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Tricotilomania

A tricotilomania (perturbação de arrancar o cabelo) é uma condição caracterizada pelo arrancar repetitivo de cabelo, resultando em perdas capilares que podem ou não ser percetíveis pelos outros. Esta perturbação é classificada na secção das perturbações obsessivo-compulsivas, pois existe uma sensação de tensão antes do comportamento e que é aliviada após o puxar do cabelo. O diagnóstico é feito clinicamente, através da história clínica e do exame físico. O tratamento inclui intervenções comportamentais, no sentido de reconhecer e responder adequadamente à tensão, e em alguns casos farmacoterapia.

Última atualização: May 20, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A tricotilomania, também conhecida por perturbação de arrancar o cabelo, é caracterizada por um desejo repetitivo ou deliberado de puxar o cabelo, o que ocorre inconscientemente.

  • Pode levar a perda de cabelo visível
  • Requer um sofrimento clinicamente significativo ou um prejuízo funcional

A maioria das pessoas que sofrem da perturbação tendem a arrancar pelos do couro cabeludo, das sobrancelhas e dos cílios, dos membros ou da região púbica e perirretal.

Epidemiologia

  • Ocorre em cerca de 1%–3% da população
  • Ocorre mais frequentemente nas mulheres do que nos homens
  • O início do comportamento surge frequentemente na adolescência, muitas vezes associado a um evento stressante
  • Cerca de ⅓ dos doentes também ingerem o cabelo, o que pode levar à formação de bezoares (bolas de cabelo que podem bloquear o trato gastrointestinal).

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Apresentação Clínica e Diagnóstico

Características clínicas

2 tipos de comportamento:

  • Focal: o doente tem pensamentos sobre experiências pessoais não prazerosas e arranca o cabelo de modo consciente
  • Automática: ocorre inconscientemente quando o indivíduo está ocupado com outras atividades sedentárias

A manipulação oral ocorre frequentemente:

  • Mordiscar o cabelo
  • Engolir o cabelo
Lesões de tricotilomania no couro cabeludo

Lesões de tricotilomania no vértice do couro cabeludo

Imagem: “Trichotillomania lesions on vertex of scalp” por Department of General Medicine, Institute of Medical Sciences, Banaras Hindu University, Varanasi 221005, India. Licença: CC BY 3.0

Abordagem diagnóstica

  • Critérios de diagnóstico clínicos:
    • Arrancar o próprio cabelo de forma recorrente, resultando em perda de cabelo visível
    • Tentativas repetidas de reduzir ou parar o comportamento de arrancar o cabelo
    • O ato de arrancar o cabelo não pode ser explicado por nenhuma outra condição médica.
    • Devem ser excluídas outras perturbações mentais.
    • O comportamento causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional
  • Ao exame objetivo:
    • No padrão de crescimento do cabelo encontram-se diferentes comprimentos e estádios de crescimento.
    • Não existem outras alterações na pele ou no couro cabeludo
  • A biópsia da pele pode confirmar o diagnóstico, embora não seja necessária. Na tricotilomania, a biópsia por punção mostra:
    • Alopécia não cicatricial, não inflamatória
    • Evidência de trauma no folículo (distorção da anatomia)
    • Densidade de folículos pilosos normal
  • Se o doente engolir o cabelo, são necessários estudos radiológicos (ou mesmo procedimentos invasivos) para visualizar eventuais bezoares.
Tricobezoar intragástrico

Cabelo engolido: imagem endoscópica de um tricobezoar intragástrico

Imagem: “Intragastric trichobezoar” por Department of Surgery, School of Medicine, University of Campinas (Unicamp), Rua Tessália Vieira de Camargo, 126 – Cidade Universitária Zeferino Vaz, Campínas – SP – CEP: 13083-887, Brazil. Licença: CC BY 3.0

Tratamento

O tratamento é multidisciplinar e envolve a dermatologista e a psiquiatria.

Psicoterapia

Terapia cognitivo-comportamental (treino de reversão do hábito):

  • Os doentes são treinados para reconhecer os seus impulsos para puxar o cabelo.
  • Os doentes são educados a redirecionar esses impulsos para mecanismos de coping mais saudáveis (técnicas de redução do stress).
  • Apoio social

Tratamentos comportamentais como o automonitoramento e o biofeedback também demonstraram alguma eficácia.

Farmacoterapia

  • Nenhuma terapia medicamentosa está aprovada pela FDA
  • Medicamento(s) que proporciona(m) algum benefício:
    • Antidepressivos tricíclicos, como a clomipramina
    • Inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como a fluoxetina
    • Pensa-se que os estabilizadores de humor, como o lítio, reduzem os comportamentos impulsivos.
  • Corticosteroides tópicos e a hidroxizina HCl (um ansiolítico com atividade anti-histamínica) são usados no tratamento de condições psicodermatológicas.

Prognóstico

  • Quando surge na primeira infância (< 6 anos) é frequentemente autolimitado.
  • Quando surge na idade adulta ou na adolescência (> 13 anos) e, especialmente quando comórbido com outra perturbação psiquiátrica, os sintomas tendem a ser mais duradouros.

Diagnóstico Diferencial

  • Perturbação dismórfica corporal (DDB): perturbação psiquiátrica caracterizada por uma preocupação excessiva com “defeitos” mínimos ou imaginários na aparência. Os pensamentos obsessivos sobre esses defeitos levam a comportamentos compulsivos para encobri-los, seja com cirurgia plástica ou com isolamento social. Os doentes com tricotilomania não puxam o cabelo devido a defeitos ou falhas na aparência do cabelo.
  • Alopecia: perda de pelo em áreas do corpo onde o pelo normalmente cresce. Alopecia pode ser definida como cicatricial ou não cicatricial, localizada ou difusa, congénita ou adquirida, reversível ou permanente e confinada ao couro cabeludo ou universal. A alopecia pode ter várias causas, tais como infecciosas (infeção fúngica por tinea capitis), autoimunes (alopecia areata) ou relacionadas com a tração. Estas condições devem ser excluídas antes de um diagnóstico de tricotilomania ser feito. Nos doentes com tricotilomania o exame físico revela grandes variações nos comprimentos dos restantes cabelos.

Referências

  1. Sadock, B. J., Sadock, V. A., Ruiz, P. (2014). Obsessive-compulsive and related disorders. Chapter 10 of Kaplan and Sadock’s synopsis of psychiatry: Behavioral sciences/clinical psychiatry, 11th ed. Philadelphia: Lippincott Williams and Wilkins, pp. 431–434.
  2. Thomas, E. (2017). Trichotillomania (hair pulling disorder). DeckerMed Medicine. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30745687/
  3. Thompson, J. W., Jr., Winstead D. K. (2019). Impulse-control disorders. Chapter 27 of Ebert M. H., Leckman J. F., Petrakis I. L. (Eds.), Current Diagnosis & Treatment: Psychiatry, 3rd ed. McGraw-Hill. https://accessmedicine.mhmedical.com/content.aspx?bookid=2509&sectionid=200806368

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