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Síndrome da Serotonina

A síndrome da serotonina é uma doença potencialmente fatal causada por grandes aumentos na atividade serotoninérgica. Esta patologia pode ser desencadeada por doses excessivas de alguns medicamentos serotoninérgicos ou pela toma destes medicamentos em combinação com outros que aumentam a sua atividade. Esta doença é caracterizada por hiperatividade autonómica, instabilidade neuromuscular e alteração do estado de consciência. O tratamento envolve a descontinuação de todos os medicamentos serotoninérgicos, a sedação com benzodiazepinas e o uso de ciproeptadina (um antagonista da serotonina) se as medidas de suporte falharem.

Última atualização: 7 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A síndrome da serotonina é uma doença potencialmente fatal causada por grandes aumentos na atividade serotoninérgica devido à exposição a agonistas da serotonina. Os sintomas definidores de doença incluem a alteração do estado de consciência, a instabilidade autonómica e alterações neuromusculares (tremores, mioclonia).

Epidemiologia

  • A incidência exata é desconhecida devido a:
    • Falta de testes de confirmação
    • Amplo espectro de gravidade
  • O número de casos parece estar a aumentar:
    • Maior reconhecimento da doença por parte dos profissionais de saúde
    • Aumento do uso de medicamentos serotoninérgicos

Etiologia

A síndrome da serotonina é secundária ao uso de medicamentos terapêuticos, a interações medicamentosas ou à sobredosagem.

  • Medicamentos psiquiátricos:
    • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRI, pela sigla em inglês): causa mais comum
    • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina e de noradrenalina (SNRI, pela sigla em inglês)
    • Moduladores de serotonina (trazodona)
    • Inibidores da monoamina oxidase (tranilcipromina, fenelzina, isocarboxazida, selegilina)
    • Antidepressivos tricíclicos
    • Buspirona
  • Medicamentos não psiquiátricos:
    • Tramadol
    • Dextrometorfano
    • Metoclopramida
    • Linezolida
  • Drogas ilícitas:
    • MDMA/ecstasy/molly (3,4-Metilenodioximetanfetamina)
    • LSD (dietilamida do ácido lisérgico)
    • Anfetaminas
    • Cocaína
  • Suplementos/medicamentos à base de ervas:
    • Hipericão ou erva de São João
    • Triptofano

Fisiopatologia

A síndrome da serotonina ocorre a partir de qualquer combinação de drogas/medicamentos que aumentem a neurotransmissão serotoninérgica.

  • Estimulação dos recetores pós-sinápticos 5-HT1A e 5-HT2A
  • Os recetores de serotonina (5-HT) no SNC regulam:
    • Atenção
    • Comportamento
    • Termorregulação
  • Os recetores de serotonina (5-HT) no sistema nervoso periférico (SNP) regulam:
    • Motilidade gastrointestinal
    • Vasoconstrição
    • Contração uterina
    • Broncoconstrição

Apresentação Clínica

Características clínicas da síndrome da serotonina

Características clínicas da síndrome da serotonina:
A síndrome da serotonina ocorre a partir de qualquer combinação de drogas/medicamentos que aumentem a neurotransmissão serotoninérgica, levando à alteração do estado de consciência, à instabilidade autonómica e a alterações neuromusculares.

Imagem de Lecturio.

Hiperatividade neuromuscular

  • Hiperreflexia
  • Mioclonia
  • Alteração do estado de consciência
  • Convulsões
  • Midríase

Desregulação autonómica

  • Taquicardia
  • Pressões arteriais instáveis (geralmente elevadas)
  • Diaforese
  • Hipertermia

Estimulação gastrointestinal

  • Aumento dos sons intestinais
  • Vómitos
  • Diarreia

Mnemónica

MADAM’S TIPS:

  • Mental status change (alteração do estado de consciência)
  • Agitation (agitação)
  • Diarrhea (diarreia)
  • Ataxia
  • Myoclonus (mioclonia)
  • Shivering (tremores)
  • Tachycardia (taquicardia)
  • Increased reflexes (hiperreflexia)
  • Pyrexia (febre)
  • Sweating (sudorese)

Diagnóstico

A síndrome da serotonina é diagnosticada clinicamente (os níveis de serotonina sérica não têm correlação com sintomas ou toxicidade). Foram desenvolvidos múltiplos critérios de diagnóstico, sendo que os Hunter Serotonin Toxicity Criteria são os mais precisos.

Hunter Serotonin Toxicity Criteria

O paciente tem de ter tomado um medicamento serotoninérgico e tem de se verificar 1 dos seguintes critérios:

  • Clónus espontâneo
  • Clónus induzível + agitação ou diaforese
  • Clónus ocular + agitação ou diaforese
  • Tremor + hiperreflexia
  • Hipertonia + hipertermia (> 38°C [> 100,4°F]) + clónus ocular/induzível

Tratamento

A síndrome da serotonina resolve-se frequentemente nas 24 horas seguintes à descontinuação do agente serotoninérgico e ao início dos cuidados.

Tratamento

  • Descontinuação de todos os agentes serotoninérgicos
  • Cuidados de suporte para normalizar os sinais vitais:
    • Controlar a febre:
      • Antipirético
      • Mantas de arrefecimento
      • Gelo
    • Oxigénio: entubar, se o estado de consciência estiver gravemente alterado
    • Fluidoterapia IV
    • Manter uma pressão arterial apropriada: benzodiazepinas para baixar uma pressão arterial elevada e controlar a agitação
  • Antídoto: ciproeptadina (antagonista do recetor 5-HT2)

Possíveis complicações

  • Rabdomiólise e mioglobinúria
  • Coagulação intravascular disseminada (CID)
  • Acidose metabólica
  • Insuficiência renal aguda
  • Síndrome de dificuldade respiratória aguda (ARDS, pela sigla em inglês)

Relevância Clínica

É importante distinguir entre a síndrome da serotonina, a hipertermia maligna e a síndrome neuroléptica maligna.

  • Síndrome neuroléptica maligna (SNM): reação rara, idiossincrática e potencialmente fatal a medicamentos neurolépticos (por exemplo, antipsicóticos). Muito semelhante à síndrome da serotonina, mas sem os sintomas GI e com mais rigidez muscular. Tratada de forma semelhante à síndrome da serotonina, através da descontinuação de medicamentos causadores e da oferta de cuidados de suporte.
  • Hipertermia maligna: complicação rara desencadeada por alguns anestésicos inalados ou paralíticos. Suspeitar no bloco operatório ou durante um procedimento anestésico. O tratamento é quase igual ao da SNM e clinicamente indistinguível, exceto pelos medicamentos que provocam a síndrome.

Referências

  1. Boyer EW, Shannon M. (2005). The serotonin syndrome. N Engl J Med. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15784664/
  2. Dunkley EJ, Isbister GK, Sibbritt D, Dawson AH, Whyte IM. (2003). The Hunter Serotonin Toxicity Criteria: simple and accurate diagnostic decision rules for serotonin toxicity. QJM. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12925718/
  3. Sternbach H. (1991). The serotonin syndrome. Am J Psychiatry. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2035713/

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