Sistema de Drenagem Linfática: Anatomia

O sistema linfático consiste nos órgãos linfoides que contêm as células do sistema imunológico e os vasos linfáticos, que transportam o líquido intersticial (como linfa) de volta à circulação venosa. Os vasos linfáticos estão espalhados por todo o corpo, drenando e filtrando a linfa, facilitando a homeostase e auxiliando na defesa contra agentes patogénicos circulantes. O fluxo do fluido é unidirecional, o que é permitido pelas válvulas nos vasos linfáticos coletores. Nos vasos sem válvulas, a contração muscular dos órgãos e dos vasos sanguíneos adjacentes auxiliam no movimento do fluido. Para voltar à circulação venosa, a linfa é colhida pelos principais ductos linfáticos: o ducto linfático direito (colhe a linfa do lado direito da cabeça e pescoço, do lado direito do tórax e da extremidade superior direita) e o ducto torácico (colhe linfa do resto do corpo). As condições patológicas que envolvem o sistema linfático estão associadas a infeções, danos linfáticos ou lesões e neoplasias.

Última atualização: May 16, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Sistema imunológico

  • O sistema imunológico fornece defesa (imunidade) contra agentes patogénicos invasores, desde vírus a parasitas, e os seus componentes estão interligados pelo sangue e pela circulação linfática.
  • 2 linhas de defesa (que se sobrepõem):
    • A imunidade inata (que é inespecífica) envolve as seguintes células:
      • Células natural killer
      • Monócitos/macrófagos
      • Células dendríticas
      • Neutrófilos, basófilos, eosinófilos
      • Mastócitos teciduais
    • A imunidade adaptativa (baseada no reconhecimento de antigénios específicos) envolve:
      • Linfócitos T e B (derivados de órgãos linfoides)
      • Células apresentadoras de antigénios

Sistema linfático

O sistema linfático (vasos linfáticos, fluido linfático e órgãos linfoides) faz parte do sistema imunológico.

  • Órgãos linfoides:
    • Primários:
      • Locais onde os linfócitos se desenvolvem a partir de células progenitoras (formação inicial)
      • Inclui a medula óssea e o timo
    • Secundários:
      • Locais onde os linfócitos sofrem ativação, proliferação e maturação adicional
      • Incluem o baço, gânglios e MALT (e.g., amígdalas)
  • Vasos e ductos linfáticos:
    • Uma rede, semelhante aos vasos sanguíneos, que se estende por todo o corpo humano
    • Conecta os órgãos linfoides e transporta o fluido intersticial (linfa)
    • Desempenham papéis cruciais na resposta imune e no equilíbrio de fluidos
Anatomia do sistema linfático

Anatomia do sistema linfático: inclui os órgãos linfoides primários (medula óssea, timo) e secundários (baço, gânglios e MALT).
Os vasos linfáticos transportam a linfa para os vasos linfáticos maiores no tronco, transportando o fluido de volta para a circulação venosa.

Imagem: “Anatomy of the Lymphatic System” por OpenStax. Licença: CC BY 4.0

Linfa e Vasos Linfáticos

Estruturas

  • Linfa:
    • Líquido que entra nos vasos linfáticos
    • Origina-se do líquido extracelular e contém produtos do metabolismo e catabolismo dos tecidos, células apoptóticas, detritos e células imunes.
  • Capilares linfáticos:
    • Vasos permeáveis com extremidades cegas (as células endoteliais não estão firmemente unidas)
    • Transportam a linfa dos tecidos para os gânglios linfáticos através dos vasos linfáticos
    • Diâmetro superior (até 100 μm) ao dos capilares sanguíneos
    • As células endoteliais sobrepõem-se, formando miniválvulas que podem abrir-se facilmente.
    • As proteínas intersticiais não podem entrar nos capilares sanguíneos, mas podem entrar nos capilares linfáticos.
  • Vasos linfáticos (tipos):
    • Linfáticos iniciais:
      • Sem válvulas
      • Sem músculo liso nas paredes
      • Encontrados em regiões como os intestinos e os músculos esqueléticos
      • O fluido entra através das junções das células endoteliais e as contrações musculares (dos órgãos e vasos sanguíneos) estimulam o seu fluxo.
      • Drenam para os linfáticos coletores
    • Linfáticos coletores:
      • Com válvulas (a aparência, em colar de contas de rosário, dos ductos e vasos linfáticos reflete a presença de válvulas)
      • Com músculo liso nas paredes
      • As contrações musculares nos vasos linfáticos movem o fluido ao longo dos vasos.

Funções principais

  • Transporte linfático e vigilância imunológica:
    • Os agentes patogénicos, as células tumorais e os detritos viajam através da linfa.
    • A linfa é filtrada e é montada uma resposta imune apropriada nos gânglios.
  • Homeostase dos fluidos:
    • O aumento do volume do líquido intersticial e o vazamento de moléculas proteicas causam acumulação de líquido nos espaços teciduais (edema).
    • Os capilares linfáticos captam o excesso ou o fluido extravasado (o que força a abertura das miniválvulas) e proteínas, permitindo o retorno à circulação.
  • Transporte de gordura:
    • As gorduras e vitaminas lipossolúveis do sistema digestivo são absorvidas.
    • Os capilares linfáticos especiais nas vilosidades do intestino delgado (lácteos) facilitam o transporte para a circulação venosa.
    • Linfa em lácteos: também denominada quilo (aparência leitosa devido ao teor de gordura)

Via de drenagem linfática

  • Unidirecional
  • Capilares linfáticos → vasos linfáticos (entram nos gânglios pelos vasos aferentes e saem pelos vasos eferentes) → ductos linfáticos
  • 1 ducto linfático principal em cada lado do corpo:
    • O ducto linfático direito drena:
      • Lado direito do corpo acima do diafragma (o lado direito da cabeça e pescoço, o lado direito do tórax e a extremidade superior direita)
      • Drenam para a junção da veia subclávia direita e veia jugular interna
    • O ducto torácico (maior) drena o resto (75%) do corpo.
      • Drena a linfa de ambos os membros inferiores, membro superior esquerdo, metade esquerda da cabeça e pescoço
      • Começa na cisterna do quilo, saco linfático ao nível da vértebra L2
      • Ascende ao tórax, passando pelo hiato aórtico do diafragma
      • Continua para cima, no mediastino posterior à direita, e depois desloca-se para a esquerda ao nível da vértebra T5
      • Drena para a convergência entre a subclávia esquerda e veias jugulares internas

Associações de Drenagem Linfática

A linfadenopatia é causada por várias etiologias, e uma abordagem possível para determinar a sua etiologia é baseada na(s) localização(ões) e áreas drenadas pelo(s) gânglio(s).

Tabela: Associações de drenagem linfática
Aglomerado de gânglios Áreas drenadas Doenças associadas
Gânglios cervicais Cabeça e pescoço
  • Infeções:
    • EBV
    • Infeção por citomegalovírus
    • Toxoplasmose
    • Tuberculose
  • Doença de Kawasaki
  • Neoplasias da cabeça e pescoço
Gânglios pré-auriculares
  • Conjuntiva
  • Canal do ouvido
  • Couro cabeludo anterior e temporal
Infeções em áreas drenadas
Gânglios retroauriculares Couro cabeludo parietotemporal Infeções (comum na rubéola)
Gânglios linfáticos supraclaviculares
  • Direita:
    • Mediastino
    • Pulmões
  • Esquerda: abdómen
  • Direita: neoplasia do mediastino, pulmões ou esófago
  • Esquerda: neoplasia abdominal (nódulo de Virchow)
Gânglios axilares
  • Braço
  • Parede torácica
  • Mama
  • Infeções (como a doença da arranhadura do gato)
  • Cancro da mama
  • Metástase (gânglio axilar esquerdo, ou “gânglio irlandês” no cancro gástrico)
Gânglios epitrocleares Lado medial do braço abaixo do cotovelo
  • Infeções (tularemia, sífilis secundária)
  • Linfoma
  • Sarcoidose
Gânglios mediastinais
  • Traqueia
  • Esófago
  • Infeções (tuberculose)
  • Doenças granulomatosas
  • Cancro do pulmão
Gânglios hilares Pulmões
Gânglios celíacos
  • Fígado
  • Estômago
  • Baço
  • Pâncreas
  • Duodeno superior
  • Linfadenite mesentérica
  • Febre tifoide
  • Colite ulcerosa
  • Metastização
  • “Gânglio da irmã Mary Joseph”: gânglio periumbilical que se acredita ser uma extensão maligna por disseminação linfática e hematogénica (neoplasias GI e geniturinárias)
Gânglios mesentéricos superiores
  • Duodeno inferior até ao íleo
  • Cólon até à flexura esplénica
Gânglios mesentéricos inferiores Cólon da flexura esplénica ao reto superior
Gânglios paraaórticos (lombares)
  • Ovários/testículos
  • Rins
  • Útero
Gânglios ilíacos (externos e internos)
  • Externos:
    • Colo do útero
    • Bexiga superior
    • Útero (também recebe linfa dos gânglios inguinais)
  • Internos:
    • Reto inferior até ao canal anal (acima da linha pectínea)
    • Bexiga
    • Vagina
    • Colo do útero
    • Próstata
  • Infeções: DST
  • Neoplasias e metástases
Gânglios inguinais
  • Membros inferiores
  • Genitália
  • Nádega
  • Parede abdominal abaixo do umbigo
  • Infeção do membro inferior
  • DSTs (como cancroide, linfogranuloma venéreo (LGV), herpes genital, sífilis)
  • Neoplasias
Gânglios poplíteos Perna Infeção (celulite)

Relevância Clínica

  • Linfedema: aumento da pressão coloidosmótica do líquido intersticial, resultando em linfedema. A drenagem linfática serve como via principal para a remoção do líquido intersticial. A disfunção dos vasos linfáticos resulta no desenvolvimento de edema. Os doentes podem apresentar alterações cutâneas em pele de laranja e elefantíase. As causas podem incluir desde a hipoplasia congénita dos vasos linfáticos (doença de Milroy) à malignidade, obesidade ou cirurgia.
  • Quilotórax: condição na qual o ducto torácico sofre rutura e o quilo vaza para o espaço pleural. A condição é frequentemente causada por trauma (e.g., cirurgia torácica), mas também surge de tumores. A apresentação inclui dispneia e derrame pleural na radiografia de tórax. Na toracocentese, observa-se um líquido pleural leitoso com níveis elevados de triglicerídeos. A avaliação é por linfangiografia e TC mediastinal.
  • Linfangite: inflamação dos vasos linfáticos, muitas vezes causada por disseminação bacteriana. A etiologia mais comum é o estreptococos β-hemolítico do grupo A. Os vasos estão dilatados e cheios de exsudado. Ao exame, são observadas estrias vermelhas subcutâneas representando os vasos linfáticos inflamados. Esta condição é acompanhada por uma ensação dolorosa sob os gânglios linfáticos e aumento dos mesmos (linfadenite).

Referências

  1. Barrett, KE, Barman, SM, Brooks, HL, & Yuan JJ. (Eds.). (2019). Blood as a circulatory fluid and the dynamics of blood and lymph flow. Ganong’s Review of Medical Physiology, 26e. McGraw Hill. https://accessmedicine.mhmedical.com/content.aspx?bookid=2525&sectionid=204296997
  2. Ferrer, R. (2021). Evaluation of peripheral lymphadenopathy in adults. UpToDate. Retrieved July 11, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/evaluation-of-peripheral-lymphadenopathy-in-adults
  3. Ilahi, M, St Lucia, K, & Ilahi, TB. (2020). Anatomy, thorax, thoracic duct. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513227/
  4. Paulsen, DF. (Ed.). (2010). Circulatory system. Histology & Cell Biology: Examination & Board Review, 5e. McGraw Hill. https://accessmedicine.mhmedical.com/content.aspx?bookid=563&sectionid=42045306
  5. Santambrogio, L. (2018). The lymphatic fluid. Int Rev Cell Mol Biol. 337, 111–133. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29551158/

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