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Faringite

A faringite é uma inflamação da zona posterior da garganta (faringe). Normalmente é provocada por uma infeção do trato respiratório superior, vírica na maioria dos casos. Tipicamente associada a odinofagia e febre. Podem ocorrer outros sintomas, nomeadamente rinorreia, tosse, cefaleia e rouquidão. É difícil determinar o agente causal com base apenas nos sintomas. Assim, realiza-se frequentemente um esfregaço com amostra da faringe para excluir uma causa bacteriana. O tratamento é sintomático e de suporte, sendo que as causas bacterianas requerem antibiótico.

Última atualização: 4 Jul, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Etiologia

A faringite define-se como uma inflamação da faringe e das estruturas adjacentes.

A maioria dos casos ocorre devido a um microrganismo infecioso adquirido por contacto próximo com um indivíduo infetado.

  • Vírica:
    • Adenovírus (mais comum)
    • Vírus Coxsackie A
    • Família Orthomyxoviridae
    • Vírus Epstein-Barr (provoca mononucleose infeciosa)
    • Vírus herpes simples
    • Vírus do sarampo
    • Rinovírus
    • Coronavírus
    • Vírus sincicial respiratório
    • Vírus parainfluenza
  • Bacteriana:
    • Streptococcus pyogenes (causa bacteriana mais frequente de faringite infeciosa)
    • Streptococcus pneumoniae (infeções por Streptococcus beta-hemolítico são comuns em crianças dos 4 aos 7 anos)
    • Haemophilus influenzae
    • Bordetella pertussis
    • Bacillus anthracis
    • Corynebacterium diphtheriae
    • Neisseria gonorrhoeae
    • Chlamydophila pneumoniae
    • Mycoplasma pneumoniae
    • Fusobacterium necrophorum
  • Fúngica:
    • Candidíase (candidíase oral com atingimento da faringe pode ocorrer em pacientes imunocomprometidos, com o uso de antibióticos e glicocorticóides inalados e em pacientes a receber quimioterapia e/ou radioterapia)
  • Causas não infeciosas:
    • Tabagismo
    • Roncopatia
    • Gritar
    • Entubação traqueal
    • Fármacos
    • Doença concomitante
    • Poluentes do ar interior e exterior
    • Temperatura e humidade (e.g., mais seco durante os meses de inverno, sistemas de aquecimento)
    • Irritantes ocupacionais ou perigosos
    • Corpo estranho (e.g., espinha de peixe na faringe)
    • Doenças inflamatórias sistémicas: doença de Kawasaki, síndrome de Stevens-Johnson, síndrome de Behçet, síndrome PFAPA (periodic fever (febre periódica), aphthous stomatitis (estomatite aftosa), pharyngitis (faringite), adenitis (adenite))
    • Exposição química (e.g., paraquat, alcalinos)
    • Dor referida (e.g., otite média, abcesso dentário)
    • Psicogénica

Apresentação Clínica

  • Os sintomas geralmente duram 3 a 5 dias
  • Desconforto na garganta
  • Odinofagia: dor ao engolir
  • Tosse seca
  • Linfadenopatia cervical
  • Exsudado faríngeo
  • Sem tosse ou rouquidão (se estes sintomas estiverem presentes apontam para laringite)
  • Sintomas constitucionais: dores corporais, cefaleia, febre, mialgia, mal-estar, início abrupto

Diagnóstico

Critérios de Centor: estimam a probabilidade da faringite ser estreptocócica e sugerem uma abordagem para adultos

  • Critérios:
    • Idade 3-14 anos: +1
    • Idade 15–44 anos: +0
    • Idade ≥ 45 anos: -1
    • Ausência de tosse: +1
    • Exsudados amigdalinos: +1
    • Febre: +1
    • Adenopatia cervical anterior dolorosa: +1
  • Pontuação:
    • -1, 0 ou 1 ponto: sem necessidade de teste adicional ou antibiótico
    • 2 pontos: teste de diagnóstico antigénico rápido e/ou cultura opcional
    • 3 pontos: teste de diagnóstico antigénico rápido e/ou cultura recomendado, antibiótico apenas se positivo
    • 4 ou 5 pontos: teste de diagnóstico antigénico rápido e/ou cultura com antibiótico empírico recomendados

Diagnóstico laboratorial:

  • Teste de diagnóstico antigénico rápido para estreptococos: deteta o antigénio da ribonuclease
  • Zaragatoa faríngea para cultura
  • Teste serológico

A identificação da infeção estreptocócica beta-hemolítica é de extrema importância, porque esta está associada ao desenvolvimento de doença cardíaca reumática se não tratada.

Algoritmo de diagnóstico para faringite

Algoritmo de diagnóstico para faringite

Imagem por Lecturio.

Para recordar os critérios do Centor, lembrar:

  • C = cough (tosse)
  • E = exudate (exsudado)
  • N = nodes (gânglios linfáticos)
  • T = temperature (fever) (temperatura (febre))
  • OR = young OR old modifier (modificador jovem OU velho)

Tratamento

  • A base do tratamento é sintomática e de suporte:
    • Ingestão adequada de fluidos, evicção de irritantes respiratórios, como o fumo do tabaco, evicção de alimentos e bebidas ácidas, dieta ligeira, repouso adequado, analgesia sistémica, pastilhas e sprays para a garganta
  • Alguns pacientes podem necessitar de antibióticos para o tratamento de faringite bacteriana documentada laboratorialmente:
    • Tratar a faringite por Streptococci beta-hemolítico do grupo A com penicilina oral ou amoxicilina por 10 dias (cefalexina se penicilina provocar erupção cutânea; clindamicina ou macrólido se penicilina provocar anafilaxia).
    • O tratamento adequado é crucial para prevenir febre reumática aguda.
  • A faringite vírica é autolimitada e resolve de forma espontânea e constante durante alguns dias, sem piorar.
  • Se existir uma causa subjacente, identificar e tratar (e.g., antirretrovíricos para VIH, penicilina para Streptococcus do grupo A, nistatina para Candida, etc.).

Complicações

Complicações supurativas

  • Sinusite
  • Otite média
  • Epiglotite
  • Mastoidite
  • Abcesso periamigdalino
  • Abcesso retrofaríngeo
  • Linfadenite cervical supurativa
  • Pneumonia
  • Celulite amigdalina
  • Fasceíte necrotizante
  • Bacteremia estreptocócica (rara)
  • Meningite ou abcesso cerebral (extremamente raro)

Complicações não supurativas

  • Obstrução da via aérea
  • Trombocitopenia
  • Miocardite
  • Pericardite
  • Encefalite
  • Meningite
  • Síndrome do choque tóxico
  • Febre reumática aguda
  • Polineuropatia desmielinizante inflamatória aguda
  • Artrite pós-estreptocócica reativa
  • Glomerulonefrite aguda
  • PANDAS (pediatric autoimmune neuropsychiatric disorders associated with streptococcal infections) (distúrbios neuropsiquiátricos autoimunes pediátricos associados a infeções estreptocócicas)

Diagnóstico Diferencial

As seguintes condições são diagnósticos diferenciais de faringite:

  • Epiglotite: uma inflamação da epiglote causada por infeções por Haemophilus, estreptocócicas ou estafilocócicas, que se manifesta com dificuldade respiratória, estridor e cianose e pode provocar a morte por obstrução da via aérea
  • Laringite ou laringotraqueíte: uma inflamação da laringe devido a trauma ou infeção, entre outras causas. Nesta condição, as 2 dobras da membrana mucosa que constituem as cordas vocais tornam-se inflamadas e dolorosas.
  • Abcesso periamigdaliano: uma infeção profunda do pescoço que ocorre frequentemente em adolescentes ou adultos jovens como complicação de amigdalite aguda. Apresenta-se com febre, odinofagia, disfagia, a chamada voz de “batata quente” e trismo
  • Candidíase: uma infeção fúngica provocada por leveduras Candida que pode causar infeções profundas no corpo e afetar órgãos internos como o rim, o coração ou o cérebro
  • Difteria: uma infeção bacteriana grave causada por Corynebacterium diphtheriae que afeta as membranas mucosas nasais e faríngeas, resultando em odinofagia, febre, aumento dos gânglios linfáticos (“pescoço de touro” é patognomónico) e astenia
  • Croup: também chamada de laringotraqueobronquite; causada mais frequentemente por uma infeção vírica ou, raramente, por uma infeção bacteriana que resulta em edema da traqueia e interfere com a normal respiração
  • Gonorreia: uma doença sexualmente transmissível que afeta ambos os sexos, manifestando-se nos órgãos genitais, reto e faringe; atinge frequentemente adolescentes (15-24 anos) que praticam sexo vaginal, anal ou oral
  • Pneumonia: uma inflamação aguda ou crónica do parênquima pulmonar, que inclui infeção por bactérias, vírus ou fungos

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