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Otite Externa

A otite externa (também conhecida como otite externa ou ouvido de nadador) é uma infeção do canal auditivo externo, mais frequentemente causada por bactérias. A otite externa está frequentemente associada a climas quentes e húmidos e exposição à água. Os doentes, geralmente, apresentam dor de ouvido, prurido, secreção e perda auditiva. O diagnóstico é feito clinicamente. A maioria dos tipos de otite externa é tratada com antibióticos tópicos. As complicações incluem celulite periauricular e otite externa maligna.

Última atualização: 21 Jun, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A otite externa é uma infeção do canal auditivo externo.

Epidemiologia

  • Incidência: 4 em 1000 pessoas nos Estados Unidos, anualmente
  • Aproximadamente 10% dos indivíduos desenvolvem otite externa ao longo da vida.
  • Idade:
    • Ocorre em todas as faixas etárias
    • Mais frequente em crianças
  • Maior probabilidade de ocorrer no verão devido a:
    • Humidade
    • Participação em atividades aquáticas

Etiologia

  • Infeção bacteriana (maioria dos casos):
    • Pseudomonas aeruginosa
    • Staphylococcus aureus
    • Staphylococcus epidermidis
    • Proteus vulgaris
    • Escherichia coli
  • Infeção fúngica (rara):
    • Candida albicans
    • Aspergillus niger

Fatores de risco

  • Natação ou outra exposição à água
  • Clima quente e húmido
  • Trauma (incluindo limpeza com cotonetes)
  • Oclusão do canal auditivo:
    • Cerúmen
    • Corpo estranho
    • Aparelhos auditivos
    • Fones de ouvido
  • Condições dermatológicas:
    • Eczema
    • Dermatite de contato
    • Psoríase
  • Radioterapia
  • Imunossupressão:
    • VIH/ SIDA
    • Diabetes
    • Quimioterapia

Fisiopatologia

Mecanismos de defesa do ouvido

  • Tragus e cartilagem conchal → impedem a entrada de corpos estranhos
  • Folículos capilares e estreitamento do istmo → impedem a entrada de contaminantes
  • Cerúmen → cria um ambiente ácido → inibe o crescimento de bactérias e fungos

Patogénese da otite externa

  • A quebra da barreira pele-cerúmen é causada por:
    • Danos ao epitélio
    • ↓ Quantidade e qualidade do cerúmen
    • Acumulação de humidade
    • Obstrução do canal auditivo
  • ↑ pH do canal auditivo → canal auditivo torna-se um terreno fértil para organismos microscópicos → infeção
  • Inflamação e edema da pele → exsudado purulento

Apresentação Clínica e Diagnóstico

Sintomas

  • Dor de ouvido
  • Prurido
  • Plenitude auricular
  • Secreções purulentas (otorreia)
  • Perda de audição

Exame físico

  • Dor com a pressão do trago
  • Dor com a manipulação da orelha
  • Edema e eritema do canal auditivo
  • Detritos purulentos amarelos, brancos, cinzentos ou castanhos
  • Na otoscopia pneumática, a membrana timpânica é móvel.

Diagnóstico

O diagnóstico da otite externa é baseado na história clínica e no exame físico. A cultura do canal auditivo ou secreção é indicada em casos graves, recorrentes ou crónicos.

Tratamento

Tratamento

  • Remover o cerúmen, a pele descamada e o material purulento.
  • Proteger o ouvido da água.
  • Aliviar a dor:
    • AINEs
    • Acetaminofeno
    • Opioides se dores fortes
  • Gotas auriculares de antibióticos tópicos:
    • Polimixina B com neomicina
    • Ofloxacina
    • Ciprofloxacina
    • Preparações combinadas com esteroides tópicos podem ajudar com o prurido e a inflamação.
  • Pode ser colocado um pequano tampão para facilitar a administração de fármacos em doentes com edema significativo do canal auditivo.
  • A otomicose é uma infeção fúngica do canal auditivo externo:
    • Pode desenvolver-se com a infeção bacteriana, ou pode resultar da antibioterapia
    • Trata-se com antifúngicos tópicos (por exemplo, solução de clotrimazol)

Prognóstico

  • A melhoria dos sintomas começa cerca de 36–48 horas após o início do tratamento.
  • Resolução completa em cerca de 6 dias

Complicações

Celulite periauricular

  • Eritema, edema e calor desenvolvem-se ao redor da orelha.
  • A dor é leve.
  • Ausência de sintomas sistémicos.

Otite externa maligna

Também conhecida como otite externa necrotizante, é uma infeção invasiva do canal auditivo externo e da base do crânio, com risco de vida.

Etiologia:

  • Quase sempre causada por Pseudomonas aeruginosa
  • Fatores de risco:
    • Idosos
    • Diabetes mellitus
    • VIH
  • Juntamente com os fatores de risco acima mencionados, está doença é observada mais frequentemente em indivíduos com antecedentes de irrigação auricular.

Apresentação clínica:

  • Otalgia extrema (desproporcional aos achados) e otorreia
  • Tecido de granulação pode ser visível na porção inferior do canal auditivo externo.
  • Pode levar a paralisia de nervos cranianos se a doença progredir para osteomielite da base do crânio e articulação temporomandibular

Diagnóstico:

  • Culturas do fluido de drenagem do canal auditivo
  • TAC:
    • Erosões ósseas
    • Radiolucência do ouvido médio
  • Biópsia para excluir malignidade

Tratamento:

  • Terapêutica antibiótica IV:
    • Ciprofloxacina
    • Piperacilina – tazobactam
    • Cefepima ou ceftazidima
    • Meropenem
  • O desbridamento cirúrgico raramente é necessário na infeção extensa.

Complicações:

  • Paralisia de pares cranianos
  • Meningite
  • Abcesso cerebral
  • Tromboflebite do seio dural

Diagnóstico Diferencial

  • Dermatite de contato: edema e eritema persistentes do canal auditivo e da orelha, apesar do tratamento adequado da otite externa, podem indicar uma reação alérgica. Essa reação pode ser causada por fármacos ototópicos, cosméticos ou champôs. O prurido e o eritema são os sintomas primários, e podem ser vistas vesículas geralmente devido à fricção e à coceira. O diagnóstico é feito clinicamente. O tratamento envolve a cessação da substância causadora.
  • Otite média supurativa crónica: uma complicação da otite média aguda persistente com perfuração. Os sintomas incluem otorreia, otalgia, perda auditiva, zumbido ou vertigem. O diagnóstico é feito clinicamente. A membrana timpânica costuma ser parcialmente visível e não pode ser movida por insuflação pneumática. Também pode ser encontrada perfuração da membrana timpânica ou bolsas de retração. O tratamento envolve principalmente fluoroquinolonas tópicas.
  • Carcinoma do canal auditivo: doença rara que deve ser considerada se houver um crescimento anormal no canal auditivo ou ausência de resposta à terapêutica habitual. Os sintomas comuns de carcinoma do canal auditivo incluem dor leve e otorreia com sangue. Pode ser observada uma lesão friável com purulência circundante no exame otoscópico. A perda auditiva e paralisia facial são sinais tardios. O diagnóstico é feito clinicamente e confirmado por biópsia.
  • Psoríase: doença inflamatória da pele que envolve frequentemente o canal auditivo externo, causando vermelhidão e descamação que frequentemente se estende até à concha e aurícula: A aparência clínica da psoríase no canal auditivo externo varia com o subtipo. O diagnóstico é feito clinicamente. O tratamento pode incluir esteroides e retinoides. Casos mais graves podem exigir esteroides em altas doses, fototerapia ou fármacos biológicos.

Referências

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