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Cancroide

A denominação cancroide corresponde a uma IST altamente contagiosa causada pelo Haemophilus ducreyi. A doença apresenta-se como úlcera(s) dolorosa(s) no trato genital (denominado cancroide ou “cancro mole”). Até 50% dos doentes desenvolvem uma linfadenopatia inguinal dolorosa. Além disso, destes, 25% podem desenvolver complicações como os gânglios supurativos. Dado o crescimento de H. ducreyi ocorrer num meio especial (muitas vezes não prontamente disponível), o cancro mole é diagnosticado com base na aparência clínica e em testes para descartar sífilis e herpes (as causas mais comuns de úlceras genitais). Embora a doença possa resolver espontaneamente, os antibióticos (azitromicina ou ceftriaxona) são o tratamento de escolha. O tratamento deve envolver os doentes e os seus contactos sexuais.

Última atualização: 26 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

O cancroide (cancro mole) é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria, Haemophilus ducreyi, e que se carateriza por uma úlcera genital dolorosa e adenopatia inguinal supurativa.

Etiologia

  • H. ducreyi:
    • Gram negativo
    • Não forma esporos
    • Imóvel
    • Cocobacilo anaeróbio facultativo
    • Cresce mais facilmente numa atmosfera húmida
  • Fatores de risco associados a DST:
    • Homens não circuncidados
    • Baixo estatuto socioeconómico
    • Pouca higiene
    • Comportamento sexual de risco (abuso de drogas, prostituição)

Epidemiologia

  • O cancróide é uma infecção incomum na maioria dos países desenvolvidos.
    • Em 2011, foram registados < 20 casos nos Estados Unidos.
    • Em 2016, foram registados 7 casos nos Estados Unidos.
  • Comum nas seguintes regiões:
    • África bubsariana
    • Sudeste asiático
    • América latina

Fisiopatologia

  • Infeção por H. ducreyi, que depende de:
    • Tamanho do inóculo (100 unidades formadoras de colónia apresentam 90% de risco de infeção)
    • Fatores do hospedeiro
  • Transmissão: o H. ducreyi entra através de microabrasões na pele e causa ruturas na mucosa durante o contacto sexual.
  • Processo de infeção: o patogénio produz uma toxina de distensão citoletal → dano epitelial irreversível e morte → ulceração

Apresentação Clínica

  • Período de incubação: os doentes desenvolvem geralmente uma lesão entre 4 a 10 dias após a exposição.
  • Lesão:
    • Desenvolvimento de uma pápula eritematosa no local da inoculação.
    • Pápula → pústula → úlcera(s)
    • Cancroide:
      • 1–2 cm (0,39–0,79 in)
      • Doloroso
      • Base eritematosa
      • Bordas bem definidas e irregulares
      • Exsudado purulento cinzento ou amarelo
  • Afeta as áreas genitais e os gânglios de drenagem:
    • Nos homens:
      • Corona, prepúcio ou glande do pénis
    • Nas mulheres:
      • Lábios, introito e áreas perianais
      • Podem ser assintomáticas, se as áreas vaginais e do colo do útero forem afetadas
    • Linfadenopatia:
      • 50% desenvolvem uma linfadenopatia inguinal unilateral dolorosa.
      • 25% desenvolvem bubões com ulceração subsequente em 2 semanas.

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Diagnóstico

O diagnóstico é feito através da avaliação clínica e exames para descartar as 2 causas mais comuns de úlceras genitais, o vírus do herpes simplex (HSV, pela sigla em inglês) e a sífilis.

  • A confirmação do diagnóstico faz-se pelo isolamento de H. ducreyi em cultura (os meios especiais não estão amplamente disponíveis).
  • Coloração de Gram: Os organismos aparecem como linhas paralelas que se assemelham a uma “trilha de ferrovia” ou uma “escola de peixes”.
  • Testes de amplificação de ácido nucleico não estão prontamente disponíveis fora do âmbito da investigação clínica.
  • Diagnóstico provável:
    • ≥ 1 úlcera(s) dolorosa(s) presente(s).
    • Os sinais e sintomas coincidem com os de uma lesão cancroide típica.
    • Teste de PCR negativo para HSV
    • Sem evidência de Treponema pallidum (microscopia de campo escuro ou teste serológico)
Bactéria haemophilus ducreyi

Bactéria Haemophilus ducreyi

Imagem : “Haemophilus ducreyi 01” pelo CDC. Licença: Domínio Público

Tratamento

Princípios gerais

  • Curso e tratamento da doença:
    • A(s) lesão(ões) pode(m) resolver espontaneamente em 3 meses, mas podem também complicar com linfadenite e bubões supurativos.
    • A terapêutica antimicrobiana é a base do tratamento para evitar a formação de bubões.
  • Recomendações adicionais:
    • Os doentes devem ser rastreados para outras DSTs.
    • As relações sexuais desprotegidas devem ser evitadas durante o tratamento (até que as úlceras tenham desaparecido).
    • Os parceiros sexuais também devem ser tratados, independentemente da presença de sintomas.

Tratamento médico

  • Tratamento de 1ª linha: Azitromicina 1g por via oral, dose única, ou ceftriaxona 250 mg com administração IM, dose única:
    • Tem como vantagem a maior adesão, por serem administrados em regime de dose única.
    • Seguro nas grávidas
  • Alternativas:
    • Ciprofloxacina (curso de 3 dias)
    • Eritromicina (curso de 7 dias)
  • O tratamento empírico para HSV e a sífilis também é recomendado (porque são mais comuns e podem existir coinfecções).

Tratamento cirúrgico

  • Incisão e drenagem dos bubões supurativos
  • A aspiração por agulha pode ser realizada, mas os doentes podem precisar de aspirações repetidas.
  • Sem tratamento, podem desenvolver-se trajetos fistulosos e destruição tecidual profunda.

Diagnóstico Diferencial

  • Herpes simplex: uma DST comum causada pelo HSV tipo 1 ou 2. Os sintomas prodrómicos geralmente precedem aglomerados de vesículas dolorosas e cheias de líquido numa base eritematosa. Estas vesículas formam eventualmente úlceras, que podem coalescer. Pode ocorrer linfadenopatia, disúria e nevralgia grave. O diagnóstico é geralmente clínico, mas confirmado por PCR e testes serológicos. O tratamento inclui terapêutica antivírica.
  • Sífilis: esta DST é causada pelo T. pallidum e possui 4 estadios clínicos. A sífilis primária começa com uma úlcera solitária indolor nos genitais (cancro). A progressão para sífilis secundária manifesta-se como uma erupção maculopapular generalizada, que inclui as palmas e plantas. O desenvolvimento de sífilis terciária pode causar uma doença neurológica grave (neurossífilis), cardiovascular e/ou gumas. O período de latência entre a sífilis secundária e terciária é o estadio latente.
  • Donovanose: uma DST rara causada por Klebsiella granulomatis. As lesões genitais nodulares progressivas podem transformar-se em úlceras indolores, que causam dano tecidual. A linfadenopatia não é comum. O diagnóstico é através de achados microscópicos de corpos de Donovan na lesão. O tratamento envolve antibióticos, como macrolidos, tetraciclinas e trimetoprim-sulfametoxazol.
  • Linfogranuloma venéreo: uma DST causada por 3 estirpes de Chlamydia trachomatis. Os doentes podem ter uma úlcera genital pequena e autolimitada, seguida de linfadenopatia dolorosa inguinal e/ou femoral. O diagnóstico é clínico. Embora o teste de PCR possa ajudar no diagnóstico, a disponibilidade deste é limitada. O tratamento envolve tetraciclinas ou eritromicina.

Referências

  1. Hicks, C. B. (2019). Chancroid. UpToDate. Retrieved March 01, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/chancroid
  2. Irizarry, L., Velasquez, J., & Wray, A. A. (2020). Chancroid. StatPearls. Retrieved March 01, 2021, from https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513331/
  3. Riedel, S., Morse, S. A., Mietzner, T. A., & Miller, S. (2019). Haemophilus, bordetella, brucella, and francisella. Jawetz, Melnick, & Adelberg’s Medical Microbiology, 28e. McGraw-Hill.erg’s Medical Microbiology, 28e. McGraw-Hill.

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