Abcesso Retrofaríngeo

Os abcessos retrofaríngeos ocorrem no espaço retrofaríngeo, que se estende da base do crânio até ao mediastino posterior, pela disseminação de infeções locais, incluindo infeções do trato respiratório superior ou infeções localizadas por trauma, como procedimentos dentários. As infeções ocorrem mais frequentemente em crianças. As principais características clínicas incluem trismo, disfagia e incapacidade de realizar extensão do pescoço. O diagnóstico é confirmado por tomografia computorizada cervical. O tratamento é realizado com antibióticos e drenagem cirúrgica. As complicações incluem compromisso da via aérea, mediastinite e trombose da veia jugular interna.

Última atualização: Jun 3, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Epidemiologia e Etiologia

Epidemiologia

  • Mais comum em crianças < 5 anos de idade
  • Menos frequente em adultos (pela regressão dos gânglios linfáticos retrofaríngeos)
  • Mais comum no sexo masculino do que no sexo feminino

Etiologia

  • Os abcessos ocorrem por infeções com drenagem para os gânglios linfáticos retrofaríngeos laterais.
  • Pode ser secundário a:
    • Infeções do trato respiratório superior (mais comuns em crianças)
    • Otite média
    • Sinusite
    • Trauma faríngeo (mais comum em adultos)
      • Corpo estranho (e.g., espinha de peixe)
      • Endoscopia
      • Procedimentos dentários
  • As infeções são frequentemente polimicrobianas e podem incluir:
    • Aeróbios
      • Staphylococcus aureus
      • Streptococcus pyogenes
    • Anaeróbios
      • Bacteroides
      • Fusobacteria
Espaço retrofaríngeo

Nesta figura, o espaço retrofaríngeo está localizado entre as linhas amarela (fáscia bucofaríngea) e azul (fáscia pré-vertebral). Os limites laterais são formados pela bainha carotídea (linhas vermelhas).

Imagem por Lecturio.

Apresentação Clínica

Sintomas iniciais

  • Podem mimetizar uma faringite
    • Febre
    • Dor de garganta
    • Eritema da faringe
  • Disfagia
  • Odinofagia
  • Rigidez/assimetria do pescoço
  • Trismo

Sintomas posteriores

  • Aparência doente, sialorreia
  • Posição de “sniffing : inclinação anterior com extensão do pescoço
  • Dificuldade respiratória:
    • Taquipneia
    • Estridor
    • Adejo nasal
    • Tiragem subcostal

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico

  • A abordagem inicial inclui:
    • Hemograma
    • Hemocultura
  • O diagnóstico é confirmado por exames de imagem.
    • Raio-X cervical em incidência lateral:
      • Alargamento do espaço retrofaríngeo
      • Gás no espaço retrofaríngeo
    • Tomografia computorizada (TC) do pescoço com contraste (gold standard):
      • Coleção hipodensa com realce no espaço retrofaríngeo
      • Espessamento do espaço pré-vertebral
      • Presença de ar ou níveis hidroaéreos

Tratamento

  • O primeiro e mais importante passo é a proteção das vias aéreas → entubação se necessário!
  • Drenagem cirúrgica
  • Antibióticos
    • Ampicilina/sulbactam ou clindamicina
    • Se ausência de resposta, vancomicina ou linezolida
    • Quando houver melhoria clínica, pode mudar-se para amoxicilina/ácido clavulânico ou clindamicina (com linezolida oral para cobertura de MRSA)

Complicações

O abcesso retrofaríngeo é considerado a infeção cervical profunda com maior mortalidade.

As complicações mais comuns incluem:

  • Mediastinite
    • Ocorre devido à extensão para o mediastino posterior através do “espaço perigoso” → zona que permite a disseminação direta para o tórax
    • Pode evoluir para mediastinite necrotizante aguda
    • Taxa de mortalidade de 50%
  • Trombose da veia jugular interna
  • Rutura da artéria carótida → devido à extensão da bainha carotídea
  • Obstrução da via aérea
  • Septicemia
  • Abcesso epidural ou discite

Diagnóstico Diferencial

  • Epiglotite: uma inflamação da epiglote frequentemente causada por infeção por Haemophilus influenzae. A epiglotite apresenta-se com epiglote “vermelho-cereja”, febre, disfagia, sialorreia e dispneia. É frequente em crianças não vacinadas. O tratamento é realizado com ceftriaxone e corticosteróides.
  • Abcesso periamigdalino: uma infeção bacteriana (mais frequentemente por S. pyogenes) que provoca um abcesso próximo das amígdalas. É mais comum em crianças e adultos jovens e apresenta-se com trismo, febre e dor de garganta, com uma voz de “batata quente”. O exame físico revela um abcesso próximo da amígdala, causando desvio da úvula. O tratamento é realizado com antibióticos e drenagem cirúrgica.
  • Abcesso parafaríngeo ou infeção do espaço pré-vertebral: apresentação clínica muito semelhante aos abcessos retrofaríngeos, mas mais frequentemente causados por infeções dentárias com extensão para o espaço faríngeo lateral ou posterior. A melhor forma de diferenciar um abcesso faríngeo de retrofaríngeo é com TC cervical. O tratamento é realizado com antibióticos e drenagem cirúrgica.
  • Meningite: uma infeção das meninges, as membranas protetoras à volta do cérebro, na maioria das vezes causada por Streptococcus pneumoniae ou H. influenzae. A meningite apresenta-se com febre, rigidez de nuca e cefaleia. Esta condição distingue-se do abcesso retrofaríngeo pela presença de fotofobia, cefaleia e rigidez de nuca. O diagnóstico é realizado por punção lombar para avaliação do líquido cefalorraquidiano (LCR). O tratamento consiste na administração rápida de antibióticos.

Referências

  1. Jain H, Knorr TL, Sinha V. Retropharyngeal Abscess. StatPearls. Retrieved Oct 5, 2020, from https://www.statpearls.com/TodaysPearl/3-9-2018
  2. Wald, E. R. (2019). Retropharyngeal Infections in Children. UpToDate. Retrieved Sept 23, 2020, https://www.uptodate.com/contents/retropharyngeal-infections-in-children

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