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Imagiologia Escrotal

O escroto é um saco que se encontra "pendurado" fora do corpo e contém partes do sistema reprodutor masculino. A principal função do escroto é sustentar os testículos fora do corpo, de forma a possibilitar a existência das condições ideais para realização da espermatogénese. O escroto pode ser afetado por diversas patologias, e a imagiologia é uma ferramenta valiosa para se chegar a um diagnóstico adequado. O método de imagem mais importante é a ecografia +/– modo Doppler, uma vez que as estruturas escrotais são superficiais e não existe interposição de gás. A RMN é útil quando a ecografia é inconclusiva.

Última atualização: 19 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Ecografia

Descrição geral

Frequentemente, a ecografia é o melhor método de imagem para o escroto.

  • Modo Doppler:
    • Útil na avaliação da vasculatura para detetar alterações do fluxo sanguíneo
    • Minimiza a exposição à radiação para preservar os gâmetas
    • Particularmente útil no diagnóstico de torção testicular
  • Indicações para a ecografia escrotal:
    • Massa
    • Hidrocelo
    • Torção testicular
    • Infertilidade
    • Hérnia escrotal ou inguinal
    • Orquite
    • Epididimite
    • Varicocelo

Ecografia escrotal normal

  • Ecotextura homogénea
  • O epidídimo pode ser visualizado com a cabeça no polo superior do testículo, estendendo-se até à cauda no polo inferior.
  • Modo Doppler:
    • As imagens com cor representam o fluxo arterial e venoso para o testículo.
    • Imagens espectrais demonstram:
      • Forma da onda arterial: demonstra picos e descidas
      • Forma da onda venosa: alturas quase iguais

Epididimite e orquite

Os achados ecográficos incluem:

  • Aumento do tamanho do epidídimo
  • Aumento do fluxo sanguíneo para o epidídimo: focal ou difuso
  • Diminuição da ecogenicidade do epidídimo: focal ou difusa
  • É comum haver hidrocelo e espessamento da parede escrotal.

Hidrocelo

Os achados ecográficos incluem:

  • Presença de líquido em redor do testículo:
    • Presença de ecos internos: provavelmente um hidrocelo adquirido
    • Sem ecos internos (simples): o mais provável é ser congénito
  • Aumento de tamanho com o esforço (por exemplo, expiração forçada contra uma glote fechada)

Varicocelo

Os achados ecográficos incluem:

  • Veias (por exemplo, plexo pampiniforme) com um diâmetro > 2 mm
  • É melhor visualizado através da comparação de imagens em Valsalva com imagens em repouso: ocorre reversão do fluxo sanguíneo com esta manobra

Torção testicular

Achados ecográficos:

  • Uma ecografia normal não exclui que haja torção: se continuar a haver suspeita de torção, considerar repetir a ecografia dentro de 4 horas.
  • Testículo hipoecoico aumentado de tamanho em comparação com o testículo normal
  • Torção do cordão espermático
  • Ausência de cor ou fluxo espectral na avaliação com Doppler: perda do fluxo venoso → arterial
  • Um testículo difusamente hipoecoico e pequeno é sinal de isquemia.

Carcinoma testicular

Os achados ecográficos incluem:

  • Ecogenicidade anormal
  • Massa com aumento do fluxo sanguíneo

RMN

RMN escrotal normal

Tabela: RMN escrotal normal
Estrutura Ponderação em T1 Ponderação em T2 Com contraste
Testículo (estrutura oval homogénea) Hipointenso a isointenso Hiperintenso Com realce
Epidídimo Isointenso Hipointenso Com realce
Túnica albugínea Hipointenso Hipointenso Não aplicável

Cancro do testículo

Os achados na RMN incluem:

  • Massa testicular heterogénea
  • Margens irregulares
  • Realce do contraste
A imagem transversal ponderada em t1 mostra uma massa escrotal esquerda multilobular

Imagem transversal ponderada em T1 onde se observa uma massa escrotal esquerda multilobular (seta curta), localizada no espaço paratesticular.
A lesão apresenta uma intensidade de sinal semelhante ao parênquima testicular normal (asterisco).
Hidrocelo à esquerda (seta longa)

Imagem : “Transverse T1-weighted image” pelo Tsili AC, Argyropoulou MI, Giannakis D, Sofikitis N, Tsampoulas K. Licença: CC BY 2.0

Relevância Clínica

  • Torção testicular: corresponde a uma emergência médica em que o cordão espermático, juntamente com a artéria espermática que se encontra dentro dele, sofre uma torção, interrompendo o suprimento sanguíneo. Se não for tratada, pode levar a isquemia testicular, necrose e subsequente infertilidade. A apresentação clínica é com dor escrotal unilateral grave e súbita, edema, náuseas e vómitos. Ao exame objetivo, o testículo está geralmente muito doloroso ao toque e edemaciado, sem alívio da dor com a elevação escrotal. O reflexo cremastérico está ausente. No Doppler pode observar-se diminuição do fluxo sanguíneo para o testículo, e isto é geralmente suficiente para a realização da cirurgia para resolução da torção.
  • Epididimite e orquite: são 2 condições caracterizadas pela inflamação aguda do epidídimo ou do testículo, causadas por uma infeção vírica ou bacteriana. A orquite vírica é mais comum em rapazes na pré-puberdade e na adolescência precoce, enquanto as infeções bacterianas são mais comuns em adolescentes mais velhos. Os indivíduos apresentam geralmente dor escrotal aguda, edema, disúria, polaquiúria e urgência urinária. Na ecografia pode haver um espessamento da parede escrotal e na ecografia com Doppler observa-se um aumento do fluxo sanguíneo. O tratamento com antibióticos na orquite e epididimite está indicado quando se suspeita que seja de origem bacteriana.
  • Varicocelo: dilatação do plexo venoso pampiniforme que se encontra ligado à veia espermática interna. Os varicocelos associam-se a compromisso da função testicular hormonal e infertilidade. A apresentação na maioria dos homens com varicocelo é com queixas de infertilidade, mas alguns podem apresentar dor e peso escrotal. A ecografia do escroto mostra geralmente uma lesão tubular que aumenta de tamanho com a manobra de Valsalva. Quando os varicocelos são sintomáticos ou se associam a infertilidade com avaliação alterada do líquido seminal, o tratamento é a correção cirúrgica.

Referências

  1. Wittenberg, A.F., Tobias, T., Rzeszotarski, M., Minotti, A.J. (2006). Sonography of the acute scrotum: the four T’s of testicular imaging. Curr Probl Diagn Radiol 35:12–21. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16399236/
  2. Andipa, E., Liberopoulos, K., Asvestis, C. (2004). Magnetic resonance imaging and ultrasound evaluation of penile and testicular masses. World J Urol 22:382–391. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15300391/
  3. Watanabe, Y. (2002). Scrotal imaging. Curr Opin Urol 12:149–152. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11859263/

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