Perturbação de Ansiedade Social

A perturbação de ansiedade social ou fobia social é uma doença psiquiátrica caracterizada pelo medo e pelo evitamento de interações sociais devido à preocupação de se sentir constrangido. A perturbação geralmente ocorre em mais do que uma situação social, tem uma duração superior a 6 meses e leva a um impacto significativo funcional. O subtipo "apenas de desempenho" ocorre apenas em situações relacionadas com o desempenho em público (por exemplo, um discurso em frente de pessoas). O tratamento inclui TCC, antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação de serotonina, inibidores de recaptação de serotonina-norepinefrina) e beta-bloqueantes ou benzodiazepinas para o subtipo "apenas de desempenho".

Última atualização: May 17, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

  • Uma fobia pode ser definida como um medo irracional de uma circunstância específica que leva ao evitamento dessa circunstância, atividade ou situação.
  • Os doentes com perturbações fóbicas podem ter um bom “insight” e saber que o seu medo é excessivo ou, por outro lado, podem ter um mau “insight”.
  • As fobias sociais envolvem o medo de se envergonhar em público ou de ser criticado pelos outros.

Epidemiologia

  • Normalmente começa no final da infância/início da adolescência.
  • Prevalência:
    • Perturbação comum
    • Prevalência anual nos Estados Unidos: cerca de 7%
    • Mulheres > homens
  • Fatores de risco:
    • Sexo feminino
    • História familiar
    • Timidez excessiva na infância
  • Comorbilidades:
    • Outras doenças psiquiátricas
    • Abuso de substâncias
    • Distúrbios de ansiedade
    • Perturbação da personalidade evitativa

Fisiopatologia

Modelo biológico:

  • Distribuição patológica de neurotransmissores:
    • Dopamina
    • Serotonina
    • Glutamato
    • Oxitocina
  • Sistema simpático hiperativo:
    • Resposta exagerada do sistema nervoso simpático ao stress
    • Pode causar tremores, taquicardia e diaforese
  • Disfunção do eixo hipotálamo-hipofise:
    • Envolvidos na resposta ao stress em indivíduos saudáveis
    • Observa-se excesso de atividade nos doentes com perturbação de ansiedade social
    • Visto em doentes com história de trauma/abuso
  • Alterações estruturais no cérebro:
    • Aumento da actividade de áreas límbicas e paralímbicas (especialmente amígdala e ínsula), córtex pré-frontal medial, parietal medial e regiões corticais occipitais
    • Essas regiões cerebrais estão relacionadas com o funcionamento executivo, comportamento e processamento de emoções.

Teorias psicológicas:

  • Os distúrbios fóbicos podem ser mecanismos de defesa de conflitos intrapsíquicos.
  • As fobias podem ser comportamentos aprendidos, onde se associaram certas respostas a certos estímulos.

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Diagnóstico

O diagnóstico da perturbação de ansiedade social é clínico e baseado no cumprimento de determinados critérios:

  • Ansiedade ou medo excessivo em ≥ 1 situações sociais que duram > 6 meses (por exemplo, ter uma conversa, conhecer novas pessoas, ser observado a comer ou a beber e em situações de desempenho perante os outros (como falar em público).
  • O medo surge da crença de que o indivíduo será julgado, avaliado, humilhado, constrangido ou rejeitado pelos outros.
  • Os sintomas são quase sempre desencadeados pelos mesmos estímulos
  • O doente apresenta comportamento evitativos ou um medo/ ansiedade desproporcional ao risco real.
  • Os sintomas têm impacto funcional.
  • Os sintomas não podem ser causados por:
    • Abuso de substâncias
    • Condições médicas
    • Outras perturbações mentais (por exemplo, perturbação de pânico, perturbação dismórfica corporal, espectro do autismo)

Tratamento

Tanto a farmacoterapia como a psicoterapia são eficazes. Os doentes com perturbação de personalidade evitativa têm um pior prognóstico e requerem um período de tratamento mais prolongado.

Psicoterapia

A terapia cognitiva comportamental é considerada a melhor opção terapêutica inicial para a perturbação de ansiedade social (e inclui psicoeducação, reenquadramento cognitivo e terapia de exposição).

Farmacoterapia

  • Osantidepressivos (especificamente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina(SSRIs)) são considerados os fármacos de 1ª linha.
  • Beta-bloqueantes (propranolol)
    • Usado no subtipo “apenas de desempenho”
    • Inibe os sintomas de sobreativação simpática (tremor, taquicardia, diaforese)
  • Benzodiazepinas (alprazolam, lorazepam): são normalmente evitadas devido aos seus efeitos colaterais (sedação, declínio cognitivo) e ao seu alto risco de dependência.
  • D-cicloserina
    • Agonista parcial do recetor de N-metil-d-aspartato (NMDA)
    • Alguma evidência no aumento da eficácia da TCC durante a terapia de exposição

Diagnóstico Diferencial

  • Perturbação de pânico: perturbação crónica marcada por ataques de pânicos recorrentes que ocorrem sem estímulo associado. A perturbação de pânico está associada à preocupação persistente acerca de ter novos ataques/das suas consequências. Os doentes com ansiedade social também podem sofrer ataques de pânico; no entanto, estes doentes estão mais preocupados com situações sociais do que com o ataque de pânico em si.
  • Perturbação de personalidade evitante: padrão de pensamentos e comportamentos marcados pelo isolamento social, sentimentos de inadequação e uma hipersensibilidade à crítica. Existem semelhanças consideráveis com a perturbação de ansiedade social e são geralmente comórbidos. A principal diferença com a perturbação de ansiedade social é o sentimento de inferioridade e hipersensibilidade à crítica.
  • Agorafobia: o medo de estar em público ou em espaços abertos. A agorafobia é tratada com fármacos (SSRIs) e TCC. Os doentes com agorafobia podem se sentir mais calmos na presença de outras pessoas, mas os doentes com ansiedade social sentir-se-ão mais ansiosos. A perturbação de ansiedade social pode ser complicada ou associado à agorafobia, mas os 2 nem sempre surgem em conjunto.

Referências

  1. Kessler RC, Berglund P, Demler O, Jin R, Merikangas KR, Walters EE. (2005). Lifetime prevalence and age-of-onset distributions of DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Arch Gen Psychiatry. Arch Gen Psychiatry. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15939837/
  2. Hofmann SG, Newman MG, Ehlers A, Roth WT. (1995). Psychophysiological differences between subgroups of social phobia. J Abnorm Psychol. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/7897046/
  3. Schneier FR, Abi-Dargham A, Martinez D, Slifstein M, Hwang DR, Liebowitz MR, Laruelle M. (2005). Dopamine transporters, D2 receptors, and dopamine release in generalized social anxiety disorder. Depress Anxiety. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19180583/
  4. Sadock, B. J., Sadock, V. A., & Ruiz, P. (2014). Kaplan and Sadock’s synopsis of psychiatry: Behavioral sciences/clinical psychiatry (11th ed.). Capítulo 9, Transtornos de Ansiedade, páginas 387-417. Philadelphia, PA: Lippincott Williams and Wilkins.
  5. Grant, J. (2021). Overview of anxiety disorders. Retrieved June 22, 2021, from https://www.researchgate.net/publication/348435567_Overview_of_Anxiety_Disorders
  6. Dave, P. (2017). Clinical management of anxiety disorders. Retrieved June 22, 2021, from https://www.researchgate.net/publication/348489972_Clinical_Management_of_Anxiety_Disorders
  7. Palkar, P. (2020). Neurobiology of anxiety disorders. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3684250/

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