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Veias: Histologia

As veias são coleções tubulares de células, que transportam sangue desoxigenado e resíduos dos leitos capilares de volta ao coração. As veias são classificadas em 3 tipos: veias/vénulas pequenas, veias médias e veias grandes. Cada tipo contém 3 camadas primárias: túnica íntima, túnica média e túnica adventícia. A circulação venosa é um sistema de baixa pressão com quantidades muito menores de músculo liso e tecido elástico, paredes mais finas e lúmens maiores do que as artérias. As veias são vasos de capacitância com complacência significativa e com capacidade para distender e manter até 70%–80% do volume de sangue em repouso.

Última atualização: Jul 11, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

As veias são coleções tubulares de células que transportam sangue desoxigenado e produtos residuais dos capilares na periferia do corpo de volta ao coração.

Características gerais

As características das veias e do sistema venoso incluem:

  • As veias são mais abundantes que as artérias.
  • Em comparação com as artérias, as veias têm:
    • Lúmens grandes
    • Paredes finas
    • Menos músculo liso e tecido elástico
  • O sangue passa pelas veias por ordem crescente de diâmetro luminal:
    • Começa com os vasos menores (vénulas)
    • Termina no maior vaso (a veia cava)
  • As veias costumam acompanhar uma artéria:
    • As veias circundam a artéria numa rede de ramificações irregulares.
    • Funciona como uma troca de calor em contracorrente → permite que o sangue frio que regressa da periferia seja aquecido antes de voltar ao coração
  • Vasos de capacitância:
    • Colapsam quando vazios, mas são capazes de de distender significativamente (conhecido como compliance)
    • O sistema venoso pode conter até 70-80% do volume de sangue em repouso.

Pressão na circulação venosa

  • A circulação venosa é um sistema de baixa pressão:
    • Média de apenas 10 mm Hg (comparado a 120 mm Hg nas artérias durante a sístole)
    • Flutuações mínimas entre a sístole e a diástole
  • A pressão é afetada pela gravidade e pela proximidade do coração:
    • Mais próximas do coração = ↓ pressão
    • Em comparação com o ortostatismo, a posição reclinada tem ↓ de pressão.
    • Em pé: pressão nos pés mais alta, pressão na cabeça mais baixa
  • A pressão é muito baixa para “empurrar” o sangue espontaneamente contra a gravidade
  • Mover o sangue para cima (contra a gravidade) requer:
    • A ação de bombeamento dos músculos esqueléticos em contração
    • Válvulas venosas unidirecionais que impedem o fluxo retrógrado

Camadas da Parede do Vaso

Todas as veias têm a mesma estrutura básica e são compostas por 3 camadas primárias: túnica íntima, túnica média e túnica adventícia.

Estrutura de uma parede de veia

Estrutura de uma parede de veia

Imagem: “Structure of a vein wall” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0
Corte transversal de artéria e veia

Corte transversal de artéria e veia

Imagem: “Types of Arteries and Arterioles” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0, editado por Lecturio.

Túnica íntima

  • Composta por:
    • Uma única camada de células endoteliais:
      • Células epiteliais simples e escamosas
      • O endotélio nas veias parece liso.
    • Pequenas quantidades de tecido conjuntivo fibroso
    • Válvulas:
      • Formado a partir de endotélio espessado e tecido conjuntivo
      • Encontradas em veias médias (mais frequentemente nos membros e veias inferiores ao coração)
  • Funções:
    • Atua como uma barreira seletivamente permeável
    • Secreta substâncias vasoativas
    • Permite que o vaso sanguíneo tenha um revestimento liso (quando intacta, evita a agregação de plaquetas e/ou eritrócitos)
    • As válvulas ajudam a prevenir o fluxo sanguíneo retrógrado, especialmente nos membros inferiores.
  • Vascularizadas por difusão direta do lúmen
  • Nos capilares: a única camada presente na parede do vaso
  • Nas veias: sem membrana elástica interna (presente, porém, nas artérias maiores)

Túnica média

  • Composta por:
    • Colagénio
    • Músculo liso (muito menos do que nas artérias)
    • Tecido elástico (escasso em comparação com as artérias)
  • Funções: fornece força e estrutura
  • Nas veias: sem membrana elástica externa (porém, presente nas artérias maiores)

Túnica adventícia

  • Também denominada túnica externa
  • Normalmente a camada mais espessa nas veias
  • Composta por:
    • O componente primário é o colagénio, que se funde com o tecido conjuntivo e envolve vasos, nervos e órgãos vizinhos.
    • Fibras musculares lisas longitudinais (somente na veia cava)
  • Funções:
    • Fortalece a parede do vaso
    • Ancora o vaso
  • Inervado por pequenos nervos conhecidos como nervi vasorum
  • Vascularizado por pequenos vasos conhecidos como vasa vasorum

Tipos de Veias

A diferenciação segmentar distingue os 3 tipos primários de veias por tamanho geral, função e composição. As veias geralmente existem num continuum com alterações graduais na morfologia dos vasos ao longo da árvore venosa.

Os 3 principais tipos de veias são:

  1. Pequenas veias e vénulas
  2. Veias médias
  3. Veias grandes
Comparação de tipos de veias

Comparação de veias grandes, médias e pequenas

Imagem: “Comparison of large, medium, and small veins” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0
Pressões intraluminais de diferentes vasos

Pressões intraluminais de diferentes vasos

Imagem por Lecturio.

Vénulas e veias pequenas

  • Marca o início da circulação venosa (drenam os capilares)
  • Vénulas:
    • Paredes mais finas em relação aos seus lúmens
    • Intervalo: 15–100 µm de diâmetro
    • Podem ser bastante porosas → troca de fluidos com o tecido circundante (semelhante aos capilares)
    • Juntam-se para formar veias pequenas
  • Veias pequenas:
    • Geralmente 100 µm–1 mm de diâmetro
    • Podem unir-se para formar plexos venosos
    • Não têm nomes
Venule

Diagrama de uma vénula

Imagem: “Venule” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Veias médias

  • Diâmetro até 1 cm
  • Drenam plexos venosos
  • Acompanham artérias de tamanho médio (distribuidoras)
  • Incorporadas nos compartimentos do músculo esquelético → o músculo esquelético atua como uma bomba, movendo o sangue em direção ao coração
  • As válvulas venosas unidirecionais evitam o fluxo sanguíneo retrógrado dentro das veias → garantem que o sangue continua a avançar
  • Inclui a maioria das veias com nome, por exemplo:
    • Veias cefálicas e basílicas (membro superior)
    • Veias safenas grandes e pequenas (membro inferior)
Veia de tamanho médio

Diagrama de uma veia de tamanho médio

Imagem:Medium-sized vein” de Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Veias grandes

  • Exemplos:
    • Veias cava superior e inferior:
      • As maiores veias do corpo
      • Ambas levam à aurícula direita do coração
    • Veia porta
  • A veia cava tem feixes largos de músculo liso longitudinal dentro de sua túnica adventícia → permite o alongamento ou o encurtamento de acordo com as alterações na postura
Veia grande

Diagrama de uma veia grande

Imagem: “Large vein” de Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Seios venosos

  • Caracterizados por:
    • Paredes especialmente finas
    • Lúmens grandes
    • Sem músculo liso
  • Exemplos:
    • Seio coronário do coração
    • Seios durais do cérebro

Relevância Clínica

  • Insuficiência venosa crónica (IVC): espectro de distúrbios caracterizados por dilatação venosa e/ou função anormal das veias dos membros inferiores, decorrentes da hipertensão venosa. Casos mais graves apresentam alterações na pele, que podem incluir pigmentação da pele, dermatite de estase, lipodermatoesclerose e (eventualmente) o desenvolvimento de úlceras. O diagnóstico geralmente baseia-se apenas nos achados ao exame objetivo. A base do tratamento é a terapia de compressão, embora também existam várias opções cirúrgicas. As úlceras venosas são comuns à medida que a doença progride.
  • Flebite e tromboflebite: A flebite refere-se à inflamação de uma veia e deve-se frequentemente à presença de um trombo, que é conhecido como tromboflebite. Estas condições podem ocorrer em veias profundas e superficiais. Em certas situações, como o período pós-parto ou um cateter vascular, o coágulo pode infetar e levar à tromboflebite sética. O tratamento envolve anticoagulação se houver um coágulo e antibióticos se o coágulo estiver infetado. A flebite superficial isolada é tipicamente benigna e autolimitada.
  • Trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP): A trombose venosa profunda refere-se a um trombo formado numa veia profunda. É mais frequente uma TVP formar-se numa veia femoral, poplítea, iliofemoral ou pélvica. Os pacientes apresentam dor e edema distal ao trombo. Uma EP ocorre se uma porção do trombo se romper, se alojar na vasculatura pulmonar e ocluir o vaso afetado. As embolias pulmonares podem ser fatais. A ecografia pode visualizar o trombo e a anticoagulação é a terapêutica principal.
  • Edema: O excesso de líquido seroso acumula-se numa cavidade corporal ou no espaço intersticial. A pressão hidrostática dentro de uma veia aumenta, levando ao aumento da pressão dentro dos capilares. O aumento da pressão “empurra” o fluído para fora da vasculatura e para o fluído extracelular, resultando em edema. Os sintomas variam dependendo da localização do edema e da etiologia subjacente. O edema é um sintoma de uma grande variedade de doenças.

Referências

  1. Taylor, A.M., and Bordoni, B. (2021). Histology, blood vascular system. In StatPearls. Retrieved April 29, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK553217/ 
  2. Saladin, K.S., Miller, L. (2004). Anatomy and physiology. (3rd Ed., Pp. 752‒753). 
  3. Moore, K.L., and Dalley, A.F. (2006). Clinically oriented anatomy. (5th Ed., Pp 42‒43).

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