Células T

As células T, também conhecidas como linfócitos T, são componentes importantes do sistema imunológico adaptativo. A sua  produção inicia-se a partir das células-tronco hematopoiéticas na medula óssea, das quais surgem as células progenitoras de células T. Estas células migram para o timo para posterior maturação. Uma célula T madura funcional desenvolve-se a partir de um processo gradual: é formado um recetor de célula T (TCR, pela sigla em inglês), que seleciona células T com determinada afinidade para autoantigénios associados a moléculas de maior histocompatibilidade (seleção positiva) e que expressam CD4 ou CD8. Nesta fase, as células predispostas à autoimunidade sofrem apoptose (seleção negativa). De seguida as células T naive maduras são libertadas no timo e circulam até aos órgãos linfoides secundários para serem ativadas. A ativação ocorre quando estão presentes dois sinais (responsáveis por desencadear uma resposta imune): ligação específica do antigénio ao TCR e co-estimulação. Nas células T CD8+ é necessária estimulação adicional de citocinas. A célula T madura indiferenciada (Th0) desenvolve-se em células com diferentes funções, dependendo das citocinas a que são expostas durante a estimulação antigénica: As células CD4+ tornam-se células T auxiliares (Th) e as células CD8+ tornam-se células citotóxicas ou citolíticas. As células Th diferenciam-se noutros subtipos; os mais conhecidos são Th1, Th2, Th17, células Th foliculares e células T reguladoras. Outros tipos incluem células T natural killer e células T de memória. As células T diferenciadas maduras garantem uma resposta imediata e eficaz a agentes patogénicos, células tumorais e tecidos estranhos e fornecem memória imunológica.

Última atualização: Aug 1, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Desenvolvimento das Células T

Introdução

  • Células T (derivadas do timo): responsáveis pela imunidade mediada por células
  • Produção: células-tronco hematopoiéticas (na medula óssea) → progenitor linfoide comum → células progenitoras tímicas precoces → timo
  • No timo:
    • São observadas células progenitoras de células T por volta das 9 semanas de gestação.
    • As células T em desenvolvimento no timo são também conhecidas como timócitos.
    • Ocorrem rearranjos entre genes para formar o recetor de células T (TCR, pela sigla em inglês):
      • A maioria (> 85%) das células T contém cadeias ɑ e β, bem como 1 dos co-recetores CD4 ou CD8.
      • As restantes células T contêm cadeias ɣ e δ.
      • TCR + CD3 formam o complexo TCR.
      • CD3: marcador mais frequentemente usado para identificar células T

Desenvolvimento

O processo inicial ocorre no córtex externo do timo e as células movem-se para o córtex mais profundo à medida que amadurecem.

  • No timo, as células progenitoras expressam CD3, mas carecem de expressão na superfície celular de moléculas CD4 e CD8 e, portanto, são apelidades de células/timócitos duplo-negativos (DN).
  • Posteriormente ocorre o rearranjo dos genes TCR das células DN.
    • Assim como as imunoglobulinas, as proteínas TCR são codificadas nas seguintes regiões de genes:
      • Variável (V)
      • Diversidade (D)
      • Juntando-se (J)
      • Constante (C)
    • A cadeia β sofre rearranjos VDJ, que envolvem o local de ligação ao antigénio.
    • A cadeia ɑ envolve rearranjos VJ no local de ligação ao antigénio.
    • Ocorre ainda rearranjos numa minoria de células T com cadeias δ e ɣ.
    • Este processo contribui para uma maior diversidade de TCR.
  • Existem 4 estadios DN, e estes podem ser distinguidos pela expressão de CD44 e CD25:
    • DN1: CD44+,CD25–
    • DN2: CD44+, CD25+
    • DN3: CD44–,CD25+
    • DN4: CD44–,CD25–
  • No estadio DN3 ocorrem rearranjos da cadeia β (pré-TCR); um erro nesta fase resultará em apoptose.
  • No estadio DN4 os rearranjos da cadeia ɑ são concluídos:
    • São produzidos sinais para avançar com a maturação.
    • O rearranjo dos genes da cadeia α do TCR corresponde à regulação positiva da expressão de CD4 e CD8 (tornando-se células duplamente positivas (DP)).
    • Se os rearranjos do gene da cadeia ɑ não ocorrerem, a célula morre.
  • O complexo recetor α–β TCR–CD3 é completado quando as cadeias ɑ se unem com as cadeias β.
  • Estadios de maturação subsequentes:
    • Seleção positiva:
      • No córtex do timo
      • São selecionadas as células T com TCR com interação moderada (afinidade suficiente) com autoantigénios (no contexto de moléculas de MHC).
    • Seleção negativa:
      • Na medula
      • Células T com TCR com alta afinidade ou forte interação com autoantigénios → apoptose
      • Este mecanismo de tolerância central (no timo) promove a remoção de células T que reagem fortemente aos auto-antigénios identificados.
      • Previne a libertação de células T disfuncionais (que reconhecem autoantigénios e podem ativar a autoimunidade)
      • Mecanismo facilitado pela proteína reguladora autoimune (AIRE)

Estadios

Para atingir a funcionalidade, as células T passam por diversas etapas, desde que são libertadas da medula óssea como células progenitoras até ao seu desenvolvimento no timo. A tabela abaixo resume as principais etapas do processo.

  • Nos estadios iniciais, o objetivo é formar o recetor (não requer a presença do antigénio).
  • As outras etapas envolvem a interação da célula T com autoantigénios e a sua diferenciação em células T auxiliares ou células T citotóxicas.
Tabela: Estadios de maturação de células T
Estadio de maturação Recetor de células T Eventos associados
Célula progenitora Nenhum
  • Da medula óssea → ao timo para maior maturação
  • Tornam-se células DN (ainda sem CD4 e CD8)
Células DN Rearranjo da cadeia β (pré-TCR): a falha no rearranjo leva à apoptose
  • Expresso CD3
  • CD4–, CD8– (sem CD4 e CD8)
Células DP Rearranjo da cadeia ɑ → as cadeias ɑ montam com cadeias β → complexo recetor ɑ–β TCR–CD3 completo (expresso na superfície)
  • CD4+, CD8+
  • As células DP interagem com autoantigénios (no contexto das moléculas do MHC).
  • Algumas células sofrem seleção positiva no córtex do timo com a apresentação do MHC:
    • Ocorre interação intermediária ou moderada entre o MHC e o TCR.
    • Produz as células funcionais
  • Algumas células sofrem seleção negativa na medula do timo:
    • Ocorre alta afinidade ou forte interação entre o MHC e o TCR.
    • As células morrem (apoptose).
    • Previne a libertação de células T disfuncionais (pode ativar a autoimunidade)
  • Alguns não interagem → apoptose
Células T positivas únicas
  • Os sinais celulares acionam as células para expressar CD4 ou CD8, não ambos:
    • Th: com CD4 e interagem com células que expressam MHC classe II
    • Tc: com CD8 e interage com células que expressam MHC classe I
  • As células Th e Tc naive circulam (dos tecidos linfoides para a linfa) e aguardam ativação por células apresentadoras de antigénios, que carregam um complexo peptídeo complementar-MHC.
Tc: células T citotóxicas
Th: células T auxiliares
Estágios de diferenciação de células t

Estadios de diferenciação da célula T:
As células progenitoras vão da medula óssea para o timo para posterior maturação. As células DN (sem expressão de CD4/CD8 ou CD4–/CD8–) tornam-se células pró-T e, mais tarde, células pré-T, após o rearranjo do gene TCR. Durante os vários estadios, as células expressam CD4 ou CD8 e o TCR é adquirido através de rearranjos de genes (células DP). O timo apresenta moléculas de MHC para as células T em desenvolvimento. Algumas células sofrem seleção positiva (interação intermediária entre MHC e TCR) e produzem células funcionais. Algumas células sofrem seleção negativa (forte interação entre MHC e TCR), resultando em morte celular. A libertação de células T disfuncionais, que podem ativar a autoimunidade, é, então, evitada. As células T que não interagem sofrem apoptose. As células T maduras ou expressam CD4 (células T auxiliares) ou CD8 (células T citotóxicas), não ambos.

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Mnemónica

Recorde-se da “regra dos 8” :

  • Restrição do MHC: A célula T só se consegue ligar a um antigénio apenas quando ele é apresentado pela classe correta de proteína do MHC.
  • As células T CD4-positivas reconhecem o antigénio associado às proteínas do MHC de classe II (4 × 2 = 8).
  • As células T CD8-positivas reconhecem o antigénio associado às proteínas do MHC de classe I (8 × 1 = 8).

Ativação e Diferenciação de Células T

Libertação do timo

  • Quando as células T são libertadas do timo, já interagiram previamente com o autoantigénio, sofreram restrição do MHC e obtiveram expressão de CD4 ou CD8.
  • As células T libertadas que expressam o complexo α–β TCR–CD3 de superfície com os co-recetores CD4 ou CD8 são consideradas células T naive maduras:
    • No entanto, ainda não passaram pela ativação e proliferação, uma vez que ainda não interagiram com nenhum antigénio estranho.
    • As células T circulam no sangue e vão para os tecidos linfoides secundários.
    • Os órgãos linfoides secundários (por exemplo, nódulos linfáticos) filtram o material antigénico, permitindo que as células T naive maduras:
      • Interajam com células apresentadoras de antigénios, como macrófagos ou células dendríticas
      • Selecionem os antigénios para serem ativadas
    • Se não ocorrer nenhuma ativação, as células T retornam à circulação.
Estrutura e regiões funcionais de um linfonodo

Estrutura e regiões funcionais de um nódulo linfático: formado por uma cápsula fibrosa rica em colagénio e um seio subcapsular (SCS, pela sigla em inglês) subjacente.
As células são secretadas no (1) córtex (constituído por células B, células T auxiliares foliculares e células dendríticas foliculares [FDCs, pela sigla em inglês], dispostos em folículos primários, nos quais as células B pesquisam os antigénios presentes na rede estromal da FDC); e (2) no paracórtex (que contém células T, células dendríticas [DCs, pela sigla em inglês] e células reticulares fibroblásticas [FRCs, pela sigla em inglês], que formam redes de células estromais e fibras reticulares).
A medula interna é composta por tecidos linfáticos (cordões medulares) separados por seios medulares constituídos por linfa.

Imagem: “The structure of the lymph node” por Colbeck, Ager, Gallimore e Jones. Licença: CC BY 4.0

Ativação

  • A ativação completa de uma célula T desenvolvida para desencadear uma resposta imune requer 2 sinais;
    1. O TCR reconhece o antigénio apresentado pela célula apresentadora de antigénio (por exemplo, uma célula dendrítica).
    2. Coestimulação:
      • Desempenhado por uma molécula coestimuladora (por exemplo, CD28)
      • Interação de uma proteína B7 na célula apresentadora de antigénio com o CD28 da célula T
      • Sinal necessário para a sobrevivência e proliferação da célula
      • Sinal necessário para induzir a diferenciação (estado efetor ou memória)
      • Permite a cooperação célula a célula
  • Sem o sinal coestimulatório, a célula T pode adotar um estado de anergia (a célula está viva, mas sem resposta parcial ou total devido à ativação parcial).
  • Efeitos:
    • A coestimulação ajuda a evitar a ativação de células T por antigénios benignos.
    • Para além disso, as células T CD8+, que são citotóxicas, requerem um “sinal” adicional dado pelas citocinas das células T CD4+ (evitando a sua ativação inadvertida).
  • Os mecanismos inibitórios ou “pontos de verificação” nas células T impedem a ativação descontrolada das células T:
    • Antigénio-4 de linfócitos T citotóxicos (CTLA-4)
    • PD-1 (morte celular programada-1)
Modelo de 2 sinais - dependência de células t na coestimulação

Sinais de dependência de células T na coestimulação:
Quando o sinal 1 (ligação do TCR ao antigénio apresentado pela molécula do MHC da célula apresentadora de antigénios) e o sinal 2 (interação da molécula coestimuladora entre a célula apresentadora de antigénios e a célula T) estão presentes, a célula T madura é totalmente ativada.
O ponto laranja na imagem da esquerda exemplifica a ligação adequada entre o antigénio e o TCR. No entanto, quando tanto o sinal 1 (a imagem do meio não apresenta a ligação do antigénio com o TCR) como o sinal 2 (a imagem da direita não mostra a coestimulação) estão ausentes, a célula T não é totalmente ativada.
O resultado esperado seria a anergia (estado de ausência de resposta), apoptose (morte celular) ou desconhecimento (a célula T não percebe ou não é afetada pelo antigénio).
TCR: recetor de células T

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Proliferação e diferenciação

  • Proliferação clonal:
    • Fim da ativação
    • A libertação de IL-2 (fator de crescimento de células T) das células T leva à sua multiplicação.
  • Dependendo das citocinas às quais são expostas durante a estimulação do antigénio, as células T maduras indiferenciadas (Th0) desenvolve-se em células com diferentes funções:
    • As células T CD4+ tornam-se:
      • Células auxiliares foliculares (Tfh)
      • Células T (Th) efetoras/auxiliares
      • Células T reguladoras (Treg) ou supressoras
    • As células T CD8+ tornam-se células T citotóxicas.
  • Algumas células T ativadas permanecem nos órgãos linfoides secundários e outras prosseguem para áreas de inflamação tecidual para desempenhar funções efetoras.

Células T CD4+

Descrição geral da diferenciação de células T auxiliares

As células T auxiliares apresentam diferentes perfis de citocinas e papéis na resposta imune.

Tabela: Descrição geral da diferenciação de células Th
Células T CD4+ Diferenciação estimulada por Funções Citocinas produzidas
Th1
  • IL-12
  • IFN-γ
  • Ativação de macrófagos
  • Ativação de células T citotóxicas
  • IFN-γ
  • TNF
  • IL-2
Th2
  • IL-2
  • IL-4
  • Ativação e eosinófilos, ↑ IgE
  • Ativação de mastócitos
  • IL-4
  • IL-5
  • IL-6
  • IL-9
  • IL-10
  • IL-13
Th17
  • IL-1
  • IL-6
  • IL-23
  • TGF-β
Promovem a inflamação neutrofílica
  • IL-17
  • IL-21
  • IL-22
Tfh IL-6 Facilitam a ativação e maturação das células B
  • IL-4
  • IL-21
Treg
  • TGF-β
  • IL-2
  • Suprimem a resposta imune
  • Promovem a autotolerância
  • TGF-β
  • IL-10
  • IL-35
IFN: interferão
TGF: fator de transformação do crescimento
TNF: fator de necrose tumoral
Subconjuntos de células t auxiliares cd4-+

Subconjuntos de células T auxiliares CD4-positivas:
Após a ativação por uma célula dendrítica, na presença de citocinas específicas, uma célula T CD4 positiva “naive” divide-se e diferencia-se em subconjuntos efetores/auxiliares (Th1, Th2 ou Th17) ou auxiliares foliculares (Tfh). Cada tipo de célula produz citocinas que facilitam a ativação de outras células imunes.
IFN: interferão
TNF: fator de necrose tumoral

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Th1

  • Diferenciação estimulada por: IL-12 e IFN-γ
  • Inibidas por: IL-4 e IL-10 (de Th2)
  • Produzem as citocinas IFN-γ, IL-2 e fator de necrose tumoral (TNF)
  • Expressam fatores de transcrição T-BET e transdutor de sinal e ativador de transcrição 4 (STAT4)
  • Funções:
    • Ativam os macrófagos → aumento da fagocitose e formação de granulomas
    • Ativam os linfócitos citotóxicos
    • Ajudam as células B a produzir anticorpos
    • Inibem células Th2
    • Contribuem para a defesa contra bactérias, fungos e vírus
  • Relevância clínica:
    • Envolvidas em reações de hipersensibilidade tardia
    • O défice de IL-12 ou IFN-γ predispõe a infeções micobacterianas, em particular tuberculose.
    • Hiperatividade das células Th1: doenças autoimunes e inflamatórias interligadas (por exemplo, doença de Crohn, Artrite reumatoide)

Th2

  • Diferenciação estimulada por: IL-2 e IL-4
  • Inibidas por: IFN-γ (de Th1)
  • Produzem as citocinas IL-4, IL-5, IL-6, IL-9, IL-10 e IL-13
  • Expressam fatores de transcrição GATA3 e STAT6.
  • Funções:
    • Ativam os eosinófilos e mastócitos
    • Inibem células Th1
    • Ajudam as células B
  • Relevância clínica:
    • A desregulação das células Th2 leva à doença alérgica (por exemplo, asma alérgica, dermatite atópica).
    • Respondem à infeção por alguns vermes helmintas, como Schistosoma e Strongyloides.

Th17

  • Diferenciação estimulada por: IL-1, IL-6, IL-23 e TGF-β
  • Inibidas por: IL-4 e IFN-γ
  • Produzem as citocinas IL-17, IL-21 e IL-22
  • Expressam fatores de transcrição RORC e STAT3.
  • Funções:
    • Ativam a resposta neutrofílica
    • Defesa do tecido barreira
  • Relevância clínica:
    • Aumento da suscetibilidade de infeções mucocutâneas pela levedura Candida albicans nos casos de défice de IL-17
    • A hiperatividade está associada à doença autoimune.

Tfh

  • Diferenciação estimulada por: IL-6
  • Inibidas por: IL-2
  • Produzem as citocinas IL-4 e IL-21
  • Expressam o fator de transcrição Bcl-6.
  • Outros marcadores: CXCR5, CXCL13, PD-1 e ICOS
  • Funções:
    • Células encontradas em centros germinativos de tecidos linfoides secundários, que auxiliam na ativação de células B.
    • A expressão do ligante CD40 (CD40L) interage com o CD40 da célula B.
  • Relevância clínica:
    • A mutação do gene que codifica o CD40L leva à síndrome de hiper-IgM.
    • A hiperatividade leva à doença autoimune.

Tregs

  • Diferenciação estimulada por: TGF-β e IL-2
  • Inibidas por: IL-6
  • Produzem as citocinas TGF-β, IL-10 e IL-35
  • Expressam o fator de transcrição FOXP3.
  • Funções:
    • A resposta irrestrita das células T pode tornar-se patológica, sendo o papel das células Tregs evitar a inflamação excessiva e danos teciduais.
    • Parte do mecanismo de tolerância periférica
    • Podem regular negativamente a atividade de muitas células imunes, incluindo:
      • Células CD4+
      • Células T CD8+
      • Células dendríticas (via CTLA-4 de superfície celular e gene de ativação de linfócitos (LAG-3))
      • Células B
      • Células assassinas naturais
      • Eosinófilos, basófilos, mastócitos
  • Relevância clínica:
    • O aumento da atividade das Tregs (ou ↓ resposta imune) pode ajudar na rejeição de transplantes e doenças autoimunes.
    • A redução da atividade das Tregs (ou ↑ resposta imune) é útil na imunoterapia no cancro e infeções crónicas.
    • Papel significativo na prevenção da rejeição do enxerto e da doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD, pela sigla em inglês)
    • A mutação do gene que codifica o FOXP3 leva à síndrome IPEX (Imunodesregulação Poliendocrinopatia E nteropatia ligada ao X).

Células T CD8+

  • Células T citotóxicas ou citolíticas
  • Dependentes da estimulação de citocinas (IL-2) (das células Th1) para serem ativadas e, posteriormente, saírem dos órgãos linfoides secundários e circularem em busca de alvos
  • Produzem as citocinas IFNγ, TNF-α e TNF-β
  • Fator de transcrição: RUNX3
  • Desempenham funções como a morte de:
    • Agentes patogénicos
    • Células infetadas
    • Células tumorais
    • Aloenxertos
  • A citotoxicidade ocorre através da:
    • Exocitose de grânulos:
      • Após o contacto com a célula-alvo, os grânulos líticos agrupam-se perto da sinapse imunológica.
      • As membranas dos grânulos fundem-se com a membrana celular.
      • O conteúdo dos grânulos, incluindo granzimas e perforinas, entra na célula-alvo.
      • A via das caspases é ativada, levando à apoptose.
    • Expressão do ligante Fas (FasL):
      • O Fas é expresso na superfície de muitas células.
      • O FasL, expresso na superfície da célula T CD8+, é induzido quando um antigénio é reconhecido.
      • A interação Fas-FasL ativa a via das caspases, levando à morte celular.
    • Recrutamento e modulação de células efetoras inflamatórias adicionais, como macrófagos
  • Relevância clínica:
    • Papel proeminente em agentes patogénicos intracelulares (por exemplo, Listeria monocytogenes), que passam pouco tempo em circulação (menos suscetibilidade a anticorpos)
    • Importância semelhante na defesa imunológica contra vírus (por exemplo, VIH)
Mechanisms of cytotoxicity by cd8+ t cells

Mecanismos de citotoxicidade por células T CD8+:
À esquerda: Após contacto com uma célula infetada, a célula T liberta grânulos citotóxicos, perforina e granzimas. A perforina cria um poro na membrana da célula alvo, permitindo que as granzimas entrem na célula. Estas clivam proteínas no interior da mesma, levando à apoptose.
À direita: Quando o FasL interage com o Fas numa célula alvo, a cascata da caspase é ativada e termina em apoptose.

FasL, pela sigla em inglês: ligando Fas
TCR, pela sigla em inglês: recetor de células T
MHC, pela sigla em inglês: complexo principal de histocompatibilidade

Image by Lecturio.

Outros Tipos de Células T

Células T gama-delta

  • Os TCRs consistem em cadeias γ e δ.
  • Não passam pelo estadio duplamente positivo, mas desempenham um papel distinto complementar ao das células T αβ
  • Representam < 5% das células T
  • Encontradas na mucosa intestinal, pele, pulmões e útero
  • Podem ligar-se a moléculas não-MHC para ativação
  • Reconhecem fosfoantigénios de:
    • Mycobacterium tuberculosis
    • Plasmodium sp.

Células T natural killer (NK)

  • Ramificam-se das células T no estadio de desenvolvimento duplamente positivo (CD4+, CD8+).
  • Possuem características morfológicas e funcionais de células T e células NK
  • Reconhecem o antigénio apresentado por moléculas CD1d semelhantes ao MHC classe I
  • Produzem citocinas Th1 e Th2 quando ativadas

Células T de memória

  • Podem ser CD4+ ou CD8+
  • Desencadeiam uma resposta imune anos após a exposição inicial
  • As células T naive não expostas a células dendríticas apresentadoras de antigénios expressam os seguintes marcadores:
    • Positivo para CD45RA
    • Negativo para CD45RO
    • Expressam CD62L e CCR7
  • Após a exposição a antigénios, algumas células T desenvolvem-se em células de memória:
    • Inicialmente residem nos tecidos linfoides (células T de memória central).
    • Tornam-se CD45RO+ e CD45RA–
    • CD62L+ e CCR7+
  • As células de memória T que residem em tecidos periféricos (células de memória efetoras):
    • CD45RO+ e CD45RA–
    • CD62L– e CCR7–
  • Após a reinfeção pelo mesmo antigénio, tornam-se células T efetoras:
    • CD45RA+, CD45RO–, CD62L– e CCR7–
    • Componentes essenciais da imunidade secundária.
    • Podem ser ativadas imediatamente após a invasão do agente patogénico.
Células t de memória e marcadores celulares expressos

Células T de memória e marcadores celulares expressos:
As células T de memória central estão nos órgãos linfoides, enquanto as células T de memória periféricas estão nos tecidos periféricos.

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Relevância Clínica

  • Candidíase mucocutânea crónica (CMCC): síndrome autoimune que envolve infeções crónicas e não invasivas por Candida da pele, unhas e membranas mucosas. A condição clínica está associada a manifestações autoimunes (frequentemente doenças endócrinas). O hipoparatiroidismo é a patologia endócrina mais comum e ocorre em 30% dos pacientes. A insuficiência adrenal (IA) ocorre em > 60% dos casos aos 15 anos. A candidíase mucocutânea crónica decorre de defeitos genéticos no sistema imunológico, incluindo aqueles que afetam o regulador autoimune (AIRE, pela sigla em inglês), importante na seleção negativa de células T, e a via da interleucina (IL) 17, entre outros.
  • Desregulação imune, poliendocrinopatia, enteropatia, síndrome ligada ao X (IPEX, pela sigla em inglês): doença causada por mutações no gene para o fator de transcrição FOXP3. Caracteriza-se pelo comprometimento das células T reguladoras, manifestando-se como doença autoimune com inflamação alérgica. A doença manifesta-se habitualmente em lactentes do sexo masculino com uma tríade de enteropatia, dermatite e doença endócrina autoimune (frequentemente diabetes tipo 1 ou tiroidite). A diarreia pode ser profusa e associada à desidratação, má absorção, acidose metabólica, insuficiência renal e atraso de crescimento. Podem estar presentes outras manifestações como alergia alimentar grave, hepatite autoimune crónica, citopenias autoimunes, nefrite intersticial e atrasos do desenvolvimento. O diagnóstico é obtido por pesquisa da mutação do gene FOXP3. O único tratamento curativo disponível é o transplante de células hematopoiéticas.
  • Leucemia/linfoma de células T adultas: neoplasia de células T maduras rara, mas frequentemente agressiva, causada por uma infeção crónica das células T CD4+ pelo vírus linfotrópico T humano, tipo I (HTLV-I). A infeção é endémica no Japão, Caraíbas e África Central. É comum o envolvimento dos gânglios linfáticos, sangue periférico e/ou pele. As características mais observadas no sangue periférico são as células em “folha de trevo” ou “flor” (células com núcleos hiperlobulados bizarros). O diagnóstico é baseado na apresentação clínica, alterações morfológicas e imunofenotípicas das células malignas e infeção por HTLV-I confirmada. O tratamento inclui agentes antivirais, terapêutica com anticorpos monoclonais, quimioterapia e transplante alogénico de células-tronco.

Referências

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