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Hormonas Hipotalâmicas e Hipofisárias

As hormonas hipotalâmicas e hipofisárias são os reguladores mais importantes do sistema endócrino. O hipotálamo funciona como o centro coordenador entre o SNC e o sistema endócrino, através da integração dos sinais recebidos do resto do cérebro e através da libertação das hormonas reguladoras para a hipófise. A hipófise liberta as suas próprias hormonas em resposta à estimulação hipotalâmica. As hormonas hipofisárias regulam múltiplos órgãos endócrinos, incluindo as gónadas, a glândula tiroideia, as glândulas supra-renais e as glândulas mamárias. As hormonas hipofisárias também desempenham um papel crítico no crescimento e no balanço hídrico.

Última atualização: 16 Apr, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Descrição Geral

Definições

As hormonas são moléculas mensageiras sintetizadas numa parte do corpo e exercem efeitos reguladores específicos noutra parte do corpo.

Hormonas hipotalâmicas:

  • Segregadas diretamente pelos neurónios do hipotálamo
  • Atuam na hipófise
  • Representam o ponto de integração entre o SNC e o sistema endócrino

Hormonas hipofisárias:

  • Segregadas das regiões anterior e posterior da glândula
  • Estimulam a secreção de hormonas dos órgãos endócrinos periféricos
  • Reguladas tanto pelo hipotálamo como através de feedback negativo das hormonas endócrinas periféricas.

Eixo hipotálamo-hipófise e feedback negativo

Muitas das principais hormonas endócrinas funcionam através de um mecanismo de feedback negativo de várias etapas conhecido como um eixo. Estes eixos envolvem o hipotálamo, a hipófise e múltiplas glândulas endócrinas periféricas diferentes.

Estrutura geral e função do eixo:

  • Hipotálamo segrega as hormonas libertadoras.
  • As hormonas libertadoras são transportadas para células-alvo específicas na hipófise.
  • As células-alvo hipofisárias libertam uma 2.ª hormona conhecida como hormona trófica.
  • As hormonas tróficas atingem as glândulas endócrinas periféricas alvo.
  • As glândulas endócrinas periféricas segregam as suas hormonas, que:
    • Atuam sobre órgãos-alvo e exercem um efeito fisiológico
    • Exercem feedback negativo sobre o hipotálamo e a glândula hipofisária
Mecanismo de feedback negativo acionado pelo eixo endócrino

Mecanismo de feedback negativo acionado pelo eixo endócrino

Imagem por Lecturio.

Exemplo: eixo hipotálamo-hipófise-tiroide (HPT):

  • O hipotálamo segrega a hormona libertadora de tirotrofina (TRH).
  • A TRH estimula as células tirotróficas hipofisárias a libertarem a hormona estimulante da tiroide (TSH).
  • A TSH é transportada para a tiroide para estimular a produção das hormonas tiroideias (por exemplo, tiroxina).
  • Tiroxina:
    • Estimula o metabolismo na maioria das células do corpo
    • Inibe a libertação da TSH e TRH (feedback negativo)

Hormonas Hipotalâmicas

As hormonas são sintetizadas diretamente nos neurónios do hipotálamo. As hormonas são os reguladores primários da hipófise e, portanto, o mecanismo primário através do qual o SNC comunica com o sistema endócrino.

Controlo hipotalâmico da hipófise anterior

O hipotálamo segrega fatores libertadores transportados para a hipófise anterior através do sistema portal hipofisário (complexo vascular que estabelece a ligação do hipotálamo à hipófise).

Hormonas hipotalâmicas estimulantes:

  • TRH → estimula as células tireotróficas hipófisárias a libertarem TSH
  • Hormona libertadora de corticotrofina (CRH) → estimula as células corticotróficas hipofisárias a libertarem a hormona adrenocorticotrófica (ACTH)
  • Hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH) → estimula as células gonadotróficas hipofisárias a libertarem:
    • Hormona folículo-estimulante (FSH)
    • Hormona luteinizante (LH)
  • Hormona libertadora da hormona do crescimento (GHRH) → estimula as células somatotróficas hipofisárias a libertarem a hormona do crescimento (GH)
  • Ainda não foi identificada nenhuma “hormona libertadora da prolactina (PRL)”; a PRL é controlada sobretudo através da inibição.

Hormonas hipotalâmicas inibitórias:

  • Somatostatina:
    • Na hipófise anterior, a somatostatina inibe:
      • GH
      • TSH
    • Inibe outras hormonas no resto do corpo
  • Dopamina:
    • Inibe a libertação da PRL
    • Outras funções: papel na função executiva, controlo motor, motivação, excitação, reforço e recompensa

Controlo hipotalâmico da hipófise posterior

Ao contrário da hipófise anterior, não existem hormonas hipotalâmicas libertas na circulação sanguínea para estimular a hipófise posterior. Pelo contrário, o hipotálamo tem axónios ligados diretamente à hipófise posterior.

  • As hormonas hipofisárias posteriores são sintetizadas nos neurónios do hipotálamo.
  • As hormonas hipofisárias posteriores são transportadas nos axónios neuronais, através da haste hipofisária, até a hipófise posterior.
  • As hormonas são libertadas para a circulação sanguínea na hipófise posterior.
Hipófise anterior e posterior

Diagramas da hipófise anterior e posterior, e respetivas vias de comunicação com o hipotálamo

ADH: hormona antidiurética
OT: oxitocina
Imagem: “Anterior and posterior pituitary gland” por Phil Schatz. Licença: CC BY 4.0

Hormonas Hipofisárias

A hipófise é a “glândula mestre” do sistema endócrino. A hipófise segrega hormonas que estimulam outros órgãos endócrinos em todo o corpo.

Hipófise anterior

As hormonas da hipófise anterior incluem:

  • GH:
    • Não tem como alvo um órgão específico
    • Estimula o crescimento e a diferenciação celular em todo o corpo
    • Libertada pelas células somatotróficas (50% das células hipofisárias anteriores)
    • Regulação da GH:
      • Estimulada pela GHRH
      • Inibida pela somatostatina
  • ACTH:
    • A ACTH estimula o córtex adrenal para segregar os corticosteroides.
    • Libertada pelas células corticotróficas (15%–20% das células da hipófise anterior)
    • Regulação: estimulada pela CRH
  • TSH:
    • Estimula a glândula tiroide a libertar as hormonas tiroideias: tiroxina e triiodotironina
    • Liberatada pelas células tirotróficas (5% das células hipofisárias anteriores)
    • Regulação: estimulada pela TRH
  • Gonadotrofinas:
    • Atuam sobre as gónadas (isto é, ovários e testículos), estimulando-os a segregar as hormonas sexuais:
      • Androgénios (por exemplo, testosterona)
      • Estradiol
      • Progesterona
    • Libertadas pelas células gonadotróficas (10% das células hipofisárias anteriores)
    • Regulação: estimulada pela GnRH
    • As 2 hormonas gonadotróficas são:
      • FSH: estimula o desenvolvimento dos óvulos nos ovários e a produção de espermatozóides nos testículos
      • LH: estimula a ovulação nas mulheres e a produção de androgénios em ambos os sexos
  • PRL:
    • Funções:
      • Estimula a produção (mas não a secreção) de leite materno durante o período de amamentação
      • Tem efeitos na sensibilidade à LH
    • Libertada pelas células lactotróficas (15%–20% das células hipofisárias anteriores)
    • Regulação:
      • Regulada principalmente pela dopamina (a prinicipal inibidora da PRL)
      • Estimulada pela estimulação dos mamilos

Hipófise posterior

Os axónios hipotalâmicos libertam estas hormonas diretamente na circulação. As hormonas hipofisárias posteriores incluem:

  • Oxitocina:
    • Sintetizada nos núcleos paraventriculares do hipotálamo
    • Estimula:
      • Contrações uterinas durante o trabalho de parto
      • Ejeção/secreção do leite materno durante a lactação
    • Picos durante a excitação sexual e o orgasmo
    • Pode desempenhar um papel na propulsão do sémen no aparelho reprodutor masculino
    • Conhecida como a “hormona do amor”: cria sentimentos de ligação emocional e satisfação sexual.
  • Hormona antidiurética (ADH):
    • Sintetizada nos núcleos supraóticos do hipotálamo
    • Atua nos rins para aumentar a reabsorção de água

Resumo do Eixo Hipotalámo-Hipófise

Tabela: Hormonas e orgão alvo do eixo hipotálamo-hipófise
Hormona hipotalâmica Célula-alvo hipofisária Hormona hipofisária Órgão alvo Efeitos finais
CRH Corticotrofos ACTH Córtex adrenal Libertação de corticosteróides
TRH Tireotrofos TSH Glândula da tiróide Libertação de hormonas tiroideias
GnRH Gonadotrofos FSH Gónadas: ovários, testículos Desenvolvimento dos folículos ováricos e produção de espermatozoides
LH Gónadas: ovários, testículos Produção de androgénios (ambos os sexos), estimulação da ovulação (mulheres)
GHRH Somatotrofos GH Muitos órgãos Efeitos anabólicos
Somatostatina (inibidor) Somatotrofos GH (inibida) Muitos órgãos Efeitos anabólicos inibidos com somatostatina
Dopamina (inibidor) Lactotrofos Prolactina (inibida) Glândulas mamárias Produção de leite inibida pela dopamina
ACTH: hormona adrenocorticotrófica
CRH: hormona libertadora de corticotrofina
GH: hormona do crescimento
GHRH: hormona libertadora da hormona do crescimento
FSH: hormona folículo-estimulante
LH: hormona luteinizante
TRH: hormona libertadora de tireotrofina
TSH: hormona estimulante da tiróide
Table: Resumo das hormonas libertadas pela hipófise posterior
Local de síntese Hormona Órgão alvo Efeitos fisiológicos
Núcleos paraventriculares Oxitocina
  • Útero
  • Glândula mamária
  • Contrações uterinas
  • Libertação e excreção de leite
Núcleos supraóticos ADH Túbulos renais Aumento da retenção de água
ADH: hormona antidiurética

Relevância Clínica:

  • Amenorreia hipotalâmica funcional: uma das principais causas de amenorreia secundária (ausência de menstruação). A amenorreia hipotalâmica funcional resulta da diminuição da secreção pulsátil da GnRH que ocorre durante os períodos de stress físico ou psicológico severo e está mais comummente associada a distúrbios alimentares ou a exercício excessivo (comum em mulheres atletas). O tratamento habitualmente requer apoio e aconselhamento nutricional.
  • Hipopituitarismo: condição caracterizada por um défice de todas as hormonas hipofisárias. Como as hormonas hipofisárias regulam múltiplos órgãos, logo os efeitos da disfunção hipofisária são multissistémicos. As causas incluem massas hipofisárias, síndromes congénitas, trauma, infeções e danos vasculares. O diagnóstico é feito através de uma combinação de achados clínicos, níveis hormonais, testes de provocação e imagiologia cerebral. O tratamento é através da substituição hormonal e abordagem da etiologia subjacente.
  • Adenoma hipofisário: tumores que se desenvolvem no lobo anterior da hipófise. Os adenomas hipofisários são classificados pelo tamanho (micro ou macroadenomas) e pela capacidade de segregar hormonas. Adenomas não funcionais ou não secretores não segregam hormonas, mas podem comprimir o tecido hipofisário circundante e levar ao hipopituitarismo. Os adenomas secretores segregam várias hormonas dependendo do tipo celular a partir do qual evoluíram, levando ao hiperpituitarismo.
  • Hiperprolactinemia: níveis elevados de PRL no sangue. A causa mais comum é o adenoma hipofisário secretor de PRL, conhecido como prolactinoma. As apresentações clínicas podem incluir galactorreia (secreção de leite), oligomenorreia, disfunção erétil e, no caso de grandes tumores, cefaleias e alterações visuais. O diagnóstico é feito através da determinação dos níveis séricos de PRL e através de exames de imagem da hipófise. Habitualmente o tratamento de 1.ª linha é com agonistas dopaminérgicos, embora a cirurgia e/ou radiação possam ser necessárias.
  • Acromegalia e gigantismo: patologias causadas por excesso de produção de GH hipofisária. Tipicamente, o gigantismo refere-se à alta estatura observada nas situações de excesso de GH em crianças antes do encerramento das placas de crescimento. A acromegalia resulta do excesso de GH após o encerramento das placas de crescimento, o que leva a extremidades grandes e fácies características. O diagnóstico é através de análises laboratoriais e exames neuroimagem da glândula hipofisária.
  • Diabetes insípida central (DIC): condição na qual os rins são incapazes de concentrar a urina devido ao défice de ADH em circulação. Os níveis baixos de ADH ocorrem devido à diminuição da produção no hipotálamo ou devido à diminuição da libertação pela hipófise posterior. Indivíduos apresentam poliúria, noctúria e polidipsia. A diabetes insípida central e nefrogénica distinguem-se com base nos níveis de ADH e na resposta ao teste de privação de água. O tratamento do DI central é com desmopressina.
  • SIADH: distúrbio caracterizado por deficiente excreção de água devido à incapacidade de suprimir a secreção de ADH. A secreção inadequada da ADH pode ser ocorrer por várias causas, incluindo o aumento da produção pela hipófise devido a trauma ou doença, fármacos, secreção ectópica em casos de cancro, ou causas hereditárias (SIADH nefrogénica). A síndrome de secreção inapropriada de ADH deve ser suspeitada em qualquer indivíduo que apresente hiponatrémia, hipoosmolaridade e osmolaridade urinária elevada.

Referências

  1. Welk, C.K. (2021). Hypothalamic-pituitary axis. In Martin, K.A. (Ed.), UpToDate. Retrieved July 30, 2021, from https://www.uptodate.com/contents/hypothalamic-pituitary-axis
  2. Sadiq, N. (2021). Physiology, pituitary hormones. Tadi, P. (Ed.), Statpearls. Retrieved August 11, 2021, from Physiology, Pituitary Hormones Article (statpearls.com)
  3. Saladin, K.S., Miller, L. (2004). Anatomy and physiology. (3rd Ed. Pp. 638–646).

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