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Fibrilhação Ventricular

A fibrilhação ventricular (FV) é um tipo de taquiarritmia ventricular (> 300/min) geralmente precedida por taquicardia ventricular. Nesta arritmia, o ventrículo bate rápida e esporadicamente. A contração ventricular é descoordenada, levando à diminuição do débito cardíaco e colapso hemodinâmico imediato. A causa mais comum de fibrilhação ventricular é a doença cardíaca isquémica subjacente. Leva à morte em minutos, a menos que sejam iniciadas medidas de suporte avançado de vida imediatamente.

Última atualização: May 30, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Epidemiologia e Etiologia

Epidemiologia

A fibrilhação ventricular (FV) secundária ao enfarte agudo do miocárdio (EAM) é a causa mais comum de morte súbita cardíaca (principal causa de morte nos países desenvolvidos).

  • Os doentes são monitorizados na unidade de cuidados intensivos (UCI) após um enfarte agudo do miocárdio devido ao risco de FV.
  • Os doentes com a fração de ejeção ventricular esquerda reduzida têm maior risco de FV após um EAM.
  • Metade das mortes por doença arterial coronária são causadas por FV.
  • Mais comum em homens do que em mulheres

Etiologia

  • Doença cardiovascular subjacente:
    • Doença arterial coronária (mais comum)
    • Insuficiência cardíaca congestiva
    • EAM
    • Cardiomiopatia
    • Miocardite
    • Estenose ou insuficiência valvular
  • Distúrbios da condução cardíaca:
    • Síndrome do QT longo
    • Síndrome de Wolff-Parkinson-White
    • Torsade de pointes
  • Desequilíbrio eletrolítico (por exemplo, hipocaliémia)
  • Disfunção do sistema nervoso autónomo (por exemplo, aumento da atividade simpática por fármacos como a dobutamina e o albuterol)
  • Idiopática (raro)

Fisiopatologia

As taquiarritmias ventriculares são causadas por contrações ectópicas anormais no ventrículo.

  • Benignas se o sinal ectópico for regular e estacionário, e o débito cardíaco se mantiver.
  • Pode levar a colapso hemodinâmico e morte se o sinal ectópico tiver uma localização ou frequência variáveis.

Mecanismo detalhado

  • A formação de uma cicatriz miocárdica (geralmente devido a lesão isquémica prévia) causa lentificação da condução dos impulsos elétricos cardíacos.
  • Este tecido cicatricial inexcitável é rodeado por células miocárdicas muito irritáveis.
  • O impulso elétrico diminui de velocidade à medida que atravessa a cicatriz; o restante ventrículo tem então tempo para repolarizar e despolariza novamente quando o impulso sai da cicatriz (processo conhecido como reentrada).
  • As contrações ventriculares são rápidas e dessincronizadas com as aurículas.
  • O débito cardíaco diminui significativamente → ocorre o colapso hemodinâmico → perda de consciência devido à queda da oxigenação cerebral → paragem cardíaca → morte súbita
  • Se a frequência rápida de contração ventricular for tolerada, a arritmia pode causar cardiomiopatia ao longo do tempo.
  • Quaisquer fármacos ou doenças genéticas que condicionem uma repolarização prolongada ou tardia podem resultar em pós-despolarizações precoces e em torsade de pointes.

Mnemónica

A FV sustentada após um EAM resulta de: Isquemia Miocárdica → Necrose → Reperfusão → Recuperação (Healing) → Formação de cicatriz (Scar) → Alterações Autonómicas (mnemónica: My Nephew Really Hates Scary Aliens!)

Manifestações Clínicas

  • Dor torácica
  • Hipotensão e respetivos sinais e sintomas (por exemplo, síncope, fadiga, palidez, extremidades frias, intolerância ao calor, visão turva)
  • Confusão
  • Palpitações
  • Tonturas
  • Dispneia
  • Perda de consciência
  • Morte súbita

Diagnóstico

O eletrocardiograma (ECG) confirma o diagnóstico.

  • Atividade elétrica desorganizada/desordenada com origem nos ventrículos
  • Frequência cardíaca elevada (> 300/min)
    • Flutter ventricular: frequência cardíaca de 240–300/min; frequentemente transita para FV (300–400/min)
  • Perda das ondas P
  • Complexos QRS indiscerníveis
    • Ondas de fibrilhação

Avaliação de doenças subjacentes:

  • Enzimas cardíacas (elevadas após um EAM)
  • Angiografia coronária para avaliar a isquemia miocárdica
  • Eletrólitos (níveis anormalmente elevados ou reduzidos de potássio, cálcio ou magnésio)
  • Rastreio toxicológico na urina de fármacos ou estimulantes que podem afetar a frequência cardíaca
  • Ecocardiograma se suspeita de causa estrutural

Tratamento

  • Seguir o algoritmo de suporte avançado de vida.
  • Tratamento:
    • Ressuscitação cardiopulmonar para manter a circulação sanguínea pelo corpo
    • Desfibrilhação: choque elétrico no coração (para momentaneamente a atividade elétrica e os batimentos caóticos); começar com 200 joules
    • Adrenalina após 2 tentativas de desfibrilhação; torna a próxima tentativa de desfibrilhação mais provável de ser bem-sucedida
    • Considerar antiarrítmicos: a amiodarona é preferível à lidocaína na FV.
    • Acesso IV/IO
    • Via aérea avançada
  • Corrigir as causas reversíveis (por exemplo, acidose metabólica, distúrbios eletrolíticos)
  • O cardioversor-desfibrilhador implantável deve ser usado se não for encontrada nenhuma causa reversível e/ou se houver recorrência da fibrilhação ventricular com instabilidade hemodinâmica posteriormente.
Fibrilhação ventricular

Algoritmo de abordagem da fibrilhação/taquicardia ventricular

Imagem de Lecturio.

Relevância Clínica

  • Taquicardia ventricular: grupo de arritmias que podem ter origem em qualquer região do ventrículo e que resultam em batimentos cardíacos >100 bpm. Existem 3 tipos principais de taquiarritmias ventriculares: fibrilhação ventricular, taquicardia ventricular monomórfica e taquicardia ventricular polimórfica (também conhecida como torsades de pointes).
  • Doença arterial coronária: principal causa de morte no mundo. Ocorre como resultado de alterações ateroscleróticas das artérias coronárias com consequente estenose dos vasos, que impede a sua dilatação.
  • Insuficiência cardíaca congestiva: Refere-se à incapacidade do coração de suprir o corpo com um volume de sangue normal, sob condições normais de pressão telediastólica.
  • Enfarte agudo do miocárdio: refere-se à isquemia do tecido miocárdico devido a uma obstrução completa ou vasoconstrição drástica da artéria coronária. Acompanha-se geralmente por uma elevação das enzimas cardíacas, alterações típicas do ECG (elevações do segmento ST) e dor.
  • Cardiomiopatia: refere-se a um grupo de doenças miocárdicas associadas a disfunção sistólica e diastólica. A Organização Mundial da Saúde classifica 5 tipos de cardiomiopatia com base nas alterações cardíacas:
    • Cardiomiopatia dilatada
    • Cardiomiopatia hipertrófica não obstrutiva ou obstrutiva
    • Cardiomiopatia restritiva
    • Cardiomiopatia arritmogénica do ventrículo direito
    • Cardiomiopatia não classificada
  • Miocardite: doença inflamatória do músculo cardíaco que surge principalmente devido a infeções com vírus cardiotrópicos, especialmente infeções por coxsackie.
  • Síndrome do QT longo: doença que afeta a repolarização do coração após uma contração. Resulta num risco aumentado de batimentos cardíacos irregulares e taquiarritmias ventriculares, que podem resultar em morte súbita.

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