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Abcesso Periamigdalino

Um abcesso periamigdalino (AP), também conhecido como quinsy, é uma coleção purulenta entre a cápsula amigdalina e os músculos faríngeos. O AP é geralmente uma complicação da amigdalite aguda, uma infeção causada por estreptococos do grupo A. Normalmente, os pacientes apresentam dor de garganta, trismo e voz abafada. A infeção apresenta boa resposta à drenagem e antibióticos. É possível a existência de complicações, como a extensão da infeção para áreas mais profundas.

Última atualização: Jun 23, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Epidemiologia e Etiologia

Epidemiologia

  • Infeção cervical profunda mais comum em crianças e adolescentes
  • Mais frequente em idades compreendidas entre os 15 e 30 anos
  • A incidência é de 30:100.000 indivíduos.

Etiologia

  • Streptococcus do grupo A (SGA), S. aureus, H. influenzae, bactérias anaeróbias
  • A infeção por amigdalite aguda penetra a cápsula amigdalina, atingindo os tecidos circundantes e provocando celulite periamigdalina:
    • Eventualmente evolui para um abcesso periamigdalino (AP)
    • O abcesso está localizado entre a cápsula amigdalina e os músculos constritores da faringe.

Apresentação Clínica

  • Sintomas sistémicos: febre, desidratação, mal-estar
  • Sintomas locais:
    • Dor de garganta, disfagia, odinofagia, sialorreia
    • Edema extenso da área amigdalina
    • Edema e desvio medial do palato mole
    • Linfadenite cervical unilateral
  • Tríade clássica de sintomas:
    • Trismo: espasmo reflexo do pterigoideu medial, o indicador mais fiável de um AP
    • Desvio da úvula: por edema e desvio medial do palato mole e prega periamigdalina
    • Disfonia (voz “batata quente” ou abafada): por envolvimento do nervo vago com compromisso na elevação do palato

Diagnóstico e Tratamento

Diagnóstico

  • O diagnóstico é principalmente clínico pela visualização de:
    • Edema amigdalino
    • Deslocamento medial da amígdala e desvio da úvula
  • Confirmado pela coleção purulenta visível no momento da drenagem
  • A coloração gram e cultura do fluido aspirado e a cultura da orofaringe auxiliam na identificação dos microrganismos etiológicos para tratamento antibiótico dirigido.
  • Ecografia intraoral ou submandibular:
    • Usada se for necessário diferenciar celulite periamigdalina de abcesso
    • Também utilizada para aspiração
  • Se existir suspeita de disseminação da infeção para camadas mais profundas, deve ser realizada uma tomografia computorizada (TC).

Tratamento

  • Para um paciente que se apresenta com obstrução iminente das vias aéreas, o primeiro passo na abordagem é a proteção da via aérea com entubação.
  • Drenagem:
    • Aspiração por agulha ou incisão e drenagem
    • A drenagem cirúrgica pode ser necessária se não for possível a remoção apenas com aspiração do material purulento.
  • Tratamento antibiótico:
    • Opções parentéricas empíricas:
      • Ampicilina/sulbactam
      • Clindamicina
      • Adicionar cobertura de MRSA (por exemplo, vancomicina) se houver doença grave
    • Opções antibióticas orais (transição do tratamento parentérico ou se o indivíduo tiver doença ligeira):
      • Amoxicilina/ácido clavulânico
      • Clindamicina
  • Pode ser considerada amigdalectomia se AP recorrente.
Oral exam with left-side peritonsillar swelling and ct with abscess

Abcesso periamigdalino:

A imagem à esquerda mostra edema periamigdalino do lado esquerdo e um desvio da úvula, no exame da orofaringe. A imagem à direita mostra um abcesso periamigdalino esquerdo profundo (setas vermelhas) na TC.

Imagem: “Figure 6” por Tobias Todsen et al. Licença: CC BY 4.0
Abscesso peritonsilar

Tomografia computorizada a revelar abcesso periamigdalino esquerdo e tubo endotraqueal a impedir a oclusão total das vias aéreas

Imagem: “Peritonsillar abscess requiring intensive care unit admission caused by group C and G Streptococcus: a case report” por Gupta, N., Lovvorn, J., Centor, R.M.  Licença: CC BY 3.0.

Complicações

A disseminação da infeção para outras áreas do organismo pode provocar complicações graves, incluindo:

  • Pneumonia: uma infeção do parênquima pulmonar que pode ser causada pela aspiração de bactérias para os pulmões no contexto de um AP ou faringite
  • Obstrução das vias aéreas: ausência parcial ou completa da entrada de ar na via aérea por edema extenso de um AP
  • Abcesso retrofaríngeo: extensão de um AP para o espaço retrofaríngeo, cervical profundo e mediastínico posterior
  • Sépsis: febre, taquicardia, taquipneia, hipotensão e/ou alteração do estado de consciência conduzindo a disfunção orgânica sistémica, que pode ser resultado da entrada de bactérias na corrente sanguínea através de uma infeção previamente localizada.

Diagnóstico Diferencial

  • Epiglotite: uma inflamação da epiglote frequentemente causada por infeção por H. influenzae. A epiglotite apresenta-se com epiglote “vermelho-cereja”, febre, disfagia, sialorreia e dispneia. A epiglotite é comum em crianças não vacinadas. O tratamento é realizado com antibióticos e corticosteróides. Embora a epiglotite e o AP se apresentem com trismo ao exame objetivo, o edema periamigdalino e desvio da úvula podem ajudar a diferenciar.
  • Abcesso retrofaríngeo: abcesso que ocorre no espaço retrofaríngeo. Os abcessos retrofaríngeos podem ser causados por extensão de infeções locais, como infeções respiratórias superiores, ou por trauma, como procedimentos dentários. As principais características clínicas incluem trismo, disfagia e incapacidade de realizar extensão do pescoço. O diagnóstico é confirmado por TC cervical. O tratamento é realizado com antibióticos e drenagem cirúrgica. As complicações incluem compromisso das vias aéreas, mediastinite e trombose da veia jugular interna. A ausência de achados periamigdalinos ajuda na distinção de um abcesso retrofaríngeo com um AP.
  • Abcesso parafaríngeo: um abcesso, na maioria das vezes, causado por infeções dentárias, com disseminação para o espaço faríngeo lateral ou posterior. Um abcesso parafaríngeo apresenta-se com febre, dor de garganta e odinofagia. O tratamento é realizado com antibióticos e drenagem cirúrgica. Para distinção ao exame objetivo, o abaulamento surge atrás do pilar amigdalino posterior, e não superior a este, enquanto o palato mole e as amígdalas estão normais.

Referências

  1. Galioto, N. J. (2017). Peritonsillar Abscess. American Family Physician, 95(8), 501–506. 
  2. Klug, T. E. (2017). Peritonsillar abscess: Clinical aspects of microbiology, risk factors, and the association with parapharyngeal abscess. Danish Medical Journal, 64(3), B5333. 
  3. Chang, B. A., Thamboo, A., Burton, M. J., Diamond, C., & Nunez, D. A. (2016). Needle aspiration versus incision and drainage for the treatment of peritonsillar abscess. The Cochrane Database of Systematic Reviews, 12(12), CD006287. https://doi.org/10.1002/14651858.CD006287.pub4
  4. Ellen R. Wald, M.D. (2019). Peritonsillar cellulitis and abscess. UpToDate. Retrieved November 17, 2020, from https://www.uptodate.com/contents/peritonsillar-cellulitis-and-abscess?search=peritonsillar%20abscess&source=search_result&selectedTitle=1~53&usage_type=default&display_rank=1  

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