroadenomas) e a sua capacidade de secretar hormonas. Os adenomas não funcionantes ou não secretores não secretam hormonas, mas podem comprimir o tecido hipofisário circundante, levando ao hipopituitarismo. Os adenomas secretores secretam várias hormonas, dependendo do tipo de célula a partir do qual evoluem, levando ao hiperpituitarismo.
  • Hiperprolactinemia: níveis elevados de prolactina no sangue. A causa mais comum de hiperprolactinemia é um adenoma secretor de prolactina conhecido como prolactinoma. As apresentações podem incluir galactorreia (corrimento leitoso), oligomenorreia, disfunção erétil e, no caso de grandes tumores, cefaleias e alterações visuais.
  • Acromegalia e gigantismo: causado pelo aumento da produção de GH hipofisária. Tipicamente, o gigantismo refere-se à alta estatura observada em estados de excesso de GH em crianças, antes do encerramento da placa de crescimento, e a acromegalia é o resultado do excesso de GH, após o encerramento da placa de crescimento, levando a extremidades grandes e face característica.
  • Insuficiência adrenal secundária: condição na qual há produção insuficiente de ACTH na glândula pituitária, resultando em atrofia das glândulas adrenais e insuficiência adrenal. A insuficiência adrenal secundária apresenta-se clinicamente com sinais de défice de glicocorticoides (fadiga, perda de peso, hipotensão e hipoglicemia), mineralocorticoides (hipotensão, hipercalemia e hiponatremia) e andrógenos (diminuição da libido, perda de pelos púbico e amenorreia em mulheres).
  • Diabetes insipidus central (DI): condição na qual os rins são incapazes de concentrar a urina devido à falta de ADH circulante. Esta redução dos níveis de ADH ocorrem devido à diminuição da produção no hipotálamo ou devido à diminuição da libertação pela hipófise posterior. A apresentação clínica cursa com poliúria, noctúria e polidipsia. A DI central e nefrogénica são diferenciadas com base nos níveis de ADH medidos e na resposta ao teste de privação de água. A DI central é tratada com desmopressina.
  • Síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética (SIADH, pela sigla em inglês): distúrbio que cursa com diminuição da excreção de água, devido à incapacidade de suprimir a secreção de ADH. Esta síndrome pode associar-se a várias causas, incluindo aumento da produção pela glândula pituitária, devido a trauma, doença ou certos fármacos, secreção ectópica de ADH por neoplasias ou causas hereditárias (SIADH nefrogénica). Deve suspeitar-se de síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética em qualquer indivíduo com hiponatremia, hipo-osmolalidade e alta osmolalidade urinária.

Referências

  1. Welt, C. K. (2021). Hypothalamic-pituitary axis. UpToDate. Retrieved August 13, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/hypothalamic-pituitary-axis 
  2. Ganapathy, M.K. (2021). Anatomy, head and neck, pituitary gland. StatPearls. Retrieved August 13, 2021, from https://www.statpearls.com/articlelibrary/viewarticle/692/ 
  3. M.D., A. K. L., & M.D., T. L. (2019). Histology and Cell Biology: An Introduction to Pathology, 5th ed. Elsevier.

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