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Dermatite Seborreica

A dermatite seborreica é uma doença cutânea crónica e recorrente comum que se apresenta com placas eritematosas com escamas oleosas e de cor amarelada em áreas suscetíveis (couro cabeludo, face e tronco). A dermatite seborreica apresenta uma incidência bifásica, ocorrendo em dois picos: o primeiro em lactentes, o segundo na adolescência e início da idade adulta. Embora a etiologia exata seja desconhecida, foram descritos mecanismos patológicos relacionados com as glândulas sebáceas e Malassezia na pele. Na exacerbação aguda e no tratamento de manutenção são utilizados agentes tópicos, para inibir a colonização da pele (agentes antifúngicos), reduzir a inflamação (corticosteroides, inibidores da calcineurina) e remover as escamas e crostas (agentes queratolíticos). A dermatite seborreica grave e refratária pode justificar a utilização de fármacos antifúngicos sistémicos.

Última atualização: 20 Jun, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Epidemiologia e Etiologia

A dermatite seborreica é uma doença cutânea crónica comum que se caracteriza por manchas eritematosas com escamas oleosas e amareladas que aparecem mais frequentemente em zonas abundantes em glândulas sebáceas (couro cabeludo, face, tronco superior e área anogenital).

Epidemiologia

  • Prevalência: 3% da população geral
  • Mais comum em homens
  • Distribuição bimodal: ocorre em dois picos (primeiro na infância, depois na adolescência e início da idade adulta)
  • Até 70% dos lactentes < 3 meses de idade são afetados, mas observa-se melhoria em 1 ano
  • Em adultos, a doença atinge o pico entre a 3.ª e a 4.ª décadas de vida.

Etiologia

A etiologia não é clara, mas pode ser afetada pelas seguintes condições:

  • Colonização cutânea por Malassezia e a sua interação com lípidos na superfície da pele
  • Suscetibilidade individual:
    • Aumento da atividade das glândulas sebáceas (seborreia)
    • Stress
  • Imunodeficiência:
    • Infeção por VIH
      • A dermatite seborreica afeta até 85% dos pacientes com SIDA.
      • Dermatite seborreica grave em pacientes com baixa contagem de CD4
    • Linfoma
    • Transplante renal
  • Doenças neuropsiquiátricas:
    • Doença de Parkinson
      • Aumento da produção de sebo
      • Melhoria da dermatite seborreica com o uso de levodopa
    • Demência de Alzheimer, depressão
  • Alcoolismo
  • Alterações climáticas (pior com temperaturas frias, algumas melhoram com a exposição ao sol)
  • Fármacos: lítio, haloperidol, clorpromazina, imunossupressores, psoraleno, antagonistas da dopamina

Fisiopatologia

  • O mecanismo fisiopatológico exato permanece desconhecido.
  • Os achados estão relacionados com as glândulas sebáceas e a colonização por Malassezia. A associação é fortemente sugerida porque a utilização de agentes antifúngicos diminui os microrganismos Malassezia e trata eficazmente a doença.
  • A dermatite seborreica é encontrada em áreas com abundantes glândulas sebáceas.
  • A Malassezia (levedura lipofílica) na pele interage com o sebo. As leveduras produzem lipases e fosfatases que clivam ácidos gordos do sebo → libertação de ácidos gordos livres inflamatórios → produção aberrante de queratinócitos → estrato córneo anormal → estimulação da resposta inflamatória → erupção cutânea
  • Outros fatores incluem o stress oxidativo e radicais de oxigénio que danificam as células.

Apresentação Clínica

Características gerais

  • Pápulas e placas pruriginosas e eritematosas
  • Escamas oleosas facilmente destacáveis e crostas amarelas
  • Remissões e recaídas

Dermatite seborreica em lactentes

  • Áreas afetadas:
    • Cabeça:
      • Couro cabeludo (“crosta láctea”)
      • Sobrancelhas, pálpebras, sulcos nasolabiais e retroauriculares e pescoço
    • Tronco: umbigo e áreas intertriginosas (o oposto da dermatite atópica, que poupa as áreas intertriginosas)
  • Doença de Leiner:
    • Doença rara associada ao défice de complemento (C5)
    • Dermatite seborreica grave generalizada
    • Também pode apresentar diarreia e/ou vómitos, anemia ou má progressão estaturo-ponderal

Dermatite seborreica em adultos

  • Áreas afetadas:
    • Couro cabeludo: caspa/pitiríase sicca; escamas finas e brancas no couro cabeludo
    • Rosto:
      • Sobrancelhas, glabela, pálpebras, laterais do nariz, sulcos nasolabiais (o oposto do lúpus, que poupa os sulcos nasolabiais)
      • Áreas do bigode e barba; melhora com o barbear
    • Tronco:
      • Áreas intertriginosas (axila, sulcos inframamários, região anogenital)
      • Parte superior do tórax e dorso

Dermatite seborreica em pacientes com VIH

  • Em pacientes com contagem de CD4 < 400 células/microL, as lesões podem estar disseminadas e apresentar difícil controlo.
  • A dermatite seborreica pode ser o marcador cutâneo clínico inicial para VIH/SIDA (início súbito grave, distribuição atípica das lesões ou resistência ao tratamento)
  • Pode melhorar com o tratamento antirretroviral

Diagnóstico

  • O diagnóstico é baseado em achados clínicos.
  • A biópsia pode ser utilizada se existirem dúvidas no diagnóstico. Achados na biópsia:
    • Infiltrado inflamatório perivascular superficial (neutrófilos, linfócitos)
    • Hiperplasia psoriasiforme
    • Paraqueratose (retenção de núcleos no estrato córneo)
    • Espongiose focal
    • Espécies de leveduras no estrato córneo
  • No VIH: mais paraqueratose, aumento do infiltrado inflamatório e menos espongiose

Tratamento

Abordagem geral

  • Evitar temperaturas frias
  • Descontinuar fármacos que possam desencadear crises
  • Tratamento de comorbilidades associadas

Tratamento médico

  • Agentes tópicos que contenham:
    • Sulfeto de selénio: apresenta propriedades antifúngicas
    • Alcatrão: diminui a inflamação e possui propriedades antifúngicas
    • Enxofre: queratolítico e apresenta propriedades antifúngicas
    • Ácido salicílico: queratolítico; suaviza escamas mais espessas
    • Piritionato de zinco: possui propriedades fungistáticas e antibacterianas
  • Antifúngicos:
    • Tópicos: cetoconazol, naftifina, ciclopirox
    • Sistémicos: cetoconazol, fluconazol ou itraconazol se refratário ou com doença extensa
  • Corticosteroides tópicos:
    • Utilizar apenas em crises agudas
    • O uso a longo prazo não está recomendado devido à atrofia dérmica e aumento do risco de recorrência e dependência
  • Inibidores da calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus) utilizados em alternativa aos corticosteroides, especialmente em áreas delicadas (e.g., face).
    • Supressão da produção de citocinas
    • Não apresentam os efeitos adversos dos corticosteroides

Diagnóstico Diferencial

Os diagnósticos diferenciais da dermatite seborreica incluem as seguintes condições:

  • Dermatite atópica: doença inflamatória crónica e recorrente da pele que geralmente precede a asma e outras doenças alérgicas. Esta patologia caracteriza-se por lesões cutâneas eczematosas e prurido intenso.
  • Psoríase: doença crónica e recorrente da pele caracterizada por inflamação e hiperproliferação de células da epiderme, que se apresenta com placas cor de salmão com escamas prateadas sobrejacentes, razão pela qual também é conhecida como psoríase em placas.
  • Impetigo: uma doença infeciosa provocada por uma infeção bacteriana da pele. O impetigo pode apresentar-se com lesões bolhosas ou não bolhosas. As crostas no impetigo não bolhoso são cor de mel e localizam-se na face e extremidades superiores ou inferiores. O impetigo bolhoso, como o próprio nome indica, envolve a formação de erupções cutâneas bolhosas.
  • Tinea versicolor: a Malassezia furfur é o agente patogénico responsável por esta infeção superficial da pele, que se apresenta com hipopigmentação ou hiperpigmentação da área infetada.
  • Tinea capitis: infeção cutânea provocada por fungos dermatófitos. Existem 3 tipos de dermatófitos: trichophyton, epidermophyton e microsporum.
  • Pitiríase rósea: uma erupção cutânea comum que se caracteriza por uma mancha única na pele que geralmente evolui para um exantema generalizado após 1 semana. Esta condição geralmente apresenta uma duração de 6 semanas e é autolimitada, com excelente prognóstico.
  • Candidíase: infeção fúngica oportunista que pode atingir o trato gastrointestinal ou a pele, ou ser sistémica em pacientes imunocomprometidos. A apresentação clínica é variável e depende da gravidade da imunossupressão e do local anatómico afetado.
  • Pênfigo vulgar: uma doença intraepitelial, crónica, autoimune, caracterizada pela formação de bolhas que atinge a pele e as membranas mucosas. É provocada por autoanticorpos que apresentam como alvo os antigénios presentes na superfície celular dos queratinócitos.
  • Sífilis secundária: a sífilis primária não tratada evolui para sífilis secundária. Os pacientes apresentam uma erupção maculopapular não pruriginosa generalizada, geralmente nas palmas das mãos e plantas dos pés, juntamente com lesões pustulosas. As diversas lesões cutâneas podem incluir condiloma lata e placas brancas.
  • Escabiose: infeção cutânea altamente contagiosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei que se transmite por contacto físico direto. A escabiose é caracterizada por pápulas eritematosas e pruriginosas, vesículas dispersas e lesões em túnel (lineares) de trajeto curvilíneo.
Local Diagnóstico diferencial
Couro cabeludo Psoríase, caspa, dermatite atópica, tinea capitis
Face Psoríase, impetigo, dermatite de contacto
Canal auditivo Psoríase, dermatite de contacto
Pálpebras Dermatite atópica, infestação por Demodex folliculorum
Peito e tronco Pitiríase rósea, tinea versicolor
Áreas intertriginosas Psoríase, candidíase
Todos os locais, descartar Sífilis secundária, pênfigo, escabiose

Referências

  1. Berk, T.; Scheinfeld, N. (2010). Seborrheic dermatitis. P T., 35(6), 348–352. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2888552/
  2. Borda, L.; Wikramanayake, T. (2015). Seborrheic dermatitis and dandruff: a comprehensive review. J Clin Investig Dermatol, 3(2), 10.13188/2373–1044.1000019. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4852869/
  3. Clark, G.; Pope, S.; Jaboori, K. (2015). Diagnosis and treatment of seborrheic dermatitis. Am Fam Physician, 91(3), 185–190. https://www.aafp.org/afp/2015/0201/p185.html
  4. Johnson, B.; Nunley, J. (2000). Treatment of seborrheic dermatitis. Am Fam Physician, 61(9), 2703–2710.
  5. Sasseville, D.; Fowler, J. & Corona, R. (Eds.). (2020). Seborrheic dermatitis in adolescents and adults. UpToDate. Retrieved 25 Aug 2020, from https://www.uptodate.com/contents/seborrheic-dermatitis-in-adolescents-and-adults
  6. Scheinfeld, N. (n.d.). Seborrheic dermatitis. Medscape. Retrieved 26 Aug 2020, from https://www.medscape.com/viewarticle/499706
  7. Tucker, D.; Masood, S. (2020). Seborrheic dermatitis. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK551707/

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