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Burkholderia

As espécies de Burkholderia são bacilos gram-negativos, sendo os 2 agentes patogénicos mais clinicamente relevantes: a espécie B. pseudomallei (causa melioidose) e o complexo B. cepacia (responsável por infeções oportunistas). A melioidose é frequentemente detetada na Ásia e na Austrália e é transmitida pelo contacto com o solo ou água contaminados (através de feridas na pele). A doença afeta múltiplos sistemas e pode manifestar pneumonia, encefalomielite e abcessos cutâneos. O diagnóstico é por cultura da amostra (dependendo do órgão envolvido). O tratamento requer antibioterapia intensiva inicial seguida de terapêutica de erradicação prolongada. O complexo Burkholderia cepacia (CBC) afeta sobretudo indivíduos imunodeprimidos, nomeadamente com fibrose cística (FQ). A infeção pode ser transmitida de pessoa para pessoa ou através de dispositivos contaminados. Embora a infeção pelo complexo CBC seja rara, o seu diagnóstico é importante, dado ser uma infeção multirresistente e constituir uma contraindicação relativa ao transplante pulmonar.

Última atualização: 27 Jun, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Classificação

Fluxograma de classificação de bactérias gram negativas

Bactérias gram-negativas:
A maioria das bactérias pode ser classificada de acordo com um procedimento de laboratório chamado coloração de Gram.
As paredes celulares bacterianas com uma camada fina de peptidoglicanos não retêm a coloração cristal violeta utilizada na técnica coloração de Gram. No entanto, as bactérias gram-negativas retêm a coloração de contraste de safranina e aparecem com cor vermelho-rosado. Estas bactérias podem ainda ser classificadas de acordo com a sua morfologia (diplococos, bastonetes curvos, bacilos e cocobacilos) e capacidade de crescerem na presença de oxigénio (aeróbios versus anaeróbios). As bactérias Gram-negativas podem ser identificadas com precisão através de culturas em meios específicos (Agar Tríplice Açúcar Ferro (TSI)), com a identificação das enzimas (urease, oxidase) e determinação da capacidade de fermentar a lactose.
* Cora pouco com coloração de Gram
** Bastonete pleomórfico/cocobacilos
*** Requer meios de transporte especiais

Imagem por Lecturio.

Características

Principais características

Burkholderia:

  • Bacilo Gram-negativo
  • Aeróbio obrigatório
  • Móvel (com flagelos polares)
  • Fermentação sem lactose
  • Oxidase-positivo
  • Cultura: cresce em meio bacteriológico comum

Espécies clinicamente relevantes:

  • Burkholderia pseudomallei:
    • Distribuição ampla no solo e água doce superficial nas regiões endémicas
    • Causa da melioidose
  • Complexo Burkholderia cepacia (BCC): grupo de bactérias que crescem na água, solo, plantas, animais e materiais vegetais em decomposição
Imagem: “” por. Licença:

Colónias de Burkholderia pseudomallei numa placa de agar de sangue

Imagem : “Burkholderia pseudomallei 01” por CDC. Licença: Domínio Público

Burkholderia pseudomallei

Etiologia e Epidemiologia

  • Associada à melioidose (também conhecida como doença de Whitmore)
  • Áreas endémicas:
    • Sudeste Asiático
    • Norte da Austrália
    • Sul da Ásia (incluindo Índia)
    • China
  • Raro nos Estados Unidos
  • Pico sazonal durante as estações chuvosas

Fisiopatologia

Transmissão:

  • Contacto com água ou solo contaminado, principalmente através de feridas na pele (modo predominante)
  • Inalação de bactérias em poeira e aerossóis
  • Ingestão de bactérias em alimentos ou água contaminados
  • As transmissões de animal para humano e de humano para humano são raras.

Os fatores de risco do hospedeiro incluem:

  • Diabetes
  • Abuso de álcool
  • Doença hepática
  • Doença renal
  • Talassemia
  • Consumo de kava (planta medicinal)
  • Estado de imunossupressão(por exemplo, cancro)
  • Doença pulmonar crónica, incluindo:
    • Fibrose quística (FQ)
    • Bronquiectasias
    • Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)

Apresentação clínica

  • Período de incubação:
    • 1-21 dias
    • Influenciado por:
      • Dose de inoculação
      • Fatores de risco do hospedeiro
      • Modo de transmissão
  • A maioria dos indivíduos é assintomática.
  • A apresentação pode ser:
    • Aguda:
      • Maioria dos casos
      • Sintomas < 2 meses
    • Crónica: sintomas > 2 meses

Os sintomas podem apresentar-se em vários sistemas:

  • Bacteriemia ou sépsis
  • Abcesso focal em órgãos (fígado, rim, baço)
  • Manifestações respiratórias:
    • Febre
    • Tosse
    • Dor torácica
    • Dificuldade respiratória
    • Sintomas crónicos (semelhante à tuberculose):
      • Tosse produtiva
      • Hemoptises
      • Sudorese noturna
  • Manifestações dermatológicas:
    • Alterações na pele (ulceração, abcesso) que não se resolvem com tratamento antibiótico
    • Raramente desenvolve celulite
  • Manifestações genitourinárias:
    • Febre com disúria
    • Retenção urinária
    • Próstata dolorosa ao toque (prostatite)
  • Manifestações reumatológicas:
    • Artrite sética
    • Osteomielite
  • Manifestações neurológicas (encefalomielite):
    • Sinais cerebelares
    • Paralisia de pares cranianos
    • Fraqueza do neurónio motor superior

Diagnóstico

Exames complementares de diagnóstico:

  • Cultura de amostras que podem incluir:
    • Sangue
    • Expetoração
    • Urina
    • Zaragatoas de:
      • Reto
      • Ferida na pele/úlcera/abcesso
      • Nasofaringe
  • Coloração de Gram da(s) amostra(s):
    • Bacilos gram-negativos
    • Coloração bipolar com aparência de “alfinete”
  • Serologia: uso limitado
  • Deteção de antigénio e DNA: A maioria ainda não está disponível comercialmente.

Exames adicionais:

  • A radiografia do tórax pode revelar os seguintes achados:
    • Infiltrados
    • Derrame pleural
    • Consolidação lobar
    • Cavitação e abcessos com nível de fluido
    • Achados crónicos: fibrose com infiltrados nodulares, cavitantes ou irregulares
  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética:
    • Avaliar presença de infeções multifocais abdominais
    • Avaliar a próstata

Tratamento

Resistente a:

  • Penicilina/ampicilina
  • Cefalosporinas de 1ª e 2ª geração
  • Gentamicina
  • Tobramicina
  • Estreptomicina

O(s) regime(s) terapêutico(s) inicial(is) depende(m) da gravidade da doença e do(s) sistema(s) afetado(s):

  • Estável (não crítico) sem infeção do SNC: ceftazidima
  • Doença grave:
    • Imipenem
    • Meropenem
  • Infeção do SNC: meropenem (dose mais alta)
  • Antibiótico adjuvante: trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMX)
  • Terapêutica adicional:
    • Drenagem de abcesso
    • Cuidados de suporte (por exemplo, fluidoterapia)
    • Fatores estimuladores de colónias de granulócitos recombinantes humanos (G-CSF) em pacientes com choque séptico

Tratamento de erradicação:

  • Após a fase inicial do tratamento intensivo está recomendada a admnistração adicional de antibióticos para reduzir o risco de recaída.
  • Habitualmente, a duração é de pelo menos 3 a 6 meses (dependendo do tipo de infeção).
  • Alguns tipos requerem > 6 meses (ou seja, infeção arterial, como um aneurisma micótico).
  • Opções:
    • TMP-SMX oral com ácido fólico
    • Doxiciclina oral (alternativa)

Prevenção:

  • Evitar a exposição da pele ao solo e à água, sobretudo nas estações de chuva.
  • Os indivíduos de alto risco (por exemplo, pacientes com FQ) devem evitar viajar para áreas endémicas durante as estações de chuva.
  • Durante um evento de bioterrorismo ou exposição laboratorial acidental, a profilaxia pós-exposição (PEP) com TMP-SMX está recomendada.

Complexo Burkholderia cepacia

Etiologia e Epidemiologia

BCC:

  • Grupo de diferentes espécies que compõem o complexo
  • Agentes patogénicos humanos oportunistas
  • Espécies frequentemente isoladas na expetoração de pacientes com FQ:
    • B. multivoranos
    • B. cenocepacia

Epidemiologia:

  • Infeção rara e pouco observada em contexto ambulatório
  • Nos Estados Unidos, estão descritos os seguintes relatos de infeção e contaminação:
    • Em 2004: infeções nosocomiais por B. cepacia devido a sondas sublinguais contaminadas
    • Em 2004: spray nasal de venda livre retirado do mercado devido à contaminação
    • Em 2005: pneumonia por elixir bucal contaminado

Fisiopatologia

Transmissão:

  • Contaminação do dispositivo e/ou medicamento
  • Contaminação da água e fontes ambientais
  • Contacto com superfícies contaminadas
  • Contacto entre indivíduos

Dispositivos médicos que podem ser contaminados e produzir infeção:

  • Dispositivos de monitorização de pressão
  • Cateteres de Foley permanentes, urómetros, fluidos de hidratação
  • IVs, cateteres centrais, fluidos IV
  • Equipamento respiratório (vapor condensado no tubo respiratório, nebulizador ultrassónico, fármacos para inalação)

Fatores de risco do hospedeiro:

  • A infeção apresenta um risco mínimo em indivíduos saudáveis
  • Possuem maior risco:
    • Indivíduos com sistema imunitário comprometido
    • Indivíduos com FQ ou doença pulmonar crónica (DPOC, bronquiectasias, doença granulomatosa crónica)

Apresentação clínica

A maioria dos infetados não apresenta sintomas. Os indivíduos sintomáticos podem manifestar:

  • Febre baixa
  • Pneumonia
  • Infeção pulmonar crónica na FQ:
    • Diminui a sobrevivência
    • Associada a infeções recorrentes e graves
  • Outras manifestações dependentes do órgão envolvido.

Diagnóstico

  • Cultura de fluidos corporais (do órgão afetado)
    • Meio seletivo com colistina (por exemplo, agar seletivo de B. cepacia): está recomendada cultura da expetoração nos pacientes com FQ
    • O crescimento é lento e pode levar 3 dias.
  • Pode ser necessários exames adicionais (por exemplo, de imagem), consoante o sistema envolvido
Infecção do complexo b. Cepacia

Infeção pelo complexo B. cepacia:
Radiografia do tórax de um paciente com pneumonia à direita. Foi isolado B. cepaci em cultuas do aspirado traqueal e hemoculturas.

Imagem: “Cepacia Syndrome in a Non-Cystic Fibrosis Patient” por Hauser N, Orsini J. Licença: CC BY 3.0

Tratamento

  • Resistente a vários fármacos
  • Opções de antibioterapia:
    • TMP-SMX
    • Ceftazidima
    • Minociclina
    • Carbapenemes
  • Todos os pacientes com FQ devem ser rastreados para colonização por B. cenocepacia antes de transplante, dado ser uma contra-indicação relativa para o transplante de pulmão.

Referências

  1. Currie, B., Anstey, N. (2021). Melioidosis: Epidemiology, clinical manifestations and diagnosis. UpToDate. Retrieved May 28, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/melioidosis-epidemiology-clinical-manifestations-and-diagnosis
  2. Currie, B., Anstey, N. (2021). Melioidosis: Treatment and prevention. UpToDate. Retrieved May 28, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/melioidosis-treatment-and-prevention
  3. Currie, B., Ward, L., Cheng, A. (2010). The epidemiology and clinical spectrum of melioidosis: 540 cases from the 20 year Darwin prospective study. PLoS Negl Trop Dis. 4:e900.
  4. Mahmood, S., Ahmed, S. (2018). Burkholderia cepacia. Medscape. Retrieved May 29, 2021, from https://emedicine.medscape.com/article/237122-overview
  5. Riedel, S., et al. (Eds.). (2019). Pseudomonas, acinetobacter, burkholderia, and stenotrophomonas. In Jawetz, Melnick, & Adelberg’s Medical Microbiology (28th ed.) https://accessmedicine.mhmedical.com/content.aspx?bookid=2629&sectionid=217771138 
  6. Torok, E., Moran, E., Cooke, F. (2009). Oxford Handbook of Infectious Diseases and Microbiology. Oxford University Press. 
  7. Zaas, A., Palmer, S., Messina, J. (2021). Bacterial infections following lung transplantation. UpToDate. Retrieved May 28, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/bacterial-infections-following-lung-transplantation

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