Achieve Mastery of Medical Concepts

Study for medical school and boards with Lecturio

Defeito do Septo Auricular (DSA)

Os defeitos do septo auricular (DSA) são defeitos cardíacos congénitos acianóticos benignos, caracterizados por uma abertura no septo interatrial que faz com que o sangue flua da aurícula esquerda (AE) para a aurícula direita (AD) (shunt esquerda-direita). Os defeitos do septo auricular representam aproximadamente 15% de todos os casos de cardiopatia congénita (CC), tornando as DSAs a 2ª CC mais comum. Existem 4 tipos de DSA com base na localização do defeito ao longo do septo auricular, mas o mais comum é o defeito do ostium secundum. Os defeitos do septo auricular geralmente são detetados durante um exame físico de rotina e confirmados com um ecocardiograma. Na infância, a maioria dos pequenos DSAs fecha espontaneamente aos 2 anos de idade. Apenas doentes sintomáticos necessitam de oclusão cirúrgica. Em geral, a maioria dos doentes com DSA pode esperar um bom prognóstico.

Última atualização: 27 Jun, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A comunicação interauricular (CIA) é uma comunicação entre a aurícula direita (AD) e a aurícula esquerda (AE), secundária a um defeito no desenvolvimento do septo auricular durante a embriogénese. É, geralmente, uma condição benigna e é classificada como uma cardiopatia congénita acianótica (CCA).

Classificação

Os defeitos do septo auricular são classificados com base na localização anatómica do defeito:

  • Ostium secundum (75%-90% dos casos):
    • O defeito geralmente está no meio do septo interauricular, na fossa oval.
    • Causado pelo término precoce do crescimento do septum secundum ou absorção excessiva do septum primum
    • Associado a prolapso da válvula mitral e retorno venoso pulmonar anómalo
  • Ostium primum (15%):
    • Localizado na parte inferior do septo interauricular
    • Desenvolve-se se o septum primum não se fundir com as almofadas endocárdicas
  • Seio venoso (10%):
    • Localizado na parte superior e/ou inferior do septo interauricular
    • Causado por um mau posicionamento da inserção da veia cava superior ou inferior
  • Seio coronário (1%):
    • Não é um verdadeiro DSA
    • A parede entre o seio coronário e a AE está ausente.
Localização de defeitos do septo atrial

As diferentes localizações anatómicas dos tipos de DSAs

Imagem por Lecturio.

Epidemiologia

  • Representa 10%–15% de todos os casos de CC
  • Incidência: 0,67–2,1 por 1.000 nados vivos
  • Raparigas > rapazes, com uma proporção de raparigas para rapazes de 2:1
  • A taxa de mortalidade é baixa, < 1%.

Etiologia

  • O ostium secundum geralmente ocorre como um defeito isolado, mas pode estar associado a uma síndrome (componente genético):
    • Síndrome de Holt-Oram: autossómica dominante, associada a deformidade do membro superior e bloqueio cardíaco
    • Síndrome de Noonan: autossómica dominante, associada a defeitos faciais, deformidade do esterno e deficiências da coagulação
    • Síndrome de Treacher Collins: autossómica dominante, associada a deformidades craniofaciais e perda auditiva condutiva
  • O ostium primum é encontrado principalmente em doentes com síndrome de Down.

Fisiopatologia

  • Como a pressão na AE é mais alta, o sangue flui da AE para a AD através do septo interauricular patente, no final da sístole tardia e início da diástole, formando um shunt esquerda-direita (E-D).
  • A derivação E-D leva a um aumento de volume no lado direito do coração, resultando em:
    • Hipercirculação pulmonar → hipertensão pulmonar → hipertrofia do ventrículo direito (VD)
    • Dilatação da AD → arritmias supraventriculares (e.g., flutter auricular e fibrilhação)
  • Eventualmente, a hipertrofia do VD causa aumento da pressão no lado direito → o shunt é revertido → ocorre a síndrome de Eisenmenger
    • Síndrome de Eisenmenger: condição na qual um defeito cardíaco, inicialmente acianótico com um shunt E-D, é revertido pela hipertrofia do lado direito; cria-se um shunt E-D, levando a cianose
  • O shunt E-D também resulta em diminuição do volume de sangue bombeado para a circulação sistémica → insuficiência cardíaca
  • Quanto maior o diâmetro do defeito, maior o fluxo sanguíneo e mais graves serão os sintomas.
Fisiopatologia da comunicação interatrial (cia)

Fisiopatologia do defeito do septo auricular
A imagem mostra a mudança no fluxo sanguíneo na presença de um defeito do septo auricular (DSA). Observar a diminuição do fluxo sanguíneo para o ventrículo esquerdo (7) e o aumento do fluxo sanguíneo para a circulação pulmonar (11).

Imagem por Lecturio.

Apresentação Clínica

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas dependem do tamanho do defeito e da gravidade da derivação:

  • Pequenos defeitos são geralmente assintomáticos.
  • Bebés e crianças com defeitos menores podem ser diagnosticados incidentalmente:
    • Devido a um sopro num exame físico
    • Durante um ecocardiograma realizado por outro motivo
  • Defeitos maiores, presentes na infância ou em crianças pequenas, com:
    • Má evolução estaturo-ponderal
    • Infeções pulmonares recorrentes
    • Sintomas de insuficiência cardíaca:
      • Dispneia durante o esforço físico
      • Cansaço/fadiga ao alimentar-se (principalmente em bebés)
      • Dificuldade em respirar ao deitar
      • Edema das pernas
    • Pode ocorrer embolia paradoxal nos DSA: Um êmbolo pode entrar na circulação sistémica através do shunt, resultando num acidente vascular cerebral ou isquemia aguda do membro.

Achados no exame físico

No exame físico, podem ser vistos/ detetados os seguintes:

  • Aspeto geral: O doente pode apresentar dispneia ou letargia.
  • Protuberância precordial devido ao aumento auricular
  • Sopro:
    • Aumento do fluxo na válcula pulmonar → sopro mesossistólico de ejeção (no 2º espaço intercostal)
    • Aumento do fluxo na valva tricúspide → sopro mesodiastólico suave (sobre o esterno inferior esquerdo)
    • Insuficiência mitral associada → sopro holossistólico (sobre o ápice)
  • S2 fixo e amplo
  • Sinais de hipertensão pulmonar:
    • Aumento da pressão venosa jugular e onda ‘a’ proeminente
    • Acentuação do S2 pulmonar
    • S4 do lado direito
    • Derrame pleural
  • Sinais e sintomas de insuficiência cardíaca:
    • Sons cardíacos S3 e S4
    • Deslocamento do ápice cardíaco
    • Membro inferior edemaciado
    • Congestão hepática → ascite
    • Hepatomegalia
Sopros cardíacos após correção

Fonocardiogramas de sons cardíacos anormais causados pelos seguintes defeitos cardíacos:
regurgitação aórtica, prolapso da válvula mitral, estenose mitral (EM), estenose aórtica (EA), regurgitação tricúspide, cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva (CMHO), defeito do septo auricular (DSA), defeito do septo ventricular (DSV) e persistência do canal arterial (PCA)

Imagem por Lecturio.

Áudio:

Este arquivo de áudio é um exemplo de sopro de ejeção e da divisão do S2, ouvido no 2º espaço intercostal esquerdo, num indivíduo com uma comunicação interauricular. O sopro crescendo-decrescendo é ouvido entre S1 e S2, sendo o último amplamente dividido.

Heart sound por The Regents of the University of Michigan. Licença: CC BY-SA 3.0

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico

  • O ecocardiograma confirma o diagnóstico por detetar:
    • Tamanho do defeito
    • Volume
    • Rácio do shunt
    • Pressões arteriais pulmonares
  • Outros exames de suporte incluem:
    • Eletrocardiograma (ECG) (as alterações são encontradas apenas se na presença de um grande defeito):
      • Bloqueio incompleto de ramo direito
      • Taquicardia supraventricular (fibrilhação auricular ou flutter auricular)
    • Radiografia de tórax:
      • Vasculatura pulmonar proeminente
      • Cardiomegalia

Tratamento

  • Acompanhamento anual em casos de subtipo ostium secundum < 3 mm que fecham espontaneamente aos 2 anos de idade (na maioria dos casos)
  • Tratamento médico para DSA sintomáticos:
    • Suporte nutricional
    • Gerir a insuficiência cardíaca.
    • Gerir a hipertensão pulmonar.
    • Profilaxia antibiótica até 6 meses pós-reparação cirúrgica
  • Reparação percutânea com um patch cirúrgico: se doente sintomático apesar do tratamento médico
  • Transplante de pulmão e coração: se síndrome de Eisenmenger

Prognóstico

  • A oclusão percutânea tem uma taxa de sucesso de 88%–98%.
  • A participação em desportos depende do estado do DSA e se há hipertensão pulmonar.

Relevância Clínica

As seguintes condições estão associadas aos DSAs e podem causar ou modificar as características clínicas dos mesmos:

  • Falha do crescimento estaturo-ponderal: ganho de peso e crescimento abaixo do expectável em crianças. Tal como acontece com a maioria das CC, a 1ª apresentação dos DSA pode ser a constatação de que o bebé ou a criança não cumprem as necessidades calóricas, necessária para o crescimento. Isto acontece pelo aumento das necessidades de um coração com insuficiência e diminuição do fluxo sanguíneo, como ocorre nos DSAs.
  • Hipertensão pulmonar: caracterizada pela elevação da pressão arterial pulmonar devido à hipercirculação pulmonar. A hipertensão pulmonar é uma complicação comum dos grandes DSAs. A hipertensão causa a maioria dos sintomas do DSA e é a principal patologia subjacente à síndrome de Eisenmenger.
  • Insuficiência cardíaca: incapacidade do coração em fornecer ao corpo um débito cardíaco normal para atender às necessidades metabólicas. O volume diminuído no ventrículo esquerdo e, portanto, redução do volume sistólico, resultam na remodelação ventricular para manter o débito cardíaco. Com o tempo, a bomba cardíaca não consegue acompanhar e os doentes podem apresentar insuficiência cardíaca na idade adulta.
  • Anomalia de Ebstein: CC cianótica caracterizada pelo deslocamento inferior dos folhetos septal e posterior da valva tricúspide. Uma das características associadas à anomalia de Ebstein é um defeito interauricular. Nos casos em que um DSA se apresenta com cianose, deve ser realizado um ecocardiograma para descartar a anomalia de Ebstein.

Referências

  1. Kliegman, R. M. et al. (2020). Nelson textbook of pediatrics (pp. 237–2384.e1). http://dx.doi.org/10.1016/B978-0-323-52950-1.00453-3
  2. Silvestry, F.E. et al. (2015). Guidelines for the echocardiographic assessment of atrial septal defect and patent foramen ovale: From the American society of echocardiography and society for cardiac angiography and interventions. Journal of the American Society of Echocardiography, 28(8), 910-958. http://dx.doi.org/10.1016/j.echo.2015.05.015
  3. Jain, S., & Dalvi, B. (2018). Atrial septal defect with pulmonary hypertension: When/how can we consider closure? Journal of thoracic disease, 10(Suppl 24), S2890–S2898. hhttp://dx.doi.org/10.21037/jtd.2018.07.112

USMLE™ is a joint program of the Federation of State Medical Boards (FSMB®) and National Board of Medical Examiners (NBME®). MCAT is a registered trademark of the Association of American Medical Colleges (AAMC). NCLEX®, NCLEX-RN®, and NCLEX-PN® are registered trademarks of the National Council of State Boards of Nursing, Inc (NCSBN®). None of the trademark holders are endorsed by nor affiliated with Lecturio.

Estuda onde quiseres

A Lecturio Medical complementa o teu estudo através de métodos de ensino baseados em evidência, vídeos de palestras, perguntas e muito mais – tudo combinado num só lugar e fácil de usar.

Aprende mais com a Lecturio:

Complementa o teu estudo da faculdade com o companheiro de estudo tudo-em-um da Lecturio, através de métodos de ensino baseados em evidência.

User Reviews

¡Hola!

Esta página está disponible en Español.

Details