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Hipertensão Arterial

A hipertensão arterial, ou pressão arterial elevada, é uma situação clínica comum que se manifesta com pressões arteriais sistémicas elevadas. A hipertensão é habitualmente assintomática, sendo detetada incidentalmente como parte de um exame objetivo de rotina ou durante o rastreio para outro encontro médico não relacionado. Geralmente pode ser tratada com modificações do estilo de vida e fármacos, mas ocasionalmente é necessária uma intervenção vascular ou cirúrgica. A idade, sexo, tabagismo, obesidade e a dieta são fatores que contribuem para a hipertensão, que pode levar a enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca congestiva e DRC se não for tratada adequadamente. Muitos indivíduos com hipertensão não são diagnosticados ou são subtratados.

Última atualização: Jun 17, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A hipertensão é definida por uma PA > 130/80 mmHg.

  • A hipertensão arterial primária (essencial) é o tipo mais comum de hipertensão; não tem etiologia conhecida.
  • A hipertensão arterial secundária é devida a outra condição médica ou a fármacos.

Epidemiologia

  • A prevalência depende da definição de hipertensão.
  • Em 2017, o American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) reduziu o limite da definição de hipertensão, com uma prevalência atual de 43 a 50% em adultos.
  • Mais comum em adultos mais velhos, homens e doentes negros

Etiologia

Hipertensão arterial primária:

A patogénese da hipertensão primária é pouco compreendida, mas é provavelmente o resultado de vários fatores genéticos e ambientais que afetam a estrutura e função cardiovascular e renal. Fatores de risco:

  • Sexo masculino
  • Idade avançada
  • História familiar
  • Raça
  • Tabagismo
  • Consumo de álcool
  • Obesidade
  • Dieta rica em sódio
  • Inatividade física

Hipertensão arterial secundária:

  • Fármacos (contracetivos orais, AINEs, antidepressivos, corticoides, estimulantes)
  • Drogas ilícitas
  • Renal: doença renal primária, renovascular
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Endócrinos: feocromocitoma, aldosteronismo primário, síndrome de Cushing, doença de Graves
  • Coartação da aorta

Classificação

Tabela: Classificação da hipertensão (diretrizes JNC 8 de 2017)
Categoria de PA PA Sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg)
PA normal < 120 mmHg E < 80mmHg
PA elevada 120-129 mmHg E < 80mmHg
Hipertensão estadio 1 130–139 mmHg OU 80-89 mmHg
Hipertensão estadio 2 ≥ 140 mmHg OU ≥ 90 mmHg
JNC 8: Oitavo Comité Nacional Conjunto

Apresentação Clínica

Características gerais

  • Na maioria das vezes apresenta-se sem sinais ou sintomas
  • Pode apresentar-se com cefaleias, epistaxis, zumbidos ou tonturas.

Subtipos

  • Hipertensão isolada de consultório (“hipertensão de bata branca”): caracterizada por medições ≥130/80 mmHg no consultório médico, enquanto as medidas feitas em casa e durante a monitorização da PA são normais
  • Hipertensão isolada em ambulatório (“hipertensão mascarada”):
    • PA sistólica aumentada (≥ 140 mm Hg) com PA diastólica dentro dos limites normais (≤ 90 mm Hg)
    • A hipertensão mascarada não controlada (MUCH, pela sigla em inglês) é diagnosticada em doentes tratados para a hipertensão que são normotensos na clínica, mas hipertensos fora.

Diagnóstico

História médica e exame objetivo

  • Antes de diagnosticar hipertensão, é importante utilizar uma média baseada em ≥ 2 leituras obtidas em ≥ 2 ocasiões.
  • O diagnóstico de hipertensão deve ser confirmado através da medição da PA fora do consultório sempre que possível.
  • Em cenários incomuns, o diagnóstico pode ser feito se um doente apresentar uma urgência hipertensiva com ≥ 180 mmHg sistólica ou ≥ 120 mmHg diastólica; ou um rastreio inicial com PA ≥ 160 mmHg sistólica ou ≥ 100 Hg diastólica e lesão de órgão-alvo conhecida (por exemplo, hipertrofia ventricular esquerda, retinopatia hipertensiva ou doença renal hipertensiva).
  • Nos casos de hipertensão de bata branca: a monitorização em ambulatório da PA (MAPA) por um período de 24 horas é adequada.

Avaliação laboratorial

  • Hb e Hct: podem indicar anemia por doença renal subjacente
  • Níveis de creatinina e TFGe: para avaliar a função renal
  • Níveis de potássio: úteis quando há suspeita de síndrome de Conn
  • T3 , T4 , hormona estimulante da tiroide (TSH), aldosterona e renina: para avaliar a presença de hipertensão endócrina
  • Análise de urina: A microalbuminúria pode ser um indicador precoce de lesão renal, especialmente em doentes diabéticos.
  • Urina de 24 horas para doseamento de catecolaminas/metanefrinas: se PA diastólica > 110 mmHg, níveis 2× superiores ao limite superior do normal indicam feocromocitoma.

Eletrocardiograma

Identifica hipertrofia ventricular esquerda (HVE): padrão de tensão frequentemente observado na doença cardíaca hipertensiva

  • Amplitude da onda R aumentada em V5, V6, I e aVL
  • Amplitude da onda S aumentada em V1 e V2
  • Alterações compensatórias do segmento ST e da onda T
Ste secundário à hipertrofia ventricular esquerda

ECG que mostra hipertrofia ventricular esquerda (HVE):
Notar a amplitude exagerada dos complexos QRS e o padrão de repolarização anormal típico da HVE.

Imagem: “STE secondary to left ventricular hypertrophy” do Department of Medicine, Baylor College of Medicine, Houston, Texas 77030, USA. Licença: CC BY 3.0

Imagiologia

  • Radiografia de tórax: útil para determinar a presença de cardiomegalia, coartação da aorta
  • Ecocardiograma: avaliar a HVE, disfunção sistólica e/ou diastólica, disfunção/deformidade valvulares.
  • Ecodoppler renal: se suspeita de hipertensão renovascular

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Tratamento

Medidas não farmacológicas

  • Redução do peso: idealmente, IMC ≤ 25
  • Dieta pobre em sódio: ≤ 2300 mg/dia
  • Dieta mediterrânica: rica em frutas, vegetais, cereais integrais, laticínios com baixo teor de gordura e azeite
  • Cessação tabágica
  • Limitar o consumo de álcool e café a 2 por dia.
  • Atividade física regular: 30 minutos diários, 5 dias por semana

Tratamento farmacológico

Tabela: Tratamento farmacológico da hipertensão arterial
Classe farmacológica Usar Evitar se
Diuréticos tiazídicos 1ª linha Doentes com gota, gravidez e alterações eletrolíticas
β-bloqueadores EAM prévio, angina estável, insuficiência cardíaca crónica, arritmias auriculares Bloqueio cardíaco, síndrome do nó sinusal, DPOC, asma, insuficiência cardíaca aguda
IECAs (inibidores da enzima conversora de angiotensina) Insuficiência cardíaca, diabetes, angina instável, EAM, doença renal Gravidez, angioedema
ARAs (antagonistas dos recetores de aldosterona) Insuficiência cardíaca, diabetes, doença renal Gravidez
Bloqueadores dos canais de cálcio Taquiarritmias auriculares, síndrome de Raynaud Bloqueio cardíaco, síndrome do nó sinusal, gravidez, insuficiência cardíaca
Bloqueadores do recetor de aldosterona EAM prévio, insuficiência cardíaca Gravidez, hipercalemia
DPOC: doença pulmonar obstrutiva crónica

Relevância Clínica

A hipertensão arterial é um fator de risco para aterosclerose, que pode levar a enfarte agudo do miocárdio, doença isquémica do coração, acidente vascular cerebral e isquemia periférica.

Outras doenças associadas à hipertensão incluem:

  • Doença renal poliquística: pode ser diagnosticada em adultos e em doentes pediátricos. A doença renal poliquística é uma doença hereditária que envolve a presença de quistos renais bilaterais sem displasia. Existem 2 formas: autossómica recessiva e autossómica dominante.
  • Glomerulonefrite: inflamação imunomediada dos glomérulos renais. A glomerulonefrite pode ser primária ou secundária (devido a outras doenças). Os doentes com glomerulonefrite apresentam-se com diversos sintomas consoante a patologia em causa, no entanto, esta doença é frequentemente associada à hipertensão.
  • Hiperparatiroidismo: causa um aumento da resistência vascular periférica devido à elevação dos níveis de cálcio, com consequente elevação da PA.
  • Hiperaldosteronismo: os doentes apresentam-se com níveis elevados de aldosterona, que por sua vez aumenta a reabsorção de sódio e água, causando hipertensão. Na forma dependente da hormona adrenocorticotrófica (ACTH), os androgénios também se podem encontrar aumentados e as mulheres podem apresentar hirsutismo e alterações menstruais.

Referências

  1. Basile, J., Block, J. (2021). Overview of hypertension in adults. UpToDate. Retrieved March 18, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/overview-of-hypertension-in-adults
  2. Whelton, P.K., Carey, R.M. et al. (2017). ACC/AHA/AAPA/ABC/ACPM/AGS/APhA/ASH/ASPC/NMA/PCNA Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation, and Management of High Blood Pressure in Adults: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. https://www.jacc.org/doi/full/10.1016/j.jacc.2017.11.006?_ga=2.178229602.677038771.1616197579-1081973158.1616197579
  3. Unger, T., Borghi, C., Charchar, F., et al. (2020.) International Society of Hypertension Global Hypertension Practice Guidelines. Hypertension 75:1334–1357.

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