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Picornaviridae: Echovírus

Os Echovírus são vírus de RNA de sentido positivo, de cadeia simples, pertencentes ao género Enterovirus. A transmissão é mais frequentemente pela via fecal-oral. A maioria dos indivíduos é assintomática. Aqueles que são sintomáticos podem apresentar uma ampla variedade de doenças, desde infeções inespecíficas do trato respiratório superior e exantemas até doenças graves e com risco de vida, como meningite asséptica, encefalite e miocardite. O diagnóstico é geralmente feito pela clínica, mas pode ser necessária a confirmação laboratorial por PCR e cultura viral para doentes com doença grave. A maioria das infeções é autolimitada e não requer terapia específica.

Última atualização: 6 May, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Classificação

Classificação do fluxograma de vírus de rna

Identificação do vírus RNA:
Os vírus podem ser classificados de várias maneiras. A maioria dos vírus, no entanto, terá um genoma formado por DNA ou RNA. Os vírus de genoma de RNA podem ser ainda caracterizados por um RNA de cadeia simples ou dupla. Os vírus “envelopados” são cobertos por uma fina camada de membrana celular (geralmente retirada da célula hospedeira). Se a camada estiver ausente, os vírus são chamados de vírus “nus”. Os vírus com genomas de cadeia simples são vírus de “sentido positivo” se o genoma for usado diretamente como RNA mensageiro (mRNA), que é traduzido em proteínas. Os vírus de “sentido negativo” usam a RNA polimerase dependente de RNA, uma enzima viral, para transcrever o seu genoma em RNA mensageiro.

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Características Gerais e Epidemiologia

Características gerais do Echovírus

  • Os echovírus (vírus Órfãos Humanos Citopáticos Entéricos) representam estirpes de várias espécies dentro de:
    • Família: Picornaviridae
    • Género: Enterovírus
  • Vírus RNA:
    • Linear
    • Cadeia simples
    • Sentido positivo
    • Funciona como mRNA
  • Diâmetro: 20-30 nm
  • Simetria icosaédrica
  • Sem envelope lipídico
  • Resistente a ácidos
Morfologia ultraestrutural de echovirus picornaviridae

Imagem de microscopia eletrónica de transmissão (TEM, pela sigla em inglês) que mostra a morfologia ultraestrutural exibida pelos vírions de echovírus tipo 6:
A amostra foi sedimentada antes da microscopia, concentrando assim as partículas virais. As partículas têm 18-25 nm de diâmetro e contêm um núcleo de ssRNA, cercado por um capsídeo de proteína nua que exibe uma simetria icosaédrica cúbica.

Imagem: “Ultrastructural morphology exhibited by Echovirus type-6 virions” por CDC. Licença: Public Domain

Espécies clinicamente relevantes

Existem aproximadamente 29 sorotipos de Echovirus reconhecidos:

  • 1-9
  • 11-21
  • 24-27
  • 29-33

Epidemiologia

  • Comum
  • Distribuição mundial
  • Pico de incidência: verão e início do outono
  • Afeta mais crianças do que adultos
  • Sexo:
    • Crianças: meninos > meninas
    • Adolescentes e adultos: mulheres > homens

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Patogénese

Reservatório

Os humanos são o único reservatório.

Transmissão

  • Via fecal-oral (mais comum)
  • Aerossóis respiratórios

Fatores de risco

Os surtos são comuns em:

  • Creches
  • Escolas
  • Hospitais

Fisiopatologia

  • Entrada do vírus via oral → replicação na mucosa faríngea e GI e nos tecidos linfáticos
  • Viremia assintomática → sistema reticuloendotelial, incluindo:
    • Gânglios linfáticos distantes
    • Medula óssea
    • Baço
    • Fígado
  • A replicação ocorre → disseminação secundária para:
    • SNC
    • Coração
    • Pulmões
    • Pele
Patogênese do echovirus picornaviridae

Patogénese dos enterovírus:
Os echovírus inicialmente entram e infetam os tecidos linfoides. A viremia ocorre, permitindo a eventual disseminação para outros locais, como sistema nervoso central e coração.

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Apresentação Clínica

A maioria das infeções é subclínica (50%‒80% são assintomáticas) e a apresentação clínica pode variar de leve a letal.

Doença respiratória

Os doentes podem apresentar sintomas de infeção do trato respiratório superior:

  • Febre
  • Tosse
  • Faringite
  • Coriza

Doenças cutâneas e mucosas

Herpangina:

  • Lesões vesiculares da fossa tonsilar e palato mole
  • Febre
  • Faringite
  • Odinofagia
  • Cefaleia

Os exantemas podem ser:

  • Maculopapular
  • Morbiliforme
  • Petequial
  • Papulopustulosa

Doença neurológica

Meningite asséptica:

  • Febre
  • Cefaleia
  • Rigidez da nuca

Encefalite:

  • Letargia
  • Alterações de personalidade
  • Parésia
  • Convulsões
  • Coma

Outras manifestações neurológicas raras:

  • Fraqueza muscular ou paralisia
  • Síndrome de Guillain-Barré
  • Mielite transversa

Doença cardíaca

A miopericardite pode ocorrer numa minoria de doentes.

  • Febre
  • Dor torácica
  • Dispneia

Doença neonatal

Os recém-nascidos podem apresentar uma ampla variedade de apresentações, de leves a com risco de vida.

Sintomas inespecíficos:

  • Febre
  • Anorexia
  • Apatia
  • Dificuldade respiratória

Hepatite fulminante:

  • Icterícia
  • Hipotensão
  • Coagulopatia
  • Insuficiência de múltiplos órgãos

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico

A maioria das infeções é diagnosticada com base na apresentação clínica. Pode ser necessário um diagnóstico laboratorial em infeções graves.

  • Cultura viral
  • PCR
  • A serologia tem valor limitado.

Tratamento

A maioria das infeções por echovírus é autolimitada e o tratamento é maioritariamente de suporte. Podem ser consideradas opções terapêuticas não comprovadas para doença grave ou doentes imunocomprometidos que podem incluir:

  • Imunoglobulina IV (IVIG, pela sigla em inglês)
  • Pleconaril
    • Antiviral
    • Raramente usado
    • Não aprovado pela FDA

Prevenção

  • Lavagem das mãos (desinfetantes para as mãos à base de álcool podem não ser eficazes)
  • Manter condições de vida limpas
  • Minimizar o contacto com indivíduos infetados

Comparação de Enterovírus

Tabela: Comparação de características e doenças associadas a diferentes enterovírus
Vírus Coxsackievírus Poliovírus Echovírus
Características
  • Vírus RNA cadeia simples
  • Icosaédrico
  • Sem envelope
  • Aproximadamente 30nm
  • Vírus RNA cadeia simples
  • Icosaédrico
  • Sem envelope
  • 25-30 nm
  • Vírus RNA cadeia simples
  • Icosaédrico
  • Sem envelope
  • 20-30nm
Transmissão
  • Via fecal-oral
  • Aerossóis respiratórios
  • Via fecal-oral
  • Aerossóis respiratórios
  • Via fecal-oral
  • Aerossóis respiratórios
Clínico
  • URI
  • Herpangina
  • HFMD
  • Meningite asséptica
  • Miopericardite
  • Pleurodinia epidémica
  • Infeção neonatal
  • Doença semelhante à gripe
  • Meningite asséptica
  • Paralisia flácida assimétrica
  • Envolvimento bulbar
  • URI
  • Exantema
  • Meningite asséptica
  • Encefalite
  • Miopericardite
  • Infeção neonatal
Diagnóstico
  • Clínico
  • PCR
  • Cultura viral
  • Clínico
  • PCR
  • Serologia
  • Cultura viral
  • Clínico
  • PCR
  • Cultura viral
Tratamento Suporte Suporte Suporte
Prevenção Lavagem das mãos Vacinação Lavagem das mãos
HFMD: doença mão-pé-boca
URI: infeção do trato respiratório superior

Diagnóstico Diferencial

  • Infeção por vírus sincicial respiratório: infeção do trato respiratório inferior causada por um vírus RNA de cadeia simples, com envelope. A infeção pelo vírus sincicial respiratório apresenta-se com febre, tosse, sibilos, taquipneia e crepitações. O diagnóstico é clínico. O tratamento é de suporte.
  • Infeção por rinovírus: infeção causada por um vírus de RNA de sentido positivo, lábil em ácido, da família Picornaviridae. Como os rinovírus são inativados pelo ácido gástrico, só podem afetar a mucosa nasal e a conjuntiva, causando edema dos tecidos subepiteliais. Uma infeção por rinovírus apresenta-se como uma “constipação comum” com sintomas leves do trato respiratório superior. O diagnóstico é clínico, e a doença é tipicamente minor e autolimitada. O tratamento é de suporte.
  • Mononucleose infecciosa: doença causada pelo EBV que se caracteriza por febre, fadiga, linfadenopatia e faringite. As complicações podem incluir neuropatia periférica, meningite viral, síndrome de Guillain-Barré e miocardite. O diagnóstico é baseado em características clínicas e testes, como o teste de anticorpo heterófilo positivo ou serologia. O tratamento é de suporte.
  • Meningite bacteriana: infeção aguda das meninges. Os doentes apresentam cefaleia, febre, rigidez de nuca e rápida deterioração clínica. A punção lombar é realizada para fazer o diagnóstico. Ao contrário dos achados na meningite asséptica, os estudos do LCR mostram líquido turvo, baixos níveis de glicose e contagem elevada de leucócitos com predominância de neutrófilos. A coloração de Gram e a cultura são usadas para determinar as bactérias causadoras. O tratamento inclui antibióticos e corticoides.
  • Infeção por adenovírus: vírus de DNA de cadeia dupla, sem envelope, que normalmente causa infeções respiratórias leves; conjuntivite, pneumonia atípica, gastroenterite, meningoencefalite e miocardite também podem ocorrer. O diagnóstico é tipicamente clínico, mas pode ser realizado um teste de PCR para confirmar o diagnóstico de doença grave. O tratamento é de suporte.
  • Infeção pelo vírus do Nilo Ocidental: infeção por um flavivírus. A maioria dos doentes está assintomática ou apresenta cefaleia, mialgias e artralgias, vómitos, diarreia ou rash cutâneo. Uma pequena proporção de doentes desenvolve encefalite, meningite ou paralisia flácida. O diagnóstico pode ser feito por serologia, PCR e culturas virais, que podem diferenciar infeção pelo vírus do Nilo Ocidental de uma infeção por echovírus. O tratamento é de suporte.
  • Doença de Lyme: infeção transmitida por carraças, causada pela espiroqueta gram-negativa, Borrelia burgdorferi. A apresentação da doença de Lyme pode variar dependendo do estadio da doença e pode incluir o rash cutâneo característico do eritema migratório (não presente em infeção por echovírus). Também são comuns manifestações neurológicas, cardíacas, oculares e articulares em estadios mais avançados. O diagnóstico da doença de Lyme baseia-se em achados clínicos e exposição à carraça, apoiado por testes serológicos. O tratamento é com antibioterapia.
  • Erliquiose e anaplasmose: infeções transmitidas por carraças, causadas por Ehrlichia chaffeensis e Anaplasma phagocytophilum , respetivamente. Os sintomas de erliquiose e anaplasmose incluem febre, cefaleia e mal-estar. Coagulação intravascular disseminada, falência multiorgânica e coma também podem ocorrer com doença grave. O diagnóstico é feito por PCR. O tratamento de ambas as doenças é com doxiciclina.

Referências

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  2. Modlin, J.F. (2021). Enterovirus and parechovirus infections: Epidemiology and pathogenesis. In Bloom, A. (Ed.), UpToDate. Retrieved April 27, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/enterovirus-and-parechovirus-infections-epidemiology-and-pathogenesis
  3. Choudhary, M.C. (2019). Echovirus infection. In Bronze, M.S. (Ed.), Medscape. Retrieved April 27, 2021, from https://emedicine.medscape.com/article/216564-overview
  4. Sinclair, W., and Omar, M. (2021). Enterovirus. [online] StatPearls. Retrieved April 27, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK562330/
  5. Tesini, B.L. (2019). Overview of enterovirus infections. [online] MSD Manual Professional Version. Retrieved April 27, 2021, from https://www.msdmanuals.com/professional/infectious-diseases/enteroviruses/overview-of-enterovirus-infections
  6. Khetsuriani, N., Lamonte-Fowlkes, A., Oberst, S., Pallansch, M.A. (2006). Enterovirus surveillance–United States, 1970-2005. MMWR Surveill Summ. http://reference.medscape.com/medline/abstract/16971890
  7. Yarmolskaya, M.S., Shumilina, E.Y., Ivanova, O.E., Drexler, J.F., Lukashev, A.N. (2015). Molecular epidemiology of echoviruses 11 and 30 in Russia: Different properties of genotypes within an enterovirus serotype. Infect Genet Evol. 30:244-248. http://reference.medscape.com/medline/abstract/25562123
  8. Oberste, M.S., Maher, K., Flemister, M.R., Marchetti, G., Kilpatrick, D.R., Pallansch, M.A. (2000). Comparison of classic and molecular approaches for the identification of untypeable enteroviruses. J Clin Microbiol. 38(3):1170-1174. http://reference.medscape.com/medline/abstract/10699015

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