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Vírus da Parotidite Epidémica/Parotidite Epidémica

A parotidite epidémica é causada por um vírus de RNA de cadeia simples, linear e de sentido negativo, da família Paramyxoviridae e da subfamília Rublavirinae. O vírus da parotidite epidémica é contagioso e a transmissão ocorre apenas entre humanos através de gotículas respiratórias ou por contacto direto com uma pessoa infetada ou um fómite. Tipicamente, a parotidite epidémica é uma doença da infância, que se manifesta inicialmente com febre, mialgias, cefaleia, anorexia e uma sensação de mal-estar inespecífica, e é classicamente seguida por parotidite. As complicações incluem meningite, pancreatite, surdez permanente e inflamação testicular, que pode levar a infertilidade. A parotidite epidémica é tratada com cuidados de suporte e pode ser prevenida através da vacinação.

Última atualização: 13 Jun, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Classificação

Classificação do fluxograma de vírus de rna

Identificação do RNA vírico:
Os vírus podem ser classificados de várias formas. No entanto, a maioria destes tem um genoma constituído por ADN ou RNA. Os vírus cujo genoma é de RNA podem ser ainda caracterizados em RNA de cadeia simples ou dupla. Os vírus com invólucro são cobertos por uma fina camada de membrana celular (geralmente da célula hospedeira). Na ausência desta camada, são apelidados de vírus “nus”. Os vírus com genomas de cadeia simples são chamados de vírus de “sentido positivo” se o genoma puder ser diretamente utilizado como RNA mensageiro (mRNA, pela sigla em inglês), que é traduzido em proteínas. Os de “sentido negativo” necessitam da RNA polimerase dependente de RNA, uma enzima vírica, para transcrever o seu genoma em RNA mensageiro.

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Características Gerais

Estrutura

  • Subfamília Rubulavirinae
  • Família Paramyxoviridae
  • Vírus de RNA de cadeia simples, linear e de sentido negativo
  • Com invólucro
  • Dentro do virion, a RNA polimerase dependente de RNA está contida no grande capsídeo helicoidal.
Estrutura do vírus da caxumba

Estrutura do vírus da parotidite epidémica

Imagem por Lecturio. Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Espécies clinicamente relevantes

  • A família Paramyxoviridae é composta por 3 géneros:
    • Paramixovírus: inclui os vírus parainfluenza e da parotidite epidémica
    • Pneumovírus: inclui o vírus sincicial respiratório
    • Morbillivirus: inclui o vírus do sarampo
  • A família Paramyxoviridae é responsável por 30%–40% de todas as infeções respiratórias agudas em lactentes e crianças.
  • O vírus da parotidite epidémica existe como um único genótipo.

Doença

  • Só infeta os humanos
  • Inicia-se com sintomas prodrómicos
  • 20% dos doentes podem ser assintomáticos
  • A infeção começa inicialmente no trato respiratório superior → dissemina-se para as glândulas parótidas (parotidite)
  • A doença sistémica/viremia subsequente permite a disseminação da infeção para os seguintes órgãos:
    • Testículos (orquite)
    • Ovários
    • Tiroide (tiroidite)
    • Pâncreas (pancreatite)
    • Cérebro (encefalite/meningite)

Epidemiologia

Epidemiologia

  • Incidência nos Estados Unidos: 100-1000 casos anualmente
  • Pico de incidência: desde o final do inverno ao início da primavera
  • Desde a implementação da vacina de 2 doses contra o sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR), houve uma redução > 99% do número de casos:
    • Antes da vacinação generalizada, cerca de 50% das crianças desenvolviam parotidite epidémica.
    • Apesar da parotidite epidémica ser ainda uma doença principalmente infantil, a vacinação aumentou a idade média de apresentação.
  • Prevalência baseada no género:
    • Homens e mulheres desenvolvem parotidite aproximadamente na mesma proporção.
    • Os homens são muito mais propensos a desenvolver meningite do que as mulheres (3:1).

Transmissão

  • Os humanos são o único reservatório.
  • A parotidite epidémica é uma infeção altamente contagiosa transmitida através de:
    • Gotículas respiratórias
    • Contacto pessoa a pessoa
    • Fómites contaminados
  • O período de contágio começa antes do início dos sintomas clínicos e pode haver transmissão por doentes assintomáticos.

Patogénese e Apresentação Clínica

Fisiopatologia

  • A replicação vírica ocorre principalmente no epitélio respiratório superior.
  • Viremia primária:
    • O vírus dissemina-se para o tecido linfoide local.
    • Pode ser detetado na saliva durante 7 dias.
    • Momentos antes do desenvolvimento da parotidite é a altura de maior transmissibilidade.
  • Viremia secundária:
    • Envolve geralmente a glândula parótida (parotidite)
    • Pode também disseminar-se para o SNC, testículos/epidídimos, glândula tiroide, pâncreas e ovários, com inflamação destas estruturas
    • Atualmente pode ser detetado no sangue, urina e LCR
    • Nas 2 semanas após o início da clínica, o vírus é excretado na urina na forma infecciosa.

Apresentação clínica

O período de incubação é de 2 a 3 semanas.

Após o período de incubação, os doentes apresentam sintomas prodrómicos durante 3 a 5 dias, incluindo:

  • Mal-estar generalizado
  • Febre baixa
  • Cefaleia
  • Anorexia
  • Mialgias

Após o período prodrómico, o doente pode ser assintomático (20% dos casos) ou desenvolver sintomas que dependem do órgão afetado:

  • Parotidite:
    • Em 40% dos casos
    • Tumefação bilateral das glândulas parótidas e da abertura do ducto de Stensen
    • Também apelidada de “bochechas de esquilo”
    • Apresenta-se com dor ao mastigar e engolir
  • Orquite:
    • Afeta 20%–30% dos homens pós-púberes
    • Inflamação dos testículos, geralmente unilateral
    • Apresenta-se com dor, desconforto, edema, rubor e calor do escroto, bem como febre e náuseas
    • Pode levar a atrofia testicular, mas a função hormonal e a fertilidade estão geralmente preservadas
  • Ooforite:
    • Afeta 5%–10% das mulheres pós-púberes
    • Inflamação dos ovários
    • Apresenta-se geralmente com dor pélvica e raramente afeta a fertilidade
  • Pancreatite
  • Meningite/encefalite assética
Criança com caxumba

Doente de idade pediátrica com parotidite epidémica, onde se observa uma glândula submandibular tumefacta

Imagem: “Child with mumps” por CDC/NIP/Barbara Rice.  Licença: Public Domain

Complicações

  • Nos doentes em idade adulta, o curso clínico é mais grave e as complicações são mais frequentes.
  • Na gravidez, a parotidite epidémica associa-se a uma taxa aumentada de aborto espontâneo.
  • Orquite e ooforite podem levar à infertilidade (raro).
  • Encefalite (taxa de mortalidade de 1,5%)
  • Surdez aguda unilateral (raro)

Diagnóstico

O diagnóstico de parotidite epidémica é tipicamente clínico, não sendo necessário nenhum teste laboratorial de confirmação.

  • O exame objetivo confirma a presença de glândulas tumefactas, classicamente as parótidas.
  • Como em qualquer processo inflamatório das glândulas salivares, os níveis séricos de amilase estão elevados.
  • Na incerteza acerca do diagnóstico, pode fazer-se uma avaliação com zaragota nasofaríngea, urina, sangue, fluido da cavidade bucal ou LCR.
    • Inibição da hemaglutinação (ou seja, IgG, IgM)
    • RT-PCR em tempo real
    • ELISA
    • Cultura
  • Na suspeita de meningite/encefalite, considerar realizar uma punção lombar.

Tratamento e Prevenção

Tratamento

  • Geralmente, a parotidite epidémica tem um curso clínico autolimitado.
  • O tratamento da infeção e das suas complicações é com cuidados de suporte.
  • Durante o período infeccioso, o doente é isolado para evitar a transmissão.
  • Podem ser administrados analgésicos e antipiréticos.
  • São dadas recomendações gerais para reduzir o desconforto do doente:
    • Evitar alimentos e bebidas cítricas.
    • Compressas mornas e/ou frias podem ser colocadas sobre a glândula parótida.
  • As complicações podem exigir medidas adicionais:
    • Pancreatite com vómitos excessivos → fluidos IV
    • Orquite → repouso no leito e colocação de gelo no escroto

Prevenção

  • Vacina tripla VASPR:
    • As crianças devem receber 2 doses da vacina VASPR.
    • A 1ª dose é administrada aos 12-15 meses.
    • A 2ª dose é administrada aos 4-6 anos.
    • Pode ser dada em todas as idades
  • Vacina MMRV (sarampo, parotidite epidémica, rubéola e varicela- pela sigla em inglês):
    • Aprovado apenas para crianças entre os 12 meses e 12 anos
    • A 1ª dose é administrada aos 12-15 meses.
    • A 2ª dose é administrada aos 4-6 anos.

Diagnóstico Diferencial

  • Encefalite/meningite: infeção do tecido cerebral e do revestimento deste, respetivamente. A encefalite e a meningite podem ser de origem bacteriana ou vírica. Casos ligeiros podem não apresentar sintomas ou dar origem a sintomas ligeiros semelhantes aos da gripe. Casos graves podem cursar com patologias ameaçadoras da vida. É necessária uma avaliação médica imediata na presença de sintomas como confusão, alucinações, convulsões e perda de sensibilidade. O tratamento é de suporte e requer também que seja encontrada e tratada a causa subjacente.
  • Mastoidite: infeção do osso mastoideu com formação de quistos preenchidos por pus que ocorre, geralmente, a partir de uma infeção do ouvido médio. Os sintomas incluem rubor, tumefação e dor em redor do osso, bem como febre, otalgia e otorreia. O tratamento é com antibióticos e, em casos graves, pode ser necessária a cirurgia.
  • Epididimite e orquite: inflamação aguda do epidídimo e do testículo causada por infeções víricas ou bacterianas. Os doentes apresentam dor testicular e edema escrotal. O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos e numa urinálise com cultura. O tratamento é com antibioterapia empírica com cobertura de gram-negativos e tratamento dirigido aos resultados da cultura.
  • Sialolitíase: uma patologia na qual pedras presentes nas glândulas salivares estão infetadas e causam inflamação e dor. Os doentes apresentam dor nas glândulas parótidas, submandibulares, sublinguais ou salivares minor. O tratamento é com antibióticos e anti-inflamatórios, sendo esperada uma eliminação espontânea dos cálculos.

Referências

  1. Donahue, M., Schneider, A., Ukegbu, U., Shah, M., Riley, J., Weigel, A., James, L., Wittich, K., Quinlisk, P., Cardemil, C. Complications of Mumps During a University Outbreak Among Students Who Had Received 2 Doses of Measles-Mumps-Rubella Vaccine – Iowa, July 2015–May 2016. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2017;66(14):390-391.
  2. Albrecht, M. (2020). Mumps. UpToDate. Retrieved February 2, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/mumps
  3. Ruiz, C. (2019). Acute Mumps Treatment & Management. EmedicineRetrieved February 2, 2021, from https://emedicine.medscape.com/article/784603-treatment#d11
  4. Centers for Disease Control and Prevention. Recommended adult immunization schedule, by vaccine and age group – United States 2020. Centers for Disease Control and Prevention. Retrieved February 2, 2021, from http://www.cdc.gov/vaccines/schedules/hcp/imz/adult.html
  5. Caplan, C. Mumps in the era of vaccines. CMAJ. 1999;160(6):865-866.
  6. Nussinovitch, M., Volovitz, B., Varsano, I. Complications of mumps requiring hospitalization in children. Eur J Pediatr. 1995;154(9):732-734. 
  7. Tesini, B. (2019) Mumps (Epidemic Parotitis). Merck Manual Professional Version. https://www.msdmanuals.com/professional/pediatrics/miscellaneous-viral-infections-in-infants-and-children/mumps

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