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Torção Ovárica

A torção ovárica é uma emergência clínica na qual um ovário (com ou sem as trompas de Falópio) se torce ao longo do seu eixo, o que leva à obstrução parcial ou completa do suprimento sanguíneo. A torção ovárica também é chamada torção anexial ou tubo-ovárica, especialmente se também estiver envolvida uma trompa de Falópio. A torção dos ovários ocorre ao longo do ligamento suspensor do ovário e do ligamento útero-ovárico, que sustentam os ovários e os fixam às paredes pélvicas internas e ao útero, respetivamente. Ocorre com maior frequência em mulheres em idade reprodutiva e quando o ovário é > 5 cm. A torção interrompe o suprimento de sangue ovárico, levando à acumulação de sangue, edema e dor intensa. Por ser uma emergência clínica, precisa de ser tratada de forma imediata com intervenção cirúrgica de forma a prevenir a necrose dos ovários e outras complicações.

Última atualização: Jul 19, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A torção ovárica é a torção dos ovários ao longo do seu eixo. A torção ovárica pode ou não incluir as trompas de Falópio e, se o fizer, é denominada torção anexial.

Anatomia

  • Os ovários são órgãos glandulares pares encontrados dentro da pelve menor.
  • Suspensão dos ovários e suprimento sanguíneo:
    • Ligamento suspensor do ovário (também conhecido como ligamento infundibulopélvico)
      • Liga o ovário à parede lateral da superfície interna da pelve
      • Contém a artéria ovárica
    • Ligamento útero-ovárico (também conhecido apenas como ligamento ovárico):
      • Liga o ovário medialmente ao útero
      • Contém ramos da artéria uterina
      • O principal responsável pela prevenção da torção ovárica
  • Os ovários têm um suprimento sanguíneo duplo, recebendo sangue dos vasos sanguíneos ováricos e uterinos.

Epidemiologia

  • Mais comum em mulheres em idade reprodutiva devido à formação mais comum de quistos fisiológicos.
  • Também pode ocorrer em fetos femininos, recém-nascidos, raparigas pré-púberes e mulheres na pós-menopausa, embora seja menos comum
  • Afeta mais frequentemente mulheres com ovários > 5 cm, que é mais comum em:
    • Tumores e quistos ováricos (encontrados em > 85% dos casos)
    • Mulheres sob tratamentos de fertilidade
    • Síndrome do ovário poliquístico (SOP)
    • Gravidez
  • A torção do ovário esquerdo é menos frequente porque é sustentado pelo cólon sigmoide.
  • A fixação dos ovários diminui o risco de torção e pode ser vista com:
    • Aderências de cirurgias prévias
    • Endometriomas
    • Neoplasias
    • Abcesso tubo-ovárico prévio

Patogénese

A torção ovárica ou anexial envolve a seguinte sequência de eventos:

  1. Torção ao longo do eixo ovárico (ligamento suspensor ou ligamento útero-ovárico)
  2. Compressão/bloqueio da drenagem venosa e linfática dos ovários
  3. Edema local do ovário, trompas de Falópio e ligamentos de suporte
  4. Compressão/bloqueio do suprimento arterial dos ovários
  5. Isquemia, seguida de necrose do tecido ovárico
  6. Hemorragia local de tecido necrótico friável

Apresentação Clínica

  • O sintoma mais comum é uma dor abdominal baixa/pélvica súbita e intensa:
    • Normalmente unilateral, apesar de poder ser difusa
    • Pode irradiar para o resto do abdómen, costas e flanco
  • Achados ao exame objetivo:
    • Sinais de abdómen agudo:
      • Defesa abdominal
      • Dor à descompressão
      • Rigidez abdominal
    • Massa anexial unilateral dolorosa
    • Dor à mobilização do colo do útero
  • Náuseas e vómitos:
    • Sintoma comum
    • Podem ser contínuos ou aparecer de forma intermitente
  • Pode ser observada febre nos casos em que o ovário está em necrose ou rutura.
  • Pode estar presente hemorragia vaginal anormal e corrimento, se associados a rutura ou abcesso.

Diagnóstico e Tratamento

Suspeita-se de torção anexial com base nos sintomas típicos, apoiados por imagiologia com ecografia transvaginal ou ecografia com Doppler, e confirmada durante a laparotomia exploradora imediata.

Análises laboratoriais

  • Hemograma para detetar anemia e leucocitose:
    • Anemia e leucocitose são observadas em casos de hemorragia.
    • Leucocitose é vista em casos de rutura.
  • A medição dos níveis de hCG é importante para excluir uma gravidez ectópica

Imagiologia

  • Ecografia com o Doppler pélvico; muitas vezes não diagnóstica, mas pode mostrar:
    • Um ovário assimétrico aumentado.
    • A diminuição do fluxo sanguíneo venoso no Doppler aponta para torção ovárica.
    • Sinal de Whirpool: torção do pedículo vascular; vista como uma massa redonda hiperecoica com listas hipoecoicas
    • Pode estar presente líquido livre na cavidade pélvica.
  • Nota: um fluxo de Doppler normal não exclui uma torção.
  • A TC pode excluir outras condições clínicas abdominais, como apendicite.

Confirmação cirúrgica

A laparoscopia/laparotomia é o “gold standard” para o diagnóstico de torção ovárica, uma vez que o ovário torcido pode ser visualizado diretamente pelo cirurgião.

Tratamento

  • Deve tentar-se resolução cirúrgica da torção imediata e precoce para salvar o ovário.
  • Abordagem preferida: laparoscopia.
  • Alternativa: laparotomia
  • A viabilidade do ovário deve ser avaliada pelo cirurgião.
  • A necrose é rara quando tratada apropriadamente → a maior parte dos ovários pode ser simplesmente “destorcido” e salvo.
  • O tecido necrótico deve ser removido
  • A quistectomia geralmente está indicada se houer um quisto benigno.
  • Em mulheres na pós-menopausa, a salpingo-ooforectomia é preferida.
  • Se houver suspeita de neoplasia, recomenda-se a observação por um especialista em ginecologia oncológica

Diagnóstico Diferencial

  • Gravidez ectópica: implantação do embrião fertilizado fora da cavidade uterina, geralmente na trompa de Falópio. A gravidez ectópica apresenta dor abdominal súbita e intensa. Quando ocorre a rutura, a gravidez ectópica pode apresentar-se com febre, peritonite e/ou choque hemorrágico. Geralmente, há uma história de amenorreia. Os achados incluem teste de gravidez positivo e dor à mobilização cervical (exame pélvico). O diagnóstico é confirmado com ecografia pélvica e uma tandência anómala nos níveis de hCG seriados.
  • Rutura de quisto ovárico: um quisto ovárico é uma saco preenchido por líquido dentro de um ovário ou na sua superfície, que se pode formar como resultado da ovulação. A rutura de um quisto pode causar dor intensa e hemorragia interna. Os achados diagnósticos podem incluir uma massa anexial e líquido livre na pelve na ecografia, juntamente com um teste de gravidez negativo. O tratamento inclui vigilância para quistos não complicados e cirurgia para quistos associados à hemorragia.
  • Doença inflamatória pélvica (DIP): doença sexualmente transmissível (DST) que envolve órgãos reprodutivos internos, geralmente numa mulher adulta jovem. Esta doença apresenta dor abdominal inferior (principalmente bilateral), dor nos órgãos pélvicos durante o exame pélvico, febre e corrimento vaginal. O diagnóstico é estabelecido com exame pélvico e ecografia.
  • Apendicite: inflamação aguda do apêndice vermiforme e a emergência cirúrgica abdominal mais comum em todo o mundo. As características da apendicite incluem dor abdominal periumbilical que migra para o quadrante inferior direito, febre, anorexia, náuseas e vómitos. O diagnóstico pode ser frequentemente estabelecido clinicamente, mas a TC é usada em casos de incerteza. O tratamento de eleição é uma apendicectomia, mas os pacientes estáveis com perfurações localizadas são frequentemente tratados inicialmente de forma não cirúrgica com antibióticos.
  • Diverticulite: inflamação dos divertículos do cólon. A diverticulite geralmente é do lado esquerdo, mas a apresentação do lado direito também pode ocorrer, especialmente em doentes jovens e em populações asiáticas. As doentes apresentam dor abdominal, febre e alteração do trânsito intestinal. O diagnóstico é feito por TC.
  • Infeção do trato urinário (ITU): infeção bacteriana do trato urinário na forma de cistite (infeção da bexiga) ou pielonefrite aguda (comprometimento dos rins). As ITU apresentam-se com dor suprapúbica e disúria (cistite) ou dor no ângulo costovertebral e febre (pielonefrite). O diagnóstico é feito por análise à urina e TC.

Referências

  1. Guile SL, Mathai JK. (2020). Ovarian torsion. StatPearls. Retrieved May 10, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560675/
  2. Laufer, MR. (2021). Ovarian and fallopian tube torsion. UpToDate. Retrieved June 18, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/ovarian-and-fallopian-tube-torsion
  3. Kilpatrick, CC. (2021). Adnexal torsion. MSD Manual Professional Version. Retrieved June 18, 2021, from https://www.msdmanuals.com/professional/gynecology-and-obstetrics/miscellaneous-gynecologic-disorders/adnexal-torsion

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