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Anatomia do Nariz

O nariz é o principal órgão olfativo do corpo humano e funciona como parte do sistema respiratório superior. O nariz é mais associado à inalação de oxigénio e exalação de dióxido de carbono, mas também contribui para outras funções importantes, como o paladar. A anatomia do nariz pode ser dividida em nariz externo e cavidade nasal. Existem 12 ossos cranianos que contribuem para a estrutura das paredes do nariz e conchas nasais.

Última atualização: Jun 9, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Funções do Nariz

O nariz auxilia em inúmeras funções do corpo, desde o processo vital da respiração até o aumento do paladar.

  • Respiração:
    • O ar inspirado entra no nariz pelas narinas e sai durante a expiração.
    • Do nariz, o ar inalado viaja para a nasofaringe → orofaringe → laringe → pulmões
  • Olfato:
    • O ar inspirado entra em contacto com o epitélio olfativo, localizado no teto da cavidade nasal.
    • Dentro do epitélio, os recetores olfativos ligam as moléculas de odor.
    • Os recetores estão ligados ao nervo olfativo, que transmite estes sinais ao cérebro.
  • Purificação do ar inalado:
    • As paredes da cavidade nasal são cobertas de pelos ou cílios.
    • Os cílios retêm a poeira e as partículas nocivas para purificar o ar inalado.
    • As partículas de poeira presas são:
      • Movidas para a garganta, onde são engolidas
      • Excretadas pela cavidade nasal (espirros)
  • Humidificação do ar inalado:
    • Os pelos do nariz hidratam e aquecem o ar à temperatura e humidade aproximadas ao interior dos pulmões.
    • Durante a expiração, o calor e a humidade do CO2 são absorvidos pelos pelos nasais e então libertados na atmosfera.
  • Paladar:
    • Durante a mastigação, os produtos químicos dos alimentos ativam os recetores olfativos dentro do nariz.
    • Estes recetores trabalham em coordenação com as papilas gustativas para identificar o sabor dos alimentos.
  • Discurso:
    • O fluxo de ar nasal pode modificar a fala e produzir cliques nasais ou cliques consoantes.
    • Os seios paranasais também contribuem para a ressonância vocal.

O Nariz Externo

Estrutura

O nariz externo é de forma piramidal. O nariz é composto por:

  • Uma raiz nasal proximal
  • O ápex na ponta do nariz
  • 2 narinas inferiores (aberturas para a cavidade nasal)
  • Pele:
    • A pele que cobre a parte óssea do nariz é fina.
    • A pele que cobre a parte cartilaginosa é mais espessa e possui muitas glândulas sebáceas.
    • Estende-se para o vestíbulo do nariz através das narinas.
    • A pele vestibular tem pelos que funcionam para filtrar o ar.
  • O componente ósseo está localizado superiormente e consiste em:
    • Superiormente: bordo inferior dos ossos nasais
    • Lateralmente: processos frontais da maxila
    • Inferiormente: processos alveolares da maxila
  • Componente cartilaginoso: localizado inferiormente e composto por
    • 2 cartilagens laterais
    • 2 cartilagens alares
    • 1 cartilagem septal
Esquema do nariz externo

Esquema do nariz externo, apresentando os pontos de referência nasais externos, os seus componentes ósseos e cartilaginosos, e a abertura nasal anterior

Imagem : “External nose, Illustration from Anatomy & Physiology” por OpenStax College. Licença: CC BY 3.0

Músculos

O nariz externo contém músculos que auxiliam na expressão facial e na manutenção da patência das narinas.

  • Músculo procerus:
    • Origina-se na fáscia que recobre o osso nasal
    • Insere-se na região frontal inferior
    • A contração deprime as sobrancelhas mediais e enruga a pele do dorso superior.
  • Músculo nasal:
    • Músculo semelhante ao esfíncter
    • Porção transversal: auxilia o músculo procerus
    • Porção Alar:
      • Origem na maxila
      • Insere-se na cartilagem alar maior
      • A contração dilata as narinas, dilatando-as.

A Cavidade Nasal

  • Componente mais superior do trato respiratório
  • Possui 3 divisões:
    1. Vestíbulo:
      • Cavidade revestida de pele diretamente atrás das narinas
      • Dividido em cavidades esquerda e direita pelo septo
    2. Região respiratória: revestida por epitélio pseudoestratificado ciliado com células caliciformes secretoras de muco
    3. Região olfativa:
      • Localizado no ápex da cavidade nasal
      • Revestido por células olfativas com recetores olfativos
  • Cada cavidade nasal estende-se da crista mucosa (limen nasi) anteriormente até as choanas posteriormente, estendendo-se finalmente até à nasofaringe.
  • Paredes de cada cavidade nasal (revestidas por epitélio respiratório):
    • Parede superior: lâmina cribriforme do etmóide, ossos nasais e corpo do esfenóide
    • Pavimento: placa horizontal dos ossos palatinos e processo palatino das maxilas
    • Paredes laterais:
      • Anterior: ossos nasais, ossos lacrimais e processo frontal da maxila
      • Médio: conchas superior, inferior e média com meato correspondente
      • Posterior: lâmina perpendicular do palatino e do esfenóide
    • Parede ou septo medial:
      • Cartilagem septal
      • Vómer
      • Lâmina perpendicular do etmóide
      • Crista maxilar (maxila e ossos palatinos)

As Conchas Nasais

  • São 3 prateleiras ósseas surgindo da parede lateral da cavidade nasal, curvando-se inferomedialmente
  • Também chamados sistema turbinado, pois funcionam de forma semelhante a uma turbina, regulando o fluxo de ar
  • Retardam o fluxo de ar para poder ser limpo, aquecido e humidificado na cavidade nasal
  • Maximizam a área de superfície da mucosa nasal:
    • Concha superior: menor, protege o bolbo olfativo (estrutura que abriga recetores de cheiro)
    • Concha média: protege as aberturas dos seios maxilares e etmoidais do fluxo de ar nasal pressurizado
    • Concha inferior: maior, responsável pela maioria das modificações do fluxo aéreo
  • As conchas dividem as vias aéreas nasais em 4 passagens aéreas semelhantes a sulcos, chamadas meatos.
    1. Meato Superior:
      • Entre as conchas média e superior
      • Os seios etmoidais posteriores drenam aqui.
      • O foramen esfenopalatino abre-se aqui.
    2. Meato médio:
      • Entre as conchas inferior e média
      • Os seios etmoidais frontal, maxilar, anterior e médio drenam aqui.
    3. Meato inferior:
      • Entre a concha inferior e o pavimento da cavidade nasal
      • A tuba auditiva (de Eustáquio) abre-se aqui.
      • A glândula nasolacrimal drena aqui.
    4. Recesso esfenoetmoidal:
      • Localizado posterior e superiormente à concha superior
      • O seio esfenoidal drena aqui.
Parede lateral da cavidade nasal

Parede lateral da cavidade nasal, caracterizando a localização das conchas nasais e a sua continuação com o vestíbulo anteriormente e a nasofaringe posteriormente

Imagem : “Nose and Nasal Cavities” pelo National Cancer Institute. Licença: Public Domain

Neurovasculatura do Nariz

Vascularização arterial

  • Carótida interna:
    • As artérias etmoidais anterior e posterior suprem o septo.
    • O ramo nasal lateral da artéria facial supre a crista/asa nasal.
  • Ramos carotídeos externos:
    • Suprem as paredes laterais, dorso e septo
    • Artéria esfenopalatina
    • Artéria palatina maior
    • Artérias nasais laterais
    • Artéria labial superior
    • Artéria angular (ramo terminal da artéria facial)
  • Sistema da artéria carótida comum: plexo de Kiesselbach na parte anteroinferior do septo (fonte mais comum de hemorragia na epistáxis)

Drenagem venosa

As veias tendem a seguir as artérias. As veias drenam para:

  • Plexo pterigoideu
  • Veia facial
  • Seio cavernoso
Drenagem venosa da cavidade nasal

Drenagem venosa da cavidade nasal

Imagem por Lecturio.

Inervação

  • Inervação sensorial para a parede superior e aspeto anterior do nariz interno: nervo oftálmico
  • Inervação sensorial para o septo e paredes laterais: ramos do nervo maxilar
  • Perceção sensorial do olfato: nervo olfativo

Relevância Clínica

Condições congénitas

  • Atresia das choanas: condição congénita caracterizada pela obstrução da abertura nasal posterior que leva à nasofaringe. Pode manifestar-se unilateral ou bilateralmente. No caso de atresia das choanas bilateral, os indivíduos apresentarão obstrução nasal e cianose intermitente após o nascimento.

Condições traumáticas

  • Epistáxis: pode ser vagamente definida como uma hemorragia nasal, e pode ser anterior ou posterior com base no local de origem. É muito comum em crianças (50% nos primeiros 10 anos de vida) e geralmente é benigna e subnotificada, mas alguns casos podem estar relacionados com doença neoplásica. Ocorre geralmente por trauma no nariz por toques repetidos no nariz, lesão traumática direta no rosto ou nariz, ou como efeito adverso de medicamentos anticoagulantes. O tratamento consiste em apertar as narinas durante 5 a 30 minutos, associado a elevação da cabeça enquanto respira pela boca.
  • Fratura do osso nasal: fratura da ponte do nariz, que geralmente se apresenta com hemorragia nasal, edema, hematoma e obstrução nasal. As fraturas do osso nasal podem ser complicadas com outras fraturas faciais concomitantes e ocorrem mais frequentemente devido a trauma direto durante atividades atléticas, quedas e colisões de veículos motorizados.
  • Fratura da placa cribriforme: geralmente resultante de trauma e às vezes iatrogénica devido à inserção inadequada de sondas nasogástricas ou vias aéreas nasais. A placa fraturada pode perfurar as meninges, causando extravasamento de LCR, o que pode provocar meningite, encefalite e abcesso cerebral. O bolbo olfativo situa-se no topo da lâmina cribriforme, e a fratura pode levar ao seu dano irreversível, resultando em anosmia.

Condições neoplásicas

  • Papiloma nasal: tumores epiteliais benignos da cavidade nasal que acometem principalmente homens mais velhos (45-60 anos) e exigem sempre excisão cirúrgica. Os fatores de risco incluem infeção pelo papilomavírus humano, tabagismo e sinusite crónica. Os indivíduos geralmente apresentam obstrução nasal unilateral, anosmia e epistáxis intermitente. O diagnóstico baseia-se em biópsia ou resseção cirúrgica.
  • Pólipos nasais: protuberâncias não cancerígenas da mucosa nasal, foradas geralmente na periferia dos óstios dos seios maxilares. As condições associadas incluem rinite alérgica, alergia à aspirina, asma, fibrose quística e sinusite. Os sintomas podem incluir dificuldade para respirar pelo nariz (obstrução nasal), anosmia, diminuição do paladar, corrimento pós-nasal e rinorreia. Os pólipos nasais podem ser tratados com glicocorticóides tópicos ou sistémicos, ou com resseção cirúrgica, embora a recorrência seja comum.

Referências

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  3. Lisan Q., Laccourreye O., Bonfils P. (2016). Sinonasal inverted papilloma: from diagnosis to treatment. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27053431/
  4. Stevens M. R., Emam H. A. (2012). Applied surgical anatomy of the nose. Oral Maxillofac Surg Clin North Am 24:25–38. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22284395/ 
  5. Van Cauwenberge P., Sys L., De Belder T., Watelet J. B. (2004). Anatomy and physiology of the nose and the paranasal sinuses. Immunol Allergy Clin North Am 24:1–17. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15062424/
  6. Womack J. P., Kropa J., Jimenez Stabile M. (2018). Epistaxis: outpatient management. Am Fam Physician 98:240–245. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30215971/

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