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Febre

A febre é definida como uma medição da temperatura corporal de pelo menos 38℃ (100.4℉). A febre é causada pela circulação de pirogénios endógenos e/ou exógenos que aumentam os níveis de prostaglandina E2 no hipotálamo. Este processo aumenta o "set-point" fisiológico da temperatura corporal. A febre está normalmente associada a arrepios, tremores, suores e ruborização da pele. A febre é um sintoma de uma vasta gama de doenças; portanto, é crucial fazer uma história precisa e uma revisão de outros sintomas para encontrar a causa. As principais etiologias da febre incluem infeciosa (mais comum), não infeciosa, neurogénica e induzida por fármacos. A febre alta pode ter efeitos sistémicos que colocam o indivíduo em risco de disfunção tanto a curto como a longo prazo. Em casos graves, a febre pode levar à morte se não for tratada.

Última atualização: 7 Mar, 2022

Responsibilidade editorial: Stanley Oiseth, Lindsay Jones, Evelin Maza

Definição

  • A febre é definida como uma medição da temperatura de pelo menos 38°C (100.4°F).
  • A temperatura corporal normal flutua, com variação diurna. A variação normal é entre 1°C e 1,3°C (1.8ºF and 2.4ºF) diariamente com:
    • Temperatura mais baixa entre as 2h e as 8h da manhã
    • Temperatura mais alta entre as 4h e as 21h
  • A temperatura varia de acordo com o local do corpo utilizado para a medição (por exemplo, a retal é superior à oral)
  • Ocorrem elevações normais da temperatura após:
    • Exercício vigoroso
    • Refeições
    • Ovulação

Etiologia

Infeção

  • Causa mais comum
  • Exemplos: gripe, constipação comum, pneumonia, malária, HIV, mononucleose infeciosa, gastroenterite.

Neurogénica

  • Causada por danos diretos no hipotálamo por:
    • Trauma do sistema nervoso central (SNC)
    • Hemorragia intracerebral
    • Aumento da pressão intracraniana
  • Caracterizada por uma temperatura elevada e resistência à terapêutica antipirética; não associada a transpiração

Induzida por fármacos

  • Vias possíveis:
    • Interferência com os mecanismos fisiológicos de perda de calor e de regulação central da temperatura
    • Danos diretos nos tecidos
    • Estimulação de uma resposta imunológica
    • Propriedades pirogénicas do fármaco
  • Classes de fármacos comuns:
    • Anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital)
    • Antibióticos (minociclina, beta-lactâmicos, sulfonamidas, nitrofurantoína)
    • Antidepressivos (síndrome serotoninérgica secundária à ingestão de inibidores de recaptação seletiva de serotonina (SSRI))
    • Alopurinol
    • Heparina
    • Anti-histamínicos
    • Drogas ilegais: anfetaminas, cocaína

Outras situações clínicas

  • Endocrinopatias (hipertiroidismo, feocromocitoma)
  • Embolia pulmonar
  • Neoplasias
  • Danos nos tecidos (enfarte do miocárdio, queimaduras, cirurgia, hemorragia, síndrome de esmagamento)
  • Autoinflamação (artrite, síndrome do intestino irritável (SII))

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Fisiopatologia

  • A temperatura corporal é regulada pelo SNC ao nível do hipotálamo.
  • A febre é um fenómeno fisiológico normal causado pela libertação de pirogénios (qualquer substância que cause febre) exógenos ou endógenos.
  • Quando ocorre febre, o centro termorregulador hipotalâmico sobe o seu set-point (semelhante ao termostato numa casa).
  • Esta subida deve-se ao ↑ da prostaglandina E2 (PGE2)na área pré-óptica do hipotálamo (o aumento da PGE2 é provocado por pirogénios circulantes).
  • Pirogénios endógenos:
    • Produzidos pela inflamação, trauma ou complexos antigénio-anticorpo
      • Interleucina-1 (IL-1)
      • IL-6
      • TNF-𝛼
      • Interferão-γ
    • Ativa a via do ácido araquidónico, que liberta PGE2 → ativa a área pré-óptica do hipotálamo → aumenta o set-point da temperatura
  • Pirogénios exógenos:
    • Principalmente de microorganismos:
      • Lipopolissacáridos (LPS) de bactérias gram-negativas
      • Endotoxinas
      • Exotoxinas

Efeitos fisiológicos da febre

  • Conservação do calor: vasoconstrição
    • Aumenta a produção de calor na periferia
    • Causa uma sensação subjetiva de frio nas mãos e nos pés quando o sangue é desviado da periferia para os órgãos internos.
  • Produção de calor: termogénese do tecido muscular e adiposo
    • Aumento da temperatura central pela libertação de trifosfato de adenosina (ATP)
    • Produção de calor no músculo → arrepios
    • Produção de calor do tecido adiposo → em recém-nascidos devido a uma maior percentagem de tecido adiposo castanho
  • Quando o set-point hipotalâmico for reposto num valor inferior, a perda de calor ocorre através de:
    • Vasodilatação, sudação e alterações de comportamento; pode ser devido a uma redução de citocinas pirogénicas ou à utilização de antipiréticos
O curso do tempo de uma febre típica

O curso do tempo de uma febre típica

Imagem por Lecturio.
Via da febre

Mecanismos de geração de febre

Um factor de stress do corpo (por exemplo, infeção, lesão, trauma) incita os linfócitos a libertar citocinas que, por sua vez, estimulam o hipotálamo.
No hipotálamo, o órgão vascular da lâmina terminal, ou crista supraóptica (OVLT) ativa as ciclooxigenases (COX), que catalisam a formação de prostaglandinas (PGE2).
Estas substâncias semelhantes às hormonas produzem febre ativando os neurónios sensíveis ao frio (CS) e inibindo os neurónios sensíveis ao calor (WS).

Imagem por Lecturio.

Apresentação Clínica

Sintomas comuns

  • Tremores
  • Sudorese
  • Calafrios
  • Ruborização
  • Taquicardia ou palpitações
  • Letargia

Tipos de padrões de febre

Tipos de padrões de febre

Tipos de padrões de febre

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Efeitos da Febre

Efeitos benéficos

  • Pirogénios endógenos:
    • Influenciam o recrutamento e a função de muitos tipos de células imunitárias
      • Melhoram a fagocitose por neutrófilos e macrófagos
      • Melhoram a apresentação dos antigénios por macrófagos e células T
    • Diminuiem os níveis de metais vestigiais disponíveis (ferro e zinco)
      • Ajuda a inibir a reprodução microbiana
  • Temperaturas elevadas (39°C41°C):
    • Inibem diretamente o crescimento de algumas bactérias
    • Podem também inibir a motilidade e a formação de cápsulas/paredes celulares
  • Aumentam a atividade antimicrobiana de alguns antibióticos

Efeitos adversos

  • Dano celular direto por citocinas e inflamação: causa efeitos tanto locais quanto sistémicos (resumidos abaixo)
  • Podem provocar sépsis
  • Febres muito altas (> 41°C): aumentam as exigências metabólicas do hospedeiro → pode resultar em insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e isquemia
Tabela: Efeitos adversos das citocinas
Celular Local Sistémico
  • Danos nas membranas, mitocôndrias e DNA
  • Estimulação dos mecanismos excitotóxicos
  • Desnaturação de proteínas
  • Morte celular
  • Estimulação de citocinas
  • Resposta inflamatória
  • Estase vascular
  • Extravasamento
  • Edema
  • Endotoxemia
  • Translocação bacteriana intestinal

Relevância Clínica

As seguintes situações clínicas estão associadas a uma temperatura corporal elevada:

  • Síndrome de DRESS (drug rash with eosinophilia and systemic symptoms – erupção cutânea com eosinofilia e sintomas sistémicos): uma reação de hipersensibilidade tardia e grave às drogas. Muitas vezes causada por alopurinol, anticonvulsivantes e sulfonamidas. Além da febre, os sintomas incluem eosinofilia, erupções cutâneas difusas, linfadenopatia, linfocitose atípica, trombocitopenia e hepatite. Tratada com a supressão do agente causador. A taxa de mortalidade é de 10%.
  • Hipertermia maligna: uma doença genética rara caracterizada pelo aparecimento súbito de sintomas que ameaçam a vida, como febre > 40°C com rigidez muscular e instabilidade hemodinâmica, em resposta a certos fármacos utilizados para anestesia. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica de um evento agudo ou através de testes genéticos após o diagnóstico num familiar. O tratamento é com dantroleno intravenoso.
  • Síndrome Maligna dos Neuroléticos (SMN): uma doença com risco de vida em resposta a fármacos antipsicóticos e neuroléticos. Apresenta-se com febre alta, rigidez muscular, alteração do estado mental e disautonomia. O tratamento inclui a supressão do fármaco e antídotos como o dantroleno e a amantadina.
  • Síndrome serotoninérgica: uma resposta a fármacos serotoninérgicos, por exemplo, antidepressivos como SSRIs, inibidores da recaptação de serotonina-norepinefrina (SNRIs) e inibidores da monoamina oxidase (MAOIs). Apresenta-se com agitação, confusão, hipertermia, hiperatividade autonómica e rigidez. O tratamento consiste na supressão do agente causador.

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