Testículos

Os testículos, também conhecidos como gónadas masculinas, são um par de glândulas em forma de ovo, suspensas dentro do escroto. Os testículos têm múltiplas camadas: túnica vaginal externa, túnica albugínea intermediária e túnica vasculosa mais interna. Os testículos são compostos por lóbulos testiculares (contêm tecido intersticial) e túbulos seminíferos (produzem espermatozoides). O suprimento de sangue para os testículos é fornecido principalmente pela artéria testicular. A drenagem venosa é feita através das veias testiculares.

Última atualização: May 2, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Embriologia

Desenvolvimento masculino

  • O desenvolvimento masculino é conduzido pelo cromossoma Y:
    • O cromossoma Y contém o gene determinante de testículo SRY (região determinante do sexo no cromossoma Y).
    • O desenvolvimento da genitália masculina ocorre na presença do gene SRY.
  • As gónadas aparecem como um par de cristas longitudinais (cristas gonadais).
  • Crista gonadal:
    • Formada por uma proliferação do epitélio e uma condensação do mesênquima
    • As células epiteliais penetram no mesênquima e formam cordões sexuais primitivos (no estadio de gónadas indiferenciadas).
    • As células germinativas aparecem após a 6ª semana de gestação.
  • As células germinativas primordiais têm origem no epiblasto e migram:
    • Na 3ª semana de gestação, as células germinativas primordiais residem no saco vitelino próximo do alantoide.
    • Na 4ª semana de gestação, as células germinativas primordiais residem ao longo do mesentério dorsal do intestino posterior.
    • Na 7ª semana de gestação, as células germinativas primordiais invadem as cristas gonadais.

Desenvolvimento testicular

  • Sob a influência do gene SRY
  • Ducto mesonéfrico (wolffiano):
    • Presente nos homens → desenvolvimento dos testículos
    • Degenera sem a presença do gene SRY
    • Células de Sertoli:
      • Secretam fator inibitório mülleriano
      • Bloqueiam a formação da genitália interna feminina
    • Células de Leydig:
      • Secretam testosterona
      • Conduzem ao desenvolvimento do ducto wolffiano para formação da genitália interna masculina
    • Testosterona:
      • Convertida em dihidrotestosterona (DHT, pela sigla em inglês) pela 5-alfa redutase
      • Importante para o desenvolvimento da próstata
    • Na puberdade:
      • Os cordões testiculares adquirem um lúmen, tornam-se túbulos seminíferos e unem-se aos túbulos da rede testicular.
      • O ducto wolffiano torna-se o ducto deferente.

Anatomia Macroscópica

Os testículos (gónadas masculinas) são responsáveis pela produção de esperma e testosterona:

  • Os testículos estão envolvidos por 3 camadas:
    • Túnica vaginal:
      • Camada mais externa
      • Continuação do processo vaginal peritoneal
    • Túnica albugínea:
      • Camada intermediária
      • Onde vasos, nervos e ductos entram na cápsula testicular para iniciar a formação dos lóbulos testiculares
    • Túnica vascular:
      • Camada mais interna
      • Contém vasos sanguíneos
      • Faz fronteira com a superfície interna da túnica albugínea
      • Envolve lóbulos compostos por túbulos seminíferos e tecido intersticial
  • Cordão espermático:
    • Os testículos estão suspensos pelo cordão espermático dentro do escroto.
    • Permite a manutenção de uma temperatura mais baixa
  • Escroto:
    • Bolsa composta de pele altamente glandular com pelos e múltiplas camadas de fáscia/músculo:
    • Conteúdo:
      • Testículos
      • Epidídimo
      • Vaso deferente (ducto deferente)
      • Músculo Cremaster: levanta o escroto para manter uma temperatura ideal
      • Músculo Dartos: enruga a pele para obter a temperatura moderada
      • Fáscia espermática, cremastérica e infundibuliforme (ligada à camada parietal da túnica vaginal)
    • Rafe (linha média escrotal):
      • Estende-se do meato uretral → eixo peniano ventral → ânus
      • Representa a “costura” onde os tubérculos genitais se fundiram durante o desenvolvimento
Anatomia do testículo

As várias camadas e estruturas que constituem os testículos:
Observar a suspensão do cordão espermático, que permite a regulação da temperatura.

Imagem : “Anatomy of the testis” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0
O escroto e os testículos

Vista escrotal externa:
A rafe central na imagem à esquerda representa a “costura” onde os tubérculos genitais se fundiram durante o desenvolvimento. Na imagem central, observar os músculos cremaster e dartos, que são importantes para a regulação da temperatura. À direita, observar uma camada profunda que demonstra os testículos externos, epidídimo e neurovasculatura.

Imagem : “The Scrotum and Testes” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Anatomia Microscópica

Os vasos sanguíneos, linfáticos e os ductos genitais entram no mediastino do testículo e dão origem a numerosos lóbulos compostos de túbulos seminíferos e tecido intersticial :

Túbulos seminíferos

  • Local da espermatogénese
  • Contém espermatozoides em vários estadios de desenvolvimento:
    • Espermatogónia = célula germinativa para todos os espermatozoides
    • Espermatócitos primários → meiose I → 2 espermatócitos secundários → meiose II → 4 espermátides haploides
  • Representa a maior parte do volume testicular
  • Lúmen revestido por células de Sertoli:
    • Células vitais de suporte na espermatogénese
    • Secreção de fluido para facilitar o movimento do esperma
    • Regulam as hormonas nos testículos através da secreção de inibina B e proteína de ligação de androgénios, em resposta às gonadotrofinas

Tecido intersticial

  • Células de Leydig: libertam testosterona em resposta às gonadotrofinas secretadas pela hipófise
  • Células imunes (mastócitos e macrófagos)
  • Nervos e vasos sanguíneos

Epidídimo

O epidídimo é posterolateral ao testículo e consiste em 3 secções:

  • Cabeça:
    • Os túbulos testiculares entram no epidídimo neste local
    • Contém uma alta concentração de células principais com estereocílios para reabsorção do líquido secretor
  • Corpo:
    • Contém músculo liso que auxilia na transmissão de espermatozoides para o ducto deferente durante a ejaculação
    • Desempenha um papel na reabsorção do líquido secretor
  • Cauda:
    • Conduz ao vaso deferente (ducto deferente)
    • Contém músculo liso proeminente

Vaso deferente (ducto deferente)

  • Estrutura tubular com origem na cauda do epidídimo
  • Transporta o esperma para a uretra

Cordão espermático

  • Tem como função a suspensão do testículo
  • Termina no mediastino do testículo
  • Com origem no anel inguinal profundo, atravessa o canal inguinal e sai no anel inguinal externo

Neurovasculatura

Suprimento arterial

  • Testículos:
    • Artéria testicular: a principal fonte de sangue, com origem na aorta
    • Artéria para o ducto deferente: irriga o ducto deferente e o epidídimo
  • Escroto:
    • Ramos pudendos externos da artéria femoral
    • Ramos escrotais da artéria pudenda interna
    • Ramo cremastérico da artéria epigástrica inferior
Vascularização do testículo

A vasculatura robusta do testículo e estruturas circundantes:
Observar que o maior suprimento arterial é a artéria testicular, com origem da aorta. Observar também a grande veia testicular e o plexo pampiniforme.

Imagem por Lecturio.

Drenagem venosa

  • Testículos:
    • A veia testicular direita drena para a veia cava inferior (abaixo da veia renal).
    • Veia testicular esquerda → veia renal esquerda → veia cava inferior
  • Escroto: segue o suprimento arterial com anastomoses arteriovenosas (AV) frequentes
Drenagem venosa do testículo

Drenagem venosa dos testículos que demonstra as diferentes vias de esvaziamento venoso entre a veia testicular esquerda e a veia testicular direita:
Observar que a veia testicular esquerda drena para a veia renal esquerda, mas a veia testicular direita drena diretamente para a veia cava inferior.

Imagem por Lecturio.

Drenagem linfática

  • Testículos:
    • O testículo direito drena para os gânglios linfáticos interaortocavas e paracavais.
    • O testículo esquerdo drena para os gânglios linfáticos para-aórticos e interaortocava esquerdos.
  • Escroto:
    • O lado direito drena para gânglios linfáticos inguinais superficiais direitos.
    • O lado esquerdo drena para gânglios linfáticos inguinais superficiais esquerdos.

Inervação

  • Testículos: via plexos renal e aórtico com origem em T10 e T11
  • Escroto:
    • Nervo ilioinguinal (escroto anterior)
    • Ramo genital do nervo genitofemoral (escroto antero-lateral)
    • 2 ramos escrotais posteriores do nervo perineal (escroto posterior)
    • Ramo perineal do nervo cutâneo femoral posterior (escroto inferior)
Inervação do testículo

Inervação para os testículos

Imagem por Lecturio.

Relevância Clínica

  • Hipogonadismo: caracterizado pela diminuição da produção de esteróides sexuais nas gónadas. Nos homens, o hipogonadismo pode ser o resultado de insuficiência testicular primária ou insuficiência testicular secundária (secundária a distúrbios hipofisários ou hipotalâmicos). Os sintomas do hipogonadismo incluem disfunção erétil, diminuição da libido e regressão ou ausência de características sexuais secundárias.
  • Hidrocelo: as massas escrotais podem resultar de várias causas, sendo que os hidrocelos são 1 das mais comuns. O hidrocelo é uma coleção patológica de fluido na túnica vaginal em redor dos testículos. O varicocelo ocorre quando há dilatação do plexo venoso pampiniforme, que está ligado à veia espermática interna. Os varicocelos estão associados a alteração da função hormonal testicular e à infertilidade. Os espermatocelos são quistos paratesticulares do epidídimo com líquido que contém esperma.
  • Torção testicular: a rotação repentina de 1 dos testículos em torno do eixo. A torção testicular refere-se à torção das estruturas do cordão espermático dentro ou abaixo do canal inguinal. O comprometimento do fluxo sanguíneo de e para o testículo resulta da rotação aguda. O retorno venoso impedido e a perfusão arterial reduzida do testículo pode levar ao enfarte hemorrágico do parênquima testicular. A torção testicular é uma emergência médica e a intervenção cirúrgica geralmente é necessária.

Referências

  1. Isidori A. M., Lenzi A. (2017). Scrotal and Testicular Anatomy. In: Ultrasound of the Testis for the Andrologist. Trends in Andrology and Sexual Medicine. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-319-51826-8_1
  2. Patel A. P. (2017). Anatomy and physiology of chronic scrotal pain. Translational andrology and urology, 6(Suppl 1), S51–S56. https://doi.org/10.21037/tau.2017.05.32
  3. Raghu M. R. (2020). Testicle and Epididymis Anesthesia: Overview, Indications, Contraindications. Emedicine. Com. https://emedicine.medscape.com/article/82983

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