Rastreio do Cancro Colorretal

O cancro colorretal (CCR) é a segunda principal causa de morte relacionada com cancro nos Estados Unidos. Quase todos os CCR são adenocarcinomas e a maioria das lesões tem origem na transformação maligna de um pólipo adenomatoso. Como a maioria dos CCRs é assintomática, o rastreio é essencial para detetar a doença precocemente. O rastreio tem início recomendado aos 45 anos, através de vários instrumentos de rastreio disponíveis, como a colonoscopia, a sigmoidoscopia flexível e exames baseados em fezes. Para indivíduos de alto risco, o rastreio precoce e mais frequente está recomendado. Outros exames baseados em fezes e exames de visualização direta também estão disponíveis para o rastreio do CCR.

Última atualização: Jul 11, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Cancro colorretal (CCR)

  • A maioria dos CCRs são adenocarcinomas.
  • A maioria dos CCRs têm origem em pólipos (adenomatosos ou serreados).
  • Importância do rastreio para o CCR:
    • 3.º cancro mais comum (tanto nos homens como nas mulheres)
    • 2.ª causa mais comum de morte por cancro nos Estados Unidos
    • 94% dos novos casos de cancro colorretal ocorrem em adultos com idade igual ou superior a 45 anos.
  • Em 2016, cerca de 25% dos adultos elegíveis não foram rastreados para o CCR.

Fatores de risco

  • Idade: 94% dos novos casos de CCR ocorrem em adultos com idade igual ou superior a 45 anos.
  • Síndromes hereditárias:
    • Cancro colorretal hereditário sem polipose (HNPCC, pela sigla em inglês) ou Síndrome de Lynch
    • Polipose adenomatosa familiar (PAF)
    • Síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ)
    • Polipose associada a MUTYH (MAP): mutação no homólogo do gene mutY de reparação por excisão de bases
    • História familiar de CCR
  • Patologias do cólon:
    • Doença inflamatória intestinal (DII)
    • Pólipos adenomatosos de grande dimensão ou diagnóstico prévio de CCR
  • Outras condições médicas:
    • Fibrose quística
    • Radiação abdominopélvica
    • Patologias que condicionam um aumento da insulina ou do fator de crescimento semelhante à insulina (por exemplo, diabetes, acromegalia, obesidade)
    • Bacteriémia por Streptococcus bovis
    • Transplante renal
  • Fatores sociais e relacionados com o estilo de vida:
    • Tabagismo e consumo de álcool (> 4 bebidas/dia)
    • Dieta (consumo aumentado de gordura e carne vermelha processada e pobre em fibras)
    • Baixo estatuto socioeconómico

Justificação do Rastreio

Pólipos colorretais

  • Crescimento excêntrico de tecido anormal a partir da mucosa do cólon, com extensão até ao lúmen
  • As lesões que originam CCR mais comuns
  • Progressão mais comum: pólipos pequenos a grandes → displasia → carcinoma
  • O desenvolvimento do CCR demora, em média, 10 anos.
  • 30% da população apresenta pólipos aos 50 anos.
Pólipo de cólon

Pólipo do cólon sigmóide detetado por colonoscopia: Pólipo pedunculado (com pedúnculo curto).

Imagem : “Colon polyp” por Dr. F.C. Turner. Licença: CC BY 2.5

Benefícios do rastreio

Geralmente, o cancro colorretal é um cancro evitável quando é realizado um rastreio adequado. Rastreio:

  • Prevenção do CCR pela deteção e remoção de pólipos
  • Identifica o CCR num estadio inicial, com melhoria do prognóstico e diminuição da taxa de mortalidade

Estratégias para Rastreio

Exames baseados em fezes

  • Exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes à base de guaiac de alta sensibilidade (HSgFOBT, pela sigla em inglês):
    • Identificação da hemoglobina nas fezes
    • Teste positivo: o reagente de guaiac tinge o papel de azul (reação de peroxidase).
    • Restrições:
      • Eliminação de carne vermelha (3 dias antes do exame).
      • Limitação da vitamina C a < 250 mg por dia (3 dias antes do exame).
      • A ingestão de anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) pode afetar o exame.
    • São necessárias 3 amostras de fezes consecutivas
  • Exame de imunoquímica fecal (FIT, pela sigla em inglês):
    • Medição da hemoglobina nas fezes
    • Sem restrições de medicação ou dieta previamente ao exame
    • Apenas necessária 1 amostra
    • Deve ser analisada até 24 horas após a recolha
  • Exame de DNA fecal:
    • Também denominado exame de DNA fecal multialvo (MT-sDNA, pela sigla em inglês)
    • Incluiu:
      • Ensaios moleculares com teste para mutações de DNA (KRAS)
      • Técnica de amplificação de genes para avaliação de biomarcadores de metilação
      • FIT
    • Exame disponível por prescrição
    • Sem restrições alimentares ou medicamentosas necessárias
    • É necessária uma amostra de fezes completa.

Exames de visualização direta

  • Colonoscopia:
    • Gold standard para a deteção de adenomas pré-malignos e CCR
    • Visualização do reto, do cólon e de uma secção do íleo terminal
    • Função diagnóstica e terapêutica (as lesões podem ser biopsadas e removidas)
    • Requer ajuste de medicação (AINEs, aspirina, anticoagulante)
    • Implica preparação intestinal
    • Sedação geralmente utilizada
    • Riscos relacionados com o procedimento:
      • Perfuração
      • Hemorragia
      • Infeção
  • Sigmoidoscopia:
    • O endoscópio progride até ao ângulo esplénico.
    • Permite a visualização de lesões, mas exclusivamente do cólon esquerdo (ou seja, sem identificação de lesões do lado direito)
    • Permite a remoção de lesões, contudo a remoção de lesões > 1 cm geralmente é realizada na colonoscopia subsequente
    • Requer ajuste de medicação (AINEs, aspirina, anticoagulante)
    • Realizado em ambulatório sem sedação
    • Riscos relacionados com o procedimento:
      • Perfuração (mais comum)
      • Hemorragia
      • Infeção
  • Colonografia por tomografia computadorizada (TC):
    • Aplicação da tomografia computadorizada para reconstrução de imagens da mucosa intestinal em 2 e 3 dimensões
    • Implica preparação intestinal, mas não requer sedação
    • Distensão do intestino com introdução de ar ou dióxido de carbono através do reto.
    • Limitação: impossibilidade de biópsia ou remoção da lesão
  • Endoscopia do cólon com cápsula (PillCam Colon 2):
    • O doente engole uma cápsula com câmaras de vídeo sem fio.
    • Realização de fotografias à medida que a cápsula atravessa o intestino.
    • Implica preparação intestinal
    • Não está indicado para rastreio, mas deve ser requisitado se colonoscopia incompleta
    • Limitação: impossibilidade de biópsia ou remoção da lesão

Rastreio do Cancro Colorretal em Indivíduos de Risco Normal

O rastreio é iniciado aos 45 anos num indivíduo de risco normal.

  • Características de um indivíduo de risco normal:
    • Sem história pessoal ou familiar de CCR ou pólipo adenomatoso
    • Sem história pessoal ou familiar de síndromes genéticas relacionadas com CCR
    • Sem doença inflamatória intestinal
    • Sem radiação abdominal prévia para neoplasia infantil
  • Opções de rastreio:
    • HSgFOBT anual
    • FIT anual
    • Exame sDNA-FIT a cada 3 anos
    • Sigmoidoscopia flexível a cada 5 anos (limitada à parte distal do cólon)
    • Sigmoidoscopia flexível a cada 10 anos com FIT anual
    • Colonoscopia a cada 10 anos
    • Colonografia por TC a cada 5 anos
  • Um exame baseado em fezes positivo, ou uma colonografia por TC positiva, ou uma sigmoidoscopia positiva justificam a realização de uma colonoscopia.
  • Rastreio seletivo em adultos com idade compreendida entre 76 e 85 anos, baseado em:
    • Preferências do doente
    • Resultados de rastreio prévio
    • Estado geral de saúde/comorbidades

Rastreio do Cancro Colorretal em Indivíduos de Alto Risco

  • Indivíduos com história familiar de CCR (incluindo adenoma avançado ou lesão serreada avançada):
    • Colonoscopia aos 40 anos ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar de 1.º grau (aquele que se verificar primeiro)
    • Repitação a cada 5 anos.
    • Se o doente recusar a colonoscopia, recomenda-se a realização anual do FIT.
  • Indivíduos com doença inflamatória intestinal:
    • Início 8 anos após o diagnóstico.
    • Colonoscopia com biópsias a cada 1–2 anos
  • Indivíduos com polipose adenomatosa familiar clássica (PAF):
    • Associada a 100 ou mais pólipos colorretais adenomatosos
    • 100% de risco de CCR
    • Rastreio:
      • Início aos 10–15 anos.
      • Colonoscopia anual enquanto aguarda colectomia
  • Indivíduos com cancro colorretal hereditário sem polipose (HNPCC) ou Síndrome de Lynch:
    • Início aos 20–25 anos ou 2–5 anos antes da idade mais precoce de diagnóstico de CCR na família (o que se verificar primeiro).
    • Colonoscopia a cada 1–2 anos
  • Indivíduos com Síndrome de Peutz-Jeghers :
    • Início do rastreio os 8 anos.
    • O intervalo subsequente de rastreio depende da deteção de pólipos.
  • Indivíduos com polipose juvenil:
    • Início do rastreio aos 12 anos (mais cedo, se houver sintomas).
    • Se forem detetados pólipos, repetição anual da colonoscopia.
    • Se nenhum pólipo for detetado, repetição da colonoscopia a cada 1–3 anos.

Referências

  1. Colorectal screening. United States Preventive Services Task Force. Retrieved December 9, 2020, from https://uspreventiveservicestaskforce.org/uspstf/draft-recommendation/colorectal-cancer-screening3#tab2
  2. Doubeni, C., Lamont, J., Elmore, J., Givens., J. (2020). Tests for screening for colorectal cancer. UpToDate. Retrieved December 9, 2020, from https://www.uptodate.com/contents/tests-for-screening-for-colorectal-cancer?search=colorectal%20screening&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
  3. Macrae, F., Goldberg, R. & Seres, D., Savarese, D. (Eds.) (2020) Colorectal cancer: Epidemiology, risk factors and protective factors. UpToDate. Retrieved December 3, 2020, from https://www.uptodate.com/contents/colorectal-cancer-epidemiology-risk-factors-and-protective-factors?search=colorectal%20cancer%20epidemiology&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
  4. Macrae, F., Lamont, T. & Grover, MD, S. (2020) Overview of colon polyps. UpToDate. Retrieved December 3, 2020, from https://www.uptodate.com/contents/overview-of-colon-polyps?search=overview%20of%20managememnt%20of%20colorectal%20cancer&source=search_result&selectedTitle=15~150&usage_type=default&display_rank=15
  5. Ursem C, & McQuaid K.R. (2021). Colorectal cancer. Papadakis M.A., & McPhee S.J., & Rabow M.W. (Eds.), Current Medical Diagnosis & Treatment 2021. McGraw-Hill.

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