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Anemia: Visão Geral

A anemia é uma condição em que os indivíduos têm baixos valores de hemoglobina, que pode surgir devido a várias condições. A anemia é caracterizada por um número reduzido de glóbulos vermelhos (GV) e pode manifestar-se com fadiga, falta de ar, palidez e fraqueza. Os subtipos são classificados pelo tamanho das GV, cronicidade e etiologia. Pode ocorrer anemia por perda de sangue, diminuição da produção de GV, como na deficiência de ferro, ou aumento da destruição de GV, como na hemólise. A gestão tem como objectivo melhorar os níveis de Hb e tratar as condições subjacentes.

Última atualização: 4 Jul, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definição

A anemia é uma deficiência quantitativa de Hb, o componente portador de oxigénio dos GV. A anemia é constatada quando os níveis de Hb são aproximadamente:

  • < 13,5 g/dL em homens adultos
  • < 12 g/dL em mulheres adultas
  • < 11 g/dL em crianças

Os níveis normais podem variar de acordo com a faixa de referência do laboratório.

Epidemiologia

  • Encontrada em pacientes de todas as idades, desde bebés a idosos.
  • Mais comum em mulheres do que em homens
  • Prevalência:
    • > 20% dos indivíduos que têm > 85 anos de idade
    • A anemia por deficiência de ferro ligeira é comum em mulheres em idade reprodutiva.
  • As hemoglobinopatias são mais comuns em certas etnias:
    • Anemia falciforme: Descendência negra ou africana
    • Esferocitose hereditária: Descendência europeia
    • Talassemia: Descendência mediterrânica e do sudeste asiático

Revisão de anatomia e fisiologia

  • Os GV são produzidos na medula óssea.
  • Células estaminais hematopoiéticas pluripotentes → célula estaminal mielóide comum → proeritroblasto → eritrócito
  • A produção de GV é estimulada pela eritropoietina, que é produzida nos rins.
  • Os GV são filtrados através do baço: os GV senescentes, rígidos ou anormais, incapazes de se adaptar para passaar através das fendas estreitas do baço, são retidos e eliminados.

Etiologia

A anemia pode ser causada por:

  • Perda de sangue
  • Diminuição da produção de GV
  • Aumento da destruição de GV

Classificação da anemia de acordo com a etiologia

Tabela: Classificação da anemia de acordo com a etiologia
Etiologia Categorias Tipos de anemia
Perda de sangue Aguda
  • Trauma
  • Cirurgia
  • Hemorragia pós-parto
  • Epistaxis severa
Crónica
  • Hemorragia gastrointestinal (superior ou inferior):
    • Doença de úlcera péptica
    • Doença diverticular
    • Neoplasia
  • Hemorragia menstrual intensa
Diminuição da produção de GV Proliferação anormal ou diferenciação anormal de células estaminais
  • Anemia aplásica
  • Aplasia de GV pura
  • Anemia de insuficiência renal (devido a ↓ eritropoietina)
Síntese defeituosa de DNA nos eritroblastos
  • Défice de vitamina B12
  • Deficiência de folato
Síntese anormal de Hb
  • Síntese anormal do grupo heme:
    • Anemia por deficiência de ferro
    • Intoxicação por chumbo
  • Cadeias anormais de globina:
    • Hemoglobinopatias, incluindo anemia falciforme
    • Talassemias
Mecanismos desconhecidos ou diversos:
  • Anemia Sideroblástica
  • Anemia das infecções crónicas
Aumento da destruição de GV Hb anormal
  • Anemia falciforme
  • Talassemias
Deficiências enzimáticas
  • Glucose-6-fosfato desidrogenase (G6PD)
  • Glutationa sintetase
  • Piruvato cinase
  • Hexocinase
Defeito da Membrana
  • Esferocitose
  • Eliptocitose
  • Hemoglobinúria paroxística noturna (HPN)
Imuno-mediada
  • Doença autoimune:
    • Idiopático (primário)
    • Lúpus eritematoso sistémico (LES)
    • Neoplasias
  • Associado a drogas:
    • Antibióticos
    • AINEs
    • Agentes anticancerígenos
  • Reacções transfusionais
Trauma mecânico nos GV
  • Púrpura trombocitopénica trombótica (PTT)
  • CID
  • Trauma cardíaco
Infeções
  • Malária
  • Ancilóstomo

Classificação

A anemia é mais comumente classificada nos subtipos microcítica, normocítica ou macrocítica, com base no tamanho dos GV. O VCM reflete o tamanho dos GV e é reportado no hemograma.

Anemia overview chart

Classificação da anemia com base no VCM

Imagem de Lecturio.

Anemia microcítica

A anemia microcítica é caracterizada por pequenos GV, logo com um baixo VCM. Estas características são geralmente devido a uma diminuição da Hb dentro dos GV. As causas incluem:

  • Anemia por deficiência de ferro:
    • A causa mais comum de anemia
    • Causas:
      • Perda crónica de sangue pelo trato GI
      • Hemorragia menstrual intensa crónica
      • Má absorção de ferro na doença gastrointestinal crónica (por exemplo, doença de Crohn ou celíaca)
      • Ferro ingerido na dieta é insuficiente
      • Gravidez
  • Talassemia
  • Anemia da doença crónica (fases avançadas)
  • Intoxicação por chumbo
  • Anemia Sideroblástica

Mnemónica:

Para lembrar as causas da anemia microcítica, utilize a Mnemónica TAILS:

  • Thalassemia (Talassemia)
  • Anemia of chronic disease (Anemia da Doença Crónica)
  • Iron deficiency anemia (Anemia por deficiência de ferro)
  • Lead poisoning (Intoxicação por chumbo)
  • Sideroblastic anemia (Anemia Sideroblástica)

Anemia normocítica

As anemias normocíticas têm um VCM normal. Normalmente, a contagem de reticulócitos é usada para ajudar a orientar o diagnóstico diferencial. (Os reticulócitos são “novas” células sanguíneas em circulação e o seu valor reflete a taxa de produção de novos GV). As causas de anemia normocítica incluem:

Anemias hemolíticas:

  • Terão uma contagem de reticulócitos > 3%: indica o funcionamento normal da medula óssea
  • Causada por defeitos intrínsecos das hemácias:
    • Anemia falciforme
    • Deficiência de G6PD
    • HPN
    • Esferocitose hereditária
  • Causas devido a defeitos extrínsecos:
    • Anemias hemolíticas autoimunes (por exemplo, LES)
    • Anemia hemolítica microangiopática (por exemplo, PTT, síndrome hemolítico uremico (SHU), CID)
    • Anemia hemolítica macroangiopática (por exemplo, válvulas cardíacas protésicas ou estenose aórtica)
    • Infeções (por exemplo, malária)

Anemias não hemolíticas:

  • Terão a contagem de reticulócitos < 3%: indica que a medula óssea não está responder ao fator de stress, levando à subprodução de GV
  • Causas:
    • Anemia da doença crónica (estadios iniciais), geralmente DRC
    • Anemia de insuficiência cardíaca congestiva (ICC)
    • Anemia por deficiência endócrina (por exemplo, hipotiroidismo ou insuficiência adrenal)
    • Diabetes mellitus
    • Obesidade
    • Neoplasia
    • Anemias aplásicas
    • Perda de sangue < 1 semana atrás (medula óssea está a funcionar corretamente, mas ainda não teve tempo suficiente para recuperar a perda de sangue)

Anemia macrocítica

As anemias macrocíticas têm um VCM elevado, ou seja, GV grandes. As causas incluem:

  • Anemias megaloblásticas (o problema está na medula óssea):
    • Deficiência de vitaminas necessárias para a síntese adequada do DNA (devido à ingestão insuficiente ou má absorção):
      • Défice de vitamina B12
      • Deficiência de folato
    • Causas mais raras:
      • Anemia de Diamond-Blackfan: aplasia eritróide congénita que geralmente se apresenta na infância; os leucócitos e plaquetas estão normais
      • Acidúria orótica: doença autossómica recessiva que apresenta atrasos físicos e intelectuais na infância, resultantes de defeitos no metabolismodo ácido orótico.
  • Anemias não megaloblásticas (o problema está fora da medula óssea); pode ser devido a:
    • Doença hepática
    • Distúrbios relacionados com o abuso de álcool
    • Reticulocitose
    • Drogas (várias)

Outras formas de classificar a anemia

  • Aguda ou crónica
  • Defeitos hereditários ou adquiridos
  • Primária ou secundária

Apresentação Clínica

Antecedentes

Detalhes importantes quando se considera o diagnóstico de anemia:

  • Antecedentes de disturbio alimentar
  • Antecedentes de cirurgia gástrica ou intestinal
  • História familiar de doenças hematológicas
  • Fármacos que causam ou agravam a hemorragia
  • Fármacos que possam causar anemia hemolítica
  • História de viagens recentes
  • História de dieta especial que possa levar a uma deficiência vitamínica (por exemplo, dieta vegan)
  • Quantidade de álcool consumida

Sintomatologia e exame físico

Os sintomas desenvolvem-se com base na taxa e na gravidade da diminuição de Hb. A anemia é frequentemente assintomática e encontrada apenas em estudos laboratoriais.

Tabela: Apresentação clínica da anemia
Região corporal/ sistema de órgão Sintomas Possíveis achados ao exame físico
Geral
  • Fadiga
  • Fraqueza generalizada
  • Anorexia
  • Mãos ou pés frios
  • Pernas inquietas
  • Pica (ingestão de substâncias não alimentares, como gelo ou barro)
  • Palidez
  • Linfadenopatias
Tegumentar
  • Comichão
  • Pele seca
  • Equimoses fáceis
  • Palidez
  • Icterícia
  • Púrpura
  • Coiloníquia (“unhas em colher”)
Cardiorespiratório
  • Dor torácica
  • Palpitações
  • Dispneia
  • Taquicardia
  • Taquipneia
  • Hipotensão ortostática
  • Sinais de IC:
    • ↑ Pressão venosa jugular
    • S3
    • Crepitações respiratórias
    • Edema maleolar
Cabeça, olhos, ouvidos, nariz e garganta Epistáxis
  • Palidez conjuntival
  • Glossite atrófica
Neurológico
  • Cefaleias
  • Tonturas
  • Parestesias
  • Diminuição da sensibilidade
  • Reflexos anormais
GI/abdómen
  • Hematoquezia/ retorragia
  • Melena
  • Diarreia
  • Hematemeses
  • Hepatomegalia
  • Esplenomegalia
  • Hemorróidas
  • Massa retal
Genitourinário
  • Hematúria
  • Hemorragia menstrual intensa ou frequente
  • Útero aumentado

Diagnóstico

O processo diagnóstico normalmente começa com a avaliação do hemograma completo, do VCM e da contagem de reticulócitos, que são os melhores parâmetros a ser avaliados simultaneamente para começar a direcionar o caso para o diagnóstico diferencial. Estudos adicionais podem ser obtidos com base na apresentação clínica do paciente.

Estudos serológicos

  • Resultados do Hemograma:
    • Hb diminuída (componente dos GV)
    • Hct diminuído (relação entre o volume de GV e o volume de sangue, expressa em percentagem)
    • VCM: ajuda a direcionar o diagnóstico diferencial
    • Pancitopenia: geralmente vista na anemia megaloblástica
    • Factores que elevam a Hb e podem mascarar a anemia subjacente:
      • Hábitos tabágicos
      • Hemoconcentração devido a hipovolemia
      • Altitude elevada
  • Avaliação de reticulócitos:
    • Contagem de reticulócitos:
      • Os reticulócitos são GV imaturos em circulação
      • Pode ser expresso como uma percentagem de todos os GV ou como um número absoluto
    • ↑ da contagem de reticulócitos indica:
      • Hemólise
      • Recuperação de hemorragias
      • Remoção de um tóxico da medula óssea (por exemplo, droga)
      • Repleção de nutrientes deficitários
    • A contagem de reticulócitos corrigida:
      • Demonstra uma resposta adequada vs inadequada da medula óssea
      • Cálculo: Contagem de reticulócitos × (Hct do paciente/ Hct de referência)
  • Estudos da Cinética do ferro:
    • Inclui:
      • Ferro sérico
      • Transferrina e saturação da transferrina
      • Ferritina
      • Capacidade total de ligação do ferro
    • ↓ do valor de ferro total no corpo → anemia por deficiência de ferro
  • Exames laboratoriais quando há suspeita de anemia hemolítica:
    • Haptoglobina: ↓ com a hemólise
    • Lactato desidrogenase: ↑ com a hemólise
    • Bilirrubina indireta: ↑ com a hemólise
    • Teste de Coombs direto: deteta anticorpos ligados aos GV, como na eritroblastose fetal (devido à incompatibilidade de Rh)
    • Teste de Coombs indireto: deteta anticorpos contra GV não reconhcidos como próprios, que estão presentes na anemia hemolítica autoimune.
  • Outros testes serológicos:
    • Função renal e função hepática
    • Hormona estimulante da tiroide (TSH)
    • Valor de vitamina B12
    • Valor do Folato

Esfregaço de sangue periférico

Um esfregaço de sangue periférico pode ser útil para estabelecer a causa subjacente de uma anemia.

Tabela: Alterações dos GV que se podem encontrar num esfregaço de sangue periférico
Anormalidade Descrição Patologia associada
Células falciformes Células em forma de foice
  • Anemia falciforme
Howell-Jolly bodies Pontos basófílicos/violeta que se encontram na periferia da célula e representam remanescentes do núcleo dos GV.
  • Anemia falciforme
  • Asplenia
Células mordidas (degmatócitos) GV que perderam uma pequena porção semicircular da célula G6PD
Corpos de Heinz Inclusões citoplasmáticas nos GV que representam agregados de Hb anormal.
  • G6PD
  • Talassemias
Esferócitos Células pequenas, esféricas, densas, sem palidez central
  • Esferocitose hereditária
  • Anemia hemolítica autoimune
Esquizócitos Fragmentos de GV com formatos irregulares Por danos mecânicos:
  • Anemia hemolítica microangiopática
  • Anemia hemolítica macroangiopática
Normoblastos GV nucleados Hemólise severa
Células em alvo (codócitos) Aspecto do olho de boi (área central de hemoglobinização)
  • Hemoglobinopatias:
    • Talassemias
    • Doença da HbC
  • Doença hepática
  • Asplenia
Pontilhado basofílico Pontos azuis-violeta dentro das hemácias que representam precipitados de ribossomas
  • Anemia sideroblástica
  • Intoxicação por chumbo
  • Talassemias
Dacriócitos (células em lágrima) GV em forma de lágrima Devido a infiltração da medula óssea:
  • Mielofibrose
  • Síndrome mielodisplásica
Macroovalócitos Eritrócitos grandes e de forma oval Anemia megaloblástica

Testes adicionais com base na apresentação clínica

  • Valores de cobre para estudo de deficiência
  • Eletroforese de hemoglobinas
  • Eletroforese de proteínas
  • EDA e colonoscopia: para avaliação de possível causa oculta de hemorragia GI, especialmente se > 50 anos
  • Biópsia de medula óssea:
    • Importante considerar se outras linhas celulares estão alteradas
      • Leucopenia
      • Trombocitopenia
    • Alterações encontradas
      • Sideroblastos em anel: anemia sideroblástica ou intoxicação por chumbo
      • Medula óssea hipocelular (não há aspiração de medula óssea – Dry tap): anemia aplásica
      • > 20% de blastos: leucemia

Tratamento

Reposição celular

  • Permitir que o organismo reponha os próprios GV:
    • Suplementação de nutrientes em falta
    • Parar possíveis hemorragias
    • Tratar a doença subjacente.
  • Transfusão de GV para manter a Hb
    • > 7 g/dl na maioria dos pacientes
    • > 8 g/dL em pacientes com doenças cardiovasculares

Educar o paciente sobre o estilo de vida

Se os fatores do estilo de vida contribuem para a anemia, a educação do paciente pode ser feita a respeito de:

  • Hábitos alcóolicos
  • Hábitos tabágicos
  • Ingestão e suplementação dietética adequada

Tratar a causa subjacente

  • Substituição oral de nutrientes por deficiência:
    • Ferro
    • Vitamina B12
    • Folato
  • Abordar doenças de má absorção (por exemplo, doença celíaca).
  • Tratar causa de hemorragia se patológica, por exemplo:
    • Neoplasia:
      • Cancro do endometrio
      • Cólon, gástrica, ou outra neoplasia GI
    • Doença da úlcera péptica
    • Doença inflamatória intestinal (por exemplo, colite ulcerosa)
    • Doença diverticular grave
  • Tratar doenças crónicas subjacentes, se possível (por exemplo, considerar administração de eritropoietina para DRC).
  • Tratar endocrinopatias, se presentes (por exemplo, levotiroxina no hipotiroidismo).
  • Avaliar o risco/benefício de fármacos de longo duração que possam agravar a anemia.

Comparação dos Tipos de Anemia Comuns

Anemias não hemolíticas

  • Anemia por deficiência de ferro: o tipo de anemia mais comum no mundo. A anemia por deficiência de ferro é devido à diminuição do ferro disponível, ou a um aumento da perda de ferro (por exemplo, por hemorragia GI não conhecida), ou a um aumento da necessidade de ferro (por exemplo, gravidez). O tratamento é feito com suplementação de ferro e/ou tratamento da causa subjacente.
  • Talassemia: causa hereditária de anemia microcítica hipocrómica. A talassemia é uma deficiência das cadeias alfa (⍺) ou beta (𝛽) globina, resultando em eritropoiese ineficaz e hemólise. As apresentações clínicas variam de portadores assintomáticos a anemia grave com esperança de vida reduzida.
  • Anemia megaloblástica: subtipo de anemia macrocítica que surge devido a falha na sintese de ácidos nucleicos nos percursores eritróides: Esta síntese deficitária leva à produção ineficaz de GV e a hemólise intramedular. As causas mais comuns são as deficiências de vitamina B12 e ácido fólico, que podem ser devido à baixa ingestão de alimentos ricos nestes nutrientes, condições de má absorção subjacentes e fármacos. A apresentação clínica inclui anemia, sintomas GI e neurológicos.
  • Anemia falciforme: hemoglobinopatia autossómica recessiva. A doença deve-se uma mutação única no gene da beta-globina. A Hb anormal polimeriza quando se encontra desoxigenada, levando à deformação dos GV em forma de foice. Estes GV anormais são facilmente hemolisados e causam frequentemente obstrução microvascular associada a isquemia de órgãos, crises dolorosas graves e complicações sistémicas. As células falciformes geralmente podem ser vistas no esfregaço de sangue periférico.
  • Anemia Sideroblástica: Este grupo heterogéneo de doenças da medula óssea é caracterizado pelo acumular anormal de ferro nas mitocôndrias dos precursores eritróides. O ferro acumulado aparece em grânulos numa distribuição em forma de anel à volta do núcleo (sideroblastos em anel). As anemias sideroblásticas podem ocorrer devido a defeitos hereditários na síntese do heme ou podem ser adquiridas por alcoolismo, intoxicação por chumbo, fármacos ou deficiências vitamínicas. Os valores de ferro sérico estão normalmente elevados.

Anemias hemolíticas

As anemias hemolíticas são resultado da destruição ou eliminação prematura dos GV. Especificamente, podem acontecer devidos a danos causados por um lúmen vascular estreito (hemólise intravascular) ou por um aumento do clearance esplénico (hemólise extravascular). A filtração esplénica pode resultar de alterçãoes intrínsecas dos GV (por exemplo, membranas anormais, enzimas ou Hb) ou pelo presença de anticorpos extrínsecos nos GV do sistema imune (por exemplo, incompatibilidade ABO).

Exemplos de anemias hemolíticas:

  • Esferocitose hereditária: causada por deficiência de uma proteína do citoesqueleto na membrana do GV Esta deficiência resulta na perda da estabilidade da membrana e da deformabilidade do GV, tornando-se este numa forma esférica (esferócito). Estas células são predispostas à degradação esplénica, levando a hemólise extravascular. Os achados físicos incluem icterícia e esplenomegalia, enquanto os exames laboratoriais são consistentes com a anemia hemolítica. O tratamento definitivo para a esferocitose é a esplenectomia.
  • Deficiência de G6PD: Esta anemia hemolítica intravascular recessiva ligada ao X é devida a uma alteração hereditária na enzima G6PD, que gera a nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato (NADPH), que protege as hemácias de lesões oxidativas. Os pacientes têm hemólise episódica quando as células estão perante slgum fator de stress oxidativo.
  • Anemia aplásica (AA): doença rara que está associada risco de vida. É caracterizada por pancitopenia e hipocelularidade da medula óssea, na ausência de células anormais, refletindo os danos nas células-estaminais hematopoiéticas. A anemia aplásica pode ser adquirida ou hereditária. São conhecidas múltiplas causas, incluindo danos autoimunes nas células estaminais, fármacos, produtos químicos, radiação, infeções viricas, doenças imunológicas, gravidez, anemia de Fanconi, e síndrome de Down.
  • Anemia hemolítica auto-imune: tipo raro de anemia hemolítica caracterizada pela produção de autoanticorpos contra os GV, levando à destruição destes no baço. A anemia hemolítica auto-imune é classificada como “quente” ou “fria”, dependendo da reatividade térmica dos autoanticorpos. A etiologia é diversificada e inclui infeções, doenças autoimunes, distúrbios linfoproliferativos e fármacos.
  • Hemoglobinúria paroxística noturna (HPN): anemia hemolítica crónica adquirida rara e grave, com exacerbações periódicas. A HPN muitas vezes surge posteriormente a um diagnóstico de falência da medula óssea/anemia aplástica, mas também pode surgir de novo. O defeito subjacente é uma mutação somática numa célula estaminal hematopoiética multipotente, no gene PIGA ligado ao X, seguida de expansão clonal das células estaminais mutantes. Esses GV anormais sofrem principalmente hemólise intravascular e podem fazer parte de uma tríade clínica que também inclui pancitopenia e trombose venosa.

Referências

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  3. Despotovic, J.M. (2021). Overview of hemolytic anemias in children. UpToDate. Retrieved April 21, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/overview-of-hemolytic-anemias-in-children
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  7. Aster, J.C. (2005). Red blood cell and bleeding disorders. In Kumar, V., Abbas, A.K., Fausto, N. (Eds). Robbins and Cotran Pathologic Basis of Disease, 7th ed., pp. 622–649.

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