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Inibidores da Monoamina Oxidase

Os inibidores da monoamina oxidase são uma classe de antidepressivos que inibem a atividade da monoamina oxidase (MAO, pela sigla em inglês), aumentando, assim, a quantidade de neurotransmissores monoamina (particularmente a serotonina, noreadrenalina e dopamina). O aumento destes neurotransmissores pode ajudar no alívio dos sintomas da depressão. Os inibidores seletivos da MAO do tipo B também podem ser utilizados no tratamento da doença de Parkinson. Esta classe farmacológica pode também ser utilizada na bulimia nervosa e na perturbação de pânico. Os principais efeitos adversos incluem a ocorrência da síndrome serotoninérgica e de uma crise hipertensiva. Deve haver um cuidado especial em evitar outros medicamentos serotoninérgicos e alimentos que contenham tiramina.

Última atualização: 6 May, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Estrutura Química e Farmacodinâmica

Estrutura química

Os diferentes inibidores da monoamina oxidase (IMAOs, pela sigla em inglês) têm estruturas químicas variáveis.

  • Alguns são derivados da hidralazina:
    • Isocarboxazida
    • Fenelzina
  • Outros agentes (ou os seus metabolitos) assemelham-se às anfetaminas → contém algumas propriedades estimuladoras do SNC:
    • Tranilcipromina
    • Metabolitos ativos da selegilina

Mecanismo de ação

Monoamina oxidase (MAO, pela sigla em inglês):

  • Enzima mitocondrial
  • Metaboliza os neurotransmissores monoamina:
    • Serotonina (5-hidroxitriptamina (5-HT))
    • Noradrenalina (NA)
    • Dopamina
  • 2 isómeros:
    • A MAO-A metaboliza a 5-HT, NA e dopamina.
    • A MAO-B metaboliza a dopamina.
  • Nota: A MAO também metaboliza a tiramina (aminoácido simpaticomimético).

IMAOs:

  • Inibição (reversível ou irreversível) da MAO na terminação nervosa → prevenção da degradação de monoaminas
  • Provocam um ↑ concentração de neurotransmissores nas vesículas de armazenamento terminais → aumento da libertação na fenda sináptica
Mecanismos antidepressivos

Mecanismos dos antidepressivos:
Nesta imagem, encontram-se listados os mecanismos de ação básicos dos diferentes antidepressivos mais frequentemente prescritos. Nestes fármacos incluem-se os inibidores da monoamina oxidase (MAO, pela sigla em inglês), o antagonista α-2 mirtazapina, o inibidor seletivo da recaptação de serotonina fluoxetina, o antagonista e inibidor da recaptação de serotonina trazodona, o antidepressivo tricíclico desipramina e o fármaco tetracíclico maprotilina.

Imagem por Lecturio.

Classificação

A classificação dos IMAOs tem por base a seletividade para a MAO-A e MAO-B.

  • Não seletivos (inibem tanto a MAO-A quanto a MAO-B):
    • Isocarboxazida
    • Fenelzina
    • Tranilcipromina
  • Seletivo para a MAO-A: moclobemida (não aprovada nos Estados Unidos)
  • Seletivos para a MAO-B:
    • Selegilina
    • Rasagilina

Farmacocinética

Absorção e distribuição

  • Tendem a ser bem absorvidos e de forma rápida pela via oral
  • Grande volume de distribuição
  • Ligação extensa às proteínas

Metabolismo e excreção

  • Os IMAOs não seletivos tendem a sofrer uma extensa metabolização de 1ª passagem no fígado.
  • Os inibidores da MAO-B são metabolizados pelo sistema do citocromo P450.
  • A selegilina possui metabolitos ativos.
  • Excretados principalmente na urina (sobretudo na forma de metabolitos)

Indicações

  • Depressão:
    • Não são uma terapêutica de 1ª linha
    • Podem ser considerados na:
      • Depressão atípica
      • Depressão persistente (não responsiva a outra farmacoterapia)
  • Doença de Parkinson:
    • Os inibidores da MAO-B (selegilina, rasagilina) podem ser utilizados em monoterapia ou como tratamento adjuvante.
    • Podem ser usados no tratamento inicial da doença em estadio precoce e com sintomas mínimos
  • Outras patologias nas quais os IMAOs podem ser úteis:
    • Bulimia nervosa
    • Perturbação de pânico
    • Perturbação de ansiedade social

Efeitos Adversos e Contraindicações

Efeitos adversos

  • Cardiovasculares:
    • Bradicardia
    • Hipotensão ortostática
    • Crise hipertensiva
  • Gastrointestinais:
    • Xerostomia
    • Náuseas
    • Diarreia ou obstipação
    • ↑ Transaminases
  • Metabólicos: aumento de peso
  • Neurológicos/psiquiátricos:
    • Cefaleia
    • Insónia
    • Sedação
    • Parestesias
    • Disfunção sexual

Contraindicações

  • Alimentos que contenham tiramina:
    • Desencadeiam a libertação de NA → vasoconstrição → ↑ risco de crise hipertensiva
    • Incluem (esta lista não é exaustiva):
      • Queijo envelhecido
      • Carnes maturadas/fumadas
      • Cerveja
      • Vinho tinto
      • Chucrute
      • Soja
      • Molho de soja
      • Tofu
  • Qualquer fármaco com potencial para ↑ monoaminas
  • Insuficiência renal ou hepática graves
  • Não recomendados durante a gravidez

Interações medicamentosas

  • Fármacos que ↑ o risco de síndrome serotoninérgica:
    • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (SSRIs, pela sigla em inglês)
    • Inibidores da recaptação de serotonina/noreadrenalina (SNRIs, pela sigla em inglês)
    • Antidepressivos tricíclicos (TCAs, pela sigla em inglês)
    • Trazodona, nefazodona
    • Ergotaminas
    • Triptanos
    • Opioides serotoninérgicos (por exemplo, fentanil, meperidina, metadona, tramadol)
    • Carbamazepina
    • Dextrometorfano
    • Linezolida
  • Fármacos que ↑ o risco de crise hipertensiva:
    • Anfetaminas, metilfenidato
    • Descongestionantes (por exemplo, oximetazolina, pseudoefedrina)
    • Fentermina
    • Bupropiom

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Overdose

Apresentação clínica

  • Podem decorrer várias horas até que uma overdose se torne clinicamente aparente.
  • Os sinais e sintomas podem incluir:
    • Agitação
    • Midríase
    • Vómitos
    • Diaforese
    • Taquicardia e disritmias
    • Hiper ou hipotensão
    • Mioclonias e hiperreflexia
    • Rigidez muscular
    • Hipertermia
    • Alteração do estado mental
    • Depressão do SNC
    • Crise epilética
    • Depressão respiratória

Tratamento

  • Em primeiro lugar, deve ser mantida a via aérea, a respiração e a circulação.
  • Naqueles que se encontram na 1ª hora após a ingestão, pode ser administrado carvão ativado (evitar quando o estado mental está alterado ou o doente está em risco de ter uma crise epilética)
  • Tratamento da hipertermia:
    • Fluidos IV
    • Arrefecimento (molhar a pele, ventiladores)
  • Tratamento da agitação grave ou crises epiléticas: benzodiazepinas
  • Para os sintomas refratários: ciproheptadina (um anti-histamínico de 1ª geração)

Referências

  1. Hirsch, M., Birnbaum, R.J. (2020). Monoamine oxidase inhibitors: pharmacology, administration, and side effects. UpToDate. Retrieved August 10, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/monoamine-oxidase-inhibitors-maois-pharmacology-administration-safety-and-side-effects
  2. Goodman, L. S., et al. (Eds.). (2011). Goodman & Gilman’s Pharmacological Basis of Therapeutics. 12th ed. McGraw-Hill.
  3. Trevor, A. J., et al. (Eds.). (2008). Katzung & Trevor’s Pharmacology: Examination & Board Review. McGraw-Hill.
  4. Doroudgar, S. (2018). Antidepressants. DeckerMed Medicine. Retrieved October 4, 2021, from https://doi.org/10.2310/PSYCH.13064
  5. Doroudgar, S. (2018). General psychopharmacology. DeckerMed Medicine. Retrieved October 4, 2021, from https://doi.org/10.2310/PSYCH.13063
  6. Sub Laban, T., Saadabadi, A. (2021). Monoamine oxidase inhibitors (MAOI). StatPearls. Retrieved October 6, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539848/
  7. Coryell, W. (2021). Drug treatment of depression. MSD Manual Professional Version. Retrieved October 7, 2021, from https://www.msdmanuals.com/professional/psychiatric-disorders/mood-disorders/drug-treatment-of-depression#v27413109
  8. Baker, G.B., Urichuk, L.J., McKenna, K.F., Kennedy, S.H. (1999). Metabolism of monoamine oxidase inhibitors. Cellular and Molecular Neurobiology 19:411–426. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10319194/

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