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Dor no Joelho

A dor no joelho é uma apresentação comum nos Cuidados de Saúde Primários. O diagnóstico pode ser desafiante, considerando que a dor pode ter origem na articulação, nos tecidos circundantes ou referida à articulação a partir de estruturas distantes. O diagnóstico diferencial da dor no joelho é amplo e é útil categorizar os diversos diagnósticos de acordo com a duração (agudo ou crónico). Uma compreensão rigorosa da anatomia relevante, do exame físico apropriado e das patologias comuns da articulação do joelho são essenciais para o diagnóstico e tratamento adequados da dor no joelho. A terapia baseada em exercício é frequentemente o tratamento de 1.ª linha para muitas patologias do joelho. Contudo, a intervenção cirúrgica é necessária em certos diagnósticos específicos.

Última atualização: Jul 7, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Epidemiologia

  • ↑ Prevalência de dor no joelho com o aumento da idade
  • ↑ Prevalência de dor no joelho com o aumento do IMC
  • O joelho é a articulação mais frequentemente afetada pela ostroartrose (também conhecida por osteoartrite ou simplesmente artrose)
  • A osteoartrose (OA) do joelho é a causa mais comum de dor no joelho em indivíduos com 50 anos ou mais.
  • Mulheres > homens
  • Queixa comum de corredores e de atletas

Anatomia da articulação do joelho

  • A maior e mais complexa articulação do corpo humano
  • Articulação de dobradiça sinovial
  • As estruturas de apoio incluem:
    • Cápsula articular
    • Meniscos lateral e medial
    • Múltiplos ligamentos para mobilidade e estabilidade do joelho

Categorias de dor no joelho

  • Dor aguda no joelho:
    • Traumatismo
    • Exacerbação aguda de dor crónica no joelho
    • Infeção
    • Patologia reumatológica
  • Dor crónica no joelho:
    • Utilização excessiva
    • OA
    • Tendinopatia
    • Instabilidade rotuliana
    • Síndrome da dor patelofemoral (SDPF)
  • Dor no joelho sem trauma:
    • Infeção
    • Etiologia reumatológica
    • Malignidade

Apresentação Clínica e Diagnóstico

História clínica

A obtenção de uma história clínica clara é essencial para efetuar o diagnóstico correto e orientar a avaliação:

  • Localização de patologias comuns:
    • Anterior:
      • SDPF
      • Osteoartrose do compartimento patelofemoral
      • Tendinite rotuliana
      • Doença de Osgood-Schlatter
    • Medial:
      • Entorse do ligamento colateral medial (LCM)
      • Osteoartrose do compartimento medial (o compartimento mais frequentemente afetado)
      • Rutura do menisco medial
      • Bursite da pata anserina
    • Lateral:
      • Rutura do menisco lateral
      • Osteoartrose do compartimento lateral
      • Síndrome da banda iliotibial (SBIT)
  • Fatores de alívio e agravamento
  • Presença de edema/derrame
  • Sintomas mecânicos (considerar lesão do menisco ou da cartilagem):
    • Cliques/estalos
    • Bloqueio
  • Cirurgias/procedimentos anteriores
  • Sinais/sintomas sistémicos:
    • Febre
    • Calafrios
    • Eritema
  • Recordar: a dor no joelho pode ser referida por patologia da anca (sobretudo em crianças).

Exame objetivo

O exame objetivo deve ser direcionado pela duração e tipo de lesão (aguda ou crónica) e pela idade do doente. A comparação com o joelho saudável é importante:

  • Observação:
    • Cicatrizes cirúrgicas prévias
    • Postura e marcha:
      • Claudicação
      • Incapacidade de suportar peso
    • Deformidades angulares:
      • Genu varum (joelho arqueado)
      • Genu valgum (joelho em X)
    • Edema, eritema, equimose
    • Capacidade de realizar um agachamento profundo
    • Atrofia muscular
  • Amplitude de movimento (ROM, pela sigla em inglês):
    • Flexão: 0-135 graus
    • Comparação com o lado contralateral.
    • Avaliação da anca.
  • Palpação:
    • Geralmente realizada com o joelho com 90 graus de flexão se sentado ou em decúbito dorsal com 20-30 graus de flexão
    • Palpação da linha articular:
      • Lesão do menisco
      • Ligamentos colaterais
      • OA
      • Gordura
    • Anterior:
      • Rótula
      • Ligamento rotuliano
      • Tendão rotuliano
      • Tendão do quadricípite
      • Tubérculo tibial
      • Bursa pré-patelar
      • Gordura
    • Medial:
      • LCM
      • Tendões da pata anserina
      • Bursa da pata anserina
    • Lateral:
      • Ligamento colateral lateral (LCL)
      • Banda iliotibial (BIT)
      • Cabeça do perónio
    • Posterior:
      • Quisto poplíteo (quisto de Baker)
      • Artéria poplítea
    • Crepitação
    • Calor excessivo
    • Derrame:
      • Rótula em ping-pong
      • “Onda” para derrames de menor dimensão
    • Avaliação neurovascular e da força:
      • Exame neurológico dos membros inferiores
      • Avaliação dos pulsos distais
Tabela: Manobras especiais no exame objetivo de um doente com dor no joelho
Lesão Manobra
Lesão do LCA
  • Teste da gaveta anterior:
    • Flexão do joelho a 90 graus e translação da tíbia com a força em direção anterior.
    • Laxidão na translação anterior indica lesão do LCA.
  • Teste de Lachman:
    • Teste mais sensível para a rutura do LCA
    • Flexão do joelho a 30 graus e translação da tíbia com a força em direção anterior
    • Laxidão da translação anterior indica lesão do LCA
  • Teste do pivot shift:
    • Doente em decúbito dorsal com o joelho em extensão completa
    • Aplicação de uma força em valgo e rotação interna na tíbia proximal simultaneamente à flexão do joelho.
    • “Clunk” com a flexão indica lesão do LCA.
Lesão do LCP
  • Teste da gaveta posterior:
    • Flexão do joelho a 90 e translocação da tíbia com força em direção posterior
    • Laxidão na translocação posterior indica lesão do LCP
  • Teste ativo do quadricípite:
    • Com o joelho em extensão, pedir ao indivíduo que eleve a perna da marquesa em decúbito dorsal.
    • Avaliação da subluxação posterior da tíbia enquanto a perna se move anteriormente (indica lesão do LCP).
Lesão do LCM Teste de stress em valgo para a instabilidade do LCM:
  • Realizado a 0 graus de flexão e a 30 graus de flexão
  • Fazer o teste de stress em valgo contra a face lateral do joelho
  • Avaliação da dor e laxidão.
Lesão do LCL Teste de stress em varo para a instabilidade do LCL:
  • Realizado a 0 graus de flexão e a 30 graus de flexão
  • Fazer o teste de stress em varo contra a face medial do joelho.
  • Avaliação de dor e laxidão.
Rutura meniscal
  • Teste de McMurray: um clique palpável ou audível na flexão e/ou extensão do joelho durante a rotação externa e interna sugere uma rutura meniscal.
  • Desconforto na linha articular
SBIT
  • Desconforto no local de cruzamento da BIT com o côndilo femoral lateral
  • Teste de compressão de Noble (manobra provocadora para replicar os sintomas): ocorre dor com a palpação do côndilo femoral lateral com a flexão/extensão dinâmicas passivas do joelho
SDPF
  • Dor com o agachamento
  • Desconforto no retináculo rotuliano
  • Avaliação do deslizamento rotuliano
  • Sinal do “J”: movimento lateral da rótula em extensão total
LCA: ligamento cruzado anterior
LCP: ligamento cruzado posterior
LCM: ligamento colateral medial
LCL: ligamento colateral lateral
SBIT: síndrome da banda iliotibial
BIT: banda iliotibial
SDPF: síndrome da dor femoropatelar
Quatro exames usados para determinar a causa da dor no joelho

Quatro manobras para determinar a causa da dor no joelho: teste da gaveta anterior, teste de Lachman, teste de pivot e teste de McMurray

Imagem por Lecturio.

Imagiologia

  • Utilizada como um complemento à história clínica e ao exame físico
  • Ferramentas para tomada de decisão clínica baseada em radiografia simples:
    • As regras de Ottawa e de Pittsburgh referentes ao joelho são úteis no contexto agudo para decidir a indicação para imagiologia do joelho.
    • As regras do joelho de Ottawa aplicam-se em doentes com > 2 anos que apresentam dor/sensibilidade no joelho no contexto de trauma (imagiologia não indicada se todas negativas):
      • Idade > 55 anos
      • Desconforto localizado na cabeça do perónio
      • Desconforto localizado na rótula
      • Flexão do joelho < 90 graus
      • Incapacidade de caminhar 4 passos com carga
    • As regras do joelho de Pittsburgh aplicam-se a todos os doentes com lesão aguda na semana anterior, sem cirurgia prévia ao joelho ou avaliação no serviço de urgência (imagiologia não indicada se todas negativas):
      • Idade < 12 anos
      • Idade > 50 anos
      • Incapacidade de caminhar 4 passos com carga
  • RM:
    • Importante na avaliação de lesões dos tecidos moles do joelho
    • Não indicada na avaliação inicial
  • Ecografia:
    • Avaliação dos tecidos moles circundantes ao joelho (e.g., tendões, ligamentos colaterais).
    • Pode ser útil para aspiração/injeções

Vídeos recomendados

Diagnóstico Diferencial da Dor no Joelho

A avaliação da dor no joelho é desafiante. Uma abordagem para o diagnóstico diferencial é agrupar as várias patologias com base na intensidade da apresentação, na presença ou ausência de derrame e nas atividades precipitantes.

Lesões traumáticas do joelho

Tabela: Causas de lesões traumáticas do joelho com edema significativo
Doença Mecanismo Caraterísticas Diagnóstico
Rutura do LCA
  • Mudança repentina de direção
  • Desaceleração rápida
  • Aterragem de um salto
  • Frequentemente sem contacto
  • “Pop” audível no momento da lesão
  • Edema rápido (hemartrose)
  • Instabilidade articular
  • Teste de Lachman positivo
  • Teste da gaveta anterior positivo
  • Teste do pivot shift positivo
  • RM para confirmação
Rutura do LCP
  • Impacto direto na tíbia proximal anterior
  • E.g., lesão contra o tablier, aterragem com o joelho em flexão
  • Lesão de hiperextensão
  • Dor posterior do joelho
  • Perda da flexão terminal do joelho
  • Teste da gaveta posterior positivo
  • Teste ativo do quadricípite positivo
  • RM para confirmação
Rutura do menisco
  • Mecanismo de torção com o pé fixado
  • Degeneração da cartilagem meniscal associada
  • Sensação de rutura/estalo
  • Bloqueio
  • ↓ ROM
  • Desconforto na linha articular
  • Teste de McMurray positivo
  • RM para confirmação
Luxação rotuliana Rotação ou mudança repentina de direção
  • Deslocamento lateral
  • Deformidade geralmente visível
  • Apreensão
  • Laxidão
  • Derrame
  • Diagnóstico clínico
Rutura do ligamento rotuliano
  • Paragem ou início súbito e forçado (mecanismo excêntrico)
  • Tentativa de evicção de queda
  • Incapacidade de extensão
  • Edema infrapatelar
  • Deslocamento superior da rótula
  • Diagnóstico clínico
  • Ecografia ou RM para confirmação
Rutura do tendão do quadricípite
  • Paragem ou início súbito e forçado (mecanismo excêntrico)
  • Tentativa de evicção de queda
  • Incapacidade de extensão
  • Edema suprapatelar
  • Deslocamento inferior da rótula
  • Diagnóstico clínico
  • Ecografia ou RM para confirmação
Fratura intra-articular
  • Trauma a alta velocidade
  • Desporto de contacto
  • Derrame de elevado volume
  • Lipohemartrose
  • Radiografia
  • TC para avaliação adicional
LCA: ligamento cruzado anterior
LCP: ligamento cruzado posterior
Tabela: Causas de lesões traumáticas do joelho com edema reduzido
Doença Mecanismo Caraterísticas Diagnóstico
Entorse do LCM
  • Força em valgo contra o joelho
  • Ligamento do joelho mais frequentemente lesionado
  • Dor medial no joelho
  • Sensação de instabilidade
  • Teste de stress em valgo positivo
  • RM para confirmação
Entorse do LCL Força em varo contra o joelho
  • Dor lateral no joelho
  • Sensação de instabilidade
  • Teste de stress em varo positivo
  • RM para confirmação
LCM: ligamento colateral medial
LCL: ligamento colateral lateral

Lesões atraumáticas do joelho

Tabela: Causas e caraterísticas da dor atraumática do joelho com derrame significativo
Doença Caraterísticas
Osteoartrose do joelho
  • Perda da cartilagem articular e remodelação óssea
  • Fatores de risco:
    • Idade > 50 anos
    • Mulheres > homens
    • ↑ IMC
    • Lesão ou infeção prévia
  • História clínica:
    • Início insidioso de dor relacionada com a atividade
    • Rigidez breve após inatividade ou de manhã (gelificação)
    • ↓ progressiva da ROM
  • Exame físico:
    • Crepitação com o movimento
    • Desconforto na linha articular
    • Eventual derrame e calor
  • Diagnóstico:
    • Diagnóstico clínico
    • Confirmação com radiografia
  • Radiografia: estreitamento do espaço articular, esclerose, osteófitos e quistos subcondrais
Artropatia por deposição de cristais
  • Episódio agudo de:
    • Dor intensa
    • Edema
    • Possível derrame de grande volume
    • Eritema em 1 ou mais articulações
  • Diagnóstico por análise do líquido sinovial:
    • Gota: cristais de urato (birrefringência negativa)
    • CPPD ou pseudogota:
      • Cristais de CPPD
      • Condrocalcinose na radiografia
Artrite séptica
  • Infeção de 1 ou mais articulações
  • Mais frequentemente bacteriana, mas inclui infeções fúngicas e víricas
  • Fatores de risco:
    • ↑ Idade
    • Consumo de drogas IV
    • DM
    • Imunossupressão
    • Articulação protésica
    • Cirurgia prévia
  • Microrganismos mais comuns:
    • Staphylococcus aureus
    • Espécies estreptocócicas
  • Apresentação clínica:
    • Dor aguda
    • Derrame de grande volume
    • ↑ Calor
    • ↓ ROM sem antecedentes de trauma
    • Sinais e sintomas sistémicos
  • Diagnóstico:
    • Artrocentese:
      • Coloração de Gram
      • Contagem de células
      • Cultura
      • Pesquisa de cristais
    • Hemoculturas
    • CBC e marcadores inflamatórios
Artrite reumatóide
  • Apresentação clínica:
    • Poliartrite simétrica das mãos e pés
    • Deterioração articular progressiva
  • Envolve a articulação do joelho em ⅓ dos doentes
  • Exame físico:
    • Derrames de grande volume
    • Espessamento da sinovial
ROM: amplitude de movimento, pela sigla em inglês
CPPD: doença de deposição de dihidrato de pirofosfato de cálcio, pela sigla em inglês
DM: diabetes mellitus
CBC: hemograma completo, pela sigla em inglês
Tabela: Dor atraumática do joelho sem derrame articular significativo (por localização)
Doença Caraterísticas
Dor anterior do joelho
Apofisite do tubérculo tibial (Osgood-Schlatter)
  • Apofisite da tuberosidade tibial em desenvolvimento
  • Apresentação clínica:
    • Dor na tuberosidade tibial em adolescentes, frequentemente associada a um pico recente de crescimento
    • Exacerbado por desporto/atividade, melhora com o repouso
  • Exame físico: desconforto e proeminência no tubérculo tibial, sem derrame
  • Radiografia não indicada por rotina
SCFE
  • Deslizamento da epífise femoral proximal no colo do fémur na fise femoral proximal (placa de crescimento)
  • Comum em crianças com distúrbios endócrinos e obesidade
  • Dor referida ao joelho ipsilateral, claudicação
Bursite pré-patelar
  • Inflamação e edema da bursa pré-patelar
  • Etiologia: pressão por excesso de genuflexão (“joelho de empregada doméstica”)
  • 3 categorias primárias:
    • Traumático: trauma agudo ou crónico (não infecioso)
    • Infecioso: Staphylococcus aureus mais comum
    • Doença de deposição de cristais: gota
Síndrome da dor femoropatelar
  • Comum
  • Ocorre em corredores/ciclistas
  • Outros fatores de risco:
    • Sexo feminino
    • Valgo dinâmico
    • Instabilidade rotuliana
  • Apresentação clínica:
    • Em moedeira
    • Dor vaga inferior à rótula
    • Ocorre por subir escadas ou após ficar sentado por um longo período de tempo
  • Diagnóstico: baseado na apresentação clínica
  • Radiografia: geralmente não indicada
Dor medial do joelho
Bursite da pata anserina
  • Inflamação da bursa entre a tíbia e os 3 tendões da região da pata de ganso:
    • Músculo semitendinoso
    • Músculo grácil
    • Músculo sartório
  • Associado a obesidade e utilização excessiva
  • Dor anteromedial na tíbia
Dor lateral do joelho
SBIT
  • Início insidioso de dor lateral do joelho
  • Relacionado com a utilização excessiva
  • Principalmente em corredores, mas também relacionado com o exercício
  • Dor no local onde a BIT cruza o côndilo femoral lateral
Dor posterior do joelho
Quisto poplíteo (Baker)
  • Massa mais comum na fossa poplítea
  • O quisto surge em associação com OA ou artrite inflamatória do joelho
  • Resultado do extravasamento de líquido do espaço articular do joelho para a bursa semimembranosa e do gastrocnémio
  • Apresentação clínica:
    • Dor posterior do joelho
    • Tumefação
    • Rigidez
    • Sensação de massa posterior ao joelho
  • Diagnóstico com a avaliação clínica (ecografia ou RM)
  • As complicações incluem:
    • Pseudotromboflebite: rutura aguda do quisto semelhante à TVP
    • A ecografia pode excluir TVP e confirmar o quisto poplíteo.

SCFE: deslizamento epifisário da cabeça do fémur, pela sigla em inglês
SBIT: síndrome da banda iliotibial, pela sigla em inglês
BIT: banda iliotibial
OA: osteoartrose
TVP: trombose venosa profunda

Dor referida

  • Doente apresenta-se com:
    • Dor vagamente localizada no joelho
    • Sem desconforto localizado
    • Sem sinais inflamatórios
  • Associada a patologias que afetam a coluna lombar, a articulação sacroilíaca ou a articulação da anca:
    • A dor é referida da anca (i.e., OA em adultos, deslizamento epifisário da cabeça do fémur (SCFE) em adolescentes).
    • Dor radicular: mais frequentemente as raízes nervosas de L5 e S1
  • Causas incomuns de dor no joelho:
    • Tumores ósseos benignos e malignos
    • O joelho é um local comum.
    • Apresentação clínica:
      • Frequentemente sintomas inespecíficos
      • Simula patologias musculoesqueléticas comuns
      • Dor regional ou localizada
      • Febre e tumefação dos tecidos moles
      • Dor noturna
      • Fraturas patológicas
    • Os principais determinantes na avaliação de tumores ósseos incluem:
      • Morfologia da lesão óssea:
        • Bem ou mal definida
        • Presença de esclerose
      • Idade do doente
    • Tumores ósseos benignos:
      • A maioria dos tumores ósseos são achados benignos e incidentais.
      • Podem apresentar-se com:
        • Tumefação
        • Deformidade
        • Fraturas patológicas
      • Mais comum em faixas etárias mais jovens
    • Tumores ósseos malignos:
      • Incomuns
      • Causa morbidade e mortalidade significativas
      • O osteossarcoma é o cancro ósseo mais comum
      • Os cancros da medula óssea incluem o mieloma múltiplo, o linfoma e a leucemia.

Tratamento

  • O tratamento eficaz da dor do joelho depende do diagnóstico correto.
  • Muitas patologias que causam dor no joelho podem ser tratadas sem cirurgia.
  • Algumas lesões requerem tratamento cirúrgico.
Tabela: Recomendações gerais para o tratamento da dor no joelho
Doença Tratamento
Lesão do LCA
  • Tratamento inicial: RICE
  • Considerar o tratamento não cirúrgico em:
    • Doentes mais velhos e sedentários
    • Doentes dispostos a modificar a atividade
  • Considerar o tratamento cirúrgico:
    • Lesões associadas
    • Jovens adultos ativos
    • Doentes com instabilidade recorrente após tentativa de PT
  • Tanto os tecidos de autoenxerto como os de aloenxerto processados são utilizados na reconstrução.
Lesões do LCP
  • Frequentemente lesionado em combinação com outros ligamentos
  • Tratamento inicial: terapia RICE
  • Lesões de menor grau e parciais apresentam uma abordagem não cirúrgica.
  • Ruturas de maior grau e de espessura total necessitam de abordagem cirúrgica.
Lesões meniscais
  • Inicial: ROM, gelo/elevação e muletas para limitar a carga
  • Avaliação artroscópica para sintomas persistentes, joelho “bloqueado”, rutura extensa/complexa e outras lesões associadas
Lesão do LCM
  • Ligamento do joelho mais frequentemente lesionado
  • Lesão isolada do LCM é frequentemente tratada não cirurgicamente:
    • RICE inicialmente com carga consoante o tolerado
    • Suporte articulado do joelho com proteção do movimento
  • Frequentemente associada a outras lesões ligamentares (rutura do LCA)
Osteoartrose
  • Terapia com exercício (de preferência sem carga) é a base do tratamento (e.g., natação, hidroginástica, ciclismo).
  • Perda de peso (se excesso de peso)
  • Glucosamina/condroitina (evidência limitada de eficácia)
  • Terapêutica tópica: AINEs, capsaicina
  • Tratamento da dor: AINEs, acetaminofeno
  • Glucocorticóides intra-articulares (duração limitada do benefício)
  • Biológicos (evidência limitada)
  • Intervenção cirúrgica
Artropatia por deposição de cristais: gota e CPPD Tratamento da gota:
  • Educação do doente:
    • Dieta
    • Eliminação do consumo de álcool
    • Perda de peso
  • Tratamento de crises agudas:
    • Colchicina ou outros AINEs
    • Considerar glucocorticóides: oral ou intra-articular
  • Terapêutica de redução do urato: medicação profilática a longo prazo para crises recorrentes:
    • Alopurinol
    • Febuxostat
    • Agente uricosúrico: probenecida
CPPD (pseudogota):
  • Tratamento inicial: aspiração e glucocorticóides intra-articulares
  • Glucocorticóides orais podem ser considerados.
  • AINEs
  • Profilaxia:
    • Colchicina
    • AINEs
    • Metotrexato
Artrite séptica
  • Aspiração emergente
  • Desbridamento e irrigação articular
  • Antibioterapia IV
SDPF
  • Terapia com exercício (fortalecimento do quadricípite e da anca)
  • Evicção de atividades que agravam a dor.
  • Adjuvantes da terapia com exercício:
    • Suporte patelofemoral
    • Fita de cinesiologia (evidência limitada)
  • Intervenções cirúrgicas carecem de evidência.
Quisto poplíteo (Baker)
  • O quisto é secundário a doença articular subjacente.
  • Se ausência de resposta à injeção intra-articular, considerar aspiração e injeção direta no quisto.
  • Excisão cirúrgica: muito rara
LCA: ligamento cruzado anterior
RICE: rest (repouso), ice (gelo), compression (compressão) e elevation (elevação)
PT: fisioterapia, pela sigla em inglês
LCP: ligamento cruzado posterior
ROM: amplitude de movimento, pela sigla em inglês
LCM: ligamento colateral medial
AINEs: anti-inflamatórios não esteroides
CPPD: doença de deposição de cristais de dihidrato de pirofosfato de cálcio, pela sigla em inglês
SDPF: síndrome da dor femoropatelar, pela sigla em inglês

Relevância Clínica

  • A articulação do joelho é composta por articulações entre os ossos do fémur, da tíbia e da rótula. A articulação do joelho é uma das maiores e mais complexas articulações do corpo humano. O joelho é classificado como uma articulação sinovial em dobradiça, que permite essencialmente a flexão e a extensão. As estruturas de suporte incluem a cápsula articular, os meniscos lateral e medial e múltiplos ligamentos, que ajudam a garantir a mobilidade e a estabilidade do joelho.
  • A osteoartrose ocorre por destruição da cartilagem e alterações do osso subcondral. O risco do seu desenvolvimento aumenta com a idade, obesidade e a utilização repetitiva ou trauma articular. Os doentes apresentam dor articular, rigidez e diminuição da ROM. O exame físico pode evidenciar crepitação com o movimento articular e formação de osteófitos. O diagnóstico é clínico e apoiado por achados radiográficos articulares. O tratamento é conservador.
  • A artrite reumatóide é uma poliartrite inflamatória simétrica. A artrite reumatóide é uma doença autoimune crónica e progressiva que se manifesta mais frequentemente em mulheres de meia-idade com tumefação e dor articular e rigidez matinal. O diagnóstico é realizado com a presença do fator reumatóide, anticorpos anti-CCP (peptídeo citrulinado cíclico) e alterações imagiológicas. O tratamento inclui fármacos antirreumáticos, agentes biológicos e fisioterapia.
  • A gota é uma doença metabólica associada a níveis séricos de ácido úrico elevados e depósitos anormais de urato monossódico nos tecidos. A gota é frequentemente familiar e inicialmente caraterizada por tumefação monoarticular dolorosa e recorrente, seguida de artrite deformante crónica. O tratamento é realizado com AINEs, corticoesteróides ou terapêutica redutora de urato.
  • A doença de deposição de cristais de pirofosfato de cálcio (CPPD) ocorre secundariamente à deposição de cristais de dihidrato de pirofosfato de cálcio nos tecidos periarticulares e tecidos moles. A doença, também denominada pseudogota, pode causar inflamação articular semelhante à gota. O tratamento é realizado com colchicina, AINEs e metotrexato.
  • O deslizamento epifisário da cabeça do fémur (SCFE) é uma patologia ortopédica do início da adolescência caraterizada pelo “deslizamento” ou deslocamento patológico da cabeça femoral, ou epífise, no colo do fémur. A patologia ocorre por uma combinação de fatores biomecânicos e endócrinos. O diagnóstico é realizado com radiografia da anca. O tratamento varia de conservador a cirúrgico e o prognóstico depende da gravidade do deslizamento ou deslocamento.

Referências

  1. Covey, C. (2020). Approach to the adult with unspecified knee pain. UpToDate. Retrieved June 9, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/approach-to-the-adult-with-unspecified-knee-pain
  2. Beutler, A. & Fields, K. (2021). Approach to the adult with knee pain likely of musculoskeletal origin. UpToDate. Retrieved June 9, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/approach-to-the-adult-with-knee-pain-likely-of-musculoskeletal-origin
  3. Modarresi, S. & Matilda C. (2020). Radiologic evaluation of the acutely painful knee in adults. UpToDate. Retrieved June 9, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/radiologic-evaluation-of-the-acutely-painful-knee-in-adults
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  6. Yaras, R. J., O’Neill, N., & Yaish, A. M. (2021). Lateral collateral ligament knee injuries. StatPearls. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560847/
  7. Martin, S. N., & DeWeber, K. (2019). Lateral collateral ligament injury and related posterolateral corner injuries of the knee. UpToDate. Retrieved June 10, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/lateral-collateral-ligament-injury-and-related-posterolateral-corner-injuries-of-the-knee
  8. MacDonald, J. & Rodenberg, R. (2019). Posterior cruciate ligament injury. UpToDate. Retrieved June 10, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/posterior-cruciate-ligament-injury
  9. McQuillen, K. K. (2018). Musculoskeletal disorders. In R. M. Walls MD, R. S. Hockberger MD & Gausche-Hill, Marianne, MD, FACEP, FAAP, FAEMS (Eds.), Rosen’s emergency medicine: Concepts and clinical practice (pp. 2201-2217.e2).

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