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Otite Média Aguda

A otite média aguda é uma infeção do ouvido médio caracterizada por inflamação da mucosa e retenção de fluido. Os agentes patogénicos mais comuns são o Streptococcus pneumoniae, o Haemophilus influenzae e a Moraxella catarrhalis. Esta pode manifestar-se com febre, otalgia e diminuição da audição. O diagnóstico é feito com base na história clínica e exame otoscópico que mostra uma membrana timpânica saliente com mobilidade reduzida. A observação ou antibioterapia são as abordagens de tratamento usuais, mas pode ser necessária a cirurgia para colocação de tubos de timpanostomia se infeções recorrentes. As potenciais complicações incluem perda auditiva, perfuração da membrana timpânica e mastoidite.

Última atualização: 18 Mar, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A otite média aguda é uma infeção caracterizada pela acumulação de fluido e inflamação no ouvido médio.

Epidemiologia

  • Idade:
    • Ocorre em todas as idades
    • Mais prevalente entre 6 e 24 meses de idade
    • Crianças com um primeiro episódio antes dos 6 meses de idade têm maior risco de recorrência.
  • Sexo: a incidência é ligeiramente superior em rapazes.
  • Raça e etnia:
    • Maior incidência em crianças americanas nativas, do Alasca e inuítes canadianos
    • Menor incidência em crianças afroamericanas e brancas

Etiologia

A otite média aguda é uma condição inflamatória do ouvido médio com etiologia infeciosa que pode ser bacteriana (mais comum) ou viral. As causas incluem:

Bacteriana:

  • Comum:
    • Streptococcus pneumoniae
    • Haemophilus influenzae
    • Moraxella catarrhalis
  • Incomum:
    • Streptococcus do grupo A (incomum, exceto se presença de tubos de timpanostomia)
    • Staphylococcus aureus (incomum)
  • Raro:
    • Micobactérias
    • Mycoplasma pneumoniae
    • Chlamydia trachomatis

Viral:

  • Vírus sincicial respiratório
  • Vírus influenza
  • Vírus parainfluenza
  • Enterovírus
  • Rinovírus
  • Adenovírus
  • Coronavírus
  • Metapneumovírus humano

Fatores de risco

  • Idade <2 anos (a trompa de eustáquio é mais horizontal e propensa a infeções)
  • Prematuridade
  • História familiar de infeção recorrente
  • Não ter sido amamentado
  • Viver em casas sobrelotadas ou frequência da creche
  • Uso de chupeta
  • Fenda palatina
  • Síndrome de Down
  • Disfunção da trompa de eustáquio
  • Obstrução da trompa de eustáquio
    • Carcinoma nasofaríngeo
    • Linfoma
  • Tabagismo
  • Alergias sazonais
  • Síndromes de imunodeficiência

Fisiopatologia e Apresentação Clínica

Fisiopatologia

O ouvido médio é revestido por mucosa respiratória e a cascata de eventos que afeta as áreas adjacentes geralmente origina alterações semelhantes no ouvido.

  • Evento desencadeador (geralmente uma infeção respiratória superior) → inflamação e edema da mucosa da nasofaringe
  • A inflamação estende-se à trompa de eustáquio → obstrução subsequente → pressão alterada dentro do ouvido médio
  • As bactérias colonizam o espaço do ouvido médio → inflamação e libertação de exsudados purulentos da mucosa inflamada
  • Abaulamento da membrana timpânica → otalgia

Apresentação clínica

  • Sinais e sintomas gerais:
    • Dor de ouvido (otalgia)
    • Febre
    • Diminuição da capacidade auditiva
    • Perda de equilíbrio
  • Em adultos, os sintomas provavelmente serão os seguintes:
    • Infeção do trato respiratório superior
    • Rinite alérgica sazonal
  • Em crianças pequenas os sintomas a serem considerados incluem:
    • Irritabilidade
    • Dificuldade em dormir
    • Choro excessivo
    • Puxar as orelhas
    • Dificuldade na alimentação
  • Sinais e sintomas de rutura da membrana timpânica:
    • Alívio repentino da dor
    • Secreção purulenta do ouvido (otorreia)

Exame otoscópico

  • Abaulamento da membrana timpânica
  • Efusão no ouvido médio
  • A membrana timpânica pode parecer turva ou opaca.
  • Perda do reflexo de luz
  • Redução da mobilidade da membrana timpânica quando a pressão pneumática é aplicada
  • Eritema (também pode ser por ingurgitamento vascular)
  • A secreção no ouvido pode indicar perfuração.

Diagnóstico

O diagnóstico da otite média aguda é baseado principalmente na apresentação clínica e no exame otoscópico. Nenhum teste laboratorial ou imagem são necessários, a menos que existam circunstâncias especiais.

  • As culturas podem ser obtidas com timpanocentese:
    • Indicações:
      • Doentes criticamente doentes sem resposta ao tratamento em 48-72 horas
      • Doentes gravemente imunocomprometidos
      • Recém-nascidos <6 semanas de idade
    • Procedimento:
      • Uma pequena punção é feita na membrana timpânica para drenar o fluido do ouvido médio.
      • O fluido é enviado ao laboratório para cultura e testes de sensibilidade.
      • Normalmente é um procedimento diagnóstico, mas também pode ser um procedimento terapêutico
  • Imagiologia:
    • Não indicada, a menos que as complicações sejam uma preocupação, resultado da extensão além do ouvido médio
    • TAC para avaliar abcessos intracranianos ou trombose venosa se:
      • Febre alta
      • Confusão
      • Sinais neurológicos focais
  • Teste de audição por um audiologista, se indicado

Tratamento e Complicações

Tratamento

Observação:

  • Apropriado durante 48-72 horas em doenças não graves
  • 80% das infeções de otite média aguda resolvem sem antibióticos.

Controlo da dor:

  • Gotas tópicas para os ouvidos com benzocaína ou lidocaína
  • Terapêutica sistémica:
    • Acetaminofeno
    • Ibuprofeno
    • Não usar aspirina em crianças (devido à preocupação com a síndrome de Reye)

Antibióticos:

  • Benefícios:
    • Redução da otite média aguda contralateral
    • Melhorar a resolução da infeção
    • Reduzir o risco de perfuração
    • Reduzir a dor
  • Tratamento empírico:
    • Amoxicilina (1ª linha) ou amoxicilina-clavulanato
    • Cefalosporinas de 2º ou 3º geração (se alergia à penicilina)
    • Macrólidos (e.g., azitromicina, claritromicina)
    • Doxiciclina

Prevenção

  • Vacinação:
    • Diminui a incidência da otite média aguda
    • Pneumocócica e H. influenzae tipo B (Hib)
  • Amamentação por pelo menos 6 meses
  • Evitar a exposição ao fumo passivo.
  • Tubos de timpanostomia podem ser necessários se infeções recorrentes.

Complicações

Podem ocorrer dois tipos de complicações.

Complicações intratemporais:

  • Perda auditiva permanente
  • Perfuração da membrana timpânica
  • Timpanosclerose
  • Mastoidite
  • Paralisia facial
  • Colesteatoma

Complicações intracranianas:

  • Meningite
  • Empiema subdural
  • Abcesso cerebral
  • Trombose do seio lateral

Diagnóstico Diferencial

  • Colesteatoma: coleção não neoplásica de células epiteliais descamadas queratinizadas no ouvido médio, causada por infeções crónicas do ouvido, infeções nos seios da face e alergias. Os doentes podem ser assintomáticos ou apresentar vertigem, otorreia e perda auditiva. O diagnóstico é feito com base no exame otoscópico e na imagem. O tratamento inclui a remoção cirúrgica da massa.
  • Afeções da articulação temporomandibular: apresenta-se com dor na articulação da mandíbula e nos músculos que a rodeiam, dificuldade ou dor ao mastigar e dor de ouvido. O diagnóstico é baseado na história e no exame físico. O tratamento inclui fármacos, fisioterapia e, raramente, tratamento cirúrgico.
  • Dor dentária: inflamação ao redor de um dente devido a cárie ou infeção também se pode manifestar com dor de ouvido e outros sintomas, incluindo dor de cabeça, dor local, halitose, febre e sangramento ou secreção gengival. O diagnóstico é feito com base no exame físico e imagem. O tratamento é baseado na causa e extensão dos danos.
  • Otite externa: inflamação do canal auditivo externo causada por uma infeção. Os doentes apresentam dor de ouvido, secreção e prurido no canal auditivo. O diagnóstico é clínico e a condição é tratada com antibióticos tópicos.
  • Faringite aguda: inflamação na faringe ou amígdalas, que pode ser viral ou bacteriana (incluindo streptococcus do grupo A). Os doentes apresentam dor de garganta, febre e linfadenopatia. A dor de ouvido pode estar presente. O diagnóstico pode ser feito com base no exame clínico, teste rápido de antigénio de Streptococcus ou cultura. O tratamento inclui tratamento sintomático e antibióticos se infeção por Streptococcus.

Referências

  1. Limb, C.J., et al. (2020). Acute otitis media in adults. UpToDate. Retrieved April 29, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/acute-otitis-media-in-adults
  2. Pelton, S., Tähtinen, P. (2020). Acute otitis media in children: Epidemiology, microbiology, and complications. UpToDate. Retrieved April 29, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/acute-otitis-media-in-children-epidemiology-microbiology-and-complications
  3. Pelton, S. (2019). Acute otitis media in children: Treatment. UpToDate. Retrieved April 29, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/acute-otitis-media-in-children-treatment
  4. Danishyar, A., Ashurst, J.V., (2021). Acute otitis media. StatPearls. Retrieved April 29, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470332/
  5. Miyamoto, R.T. (2020). Otitis media (acute). [online] MSD Manual Professional Version. Retrieved May 5, 2021, from https://www.msdmanuals.com/professional/ear,-nose,-and-throat-disorders/middle-ear-and-tympanic-membrane-disorders/otitis-media-acute
  6. Maranhão, A.S., et al. (2013). Intratemporal complications of otitis media. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 79(2), 141-9. DOI: 10.5935/1808-8694.20130026
  7. Donadlson, J.D. (2019). Acute otitis media. In Meyers, A.D. (Ed.), Medscape. Retrieved May 5, 2021, from https://emedicine.medscape.com/article/859316-overview

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