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Exame Oftalmológico

Um exame detalhado dos olhos e da sua respetiva função é importante em todos os doentes com sintomas oculares, bem como para rastreio da acuidade visual, glaucoma e patologia da retina. Um exame de rotina inclui teste de acuidade visual, visão periférica e visão de cores, assim como um exame externo do olho, conjuntiva, esclera, íris, pupila e movimentos extraoculares. Os médicos ao nível dos cuidados de saúde primários devem avaliar e referenciar problemas de acuidade visual e conseguem tratar condições oculares menos graves, como infeções, hordéolo (terçolho) e abrasões da córnea. Os exames com lâmpada de fenda são realizados por oftalmologistas ou emergencistas para avaliação da córnea, câmara anterior, cristalino e fundo ocular. Os exames com dilatação ajudam na avaliação da retina. Está recomendada a realização de exames anuais em indivíduos com diabetes mellitus para deteção e tratamento precoces da retinopatia diabética.

Última atualização: 6 Jul, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Introdução

Descrição geral

  • Teste de visão:
    • Acuidade visual
    • Visão periférica
    • Visão de cores
  • Exame físico:
    • Exame externo do olho
    • Conjuntiva
    • Esclera
    • Íris
    • Pupila
    • Movimentos extraoculares
    • Exame oftalmoscópico do fundo do olho
  • Exame detalhado na lâmpada de fenda:
    • Córnea
    • Câmara anterior
    • Cristalino
    • Exame da retina após dilatação pupilar

Recomendações no exame oftalmológico

A frequência recomendada para a realização de exames oftalmológicos não está definida, mas geralmente:

  • Crianças:
    • Ao nascimento
    • Aos 6–12 meses
    • Aos 3 anos de idade
    • Início da adolescência
    • Anualmente, se for necessária correção da visão
    • Se necessário, perante sintomas ou lesões
  • Adultos:
    • Uma vez em cada década, dos 20 e 30 anos
    • A cada 2 anos após os 40–50 anos de idade, incluindo o rastreio de glaucoma
    • Anualmente, se for necessária correção da visão
    • Anualmente em indivíduos com diabetes
    • Se necessário, perante sintomas ou lesões

Um exame de olho dilatado ajuda no diagnóstico de:

  • Retinopatia diabética
  • Retinopatia hipertensiva
  • Degenerescência macular
  • Descolamento da retina

História

  • Sintomas gerais ou queixas visuais
  • História de utilização de óculos ou lentes de contacto
  • História familiar:
    • Glaucoma
    • Daltonismo
    • Outras doenças oculares
  • Doenças crónicas
  • História cirúrgica
  • Fármacos

Anatomia

O olho e os seus anexos estão situados na órbita. O globo ocular é esferoidal e nele estão inseridos os músculos extraoculares.

  • A parte anterior do olho:
    • Córnea: a camada transparente que corresponde ao um sexto anterior do globo ocular externo
    • Esclera:
      • “Parte branca” do olho
      • Camada externa, fibrosa e protetora
      • Composta principalmente por colágeneo e algumas fibras elásticas essenciais
    • Limbo: a junção da córnea e esclera
    • Conjuntiva: a membrana mucosa transparente que se insere no limbo
    • Íris:
      • A “parte colorida” do olho
      • Conectada à parte anterior do corpo ciliar
      • Cobre a parte superior do cristalino e atua como um obturador do olho
    • Corpo ciliar: mantém o cristalino na sua posição
  • Úvea (camada vascular média do olho):
    • Úvea anterior: íris e corpo ciliar
    • Coróide: porção posterior da úvea
      • Contem vasos sanguíneos que fornecem nutrientes ao olho
      • Localizado entre a retina e a esclera
      • Estende-se para o nervo ótico posteriormente
  • A parte posterior do olho:
    • Retina:
      • A camada nervosa do olho
      • Responsável pela perceção da visão
      • Contem várias células fotorrecetoras
      • Conectada ao nervo ótico
    • Mácula (área no centro da retina):
      • Responsável pela visão detalhada dos objetos
      • Necessária para atividades como a condução ou a leitura
    • Fóvea central: uma pequena depressão na mácula onde a visão tem nitidez máxima
  • Músculos extraoculares:
    • 6 músculos controlam os movimentos dos olhos
    • 4 músculos retos:
      • Superior
      • Inferior
      • Lateral
      • Medial
    • 2 músculos oblíquos:
      • Superior
      • Inferior

Equipamento para realização de exame objetivo

  • Tabela de Snellen ou cartão de bolso portátil para teste de acuidade visual
  • Teste de cores de Ishihara para rastreio de daltonismo
  • Lanterna para avaliação pupilar
  • Oftalmoscópio para exame do fundo ocular / retina
  • Equipamentos especiais utilizados principalmente por oftalmologistas:
    • Lâmpada de fenda para avaliação da córnea
    • Tonómetro para medição da pressão intraocular
    • Colírio para dilatação pupilar:
      • Fenilefrina
      • Atropina
      • Tropicamida
      • Ciclopentolato
    • Fluoresceína e lâmpada UV para deteção de abrasões da córnea
    • Grelha de Amsler
    • Máquinas de teste de perímetro/campos visuais

Teste de Visão

Teste de acuidade visual

Tabela de Snellen:

  • Mostra uma série de 11 linhas de letras maiúsculas em fundo branco, cada uma diminuindo progressivamente de tamanho:
    • A menor linha a ser lida com precisão indica a acuidade visual naquele olho específico.
    • A linha 8 é a visão 20/20, que indica que uma pessoa com acuidade visual normal pode ler esta linha com precisão a 6,1 m de distância (20 pés).
  • A tabela de “Tumbling E” pode detetar miopia em crianças pequenas ou em indivíduos que não sabem ler.
  • Procedimento:
    • O indivíduo senta-se ou fica de pé a 6,1 m de distância (20 pés) da tabela de Snellen.
    • Solicita-se ao indivíduo que cubra cada um dos olhos alternadamente, leia as várias linhas da tabela com cada olho separadamente e, de seguida, com os dois olhos em simultâneo. A acuidade visual para cada olho é registada como uma fração (por exemplo, 20/30).
    • Teste de contagem de dedos: testado se o indivíduo não é capaz de ler a linha superior da tabela a uma distância de 0,91 m (3 pés). Solicita-se ao indivíduo que conte o número de dedos levantados pelo examinador. Os resultados são registados como CF – 1, 2 ou 3 (CF do inglês “counted fingers”) com base no número de dedos visualizados e contados com precisão.
    • Movimento das mãos: testado se o indivíduo for incapaz de contar os dedos; registado como HM positivo ou HM negativo (HM, do inglês “hand movement”)
    • Teste de perceção de luz: para indivíduos incapazes de contar os dedos ou captar os movimentos das mãos; registado como PL positivo ou PL negativo (PL de “perceção luminosa”)

Tabela de visão ao perto:

  • Utilizada para testar a visão ao perto, a uma distância de 35 cm (14 polegadas)
  • A tabela de Jaeger (com 10 linhas de impressão progressivamente menor) é geralmente utilizada:
    • Tamanho de texto que aumenta de 0,37–2,5 mm
    • A acuidade é registada na menor linha a ser lida pelo indivíduo com precisão.

Relevância clínica:

  • Os erros refrativos podem ser corrigidos com dispositivos refrativos (óculos ou lentes de contacto):
    • Miopia: dificuldade em ver ao longe
    • Hipermetropia: dificuldade em ver ao perto
    • Astigmatismo: visão turva devido a uma superfície corneana deformada que faz com que os raios de luz que entram no olho através de diferentes planos sejam focalizados de forma irregular.
  • Presbiopia:
    • Erro não refrativo em adultos mais velhos
    • Afeta a acuidade visual devido à perda da acomodação normal do cristalino

Teste de campos visuais

O campo visual é a área total na qual os objetos podem ser visualizados enquanto se olha para a frente; inclui a visão central e visão periférica.

  • Exame para visão periférica = teste de confrontação
    • Procedimento:
      • O examinador senta-se de frente para o indivíduo, ambos ao mesmo nível, a uma distância de cerca de 60 cm (2 pés).
      • O indivíduo é solicitado a cobrir o seu olho esquerdo com a palma da mão e a olhar diretamente para o olho esquerdo do examinador.
      • O examinador fecha o seu olho direito e move a sua mão desde a periferia em direção à linha de visão comum entre ambos.
      • O examinador deve informar que o indivíduo vai poder ver o movimento da mão quando esta entrar no seu campo de visão.
      • O movimento da mão repete-se em várias partes do campo visual, isto é, para cima, para baixo, para a direita e para a esquerda.
      • O processo é repetido para o outro olho.
    • Resultados: o indivíduo avaliado deve confirmar o movimento da mão no seu campo visual, o que por sua vez é comparado com o do examinador (assumindo que seja normal).
  • Outros testes utilizados por oftalmologistas:
    • Perimetria:
      • As máquinas de perimetria manuais ou automáticas são utilizadas para avaliar e quantificar o campo visual dos indivíduos utilizando alvos de vários tamanhos e cores.
      • Relevância clínica: a diminuição da visão periférica pode dever-se a lesão no nervo óptico, retina ou áreas do cérebro que processam a visão (por exemplo, após um acidente vascular cerebral).
    • Grelha de Amsler:
      • É um teste para perda de visão central que ocorre devido a degenerescência macular.
      • Esta grelha contem linhas horizontais e verticais com um único ponto no centro.
      • Deve ser testado um olho de cada vez, a 30 cm de distância.
      • Pede-se ao indivíduo que fixe o ponto central e que descreva todos os padrões que vê.
      • A grelha de Amsler é utilizada para detectar defeitos nos 20 graus mais centrais do campo visual.
  • Relevância clínica
    • O teste de campos visuais ajuda a diagnosticar:
      • Lesão do nervo ótico
      • Glaucoma
      • Hemianópsia
      • Cataratas
    • A grelha de Amsler permite avaliar o campo de visão central, sendo particularmente útil na degenerescência macular.
Teste de campos visuais

Teste de campos visuais:
O olho esquerdo do examinador está fechado, para que ele possa comparar o campo visual do seu olho direito com o campo visual do olho esquerdo do indivíduo.

Imagem: “Testing visual fields” por Consultant ofthalmic surgeon, Department of Ophthalmology, Norfolk & Norwich University Hospital, e Honorary Reader, University of East Anglia, Norwich, Reino Unido. Licença: CC BY 2.0

Visão de cores

  • Permite definir deficiência de perceção de cor vermelha / verde ou cor total
  • Pode ser realizado no consultório para diagnosticar daltonismo
  • Teste de cores de Ishihara: 14 placas coloridas numeradas para rastreio e utilização em sala de aula
Gráfico de teste de ishihara

Gráficos de Ishihara utilizados para examinar a visão de cores

Imagem: “Teste de Ishihara” da Wellcome Trust. Licença: CC BY 4.0

Exame do Olho

Exame geral da face

  • Postura da cabeça:
    • Pode ser anormal em indivíduos com estrabismo.
    • A cabeça pode apresentar-se virada na direção de ação do músculo paralisado (por exemplo, em caso de AVC).
    • Na ptose, o queixo é elevado para expor a área pupilar.
  • Testa:
    • Um indivíduo com paralisia do facial periférica (neurónio motor inferior; por exemplo paralisia de Bell) apresenta perda completa das rugas faciais em metade da testa.
    • Também existe assimetria facial em indivíduos com sequelas de acidente vascular cerebral, mas apenas na metade inferior da face (excluindo a zona da testa).
    • Mnemónica:
      • B como na paralisia de Bell : estão afetadas tanto a parte superior como a inferior da face (do inglês, “both“).
      • S como em AVC (do inglês, “Stroke”): apenas o sorriso é afetado.

Olho externo

O exame preliminar para grandes anomalias no olho e nas estruturas circundantes é realizado na luz ambiente da sala. Os achados clinicamente relevantes são:

Sobrancelha:

  • O nível das sobrancelhas pode estar alterado em indivíduos com ptose.
  • Madarose (ausência de pêlos no terço lateral das sobrancelhas) é observada em:
    • Lepra
    • Hipotiroidismo

Pálpebras:

  • Posição:
    • Normalmente, com os olhos abertos, a pálpebra inferior cobre o limbo e a pálpebra superior cobre 2 mm da córnea.
    • Na ptose, a pálpebra cobre mais de ⅙ da córnea.
    • O limbo superior pode estar visível devido à retração da pálpebra em:
      • Tireotoxicose
      • Hiperatividade simpática
  • Movimento:
    • Normalmente, a pálpebra superior segue o globo ocular com movimento para baixo.
    • Na oftalmopatia tiroideia, o movimento da pálpebra superior tem um desfasamento em relação ao movimento de olhar para baixo.
    • Lagoftalmia (incapacidade de fechar os olhos completamente) é vista com:
      • Paralisia do nervo facial
      • Proptose extrema
    • A frequência de pestanejo normal é de 12–16 por minuto:
      • Aumenta com a irritação local
      • Diminui na paralisia do sétimo nervo craniano (nervo facial)
  • Margem palpebral:
    • Entrópio: inversão da margem palpebral
    • Ectrópio:
      • Eversão da margem palpebral
      • As causas comuns incluem tracoma, blefarite, hordéolo e traumatismos da pálpebra.
    • Distiquíase: linha de cílios aberrante
    • Madarose (ausência de cílios) pode ser vista em:
      • Blefarite crónica
      • Lepra
      • Hipotiroidismo
    • Edema da margem da pálpebra pode dever-se a:
      • Hordéolo (terçolho)
      • Papiloma
      • Chalázio marginal
    • Anquilobléfaro (fenda palpebral horizontalmente estreita) pode ocorrer após:
      • Adesões palpebrais após blefarite ulcerativa
      • Adesões palpebrais após queimaduras
    • Blefarofimose (estreitamento generalizado da fenda palpebral): geralmente uma anomalia congénita
    • Fenda palpebral verticalmente estreita é observada em:
      • Condições inflamatórias da conjuntiva
      • Condições inflamatórias da córnea e úvea
      • Ptose
      • Enoftalmia e anoftalmia
      • Bulbo atrófico
    • Fenda palpebral verticalmente alargada é observada em:
      • Proptose
      • Retração da pálpebra superior
      • Paralisia do nervo facial
  • Aparelho lacrimal:
    • Inspeção da área do saco lacrimal para:
      • Eritema
      • Tumefação
      • Fístula
    • Inspeção dos pontos lacrimais e identificação de defeitos como:
      • Eversão
      • Estenose
      • Ausência
      • Drenagem
    • Teste de regurgitação para dacriocistite: pressionar sobre a área do saco lacrimal imediatamente medial ao canto medial e observar se há regurgitação de alguma secreção no ponto lacrimal.
Papilas na pálpebra superior evertida na queratoconjuntivite vernal

Papilas na pálpebra superior evertida na queratoconjuntivite vernal

Imagem: “Papilas na pálpebra superior evertida na queratoconjuntivite vernal” por Millicent Bore. Licença: CC BY 2.0

Conjuntiva

Exame:

  • A parte bulbar da conjuntiva pode ser examinada retraindo a pálpebra com os dedos.
  • Conjuntiva palpebral inferior: puxar a pálpebra inferior para baixo enquanto o indivíduo olha para cima.
  • Conjuntiva palpebral superior: retrair a pálpebra superior suavemente com os dedos.

Relevância clínica:

  • Coloração:
    • Melanose primária adquirida: mácula castanha unilateral, indolor, que pode transformar-se em melanoma maligno.
    • Conjuntiva pálida: observada na anemia
    • Manchas vermelhas brilhantes: indicativas de hemorragia subconjuntival
  • Congestão:
    • Superficial: conjuntivite
    • Profunda: iridociclite ou queratite
    • Misto: glaucoma
  • Edema:
    • Condições inflamatórias
    • Infeção
    • Reações alérgicas
  • Folículos:
    • Áreas elevadas branco-acinzentadas (agregação de linfócitos) observadas em:
      • Tracoma
      • Conjuntivite folicular aguda
  • Papilas (ver foto):
    • Áreas vermelhas elevadas com topos planos
    • Observadas em:
      • Tracoma
      • Conjuntivite alérgica
      • Conjuntivite papilar gigante (CPG)
  • Concreções:
    • Áreas elevadas branco-amareladas com tamanho variável
    • Correspondem a muco espesso e células epiteliais mortas nas glândulas de Henle
    • Observadas em:
      • Tracoma
      • Degeneração conjuntival
      • Pode ser idiopática
  • Pinguécula:
    • Nódulo amarelado, triangular, avascular, semelhante a uma gota de gordura
    • Depósitos gordurosos/proteináceos na conjuntiva (não envolve a córnea)
    • Desenvolve-se na conjuntiva bulbar em resposta a:
      • Exposição à luz ultravioleta
      • Irritação pelo vento
      • Irritação por poeira
    • Pode progredir para pterígeo
    • Pode ou não comprometer o campo visual
  • Pterígeo (ver foto):
    • Nódulo amarelado, triangular, vascularizado, semelhante a uma gota de gordura
    • Depósitos gordurosos / proteináceos na conjuntiva (envolvem a córnea)
    • Desenvolve-se na conjuntiva bulbar em resposta a:
      • Exposição à luz ultravioleta
      • Irritação pelo vento
      • Irritação por poeira
    • Pode ser precedido por pinguécula
    • Geralmente afeta o campo de visão
  • Cistos: vistos na conjuntiva
  • Neoplasias da conjuntiva:
    • Dermóides
    • Papilomas
    • Carcinoma de células escamosas
Pterígeo

Pterígeo severo que atinge a pupila

Imagem: “Pterígeo” de José Miguel Varas, MD. Licença: CC BY 3.0

Esclera

  • Avaliada ao mesmo tempo da conjuntiva
  • Relevância clínica:
    • Esclera amarela: icterícia devido a doença hepática
    • Descoloração azulada: osteíte deformante, síndrome de Marfan
    • Inflamação: na esclerite observa-se um nódulo plano circunscrito rosa ou roxo
    • Episclerite: mancha escura e profunda associada a inflamação acentuada e congestão ciliar
    • Situações de trauma podem associar-se a perfurações traumáticas.
    • Os traumatismos perfurantes podem criar comunicação com a câmara anterior.

Íris

  • A “parte colorida” do olho, examinada em luz regular
  • Coloboma anterior: uma fissura ou fenda da íris:
    • O coloboma da úvea confere uma aparência em “buraco de fechadura” ou “olho de gato” à íris:
      • Pode ser benigno
      • Pode estar associado a defeitos graves no cristalino e nervo óptico
  • Sinéquias: aderências entre a íris e outras estruturas pupilares
    • Sinéquias anteriores são observadas em:
      • Leucoma aderente
      • Lepra
      • Lesão perfurante da córnea
    • Sinéquias posteriores: observadas na iridociclite
  • Heterocromia congénita da íris (íris de cores diferentes no mesmo indivíduo) pode justificar avaliação adicional para:
    • Síndrome de Waardenburg
    • Síndrome de Sturge-Weber
    • Síndrome de Horner
  • Irite: presença de leucócitos na câmara anterior do olho
  • Uveíte anterior: inflamação da íris e corpo ciliar anterior
  • Iridociclite: inflamação da íris e corpo ciliar adjacente
    • Tipo mais comum de uveíte
    • Pode ser limitado ao olho ou pode ocorrer no contexto de doença sistémica
    • Associado a condições reumatológicas:
      • Espondilite anquilosante (relacionada com HLA-B27)
      • Artrite psoriática
      • Lúpus eritematoso sistémico
    • Associado a doenças infeciosas:
      • Herpes zoster
      • Citomegalovírus
      • Toxoplasmose
      • Sífilis
      • Tuberculose
    • Leucemia ou linfoma: podem produzir uma resposta leucocitária que se confunde com inflamação

Pupila

  • Os dois olhos devem ter pupilas redondas e simétricas.
  • Devem ser examinadas com pouca luz ou no escuro com uma lanterna, permitindo inspecionar:
    • Tamanho
    • Forma
    • Cor
    • Reação
  • Tamanho:
    • Normal: 3-4 mm
    • Pupilas com tamanhos diferentes: anisocoria
      • Pode ser uma condição fisiológica benigna de longa duração (anisocoria simples)
      • Pode indicar um defeito pupilar eferente visto em:
        • Paralisia do nervo craniano III (oculomotor)
        • Midríase farmacológica
        • Distúrbios da íris
        • Síndrome de Horner / distúrbio na via simpática
    • Tamanho diminuído da pupila (miose) observado em:
      • Efeito de fármacos mióticos locais
      • Iridociclite
      • Síndrome de Horner
      • Ferimentos cranianos
      • Utilização de opióides
    • Aumento do tamanho da pupila (midríase) observado em:
      • Efeito de fármacos midriáticos locais
      • Glaucoma congestivo agudo
      • Atrofia ótica
      • Descolamento da retina
      • Abuso de cocaína e estimulantes
  • Forma (forma anormal geralmente indica cirurgia anterior)
  • Cor (dependente das estruturas localizadas atrás da pupila):
    • Preto na afacia
    • Branco acinzentado na catarata cortical senil imatura
    • Branco perolado na catarata cortical madura
    • Leucocoria (reflexo branco pupilar (ver foto)) observado em:
      • Catarata congénita
      • Retinoblastoma
      • Fibroplasia retrolenticular
    • Exsudatos branco-sujo na iridociclite.
  • Exame de reação pupilar:
    • Reflexo de luz direto:
      • Para provocar esse reflexo, o indivíduo deve estar sentado numa sala escura e é usada uma lanterna para provocar a contração pupilar. Repetir no outro olho.
      • Uma pupila normal reage à luz contraindo rapidamente.
    • Reflexo de luz consensual:
      • Uma das pupilas é exposta à luz e a resposta é observada no outro olho. O procedimento é repetido em ambos os olhos.
      • Normalmente, a pupila contralateral contrai quando a luz é direcionada para a pupila ipsilateral.
    • Teste de lanterna oscilante:
      • Para avaliar um defeito da via aferente
      • Iluminar uma pupila e observar a sua contração. A lanterna é então movida para o outro olho onde se observa a resposta pupilar.
      • O movimento de vaivém é repetido várias vezes enquanto se observa a resposta das pupilas.
      • Resposta normal: ambas as pupilas contraem igualmente. Num defeito da via aferente, a pupila afetada dilata quando a lanterna é movida do olho normal para o olho anormal.
      • Também conhecido como pupila de Marcus Gunn (defeito pupilar aferente relativo)
    • Reflexo de aproximação
      • O indivíduo é solicitado a focar num objeto distante e, em seguida, instruído a focar repentinamente num objeto mantido a cerca de 15 cm do seu olho.
      • Resposta normal: Contração pupilar quando o indivíduo tenta focar no objeto próximo.
Criança com retinoblastoma

Criança com retinoblastoma do olho direito que apresenta leucocoria

Imagem: “Patologia: Paciente: Retinoblastoma” do National Cancer Institute. Licença: Public Domain

Córnea

A córnea é avaliada na lâmpada de fenda ou após a coloração da mesma.

  • Para avaliar se existe abrasão da córnea:
    • É aplicada uma gota de corante de fluoresceína na conjuntiva ao nível do canto interno do olho.
    • Abrasões ou úlceras da córnea após teste de fluoresceína ficam com coloração verde brilhante quando vistas sob luz ultravioleta.
  • Relevância clínica
    • Tamanho (anomalias diagnosticadas em idade pediátrica):
      • Microcórnea: diâmetro horizontal < 10 mm
      • Megalocórnea: diâmetro horizontal > 13 mm
    • Forma:
      • Normalmente, a córnea é uma estrutura semelhante a um vidro de relógio com uma superfície posterior uniforme.
      • Os testes de queratometria e topografia da córnea são realizados para analisar a curvatura da córnea.
      • Ceratocone: formato cónico da córnea
      • Córnea plana: o achatamento da córnea pode ocorrer como anomalia congénita.
      • Astigmatismo:
        • Condição refrativa
        • A superfície da córnea deformada provoca focalização irregular dos raios de luz.
    • Brilho:
      • A córnea normal tem brilho.
      • Este brilho é perdido em condições que cursam com “olho seco”, como a síndrome de Sjögren.
    • Sensação:
      • Reflexo de pestanejo:
        • O examinador toca a superfície da córnea com um pavio de algodão.
        • A resposta normal é piscar os olhos.
        • Pode ser prejudicado em condições neurológicas.
      • A sensibilidade da córnea está diminuída em:
        • Queratite herpética
        • Queratite neuroparalítica
        • Lepra
        • Diabetes mellitus
        • Glaucoma em estadio terminal
        • Após bloqueios do nervo trigémeo na nevralgia pós-herpética
Precipitados queráticos antigos

Uveíte anterior: imagem em lâmpada de fenda a demonstrar precipitados queráticos grandes e antigos

Imagem: “Uveíte anterior” por LV Prasad Eye Institute, Kallam Anji Reddy Campus, Hyderabad, Índia. Licença: CC BY 2.0

Câmara anterior

  • Profundidade:
    • Medição utilizando a lâmpada de fenda
    • A profundidade normal é 2,5 mm.
    • Câmara anterior pouco profunda é observada em:
      • Glaucoma primário de ângulo estreito
      • Subluxação anterior do cristalino
    • Câmara anterior profunda é observada em:
      • Afacia congénita (ausência de cristalino)
      • Miopia
      • Ceratoglobo
      • Ceratocone
  • Relevância clínica:
    • Hifema (sangue na câmara anterior) observado em:
      • Trauma ocular
      • Cirurgia ocular
      • Iridociclite
    • Hipópio (pus na câmara anterior) observado em:
      • Úlcera da córnea
      • Iridociclite
      • Endoftalmite
    • Flare aquoso (células inflamatórias na câmara anterior): descrito como partículas finas em movimento, ocorre em casos de iridociclite
    • Após lesão traumáticas podem ser encontrados corpos estranhos (por exemplo, madeira, ferro, partículas de vidro ou pedra, cílios).

Cristalino

O exame do cristalino é realizado na lâmpada de fenda após dilatação total das pupilas.

  • Posição:
    • Luxação:
      • Anteriormente na câmara anterior
      • Posteriormente na câmara vítrea
    • Subluxação:
      • Deslocação parcial do cristalino da sua posição
      • Observada como um crescente dourado brilhante na iluminação focal
      • Observad como uma linha escura na oftalmoscopia direta distante
    • Relevância clínica: pode haver luxação ou subluxação após trauma
  • Transparência :
    • A opacidade é indicativa de catarata.
    • Branco acinzentado ou amarelado
    • Relevância clínica da catarata observada na oftalmoscopia:
      • Congénita
      • Desenvolve-se com o envelhecimento e exposição solar
      • Efeito colateral dos corticosteroides
      • Catarata diabética: “opacidades em floco de neve”
      • Doença de Wilson: “catarata de girassol”
      • Lesão por concussão do cristalino: “catarata em forma de roseta”

Teste de pressão intraocular

  • Pressão intraocular normal: 10–21 mmHg
  • Equipamento utilizado no rastreio de glaucoma:
    • Tonómetro de indentação (tonómetro de Schiotz)
    • Tonómetro de aplanação (tonómetro de Goldman)
  • Relevância clínica
    • Hipertensão ocular:
      • Aumento da pressão intraocular
      • Sem dano de estruturas óticas e campos visuais normais
      • Fator de risco para glaucoma
    • Glaucoma:
      • Pressão intraocular elevada com lesão do nervo ótico
      • Sintomas:
        • Visão turva
        • Cegueira
        • Dor no olho
      • Requer tratamento imediato para prevenir a perda de visão
Tonómetro

Tonómetro utilizado para medir a pressão intraocular

Imagem: “Tonómetro” da Universidade da Califórnia, Irvine School of Medicine, Departamento de Emergência, Irvine, Califórnia. Licença: CC BY 4.0

Exame do Fundo Ocular

O exame do fundo do olho é importante para diagnosticar doenças do humor vítreo, nervo ótico, coróide e retina.

  • Dilatar a pupila com um agente midriático:
    • Fenilefrina
    • Atropina
    • Tropicamida
    • Ciclopentolato
  • O fundo pode ser examinado utilizando um oftalmoscópio:
    • O meio ocular deve ser transparente.
    • A opacificação pode ser observada com:
      • Opacidade da córnea (por exemplo, queratite)
      • Opacidade do cristalino (por exemplo, catarata)
      • Opacidade vítrea (por exemplo, hemorragia)
  • Relevância clínica:
    • Exame dos vasos sanguíneos retinianos e achados anormais:
      • As arteríolas aparecem em vermelho vivo e as vénulas em tom arroxeado.
      • O estreitamento das arteríolas pode ser observado em:
        • Retinopatia hipertensiva
        • Arteriosclerose
        • Oclusão da artéria central da retina
      • A tortuosidade das veias pode ser observada em:
        • Diabetes mellitus
        • Oclusão da veia central da retina
        • Discrasias sanguíneas
      • Drusas (depósitos lipídicos amarelados sob a retina) observados em:
        • Normais com o envelhecimento
        • Sinal precoce de degeneração macular
    • Exame do disco ótico e achados anormais:
      • Conexão do nervo ótico à retina
      • Estrutura circular branca-rosada de 1,5 mm de diâmetro com uma escavação central
      • Hiperemia do disco observada em:
        • Papiledema
        • Papilite
      • Palidez do disco: sinal de atrofia ótica
      • A relação escavação/disco normal é de 0,3 e pode estar aumentada no glaucoma.
      • A neovascularização do disco pode ocorrer em:
        • Retinopatia diabética
        • Retinopatia falciforme
    • Exame macular e achados anormais (geralmente requer um exame em lâmpada de fenda):
      • A mácula normal é ligeiramente mais escura do que a retina circundante.
      • O centro produz um reflexo brilhante (reflexo foveal).
      • Buraco macular: defeito redondo em toda a espessura retiniana, ao nível da fóvea, que leva à perda da visão central
      • Manchas vermelho-cereja observadas em:
        • Oclusão da artéria central da retina
        • Doença de Tay-Sachs
        • Doença de Niemann-Pick
        • Doença de Gaucher
      • Edema macular observado em:
        • Trauma
        • Intervenções intraoculares
        • Uveíte
        • Maculopatia diabética
      • Exsudatos duros observados em:
        • Retinopatia diabética
        • Retinopatia hipertensiva
      • Palidez macular: observada na degeneração macular em idosos

Referências

  1. Khurana, A.K. (2018). Comprehensive Ophthalmology (4th edition, pp. 461-498).
  2. Sihota, R., Tandon. (2019). Parson’s Diseases of the Eye (22nd edition, Chapters 9-13, pp. 87-145).
  3. Jason, D. (2016). The 8-Point Eye Exam. American Academy of Ophthalmology. https://www.aao.org/young-ophthalmologists/yo-info/article/how-to-conduct-eight-point-ophthalmology-exam
  4. Ing, B.E. (2019). Neuro-Ophthalmic Examination. Medscape. Retrieved July 13, 2021, from https://emedicine.medscape.com/article/1820707
  5. Yadav, S., Tandon, R. (2019). Comprehensive eye examination: what does it mean? Community Eye Health, 32, S1-S4. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC704181
  6. Machiele, R., Motlagh, M., Pater, B.C. (2020). Intraocular Pressure. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK532237/
  7. Golnik, K.C. (2019). Congenital anomalies and acquired abnormalities of the optic nerve. UpToDate. Retrieved July 15, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/congenital-anomalies-and-acquired-abnormalities-of-the-optic-nerve
  8. Rosenbaum, J.T. (2020). Uveitis: Etiology, clinical manifestations, and diagnosis. UpToDate. Retrieved July 15, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/uveitis-etiology-clinical-manifestations-and-diagnosis

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