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Candida/Candidíase

A Candida é um género de fungos dimórficos oportunistas. A Candida albicans faz parte da flora humana normal e é a causa mais comum de candidíase. Os fatores de risco para infeção incluem doenças ou agentes que possam levar a um estado de imunossupressão, a alteração da flora normal e/ou à disrupção da barreira mucosa. A apresentação clínica varia e pode incluir infeções mucocutâneas localizadas (por exemplo, candidíase orofaríngea, esofágica, intertriginosa e vulvovaginal) e doença invasiva (por exemplo, candidémia, abcesso intra-abdominal, pericardite e meningite). O diagnóstico é feito pela identificação de Candida na preparação de KOH, nas culturas ou na biópsia de tecido. O tratamento depende da extensão e do local da infeção e inclui fármacos antifúngicos tópicos ou sistémicos.

Última atualização: Mar 10, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Características Gerais

Aspetos básicos da Candida

  • Género da família Saccharomycetaceae
  • Dimórfica:
    • Levedura
      • Pequena
      • Oval
      • Unicelular
      • Reproduz-se por gemulação
    • Formas com pseudo-hifas e com hifas
  • Aparência macroscópica da colónia:
    • Arredondada
    • Branca ou creme
  • Características:
    • Fermenta:
      • Glicose
      • Maltose
      • Sacarose
    • A C. albicans não fermenta a lactose.

Espécies clinicamente relevantes

As espécies de Candida mais relevantes clinicamente incluem:

  • C. albicans (mais comum)
  • C. glabrata
  • C. parapsilosis
  • C. tropicalis
  • C. krusei
  • C. auris (a emergir, espécie multirresistente)

Patogénese

Reservatório

A Candida albicans faz parte da flora humana normal, particularmente do/a:

  • Orofaringe
  • Trato GI
  • Trato genitourinário
  • Pele

Transmissão

  • A Candida é geralmente transmitida aos recém-nascidos durante o parto e torna-se parte da sua flora normal.
  • A disseminação endógena a partir dos locais colonizados pode ocorrer por:
    • Ruturas da integridade da mucosa (frequentemente na orofaringe)
    • Cateteres internos (por exemplo, cateteres venosos centrais, cateteres urinários

Fatores de risco do hospedeiro

A candidíase é a infeção fúngica oportunista mais comum.

Fatores de risco gerais para candidíase:

  • Clima quente
  • Roupas apertadas
  • Trocas pouco frequentes da roupa íntima ou das fraldas
  • Antibioterapia
  • Doenças de pele (afetando particularmente as pregas cutâneas)
  • Xerostomia
  • Gravidez
  • Imunossupressão
    • VIH/ SIDA
    • Neoplasias malignas hematológicas
    • Indivíduos que se submeteram a transplante
    • Terapêutica imunossupressora
    • Diabetes

Fatores de risco adicionais para doença invasiva:

  • Internamento na UCI
  • Cateteres venosos centrais
  • Nutrição parentérica total
  • Insuficiência renal com necessidade de diálise
  • Cirurgia abdominal
  • Perfuração do trato gastrointestinal ou deiscência anastomótica

Fatores de virulência

  • Adesinas da superfície celular: facilitam a aderência às células hospedeiras
  • Formação de biofilme: fornece proteção contra as defesas do hospedeiro e antimicrobianos
  • Enzimas hidrolíticas extracelulares: facilitam a invasão nos tecidos do hospedeiro
  • Hifas: facilitam a invasão tecidual

Fisiopatologia

  • Defesas do hospedeiro contra a infeção por Candida:
    • Barreira epitelial
    • Imunidade mediada por células T
    • Macrófagos e neutrófilos
  • Infeção superficial:
    • Perturbação da flora normal ou da imunidade do hospedeiro → sobrecrescimento da Candida
    • Descamação epitelial → acumulação de queratina e de tecido necrótico → formas pseudomembranosas na mucosa
    • Podem desenvolver-se edema e ulceração subjacentes.
  • Infeção invasiva:
    • Disrupção da barreira mucosa e evasão imune → penetração nos tecidos
    • Pode ocorrer invasão vascular → disseminação para outros tecidos do hospedeiro

Apresentação Clínica

Candidíase orofaríngea

Esta infeção, conhecida como “sapinhos”, pode apresentar-se com:

  • Sensação de algodão na boca
  • Placas aderentes nas membranas mucosas
    • Espessas, brancas
    • A raspagem pode:
      • Revelar áreas inflamadas e eritematosas
      • Causar hemorragia ligeira
  • Dor e dificuldade na deglutição
  • Eritema e fissuras nos cantos da boca

Candidíase esofágica

A candidíase esofágica é uma doença definidora de SIDA que ocorre em indivíduos com contagem de CD4 <100 células / µL.

  • Disfagia (dificuldade na deglutição)
  • Odinofagia (dor na deglutição)
  • Dor torácica retroesternal
  • Pirose
  • Pode ou não apresentar-se com candidíase orofaríngea concomitante
  • A EDA irá revelar placas e exsudados esbranquiçados aderentes
Desconforto epigástrico causado por candidíase esofágica

EDA mostra lesões brancas difusas no esófago características da esofagite por Candida.

Imagem: “Epigastric Distress Caused by Esophageal Candidiasis” de Chen KH, Weng MT, Chou YH, Lu YF, Hsieh CH. Licença: CC BY 4.0

Candidíase intertriginosa

  • Dermatose inflamatória
  • Exantema eritematoso bem delimitado
  • Localizado nas áreas quentes e húmidas da pele (por exemplo, na virilha, na região do sulco inframamário)
  • Causa dor e prurido
Exantema eritematoso inframamário devido a candidíase

Exantema eritematoso bem delimitado no sulco inframamário devido a candidíase

Imagem: “Caption of candidiasis caused by Candida Albicans” do Center for Disease Control and Prevention / Dr. Martin. Licença: Domínio Público

Candidíase vulvovaginal

  • Prurido vulvar, ardor e irritação
  • Eritema e edema
  • Corrimento vaginal
    • Espesso
    • Branco
    • Tipo queijo fresco / cottage
    • Odor mínimo ou ausente
  • Dispareunia
Exame ao espéculo de uma doente com candidíase vaginal

Exame ao espéculo de uma mulher com candidíase vaginal:
Observe o corrimento espesso e branco em torno do colo do útero e do orifício cervical.

Imagem: “Interior view of the vaginal canal of a female patient, who had presented to a clinical setting with a vaginal infection involving the cervix” do Center for Disease Control and Prevention / Dr. N.J. Fiumara; Dr. Gavin Hart. Licença: Domínio Público

Candidíase invasiva

As infeções invasivas por Candida podem ter diversas apresentações, incluindo (mas não se limitando a):

  • Candidémia
  • Infeção do trato urinário
  • Peritonite
  • Abcesso intra-abdominal
  • Endocardite
  • Pericardite
  • Mediastinite
  • Endoftalmite
  • Coriorretinite
  • Meningite
  • Osteomielite
  • Artrite sética

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico

A identificação dos organismos de Candida pode ser feita por:

  • Preparação húmida com 10% de KOH das amostras de raspagem
    • Leveduras com gemulação
    • Pseudo-hifas ou hifas
  • Culturas fúngicas
  • Biópsia de tecido

Tratamento

Infeções mucocutâneas localizadas:

  • Antifúngicos tópicos:
    • Miconazol
    • Nistatina
  • Antifúngicos sistémicos (fluconazol, itraconazol) — podem ser usados para:
    • Doença extensa
    • Candidíase esofágica

Infeção invasiva:

  • Requer tratamento com antifúngicos IV
  • As opções incluem:
    • Fluconazol
    • Voriconazol
    • Caspofungina
    • Anfotericina B

Diagnósticos Diferenciais

  • Líquen plano: doença cutânea inflamatória mediada por células e idiopática. O líquen plano é caracterizado por lesões cutâneas pruriginosas, achatadas, papulares e roxas, frequentemente encontradas nas superfícies flexoras das extremidades. Podem aparecer lesões semelhantes a teias rendilhadas e erosões dolorosas nas regiões oral e genital. Para confirmação do diagnóstico é utilizada a biópsia da lesão mais proeminente. Os corticoides tópicos são o tratamento de escolha.
  • Leucoplasia: lesão potencialmente maligna que afeta o epitélio escamoso, geralmente na cavidade oral. A leucoplasia pode estar associada a uma história de utilização crónica de tabaco e álcool, os quais podem causar danos sinérgicos ao epitélio. A leucoplasia apresenta-se como uma placa branca impossível de remover. O diagnóstico é confirmado com biópsia. A lesão pode ser tratada cirurgicamente, mas é sempre recomendada a vigilância cuidadosa pelo risco de transformação maligna.
  • Infeções por tinea: grupo de doenças causadas por fungos dermatófitos que infetam o tecido queratinizado. Estas infeções podem afetar qualquer parte do corpo, mas ocorrem com mais frequência nas regiões quentes e húmidas, como a virilha e os pés. O diagnóstico é clínico, através de achados cutâneos característicos, mas pode ser confirmado pela microscopia de raspagem da pele. O tratamento depende do local e da magnitude da infeção, mas geralmente inicia-se com antifúngicos tópicos e pode progredir para fármacos orais se o tratamento tópico falhar.
  • Aspergilose: infeção fúngica oportunista causada pela espécie Aspergillus. Os órgãos mais frequentemente envolvidos são os pulmões e os seios perinasais. A aspergilose invasiva pode espalhar-se por via hematogénica e envolver o cérebro, o coração e a pele. O diagnóstico é feito com base em exames de imagem, cultura de fungos e estudos serológicos ou análise de amostras respiratórias. O tratamento depende da apresentação clínica, mas pode incluir fármacos antifúngicos e resseção cirúrgica na doença grave.
  • Criptococose: infeção oportunista causada pela levedura Cryptococcus neoformans ou C. gattii. Os indivíduos podem desenvolver pneumonia, meningite ou doença cutânea. As culturas de fungos e os testes de antigénios criptocócicos podem estabelecer o diagnóstico. O tratamento depende da apresentação clínica, mas pode incluir fluconazol e anfotericina B (para a meningite).
  • Mucormicose: infeção fúngica angioinvasiva causada por múltiplos fungos da ordem Mucorales. A inalação dos esporos destes fungos pode causar mucormicose rinocerebral ou mucormicose pulmonar. A inoculação direta pode causar mucormicose cutânea e a ingestão pode resultar em mucormicose gastrointestinal. Os sintomas resultam das hifas fúngicas que invadem os vasos sanguíneos, causando trombose e, em última instância, necrose dos tecidos. O diagnóstico é confirmado com biópsia. A mucormicose deve ser tratada agressivamente com resseção cirúrgica e antifúngicos.

Referências

  1. Richardson, J. P., Moyes, D. L. (2015). Adaptive immune responses to Candida albicans infection. Virulence 6:327–337. https://doi.org/10.1080/21505594.2015.1004977.
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  8. Revankar, S.G. (2021). Candidiasis (invasive). MSD Manual Professional Version. Recuperado a 13 de outubro de 2021, em https://www.msdmanuals.com/professional/infectious-diseases/fungi/candidiasis-invasiv.e
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