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Intestino Delgado: Anatomia

O intestino delgado é a parte mais longa do trato GI, uma vez que este se estende do orifício pilórico do estômago até à junção ileocecal. O intestino delgado é o principal órgão responsável pela digestão química e absorção de nutrientes. O intestino delgado é dividido em 3 segmentos: duodeno, jejuno e íleo. Como todo o trato GI, as paredes do intestino delgado têm várias camadas: uma camada mucosa absortiva interna (que é composta por um epitélio, lâmina própria e muscular mucosa) e uma camada submucosa, muscular e serosa. O suprimento arterial para o intestino delgado é realizado através de ramos da artéria mesentérica superior e as veias drenam para o sistema porta hepático. O intestino delgado é inervado pelo SNA.

Última atualização: 3 May, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Desenvolvimento

  • Origens embriológicas:
    • Duodeno proximal (acima da ampola de Vater): desenvolve-se a partir do intestino anterior
    • Duodeno distal, jejuno e íleo: desenvolvem-se a partir do intestino médio
  • O desenvolvimento ocorre principalmente entre a 5ª e a 10ª semanas de vida fetal.
  • O íleo alonga-se rapidamente → forma uma dobra em forma de U denominada ansa intestinal primária, que:
    • Cresce em redor da artéria mesentérica superior (a sua irrigação sanguínea) em desenvolvimento
    • Hernia (saliências) para o interior do cordão umbilical
    • Está conectada ao saco vitelino através do ducto vitelino, atravessando o cordão umbilical
  • À medida que o abdómen se desenvolve, os intestinos retornam à cavidade abdominal
  • Sofre uma rotação de 270 graus no sentido anti-horário em redor da artéria mesentérica superior (AMS) → termina em localizações anatómicas normais para o trato GI

Vídeos recomendados

Anatomia Geral

O intestino delgado é uma longa estrutura tubular no abdómen, responsável por aproximadamente 90% da absorção de nutrientes.

Características Gerais

  • Conecta-se ao estômago na sua extremidade proximal e ao cólon na sua extremidade distal
  • Comprimento médio: 6-7 m
  • Possui 3 partes:
    1. Duodeno
    2. Jejuno
    3. Íleo
  • Preenche a maior parte da cavidade abdominal média e inferior
Intestino delgado e suas partes

O intestino delgado e as suas 3 partes

Imagem: “2417 Small IntestineN” por OpenStax College.  Licença: CC BY 4.0

Duodeno

Características gerais e relações anatómicas :

  • A 1ª porção do intestino delgado
  • Tem aproximadamente 25 cm de comprimento
  • Assume a forma de um C, curvando-se em redor da cabeça do pâncreas
  • Recebe o conteúdo do estômago na sua extremidade proximal
  • Esvazia o conteúdo no jejuno na sua extremidade distal
  • Recebe secreções dos ductos pancreáticos e biliares

Partes do duodeno:

O duodeno consiste em 4 partes (de proximal para distal):

  • Superior:
    • Começa na válvula pilórica (porção mais distal do estômago)
    • Localizada ao nível de L1 da coluna vertebral
    • Intraperitoneal
    • A maioria das úlceras duodenais ocorre nesta localização
  • Descendente:
    • Localizada ao nível de L1-L3 da coluna vertebral
    • Retroperitoneal (o duodeno move-se posteriormente à membrana peritoneal)
    • Contém conexões com o pâncreas e o ducto biliar através da papila duodenal maior e menor
    • Papila duodenal maior:
      • Abertura da ampola hepatopancreática (ou seja, ampola de Vater, a combinação da bile comum e dos ductos pancreáticos principais) no lúmen duodenal, para permitir a entrada da bile e do suco pancreático
      • A papila contém o esfíncter hepatopancreático (isto é, esfíncter de Oddi), que regula as secreções
    • Papila duodenal menor:
      • Abertura do ducto pancreático acessório
      • Localizada logo acima da papila maior
      • Permite que o suco pancreático seja libertado no duodeno sem bile
  • Transversal (às vezes referida como a parte horizontal):
    • Localizada ao nível L3 da coluna vertebral
    • A secção mais longa (10-12 cm)
    • Retroperitoneal
  • Ascendente:
    • Localizada ao nível da coluna vertebral L2-L3
    • Retroperitoneal
    • Termina na flexura duodenojejunal:
      • Fixada à parede abdominal posterior pelo ligamento de Treitz
      • Marca o final do duodeno e o início do jejuno

Jejuno e íleo

O jejuno e o íleo constituem a maior parte do intestino delgado, sendo um longo tubo sinuoso que preenche uma grande porção da cavidade abdominal. Ambos são completamente intraperitoneais (localizam-se dentro da cavidade peritoneal).

  • Jejuno:
    • Compõe os ⅖ proximais do intestino delgado, após o duodeno
    • Aproximadamente 2,5 m de comprimento
    • Início no QSE do abdómen
    • Progride inferior e medialmente
  • Íleo:
    • Compõe os ⅗ distais do intestino delgado
    • Aproximadamente 3,5 m de comprimento
    • Localiza-se, maioritariamente, na metade inferior do abdómen
    • Termina na junção ileocecal no QID, onde se une ao cego (1ª porção do cólon)
  • Mesentério:
    • Prega de peritoneu que suspende o jejuno e o íleo na cavidade abdominal posterior
    • Permite uma mobilidade significativa do jejuno e do íleo dentro da cavidade abdominal
  • Transição entre o jejuno e o íleo:
    • Gradual (em oposição a um marco anatómico distinto)
    • Diferentes segmentos são definidos por diferenças na anatomia microscópica, observadas mais proeminentemente ao comparar o jejuno proximal e o íleo distal

Anatomia Microscópica

Da mesma forma que outros segmentos do trato GI, as camadas da parede do intestino delgado (do lúmen interno para o exterior) são mucosa → submucosa → camada muscular → serosa. As paredes têm vários tipos de pregas.

Pregas das paredes intestinais

Pregas circulares (conhecidas como plicae):

  • Grandes pregas da parede intestinal que se projetam para o lúmen
  • Contêm mucosa e submucosa
  • Pregas permanentes (ou seja, não são obliteradas quando o intestino é distendido, o que é diferente das rugas no estômago, que são obliteradas à medida que o estômago se distende)
  • Localizações:
    • Começam, aproximadamente, 6 cm a partir do duodeno
    • Mais proeminente no jejuno
    • Diminuem à medida que nos aproximamos do íleo distal
  • Função:
    • Misturam o quimo
    • ↑ Área de superfície necessária para:
      • Digestão por contacto
      • Absorção

Vilosidades intestinais:

  • Projeções da mucosa semelhantes a dedos (epitélio e lâmina própria)
  • Localização: externamente a todo o revestimento do intestino delgado, incluindo das pregas das plicae
  • Função: ↑ significativamente a área de superfície
Camadas e pregas nas paredes intestinais

Camadas e pregras nas paredes intestinais

Imagem por Lecturio.

Camadas das paredes intestinais

Mucosa:

  • Consiste em 3 subcamadas:
    1. Epitélio (revestimento interno):
      • Enterócitos (também denominados células absortivas): células colunares simples responsáveis, principalmente, pela digestão e absorção de contacto
      • Células caliciformes: secretam muco
      • Células enteroendócrinas: secretam hormonas no sangue
      • As células conectam-se através de junções apertadas
      • Têm uma bordadura em escova: microvilosidades na superfície absortiva, que ↑ a área da superfície e contêm enzimas digestivas ligadas à membrana
    2. Lâmina própria, que contém:
      • Vasculatura: arteríolas, veias e redes capilares, que absorvem a maioria dos nutrientes, exceto as gorduras
      • Vasos linfáticos conhecidos como lácteos: absorvem a maioria da gordura e das vitaminas lipossolúveis
    3. Muscular mucosa:
      • Fina camada de músculo liso
      • Controla o movimento das vilosidades para uma ↑ mistura do seu conteúdo
  • Criptas de Lieberkuhn:
    • Poros na base das vilosidades que se abrem em glândulas tubulares (semelhantes às glândulas gástricas)
    • ½ superior contém enterócitos e células caliciformes
    • ½ inferior contém:
      • Células-tronco: substituem enterócitos e células caliciformes a cada 3-6 dias
      • Células de Paneth: secretam defensinas e lisozima (que protegem contra infeções bacterianas)
    • Localizadas em todo o intestino delgado
  • Placas de Peyer:
    • Nódulos de tecido linfático encontrados dentro da lâmina própria e submucosa
    • Mais abundantes no íleo

Submucosa:

  • Tecido conjuntivo laxo
  • Contém vasos maiores
  • Glândulas de Brunner:
    • Produzem muco alcalino, que protege a mucosa dos danos causados pelo ácido estomacal
    • Encontradas apenas no duodeno
  • Plexo de Meissner:
    • Gânglios do SNA
    • Controlam a muscular mucosa (de forma independente da camada muscular dos intestinos)

Camada muscular:

A camada muscular é composta por 2 camadas de músculo liso que se misturam e movem o quimo ao longo do trato.

  • Camada circular (camada interna)
  • Camada longitudinal (camada externa)
  • Plexo de Auerbach (mioentérico):
    • Gânglios do sistema nervoso autónomo, que controlam a camada muscular
    • Localizados entre as 2 camadas de músculo liso

Serosa:

  • Composta por tecido conjuntivo
  • Liga-se ao mesentério ou peritoneu
Histologia do intestino delgado

Histologia do intestino delgado:
(a): A superfície absortiva do intestino delgado é muito aumentada pela presença de pregas circulares, vilosidades e microvilosidades.
(b): Micrografia das pregras circulares: Observar que as pregras contêm tanto a mucosa quanto a submucosa.
(c): Micrografia das vilosidades: Observar que as vilosidades contêm apenas as camadas epitelial e lâmina própria da mucosa; a muscular mucosa é visível como uma “linha rosa” ao longo da borda esquerda do slide. (d): Micrografia eletrónica das microvilosidades: da esquerda para a direita – microscópio de luz, ×56; microscópio de luz, ×508; microscópio eletrónico, × 196.000

Imagem: “Histology of the Small Intestine” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Diferenças Anatómicas entre o Jejuno e o Íleo

As diferenças características entre o jejuno e o íleo estão resumidas na tabela.

Tabela: Diferenças anatómicas entre o jejuno e o íleo
Jejuno Íleo
Diâmetro 4 cm (na extremidade mais proximal) 2 cm (na extremidade mais distal)
Espessura da parede Mais grosso Mais fino
Gordura no mesentério Menos Mais
Pregas circulares Muitas, melhor desenvolvidas Algumas no íleo proximal, muito poucas distalmente
Tecido linfoide / placas de Peyer Algum Muito

Neurovasculatura

Irrigação arterial

  • Duodeno: artérias pancreatoduodenais superior e inferior
  • Jejuno e íleo: artérias jejunais e ileais (ramo da AMS)
    • Correm dentro do mesentério da AMS em direção aos intestinos
    • Formam laços anastomóticos entre si, conhecidos como arcadas
    • Vasa recta: pequenas artérias retas, fora das arcadas, que suprem a parede intestinal

Drenagem venosa

  • As veias correm adjacentes às artérias
  • Drenam para a veia mesentérica superior (VMS)
  • A VMS une-se à veia esplénica para formar a veia porta hepática → transporta nutrientes, absorvidos pelo intestino, para o fígado

Vasos linfáticos

Os vasos linfáticos lácteos, dentro das vilosidades intestinais, drenam para:

  • Gânglios pancreaticoduodenais (somente do duodeno)
  • Gânglios mesentéricos superiores (todos os 3 segmentos)

Inervação

O intestino delgado é inervado pelo SNA.

Inervação parassimpática (estimuladora):

  • Tronco posterior do nervo vago
  • ↑ Secreções, motilidade e fluxo sanguíneo
  • Relaxamento dos esfíncteres
Inervação parassimpática do trato gi

Inervação parassimpática do trato GI
NC: nervo craniano

Imagem por Lecturio.

Inervação simpática (inibitória):

  • Nervos esplâncnicos maior, menor e mínimo, que formam o plexo mesentérico superior em redor da AMS
  • Passa para o intestino delgado através de ramos periarteriais
  • ↓ Secreções, motilidade e fluxo sanguíneo
Inervação simpática do trato gi

Inervação simpática do trato GI

Imagem por Lecturio.

Função

O intestino delgado é o principal local de digestão química e absorção de nutrientes.

  • Recebe:
    • Quimo do estômago
    • Suco pancreático e enzimas
    • Bile
  • Secreta suco intestinal, que (juntamente com o suco pancreático e a bile):
    • Neutraliza o ácido estomacal
    • Digere nutrientes (carbohidratos, gorduras e proteínas)
  • Local primário de absorção de nutrientes
  • Bordadura em escova do intestino delgado:
    • Contém enzimas digestivas adicionais, necessárias para a digestão de contacto
    • ↑ Área de superfície para absorção de nutrientes
  • Secreta hormonas
  • Funções da motilidade intestinal:
    • Mistura o quimo com a bile e os sucos digestivos do pâncreas e dos intestinos
    • Agita o quimo, colocando-o em contacto com a mucosa para digestão e absorção de contacto
    • Move o conteúdo em direção ao cólon

Relevância Clínica

  • Má rotação intestinal: anomalia GI congénita, que resulta da falência da rotação normal do intestino primitivo em torno dos vasos mesentéricos durante o desenvolvimento embriológico. A má rotação intestinal pode resultar em vários padrões anatómicos caracterizados por alterações na localização e nos anexos dos intestinos, dentro da cavidade abdominal. Estas anomalias podem ser clinicamente silenciosas ou apresentar uma série de complicações, sendo a mais catastrófica o vólvulo do intestino médio.
  • Intussuscepção: invaginação da parte proximal (intussusceptum) numa zona distal (intussuscipiens) do intestino. A intussuscepção pode causar obstrução e, se não tratada, pode evoluir para isquemia intestinal. É mais comum na população pediátrica, mas ocasionalmente é encontrada em adultos. O indivíduo pediátrico geralmente apresenta dor abdominal cíclica aguda e vómitos, enquanto que os adultos apresentam sintomas de obstrução intestinal.
  • Divertículo de Meckel: remanescente persistente do ducto onfalomesentérico (vitelino). O divertículo de Meckel geralmente localiza-se na borda antimesentérica do íleo. O revestimento mucoso do divertículo pode conter mucosa heterotópica (mais frequentemente gástrica). Embora seja frequentemente assintomático, pode causar ulceração e apresentar hemorragia GI inferior. Outras complicações incluem diverticulite e obstrução do intestino delgado.
  • Obstrução do intestino delgado: A passagem normal do conteúdo intestinal é interrompida devido a uma diminuição funcional do peristaltismo ou a obstrução mecânica, por compressão mecânica intraluminal ou extraluminal. As causas mais comuns, em países desenvolvidos, incluem aderências pós-cirúrgicas, hérnias e neoplasias. As características clínicas mais importantes incluem dor abdominal em cólica, obstipação (ou seja, incapacidade de eliminar gases ou fezes), náuseas e vómitos.
  • Doença de Crohn: forma de doença inflamatória intestinal caracterizada por inflamação transmural irregular; qualquer porção do trato GI luminal pode estar envolvida, embora o íleo terminal e o cólon proximal sejam afetados mais frequentemente. As características clínicas mais importantes incluem dor abdominal em cólica, diarreia, fadiga e perda de peso. As complicações incluem fístulas, formação de flegmão/abcesso e doença perianal.
  • Doença celíaca: também conhecida como enteropatia sensível ao glúten, é uma doença inflamatória imunomediada, comum, do intestino delgado. É causada pela presença de sensibilidade à gliadina, um componente do glúten. As características clínicas mais importantes incluem diarreia com má absorção, dor abdominal em cólica e atrofia das vilosidades na histologia.

Referências

  1. Collins, J., Nguyen, A. (2021). Anatomy, abdomen and pelvis, small intestine. StatPearls. Retrieved August 23, 2021, from https://www.statpearls.com/articlelibrary/viewarticle/32127/ 
  2. Saladin, K.S., Miller, L. (2004). Anatomy and Physiology, 3rd ed., pp. 964–965. McGraw-Hill Education.
  3. Peppercorn, M.A., Kane, S.V. (2020). Clinical manifestations, diagnosis, and prognosis of Crohn’s disease in adults. UpToDate. Retrieved August 20, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-diagnosis-and-prognosis-of-crohn-disease-in-adults
  4. Peppercorn, M.A., Kane, S.V. (2020). Clinical manifestations, diagnosis, and prognosis of ulcerative colitis in adults. UpToDate. Retrieved August 20, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-diagnosis-and-prognosis-of-ulcerative-colitis-in-adults
  5. Drake, R.L., et al. (Ed.) (2020). Regional anatomy. In Gray’s Anatomy for Students, 4th ed. Churchill Livingstone/Elsevier, pp. 309–315.
  6. Schuppan, D., Dieterich, W. (2020). Epidemiology, pathogenesis, and clinical manifestations of celiac disease in adults. UpToDate. Retrieved August 20, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/epidemiology-pathogenesis-and-clinical-manifestations-of-celiac-disease-in-adults

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