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Catarata em Adultos

A catarata corresponde a uma opacificação indolor do cristalino. Provoca défice visual, uma vez que o cristalino é responsável por uma parte do poder de refração do olho. Embora todas as faixas etárias possam ser afetadas, a catarata senil (ou relacionada com a idade) é a mais comum. Para além da idade, existem vários fatores de risco, nomeadamente doenças sistémicas, fármacos ou trauma. Os doentes apresentam visão turva, sensibilidade ao brilho e alteração da visão de cores. à inspeção no exame oftalmológico geralmente observa-se uma diminuição ou opacificação do reflexo vermelho. O exame na lâmpada de fenda revela a extensão e a localização da catarata. O tratamento é a cirurgia, que está indicada quando a perda da função visual interfere na vida diária.

Última atualização: 19 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A catarata corresponde a uma opacificação indolor do cristalino e resulta em visão turva, ao interferir com a projeção de luz na retina. Pode causar cegueira parcial ou total.

Epidemiologia

  • Principal causa de cegueira no mundo
  • Afeta todas as faixas etárias
  • Catarata relacionada com a idade: tipo mais comum
  • Prevalência em pessoas com idade > 80 anos: aproximadamente 70%
  • Mais comum em mulheres do que em homens

Anatomia

  • O cristalino é um dos meios refrativos do olho.
  • É uma estrutura transparente formada por fibras.
    • Fibras do cristalino:
      • Córtex: parte externa; feito de fibras mais jovens
      • Núcleo: parte profunda; feito de fibras mais velhas
    • Epitélio do cristalino: entre as fibras e a cápsula anterior
    • Cápsula do cristalino: camada mais externa (anterior e posterior)
Anatomia essencial do diagrama de olho

Esta imagem representa a anatomia do olho. Na catarata, existe opacificação do cristalino, que interfere com a projeção da luz sobre a retina; isto provoca diminuição da acuidade visual, sobretudo à noite quando os níveis de luz são mais baixos.

Image by Lecturio.

Etiologia e Fisiopatologia

  • Idade:
    • O principal fator de risco
    • O envelhecimento aumenta a espessura do cristalino.
    • São adicionadas camadas corticais → as células ficam comprimidas no centro → perda de transparência + endurecimento do cristalino
    • As transformações sofridas pelas células epiteliais levam a alterações na formação e homeostase das fibras do cristalino → afetação do transporte de nutrientes e antioxidantes
    • O dano oxidativo contribui para a formação de catarata.
  • Outros fatores de risco:
    • Toxinas
      • Tabagismo
      • Uso excessivo de álcool
    • Exposição à luz ultravioleta
    • Radiação infravermelha (especialmente comum em trabalhadores de vidro)
    • Choque elétrico (exposição a correntes de alta voltagem)
    • Trauma
      • Perfuração do globo ocular
      • Trauma fechado (impacto direto sobre o olho)
    • Fármacos:
      • Corticóides
      • Mióticos (inibidores da colinesterase)
    • Outras condições médicas:
      • Infeções do olho
      • Diálise crónica em doentes com insuficiência renal
      • Doença de Wilson
        • Alterações no metabolismo do cobre que provocam a sua acumulação na córnea
        • Catarata “sunflower” (tipo girassol): disco central esverdeado com opacidades radiais em cunha
      • Diabetes
        • No cristalino, a glucose é convertida em sorbitol pela aldolase redutase
        • ↑ glucose → ↑ sorbitol → ↑ osmolaridade e acumulação de fluido no cristalino → catarata
      • VIH/SIDA: os doentes são submetidos a cirurgia de catarata mais cedo do que o habitual

Apresentação Clínica

Sintomas

  • Diminuição da visão ou visão turva:
    • Pode ser unilateral ou bilateral
    • Muitas vezes gradual e indolor
  • Diplopia ou poliopia: a catarata cria múltiplas refrações (através de áreas claras e opacidades).
  • Sensibilidade ao brilho: à luz do sol ou faróis (à noite)
  • Alteração da visão de cores: desbotamento de objetos
  • Halos coloridos à volta da luz: dispersão da luz pela presença de gotas de água no cristalino
  • Alterações nos óculos refrativos
    • Mudança míope temporária: aumento da visão de perto
    • Mudanças frequentes na visão de perto e/ou distante

Sinais

  • Acuidade visual diminuída unilateral ou bilateralmente
  • Exame fundoscópico não dilatado
    • Escurecimento do reflexo vermelho
    • Opacidades dentro do reflexo vermelho
    • Fundo obscuro

Diagnóstico

Exame oftalmológico

  • Exame com lâmpada de fenda: permite examinar a extensão e o tipo de opacificação do cristalino, assim como avaliar outras estruturas oculares
  • Exame fundoscópico dilatado: permite examinar o pólo posterior, para descartar a presença de outras patologias

Classificação dos achados diagnósticos

  • Tipos de catarata com base na sua maturidade
    • Imatura:
      • Quantidade variável de opacificação
      • Ainda permite a visualização da retina e tem reflexo vermelho
    • Madura: a catarata é opaca e não há reflexo vermelho
    • Hipermatura:
      • A opacidade é densa e obscurece o reflexo vermelho, com liquefação do córtex
      • Catarata Morgagniana: catarata hipermadura com núcleo afundando inferiormente
  • Tipos de catarata com base na porção do cristalino afetada (muitas vezes sobrepõem-se)
    • Subcapsular posterior
      • Parte posterior do cristalino
      • Mais comum em distúrbios metabólicos (diabetes e galactosemia)
    • Nuclear
      • Núcleo ou porção central do cristalino
    • Cortical
      • Córtex do cristalino (fibras que circundam o núcleo)
      • Tipo mais comum de catarata adquirida
Catarata subcapsular posterior Catarata nuclear Catarata cortical
Causas
  • Envelhecimento
  • Esteróides
    • Altas doses
    • Uso crónico
  • Inflamação intraocular crónica
  • Trauma (exposição UV)
  • Doenças metabólicas
    • Diabetes
    • Galactosemia
Envelhecimento
  • Envelhecimento: tipo mais comum de catarata senil
  • Diabetes
Sintomas
  • Início rápido (meses)
  • Brilho
  • Diminuição da visão de longe e de perto (mais pronunciada em ambientes claros)
  • Início insidioso
  • Diminuição da visão à distância
  • Cores menos vibrantes
  • Início variável
  • Brilho (mais comum)
  • Diminuição da visão de perto e de longe
  • Cegueira noturna
  • Dificuldades na perceção de profundidade
  • Diplopia
Diagnóstico Opacidade granular no pólo posterior do córtex adjacente à cápsula posterior
  • Opacificação do núcleo central
  • Esclerose e amarelecimento do núcleo do cristalino
  • Opacidades na camada cortical
  • Opacidades periféricas em forma de raio progredindo circunferencialmente
Cataract examples

Aparência do cristalino em 3 doentes.
A: Catarata cortical
B: Catarata nuclear
C: Catarata subcapsular posterior

Imagem: “Appearance of lenses in patients” por Department of Biochemistry, Jawaharlal Nehru Medical College, Maharashtra, India. Licença: CC BY 3.0

Tratamento

  • Cirurgia:
    • Indicada quando existe perturbação visual grave com impacto na vida diária
    • Procedimento realizado em regime ambulatório, muitas vezes sob anestesia local
  • Técnicas cirúrgicas:
    • Extração de catarata extracapsular standard:
      • Para remoção de catarata avançada
      • Remoção do núcleo do cristalino em bloco único, deixando a cápsula
      • Lente intraocular (LIO) colocada no saco capsular
    • Facoemulsificação:
      • Cirurgia mais comum nos países desenvolvidos
      • Cirurgia de pequena incisão
      • A sonda de faco fragmenta a parte central dura do cristalino (com energia ultrassónica)
      • LIO colocada na cápsula da lente
    • Extração de catarata intracapsular
      • Raramente usada, técnica mais antiga
      • Muitas complicações
  • Complicações:
    • Endoftalmite (infeção dentro do olho)
    • Mau posicionamento intraocular
    • Descolamento da retina
    • Degenerescência macular

Diagnóstico Diferencial

  • Diabetes mellitus: um grupo heterogéneo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia que se deve à resistência periférica ou deficiência de insulina. A diabetes mellitus pode resultar numa série de complicações, incluindo erros transitórios de refração (associados aos níveis flutuantes de glicose) e retinopatia crónica, que se manifesta com miodesópsias e visão turva.
  • Glaucoma: uma neuropatia ótica com alterações no disco ótico e defeito no campo visual. O glaucoma está frequentemente associado ao aumento da pressão intraocular (geralmente dentro das câmaras anterior e posterior), o que resulta numa perda gradual da visão. Essa perda de visão pode ocorrer de forma aguda devido ao bloqueio da drenagem do humor aquoso (glaucoma agudo de ângulo fechado), que é uma emergência médica. A maioria dos casos deve-se a glaucoma de ângulo aberto.
  • Degenerescência macular: distúrbio degenerativo da porção central da retina. Apresenta-se principalmente com perda da visão central. Os doentes raramente perdem a visão periférica. O diagnóstico é feito através de achados característicos no exame com lâmpada de fenda (drusas, hemorragia sub-retiniana).
  • Erros de refração: Ocorrem quando o olho não consegue focalizar a luz na retina. Afetados por fatores como o tamanho do olho (comprimento axial) e a forma da córnea. Os principais tipos de erros de refração são a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo.
  • Uveíte: inflamação aguda da úvea (camada intermédia do globo ocular) e do corpo ciliar. A uveíte pode ser causada por infeções (herpes, sífilis) ou pode estar relacionada com doenças inflamatórias sistémicas (doença inflamatória intestinal, artrite reumatoide). Os sintomas incluem visão turva, olho vermelho com dor (uveíte anterior) ou sem dor (uveíte intermediária e posterior) e miodesópsias (uveíte intermediária).

Referências

  1. Folberg, R.(2020). The Eye  in Kumar, V., Abbas, A., Aster, J. (Eds.), Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease (10th ed., pp. 1305-1328). Elsevier, Inc.
  2. Jacobs, D., Gardiner, M.; Givens, J. (2020). Cataract in adults. UpToDate. Retrieved September 12, 2020, from https://www.uptodate.com/contents/cataract-in-adults
  3. Nizami, A., Gulani, A. (2020) Cataract. Retrieved September 12, 2020, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK539699/
  4. Ocampo, V., Foster, C.S., Dahl, A. (Ed.). (2018).Senile cataract. Medscape. Retrieved September 12, 2020, from https://emedicine.medscape.com/article/1210914-overview
  5. Pollreisz, A., Schmidth-Erfurth, U. (2010). Diabetic Cataract-Pathogenesis, Epidemiology and Treatment. J Ophthalmol. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20634936/ 

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